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"EU TE AMO - Volte Para Mim" - Capítulo II

Escrito por Ro Ligado . Publicado em "EU TE AMO - Volte Para Mim"

capitulo 2

Ao entrarem em casa as garotas encontraram uma Sra. Bennet muito preocupada.

- Onde vocês estavam até uma hora dessas? Já passa das onze horas da noite!

- Fomos dar uma volta, mamãe, acabamos encontrando o William e o Charles e demoramos um pouco mais. - Disse Jane em tom despreocupado.


- Jane, não acredito que você deixou esses dois rapazes irem para casa sozinhos a uma hora dessas! Eu poderia esperar isso de Elizabeth que é desligada, mas não de você, minha filha!

Jane corou rapidamente e ficou sem saber o que falar até que Elizabeth foi ao seu socorro.

- Pare com isso, mãe, eles já são bem grandinhos para irem para casa sozinhos!

- Grandinhos, Lizzy? Vocês têm apenas vinte anos!


- Jane tem vinte e um, mamãe!- Lizzy falou apenas para provocar a mãe - E o William e o Charles já têm vinte e dois! O que pode acontecer com eles aqui no meio do nada? - Lizzy disse isso já subindo as escadas em direção ao quarto, seguida por Jane, que segurava o riso.

- Não sei, minha filha, nunca se sabe quando essa guerra chegará aqui em nossa cidade...


Lizzy parou no meio da escada bloqueando a passagem de Jane. Ela nunca tinha pensado nisso. A guerra sempre esteve muito longe dali. Será que um dia a guerra chegaria até elas?

- O que foi, Lizzy? Por que parou assim de repente?
- Nada, mãe. Onde está o papai?


- No escritório com aqueles benditos livros... Onde mais ele estaria, filha?

- Vou falar com ele antes de ir dormir - dito isso ela permitiu que Jane conseguisse subir as escadas para o quarto. - Boa noite, Jane!


O Senhor Bennet era um homem que amava a leitura. Sentia imenso prazer em devorar cada livro de sua biblioteca mais de uma vez até. Dizia que quando se lê um livro pela primeira vez, usam-se somente os olhos da face, mas na segunda vez, usam-se os olhos da alma.

Elizabeth entrou no escritório e viu o pai desligando o telefone.

- Desculpe-me, papai, não sabia que estava ocupado...

- Nada de mais, minha filha, estava falando com o pai de seu namorado.

- Com o senhor Darcy? O que ele queria?

- Saber se o filho dele estava aqui - nesse momento o pai de Lizzy lançou um olhar divertido para a filha - Mas fique tranqüila. William chegou em casa enquanto ainda nos falávamos.


- Ele esteve aqui sim... Fico feliz que tenha conseguido pular a cerca em segurança!

O Pai esboçou um sorriso. Ele adorava o sarcasmo da filha.

- Mas não foi para falar disso que você veio aqui, não é mesmo?- ele disse isso enquanto ia se sentar em uma poltrona e indicava a outra ao lado para a filha.

- Não, na verdade foi para fazer uma pergunta.
O senhor Bennet percebeu que o assunto era sério e começou a ficar preocupado.

- Diga, minha flor, o que está perturbando a sua cabeça?

- Pai, o senhor acha que essa guerra pode chegar em Hertfordshire? Acha que essa guerra pode chegar até a nossa casa?


- Por que esta pergunta agora, minha filha?

- Apenas responda, papai, por favor, com sinceridade. - Lizzy já se levantava da poltrona que ocupava e ia se sentar no colo do pai.


- Não sei, minha filha. Estamos em guerra há seis anos e nunca vi nenhum militar aqui nas redondezas, mas não posso afirmar que não seremos atingidos. Agora me diga por que essa pergunta agora? Você nunca ligou para essa guerra.

- É que pensei na possibilidade de ela chegar aqui. Mesmo estando apenas nas fronteiras ela já modificou bastante as nossas vidas. As faculdades nem aula dão mais! Estou sem estudar há três meses!

- O governo mandou que não se dessem mais aulas em todo o país esse ano, filha. Em tempos de guerra não se pode permitir a concentração de civis. É um alvo fácil para o inimigo. - Lizzy sentia as mãos do pai afagarem o seu cabelo.


- Eu tenho medo, papai. Medo de que eles mandem você para a guerra...

O Senhor Bennet soltou uma risada tristonha.

- Eu sou velho, minha filha. Nada poderia fazer em uma guerra.

- Mas o William não é, e ele adora tanto esta bendita guerra!
Nesse momento o pai de Lizzy percebeu o real motivo para a preocupação da filha.

- Acalme este coração, Elizabeth. Não sofra por algo que sequer aconteceu ainda. – ele resolveu mudar de assunto - Apenas William veio aqui?

- Não, Charles veio ver Jane também.


- Richard e George não vieram? Vocês são tão amigos.

- Esses dois não iriam perder uma noite de sexta-feira aqui no meio do nada, papai. Eles foram a uma festa na casa de uma menina da faculdade.


- Essas festas não foram proibidas, meu amor?

- Não as clandestinas. A juventude não agüenta mais guerra papai... Ninguém agüenta mais essa guerra sem sentido!


- Ela não é sem sentido, Lizzy, e você sabe disso.

- Ah, papai, eu não entendo. Já não bastou a Primeira Guerra? Para que fazer outra?

- Por que a Alemanha não aceitou perder, Lizzy. Por que o pacto de Versalhes não foi honrado!


- Honra... Tudo gira em torno disso, não é?

- Lizzy, minha filha, como podemos deixar Hitler fazer aquelas atrocidades e ficarmos calados? Você não tem idéia do que é estar em uma guerra...


- Eu não quero ter idéia do que é ter um pai ou um namorado em uma.

- Vá dormir, Lizzy. Esse assunto não irá nos levar a nada. Vamos, eu também estou cansado.


Lizzy se levantou do colo do pai e ajeitou a roupa.

- Boa noite, papai. Desculpe-me pela discussão. É que eu realmente não entendo...

- Boa noite, filha, e tire esses pensamentos da sua cabeça.


- Está bem.

Lizzy seguiu para o quarto, deixando o pai ainda em seus escritório. Este seguiu a filha apenas com um olhar marejado por lágrimas que nem ele sabia explicar.

- Você ainda sofrerá muito por causa dessa guerra, minha filha, e eu sofro por não poder poupá-la disso.
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O Sábado amanheceu ensolarado e quente. Eram sete e meia da manha quando Lizzy se levantou da cama. Ligou o rádio de seu quarto enquanto escolhia um vestido leve para vestir. Estava lavando o rosto quando ouviu o locutor dizer que a Inglaterra estava recrutando mais homens para a guerra. Lizzy saiu correndo do banheiro para ouvir a notícia.

- “O Parlamento inglês decidiu na ultima reunião convocar mais homens para ajudar na guerra que está sendo travada contra a Alemanha e seus aliados, dessa vez serão chamados homens acima de 24 anos. Para os demais, o alistamento continua sendo voluntário.”

Lizzy respirou aliviada. Willian tinha apenas 22 anos. Ficou tranqüila por terem feito aquela triagem. Terminou de se arrumar e foi dar sua caminha matinal antes do café.

Tomou o caminho que tinha percorrido com Jane na noite anterior, chegando até a cachoeira. Ela sentiu uma vontade enorme de mergulhar naquela água cristalina e gelada.

Sentou –se em uma pedra e colocou os pés descalços dentro da água. Sentiu o corpo inteiro se refrescar. Fechou os olhos e começou a sentir a natureza, o silêncio e sua perfeição. Ali não haveria guerra nem tortura. Não, ali apenas existia paz.

- Uma margarida por seus pensamentos.

- Willian! O que esta fazendo aqui essa hora?


- Bom dia para a senhora também!- disse ele enquanto se sentava ao lado dela.

- Desculpe, meu amor. Venha aqui. – ela o puxou para mais perto e depositou um leve beijo em seus lábios.
- Agora meu dia será maravilhoso – disse ele com os olhos fechados.

- Mas diga-me, o que você está fazendo aqui a uma hora dessas? É muito cedo!


- Eu sei. Não quis ligar para a sua casa com medo de acordar a sua família, então, como sabia que você vinha aqui todas as manhãs, resolvi vir também.

- Hum... E veio aqui para...


- Para te convidar a passar o dia comigo lá em casa. Faz tempo que não fazemos isso. O dia está lindo! Nós podemos passar a manhã na piscina e almoçar em casa. Depois podemos ficar deitados na rede fazendo nada, ouvindo rádio...

- Parece uma ótima idéia!

- Chame Jane também. Charles dormiu lá em casa. Aliás, está dormindo. Acho que não vai acordar tão cedo!

- Então será um dia de casais?


- Sim, será um dia de casais: eu e você, Jane e Charles. – disse ele enquanto se aproximava de Lizzy, puxando-a para um beijo que foi interrompido.

- Sua mãe e seu pai!

- É... Mamãe e papai - ele disse em um tom desanimado.
O casal ficou na cachoeira por mais alguns minutos conversando amenidades. Depois seguiram para a casa da moça, para que ela pudesse se arrumar e convidar Jane.

- Willian, querido, venha tomar café conosco! - A senhora Bennet já puxava o jovem pelo braço obrigando-o a entrar na casa.

- Bom dia, meu sogro!


- Bom dia, meu jovem. Acho que minha esposa não lhe deu escapatória, não é? - o homem deu uma piscadela para Willian, que se sentava ao seu lado.

- Não diga isso, senhor Bennet! Gostaria que deixasse o menino lá fora esperando as nossas filhas se arrumarem? Elas também não tomaram café!

Willian esboçou um sorriso de conformidade para o sogro e começou a tomar um copo de suco. Depois de meia hora o casal e Jane já estavam seguindo a pé para a casa do rapaz.

- Será que Charles ainda está dormindo?

- Acho que sim, Jane. Fomos dormir meio tarde ontem.

- E posso saber por que, mocinho? - perguntou Elizabeth beliscando o braço do namorado.

- Bom, nós ficamos conversando.


- Sobre... - agora era Jane que estava curiosa.

- Nada específico.


- Willian, você está escondendo alguma coisa! - disse Elizabeth parando no meio caminho e se soltando do braço dele.

- Pare com isso, Lizzy! Que coisa! Sempre acha que estou fazendo algo de errado – puxou-a para continuarem o caminho.
- É, Lizzy. Não vá estragar o dia com outra briga boba.


- Está bem. Com vocês dois ninguém pode! Ei! Aquele ali não é o Richard? E o George?

- Mas o que eles estão fazendo aqui na minha casa tão cedo?- Willian mostrava-se um pouco nervoso com a situação.


- Jane, cada dia mais bonita! - George disse dando um beijo na mão da moça e fazendo-a ficar vermelha - E você, Lizzy, cada dia mais charmosa!

- Pare com isso, Wickham!- disse Willian enciumado – Venha, tenho que falar com você!


- Para que tudo isso, Willian? Ele estava só brincando - Lizzy tentou argumentar mas Willian já puxava George e Richard para dentro da casa.

- Calma, Willian, já falamos com Charles! Ele nos contou que elas ainda não sabem e falou do plano de vocês. Resolvemos ficar para ajudar!- Argumentou Richard que se soltava do braço de Willian.

- È, não precisa fazer essa cena toda, cara! Somos seus amigos, lembra? - Agora era Wickham quem se soltava de Willian.

- Eu sei que vocês são meus amigos, meus melhores amigos junto com Charles, mas fiquei com medo de falarem na frente delas! Isso estragaria tudo!

- Calma, campeão! Vai dar tudo certo! - George dizia indo em direção à porta da casa - Agora é melhor você ir se explicar com elas. Se demorarmos muito vão desconfiar de alguma coisa.


Todos saíram da casa e foram para a varanda. Lá encontraram os pais de Darcy conversando com Elizabeth e Charles conversando com Jane.
- O que aconteceu, meu filho? Lizzy nos disse que você estava nervoso. - A senhora Darcy foi de encontro ao filho abraçando-o.

- Nada demais, mãe. Só alguns assuntos que eu tinha para tratar com esses dois festeiros aqui.


- Vocês deveriam ter ido à festa ontem! - Richard contava entusiasmado - Charlotte nunca deu uma festa tão boa quanto a de ontem!

- Você fala isso por que gosta dela!- zombou Charles.


- Bom, vejo então que todos já estão arranjados - Disse o Senhor Darcy - Meu filho com Lizzy, Charles com Jane, Richard com Charlotte e você, Wickham, vai ficar com quem?

- Eu? Estou bem onde estou. Solteiro, mas nunca desacompanhado!


Todos riram, menos Lizzy, que estava emburrada desde que os meninos voltaram.

- Bom, acho que vieram aqui para aproveitar o dia não é mesmo? - disse a senhora Darcy - Então vão logo se arrumar. Vou mandar preparar um suco para vocês.

Todos se encaminharam aos fundos da casa, onde ficava a piscina, com a exceção de Lizzy, que ficou encostada na viga de madeira que sustentava o telhado da varanda da casa.

- Você vai ficar com essa cara o dia inteiro? - Willian ficou de frente para ela.

- Se você quiser, eu posso ir embora e assim você não precisa ficar olhando para a minha cara.


- Para que isso agora, Elizabeth?

- O que vocês estão escondendo?
- Meu Deus! Eu já falei que não é nada! Pare de ser assim!

- Assim como Willian?


- Assim... Desconfiada! - ele foi se aproximando dela - Linda, charmosa, encantadora...

- Não começa a fazer isso.


- Isso o quê? - ele já estava abraçado a ela.

- Isso... Ficar me elogiando para eu ficar toda derretida e esquecer que estou brava com você!


- Então esqueça logo isso. Eu quero me divertir hoje! Não brigar com você!

- Está bem. - ela virou o rosto dando um terno beijo em seus lábios - Mas que você está escondendo alguma coisa, está.


- Lizzy! - ele já puxava a namorada para se juntarem aos amigos.