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"EU TE AMO - Volte Para Mim" - Capítulo III

Escrito por Ro Ligado . Publicado em "EU TE AMO - Volte Para Mim"

Capítulo 3
A manhã se seguiu muito divertida. Todos brincaram na piscina e deram muitas risadas com as histórias contadas por George e Richard sobre a festa.

Após o almoço, os jovens se separaram em grupos: Richard e George resolveram jogar cartas com o pai e a mãe de Willian, enquanto os dois casais preferiram ficar balançando na rede.

- Eu não me divertia assim há tanto tempo! - disse Jane que estava encostada ao peito de Charles.

- Eu também. Temos que fazer isso mais vezes. Sinto falta de andarmos todos juntos desde de que...

- Charles! - esbravejou Willian.

Ele não queria estragar o momento falando da guerra.

- Mas ele tem razão, Willian. - disse Lizzy fazendo carinho nos cabelos do namorado que estava com a cabeça em seu colo - Não fazemos isso há 6 anos, ou seja, desde que a guerra começou!

- Por favor, gente, não vamos entrar nesse assunto. - implorou Jane - O dia está tão agradável!
- Isso mesmo, Jane. - falou Willian - Lembram quando a gente era mais novo, e brincava com aquele jogo de tabuleiro? Aquele que tinha que ir comprando as casas...
- Nossa, Will, a gente nem namorava ainda! Aliás, ninguém namorava naquela época!

- Eu o tenho guardado aqui ainda.

- Então pegue, Willian. Vamos jogar! - disse Charles animado.


- É, cunhadinho! Vamos brincar um pouquinho!

- Amor, aproveite e pegue água para nós também. Está muito quente aqui fora! E chame o Richard e o George!

- Muitas tarefas para uma pessoa só! Charles venha me ajudar. - nesse momento Willian lançou um olhar significativo para o amigo.

- Claro, Willian, vamos lá.

Os dois saíram deixando as irmãs sozinhas, cada uma em sua rede, conversando sobre os tempos de infância.

- Jane, eles estão demorando muito!

- Calma, Lizzy, eles voltam daqui a pouco. Tudo isso é saudade do Will?

- Muito engraçadinha a senhora! - Lizzy disse enquanto se levantava da rede - Eu vou atrás deles. Devem estar no quarto do Willian procurando o jogo.


- Lizzy, não fica bem você entrando assim no quarto dele!

- O que é que tem isso, Jane? Ninguém liga mais para essas coisas.

Dito isso, Elizabeth seguiu para o quarto do namorado, no andar de cima da casa. Chegando, bateu de leve na porta e, como ninguém respondeu, resolveu entrar.
O quarto de Willian era muito bem arrumado. Fixas às paredes, havia várias prateleiras repletas de aviões, carrinhos e tanques - lembranças de uma infância de que Lizzy tinha participado. Olhando para tudo aquilo, lembrou da primeira vez que havia visto Willian. Tinha apenas oito anos de idade, quando esbarrou com ele no centro da cidade. Riu ao lembrar que tinha sujado toda a blusa do garoto ao derrubar o sorvete que carregava em cima dele.

Andando mais um pouco, chegou à escrivaninha, onde encontrou uma foto. Nela estavam ela e Will no baile de formatura do Ensino Médio. Foi naquele dia que trocaram o primeiro beijo. Lizzy sentou-se na cadeira que estava ao lado para olhar com mais atenção a foto.

Ela trajava um vestido longo e frente única azul muito justo na cintura. Nas bordas, o vestido possuía detalhes em branco em formas de flor. O cabelo estava preso em vários cachos, sem um fio solto. Willian, como sempre, estava lindo com seu terno preto feito sob medida e seus cabelos arrumados. Lizzy ainda sentia o perfume em suas narinas, aquele perfume que não era artificial, era apenas de Willian.
Lembrou-se de como ele, no meio de uma dança, dissera que gostava dela e que queria beijá-la havia muito tempo. E ela respondera “ Então beije”.

Desviou os olhos da foto. Passou a procurar mais algum retrato sobre a escrivaninha até que...

- Que envelope é esse?

Ao passo que Elizabeth ia lendo o envelope, lágrimas começavam a rolar sobre sua face.

- Requerimento de alistamento voluntário para a guerra, mas como? Já está tudo preenchido...

Ela abriu o último papel que estava dentro do envelope.

- Senhor Willian Darcy, informamos que o senhor deve se apresentar na base militar inglesa situada na cidade de Londres no dia 3 de Agosto.

Elizabeth sentiu as lágrimas escorrerem em uma velocidade fora do normal. O rosto inteiro já estava molhado. Ele queria ir para a guerra! O seu Willian queria ir para a guerra!
Olhou a data de envio da carta. Datava de duas semanas antes. Ela se sentiu traída: ele já sabia daquilo havia duas semanas!

- Como... Como ele pôde?

Ainda com a carta nas mãos, saiu correndo do quarto, desceu as escadas como um raio indo em direção à porta da casa, onde estava com Jane antes.
- Lizzy, o que foi? Onde você está indo? - perguntou George.

- Onde está Jane? - ela perguntou ainda com a carta nas mãos - Eu vou para a minha casa, Wickham!

- Ela foi dar uma volta com Charles. Acalme-se um pouco! Willian já vem. Ele está conversando com o pai e...


- Eu não quero saber do seu amiguinho Darcy! - Lizzy estava gritando sem perceber - Eu não quero mais saber de nada, George! Diga para ele nunca mais me procurar! Nunca mais se dirigir à minha pessoa ou ir à minha casa!

- Lizzy, o que foi que aconteceu? Meu Deus, você está muito nervosa! Está tremendo! - Wickham ia em direção a ela pra fazê-la sentar-se.


- O que aconteceu? Isso aconteceu! - Ela atirou a carta para ele e saiu correndo em direção à cerca que separava as propriedades. Queria ir embora dali. Já do outro lado da cerca, ouviu Willian gritando desesperadamente o seu nome.

Lizzy correu o mais rápido que pôde. Sabia que Willian iria procurá-la, então não poderia ir para a cachoeira ou para a casa. Resolveu, então, seguir para o celeiro. Lá poderia ficar sozinha longe de todos.

Entrou no lugar e bateu a velha porta de madeira com força. Ainda não acreditava em tudo aquilo. Como ele podia preferir ir à guerra a ficar com ela? Abandoná-la ali para ir lutar por um país que nunca tinha feito nada por eles?

Ela ficou andando de um lado para o outro, deixando as lágrimas quentes escorrerem de seus olhos. Foi tomada de seus pensamentos por um Willian extremamente nervoso que acabava de entrar.
- Lizzy, você tem que me ouvir...

- Eu não quero suas explicações! Tudo está muito claro, Willian.


- Você não entende, não me deixa falar!

- Eu entendo tudo! Você vai me deixar aqui para ir lutar nesta maldita guerra. Prefere arriscar a vida a ficar aqui comigo!


- Não é nada disso! Meu Deus, Lizzy, que espécie de homem sou eu que fica confinado na segurança de sua casa e não luta pelo seu país? Que orgulho eu posso ter disso?

- Orgulho? É nisso em que você pensa, em orgulho? - ela perguntava afastando-se cada vez mais dele.

- Eu tenho que lutar, Elizabeth! Tenho que defender meu país! Defender aqueles que precisam de proteção. Preciso defender minha família e você!


- Defender a mim? Pois eu prefiro que você fique aqui e morra comigo do que viver uma vida sem você. - Lizzy procurou se apoiar em uma viga de madeira que estava perto dela. Suas forças estavam se acabando.

- Eu não vou morrer, Lizzy. Eu vou lutar pelo nosso futuro! - ele foi se aproximando dela.


- Que futuro, Willian? Que futuro, se você vai me abandonar aqui?
Ele se ajoelhou na frente dela e tirou de dentro do bolso da calça uma caixa de veludo.

- Elizabeth Bennet, você aceita me amar pelo resto de sua vida, ser a mãe dos meus filhos, ser o ar que eu respiro, a luz dos meus olhos, o sol de todas as minhas manhãs, a lua de todas a minhas noites? Aceita ser a razão que me trará de volta para casa, a minha esposa para o resto de minha vida?

- Willian, por favor... - ela fazia força para que ele se levantasse, em vão.


- Apenas diga que sim! Diga que sim e me faça o homem mais feliz deste mundo.

Ele se levantou e beijou-a com todo amor que sentia naquele momento.

- Então, você aceita?

- Como eu poderia não aceitar? Eu te amo! Não sei viver sem você. Aliás, eu comecei a viver com você.

Ele abriu a caixa de veludo e colocou no dedo de Elizabeth uma linda aliança cravejada de pequenos diamantes.

- Meu Deus, Will! É lindo! - Lizzy estava perplexa com a beleza da jóia.

- Foi de minha mãe. Meu pai deu a ela quando a pediu em casamento. Por isso demorei no escritório. Ele estava falando o quanto estava orgulhoso da minha escolha.


- De ir para a guerra?

- Não, de ter escolhido você. - ele começou a beijar o pescoço de Lizzy que apenas o abraçava.

- Lizzy... - ele sussurrou no ouvido dela.

- Diga, meu amor.

- Fica comigo?
Ela se afastou um pouco dele para olhá-lo nos olhos.

- Aqui, Will? Agora?

- Eu não quero perder mais um momento ao seu lado, Lizzy. Nós vamos nos casar mesmo, não tem problema algum. - ele já encaminhava a noiva para um monte de feno que estava jogado em um canto do celeiro.

Começou a desabotoar o vestido florido que Lizzy usava enquanto beijava-lhe os lábios. Ela, no começo, deixava-se conduzir, já que não sabia direito o que fazer, porém seu corpo agia com vontade própria e ela resolveu deixar-se levar pelos sentimentos e instintos que já não conseguia controlar.

Deitados no feno, eram conduzidos pelo calor do momento. Ambos explorando o corpo um do outro e conhecendo o seu próprio. Os beijos trocados eram cheios de amor e paixão. Eles matavam uma saudade que ainda não existia. Saciavam o desejo reprimido por todos os anos de namoro naquele momento. Não houve espaço para mais nada, apenas para o amor que ambos sentiam.

Quando Lizzy acordou, sentiu Willian acariciando seus cabelos. Seu rosto ficou quente ao lembrar-se dos momentos que tinham vivido antes. Não sabia como encarar o noivo depois de tudo aquilo.

- Lizzy? Você acordou, meu amor?

- Não, estou dormindo ainda. - Ela afundou ainda mais o rosto no peito dele para não ter de encará-lo.

- Ah, é assim então? - Ele começou a fazer cócegas. Ela riu e acabou com o rosto grudado no dele
- Nós somos dois loucos, Will! Dois loucos!

- Bom, eu sou louco mesmo. Loucamente apaixonado por você!


- Eu estou falando sério, Will. Já imaginou se eu fico grávida? Até você voltar da guerra para podermos casar, minha barriga estaria visível!

- E quem disse que vamos esperar eu voltar da guerra?

- Mas, Will...

- Nada disso, mocinha. Nós nos casaremos antes de eu partir e isso lhe dá, deixe-me ver... Umas três semanas para preparar um casamento duplo.

- Três semanas? Mas é muito pouco e... Espere aí! Por que duplo?

- Bom, Charles ia pedir Jane em casamento também, e como eu tenho certeza de que ele conseguiu assim como eu, - roubou um beijo de Lizzy - teremos um casamento duplo em três semanas.

- Eu não acredito que você vai levar o Charles nessa sua maluquice de guerra, Will! - Lizzy já se levantava e procurava suas roupas para vestir.

- Ei! Eu não estou levando ninguém para lugar nenhum! - Will também se vestia - Eles estão indo por que querem.

- Eles? Eles quem?- Lizzy tentava arrumar o cabelo.

- Bom, o George e o Richard vão também.

- Eu não acredito! E vocês estavam escondendo isso até agora de nós? - abotoava o vestido amassado.
Lizzy, não era para você ter visto a carta. Quando você saiu da minha casa o George... Deixa eu te ajudar - ele começou abotoar o vestido dela também – Bom, o Wickham correu para me chamar. Ele entrou em casa como um louco gritando “ Corra, Will! Ela descobriu!”- ambos começaram rir ao imaginarem a cena.

- Coitado, Will, eles devem estar preocupados. Faz quanto tempo que desaparecemos?

Will consultou o relógio.

- Exatamente duas horas.

- Duas horas! Meu Deus, Will, eles vão desconfiar e... - Lizzy começou a se inquietar.


- Não se preocupe, meu amor. - Will a abraçou pela cintura - Como eu disse, nós vamos nos casar e ninguém tem nada a ver com a nossa vida, não é mesmo?

- Voltando a esse assunto de casamento, Will, é impossível fazer um casamento em três semanas.

- Na verdade teria que ser em duas semanas. Eu queria ficar pelo uma semana com você em lua-de-mel.

- Duas semanas? Você está louco? Jane nunca irá concordar com isso.

- Claro que irá. Se bem conheço minha cunhada, ela concordará com tudo.

- Mas os convidados e a decoração...

- Lizzy, a cerimônia pode ser pequena, apenas para familiares. Não tem que ser nada grande.

- Jura? Você não ligaria se fosse algo pequeno?- ela se virou para ficar de frente para ele.

- Lizzy, casar com você está ótimo, não me importa mais nada!- eles se beijaram apaixonadamente.