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"EU TE AMO - Volte Para MIm" - Capítulo V

Escrito por Ro Ligado . Publicado em "EU TE AMO - Volte Para Mim"

capitulo 5

Na mesma semana em que o casamento foi anunciado, a família Darcy ofereceu um almoço em homenagem aos noivos. Estavam presentes o casal Bennet e suas duas filhas, George, Richard, Charles e os pais, e, claro, os Darcy.

- Bom, antes de darmos início a este almoço, - falou o senhor Darcy - eu gostaria de expor o meu contentamento e de minha mulher, não só com o casamento de meu filho, mas também com o casamento de Charles, que cresceu dentro de nossa casa. Meninos, vocês não poderiam ter feito melhor escolha. Tanto Jane quanto Elizabeth são garotas maravilhosas que cresceram dentro de uma família unida e com princípios. Tenho certeza de que, durante toda a vida de vocês, haverá algum momento que pensarão se esta foi a escolha certa, e, então, ao lembrarem do amor que os une e do amor que os levou a se casarem, sentirão uma força sobre humana e enfrentarão todas as dificuldades. Esses são os votos de felicidade que tanto eu quanto os pais de Charles e das moças fazemos.

Todos ficaram, neste momento, com os olhos marejados, pois sabiam a que dificuldades o senhor Darcy se referia.

- Bom, eu não sei quanto a vocês, mais eu vim aqui para comer. Passe o frango, Richard. - disse George.
O almoço seguiu tranqüilo e animado. Ninguém falou de guerra, apenas ouviram conselhos dos mais velhos e deram risadas com as piadas que George fazia.

Enquanto os homens passaram a falar dos lances do último campeonato de futebol, as mulheres terminavam de tirar a mesa.

- Lizzy, posso falar com você? - disse a senhora Darcy.

- Claro que sim.

- Você pode me acompanhar um minuto? Prometo ser rápida.

As duas subiram em direção ao quarto que era ocupado pelos pais de William.

- A senhora possui um quarto muito bonito, minha sogra.

O quarto do casal era ricamente mobiliado. Uma cama imponente ocupava o centro do cômodo, um tapete vermelho cobria o chão de madeira e, ao lado da porta do banheiro, ficava a penteadeira da senhora Darcy.

- Senhora, posso lhe fazer uma pergunta?
- Claro que sim, minha filha. Pergunte o que quiser. - A sogra disse no tom amável de sempre.

- Onde fica o seu armário?

A mãe de William sorriu divertida.

- Fica nessa sala aqui, Lizzy. Como você percebeu, nossos móveis são grandes, então eu preferi fazer esta salinha aqui para guardar nossas roupas. Chama-se closet.

- Ah, sim. Desculpe-me a ignorância. - Lizzy sentia-se idiota. Claro que a sogra tinha um closet no quarto. Onde mais ela colocaria as roupas?

- Imagine, meu amor! Mas eu não lhe chamei aqui para mostrar o quarto. Sente-se aqui. - e fez Lizzy sentar-se na cama.

- O Will me disse que sua mãe cedeu o vestido de casamento dela para sua irmã usar, não é mesmo? - ela disse indo em direção ao closet.

- Sim, mas eu não fiquei chateada. Jane é a mais velha.

- Will me disse também que você gosta de desenhar roupas. É verdade? - A senhora permanecia dentro do closet.

- Ele deve ter falado demais. Eu apenas rabisco algumas coisas. Não posso me considerar uma modista. Sou apenas uma menina que brinca de desenhar.

- Então você consegue reformar isso para poder usá-lo no casamento?
A senhora Darcy trazia consigo um lindo vestido de noiva, sem uma única mancha amarelada do tempo.

- Foi do meu casamento. Hoje pode parecer antiquado e velho, mas era a última moda quando casei.

O vestido era rodado e com mangas longas. Não possuía decote, sendo fechado com renda até a altura do pescoço. O véu se estendia por todo o comprimento do vestido e era ricamente bordado com fios de ouro, assim como cada detalhe da roupa.

- Ele é... É... Lindo! Senhora Darcy, eu estou sem palavras. - Lizzy estava completamente abismada com a beleza do vestido.

- Ainda bem que gostou, minha filha. Aqui nesta caixa está a grinalda.


Quando Lizzy abriu a caixa ficou ainda mais sem ação. A grinalda era de ouro, com desenhos de pequenas margaridas em sua volta. No centro de cada margarida havia uma pedra de brilhante.
- Eu não posso aceitar. Não sei o que dizer...

- Aceite-o, minha querida. Deus não me deu a oportunidade de ter mais filhos, então não tenho uma filha a quem passar tudo isso. Dê-me esta honra. Eu lhe peço isso.
Lizzy apenas abraçou a sogra e ambas choraram lágrimas de felicidade e cumplicidade. Guardaram o vestido na caixa para que a moça pudesse levá-lo para casa.

Quando desceu as escadas, foi para os fundos da casa à procura de Will.

Avistou-o um pouco afastado da casa, voltando com uma bola de futebol nas mãos. Lizzy não agüentou a vontade e saiu correndo em direção a ele, pulando em seus braços.

- Eiii... Posso saber o motivo de tanta felicidade mocinha? Onde a senhora estava?

- Eu já disse que o amo, Will? Que eu amo você e toda a sua família? Já disse? Já disse?

Ela foi beijando todo o rosto dele. Fazendo-o rir.

- Sabia que eu amo os seus olhos, Lizzy?

- Ah, é? E posso saber por quê? - ela perguntou ainda nos braços dele.

- Por que através deles é que eu sei quando você está triste ou feliz. Como agora. Eu sei que você está feliz, diferente de momentos antes de eu pedir você em casamento. Naquele dia seus olhos não brilhavam.

- Só você pode fazer meus olhos brilharem. E sabe por quê? Por que só você me faz feliz!
Eles se beijaram amorosamente.

- Ah, Richard! Descobri por que ele está demorando a voltar com a bola.

- Por quê? - gritou Richard de longe.

- Digamos que ele encontrou um zagueiro no caminho!

Willian chutou a bola em cima de George fazendo-o dar risada e ir para a frente da casa.



O casal seguiu para baixo de uma árvore que ficava próxima aos fundos da residência.

- Já pensou em algum lugar para nossa lua-de-mel, Lizzy? - Ele perguntou fazendo carinho nos cabelos da noiva.

- Eu pensei em um lugar, mais não sei se você vai concordar. - ela disse com um sorriso nos lábios.

- Bom você sabe que não pode ser fora do país, não é?

- O lugar que eu pensei fica aqui mesmo em Hertfordshire.

- Onde? - ele perguntou curioso.
- A gente podia passar a lua-de-mel no celeiro. O que acha?

- No celeiro? Você está louca? - ele perguntou assustado.

Ela se virou para ficar de frente para ele.

- Pense bem. Foi lá que você me pediu em casamento, foi lá que eu disse sim, e foi lá também que agente teve a nossa primeira vez...- ela corou violentamente ao dizer a última parte.

- Mas, Lizzy, lá é um celeiro!

- A gente pode reformar! Por favor, Willian. Lá é o nosso lugar!

- Está bem. - ele disse conformado - Mas eu que vou reformá-lo. Você já está muito atarefada com as coisas do casamento.

- Sabia que você ia concordar! - roubou um beijo e voltou a encostar-se ao peito do noivo.

- Quem não vai gostar nada disso é a sua mãe. - ele disse imaginando a cena que a sogra faria.

- Ela não tem que gostar de nada. O casamento é nosso.

- Se você pensa assim, eu não vou discordar da noiva mais linda do mundo.

Ambos passaram as duas semanas seguintes preocupados com seus afazeres. Depois de muitos protestos da senhora Bennet, Willian conseguiu começar a reforma do celeiro para poder passar a lua-de-mel com Lizzy. Esta não parava um só minuto: sempre estava desenhando ou pensando em uma maneira de reformar tanto o seu vestido quanto o de sua irmã para o casamento.
Finalmente o dia chegou. O domingo marcado para cerimônia amanheceu ensolarado e sem uma única nuvem no céu. Aquele dia prometia grandes emoções.

O casamento seria realizado na casa da família Darcy, já que esta possuía uma certa tradição por suas recepções e festas, sempre muito bem comentadas e organizadas.

Jane se arrumou no quarto de hóspedes. Disse que não se sentiria à vontade no quarto de Willian. Lizzy se arrumou no quarto da Senhora Darcy, que fez questão que ela aceitasse. Para que a senhora Bennet não ficasse muito atarefada, a mãe de Willian se ofereceu para ajudar a arrumar Lizzy, que ficou muito feliz em aceitar já que a agitação da mãe a deixava mais nervosa.


No vestido que Jane usaria, Lizzy fez grandes modificações. Encurtou as mangas deixando-as um pouco abaixo dos ombros, apertou um pouco a cintura, tirou o volume do vestido deixando-o bufante, e, não, armado como um bolo de noiva como estava antes. O véu foi reduzido até a cintura de Jane que reclamava horrores do peso que ficava em sua cabeça com tantos metros de pano pendurado. Para as mãos, Lizzy mandou fazer luvas longas e brancas que deram um toque especial ao visual da irmã. Como Charles mesmo definira àquela tarde, a noiva estava a fada encantada dos contos infantis.
Já em seu próprio vestido, Lizzy não mudou quase nada por dois motivos: o primeiro era que não se sentia à vontade para fazer grandes mudanças e acabar estragando o vestido e o segundo e mais importante, porque o vestido era lindo daquela maneira e Lizzy não via como melhorá-lo. No final das contas, ela apenas reduziu as mangas, deixando-as um pouco abaixo dos cotovelos, fez um decote discreto na frente e reduziu o volume do vestido, que antes era bufante, deixando-o colado ao corpo e com uma longa cauda ricamente bordada atrás. O véu ficou igual ao que era antes: longo e sem peso algum sobre a cabeça, o que a agradou muito, já que não queria encurtá-lo.

- Deixe-me ver... Lizzy, você está linda, minha filha. - Disse a Senhora Bennet que já estava com as bochechas vermelhas de tanto nervosismo. - Quero que saiba que hoje eu estou muito feliz, tanto por Jane quanto por você.

- Eu sei, minha mãe. Eu também estou feliz, muito feliz.

- Conseguimos, não foi? Arrumar um casamento em duas semanas! - ela disse orgulhosa fitando a filha.

- Eu disse que conseguiríamos! A senhora é uma maravilha para organizar casamentos, mamãe. - ela disse ainda se olhando no espelho admirada com a própria beleza.
- Bom, deixe-me voltar ao quarto e falar com Jane, dar alguns conselhos de mãe. - ela deixou Lizzy sozinha com a sogra, que olhava em silêncio a cena.

Lizzy voltou-se para falar com a senhora Darcy e a viu com lágrimas nos olhos.

- Mas a senhora já está chorando? - Ela disse divertida.

- Bobagens de velha, minha filha, bobagens de velha. - ela disse secando as lágrimas.

- Hoje é um dia de alegria, não é? - disse pegando na mão da sogra.

- É que vendo esta cena, percebi que nunca poderei vivê-la, meu amor. Não tenho uma filha. Não tenho com quem ter esse tipo de alegria que sua mãe está vivenciando hoje com vocês. - ela disse não contendo o choro.


- A senhora tem sim. – disse Lizzy, que passou a secar os olhos da sogra - A senhora pode vivenciar tudo isso comigo hoje. Minha mãe está tão atarefada com Jane que chega a se esquecer que eu existo às vezes.

- Meu amor, não diga isso.

- Mas eu não estou reclamando! Eu não reclamo, pois tenho a senhora aqui comigo.
As duas se abraçaram. Naquele momento sabiam que seriam como mãe e filha por toda a vida.

- Olhe, estou amassando todo o seu vestido! - disse a senhora Darcy alisando a roupa de Lizzy.

- Não se preocupe com isso.

- Eu ainda não lhe dei o meu presente de casamento.

- Claro que deu! Este vestido, essa grinalda, seu filho... - ela completou animada.

- Fora tudo isso, - a sogra respondeu com um sorriso no rosto - tem mais uma coisa que eu gostaria de lhe dar.

- Mas a senhora... - Lizzy tentou argumentar.

- Pegue aquela caixa em cima da penteadeira.

- Esta? - Lizzy apontou para uma pequena caixa de madeira com uma rosa entalhada na frente.

- Sim, pegue-a para mim.

A mãe de Willian abriu a caixa e retirou um lindo colar de ouro que ostentava, como pingente, dois corações entrelaçados.
- Esta é uma jóia que está há muitas gerações na minha família, Lizzy. É costume das noivas usarem-na no dia do casamento. Eu gostaria que você a usasse hoje. Acho que não preciso lhe dizer os motivos, não é?

Elizabeth pensou alguns instantes e respondeu com um largo sorriso no rosto.

- Eu ficaria muito honrada com isso. A senhora me ajuda a colocar?

A sogra ajudou Lizzy a colocar o colar. Elas ficaram se olhando no espelho de mãos dadas por um bom tempo, até que a senhora Bennet mandou Lizzy descer para encontrar com o pai e com Jane, para que este pudesse conduzi-las ao altar.

- Boa sorte, querida. Que Deus lhe abençoe e lhe ajude por toda a sua vida.

Foi a última coisa que a senhora Darcy disse a Lizzy antes de deixá-la no quarto e seguir para junto do marido.

Lizzy deu uma última olhada no espelho. Pela primeira vez na vida ela se sentia bonita. Olhou para a sua imagem refletida e lembrou-se da menina que era alguns anos atrás. Sorriu ao lembrar que não conseguia parar quieta um único minuto. Estava sempre correndo e pulando pela propriedade da família.

Lembrou-se dos primeiros anos de namoro com Willian. Como tinha sido bom descobrir o amor junto a ele! Lembrou das noites em que iam ao cinema e, após a sessão, dividiam o mesmo sorvete de chocolate, não por falta de dinheiro, mas apenas porque era mais romântico assim. Como a vida a tinha conduzido para esse momento, o seu casamento?

Ela não era mais aquela menina que brincava e pulava na grama, não era mais a adolescente que tinha namorado Willian. Ela era mulher. Willian tinha feito dela mulher e ela não se arrependeria disso um único instante em sua vida. Estava pronta para enfrentar aquela guerra que estava pela frente e para viver sua vida.

Ao sair do quarto, deparou-se com Jane no corredor esperando-a para descerem as juntas.
- Jane, você está linda, minha irmã! Hoje mais do que nunca!

- Pare com isso, Lizzy! Você está mais bonita do que eu!

- Nervosa? - perguntou Lizzy segurando a mão da irmã.

- Muito! Não sei como vou segurar o choro. Mamãe acabou de sair daqui já com lágrimas nos olhos.

- Pensei que ela fosse falar comigo antes de ir se juntar aos outros... - Lizzy não demonstrou, mas estava um pouco magoada com a atitude da mãe.

- Não fique brava, Lizzy. Ela sabia que a senhora Darcy iria lhe aconselhar. - disse Jane penalizada.

- Bom, isso não importa, não é mesmo? Vamos descer e nos casar, Jane!

Jane desceu as escadas primeiro, sendo recebida por um emocionado senhor Bennet que depositou um beijo na mão da filha.

- Você está linda, minha Jane, linda!
Entretanto, ele perdeu a fala ao ver Elizabeth descendo as escadas para ir ao seu encontro. Sem perceber, deixou escapar uma lágrima e foi receber a filha ao pé da escada, depositando um beijo na ponta de seu nariz, como sempre fazia desde que Lizzy era apenas uma criança.

- Não chore, meu pai, ou eu chorarei também e estragarei a maquiagem. - Lizzy já começava a se emocionar.

- Não me peça isso, minha flor, não hoje. - o senhor Bennet pegou na mão de cada filha e continuou - Hoje não existe pai no mundo mais orgulhoso do que eu. Sinto que cumpri a minha obrigação de educá-las, amá-las e criá-las com todo o meu carinho e esforço. Não me sinto no direito de pedir mais nada a Deus, pois Ele já me deu tudo. Ele me deu vocês.

Os três se abraçaram emocionados. Em seguida, o senhor Bennet seguiu com as filhas, uma em cada braço, em direção ao altar.