Artigos

Imprimir

"EU TE AMO - Volte Para Mim" - Capítulo VII

Escrito por Ro Ligado . Publicado em "EU TE AMO - Volte Para Mim"

capitulo 7

A semana que se seguiu foi uma rotina deliciosa para o casal. Amavam-se todas as noites, tomavam banho na cachoeira pela manhã e cozinhavam juntos todas as refeições. À tarde, dançavam ao som do rádio.

No sábado, um dia antes da partida de Willian, Lizzy não se levantou para fazer o café. Ficou deitada abraçada ao marido.

- Não foi fazer o café? - Ele perguntou se abraçando ainda mais ao corpo dela.

- Não, quis ficar aqui com você mais um pouco.

- Pode deixar, hoje eu faço.

- Não, fique aqui comigo.

- O que foi, meu amor? Por que você está assim? - ele perguntou preocupado.

- Não finja que esqueceu. - ela respondeu triste – Amanhã, você vai me deixar aqui, vai para esta maldita Guerra.

- Por isso você está assim? - começou a afagar os cabelos dela - Eu já lhe disse...

- Eu sei que você já disse que vai voltar, que não pode ficar aqui enquanto o país esta em guerra, mas não posso evitar me sentir triste. Parece até que você não liga de me deixar aqui!
- Não fale besteira. Claro que eu estou sofrendo por deixar você, mas eu sei que vai estar aqui me esperando, não vai?

- Não sei... - ela disse divertida - Se você demorar muito...

- Lizzy, não brinque com isso. - ele se levantou para olhá-la nos olhos - Promete que vai me esperar?

- Promete que vai voltar? - ela perguntou.

- Prometo.

- Então, eu também prometo.

Eles se beijaram apaixonadamente e resolveram não tomar café naquela manha. Ficaram namorando e fazendo juras de amor até a hora do almoço.

- Que cheirinho bom! - disse Willian que acabava de se trocar.

- Fiz o almoço sozinha hoje! - Lizzy respondeu orgulhosa.
- Nossa, mas que mulher prendada!

- Fique rindo e vai ficar sem sobremesa! - zombou Lizzy.

- Desculpe, mamãe!

Eles almoçaram o arroz de forno preparado por Lizzy e, de sobremesa, comeram uma bela taça de sorvete.

À tarde, preferiram quebrar a rotina. Ao invés de ouvir musica, foram andar até a cachoeira.

- Lizzy, eu tenho que lhe falar uma coisa.

- Diga, então.

- Amanhã, quando eu for embora, não quero que você vá até Londres comigo.
- Willian! Por que isso agora? Você não quer se despedir? - ela perguntou espantada.

- Não é isso... Eu quero que você fique aqui, Lizzy. Tenho medo... - ele estava inseguro.

- Medo?

- Sim, medo de perder as forças quando tiver que dizer adeus, medo de jogar tudo para o alto e voltar com você. Não é isso que eu quero.

- Você quer que eu fique em casa então? É isso? - ela perguntou nervosa - Você não quer que eu te veja partir? Vai me negar a chance de me despedir?

- Quero que você vá até a estação de trem comigo, que você me dê o beijo de despedida, mas não quero que seja em Londres! Quero que seja aqui!

- Está bem, Will, se você quer assim...

- Quero que me prometa mais uma coisa.

- O quê?

- Prometa que não vai chorar.
- Não... Isso é pedir demais.

- Prometa, Lizzy! Eu não quero que minha última lembrança seja você chorando.

- Eu não posso... - ela se agarrou ao braço dele - Peça tudo, menos isso.

- Prometa, pelo menos, tentar. - ele passou o braço pela cintura dela.

- Está bem, eu prometo.

Eles se sentaram em uma pedra abraçados, apenas escutando os sons da natureza.

- Como será que a Jane está? - perguntou Lizzy encostada ao peito do marido.

- Deve estar bem. Provavelmente ela ligou para a sua mãe, contando tudo.

- Eu sei, mas não quero ir lá para casa. Se eu for, minha mãe não vai me deixar em paz com tantas perguntas.

Eles permaneceram na cachoeira até o anoitecer, então seguiram para o celeiro onde passariam a última noite juntos.
Domingo amanheceu cinzento. Uma leve garoa caia sobre o Hertfordshire. Lizzy olhou no relógio: eram sete da manhã. Ela não havia dormido bem àquela noite. Por várias vezes, acordou chorando. Permaneceu ali, nos braços de Willian, por mais alguns instantes. Não queria perder um único minuto com ele.

Enfim, criando coragem, levantou-se para preparar o último café da manhã que tomariam juntos. Enquanto preparava a refeição, Willian acordou, foi até a esposa e abraçou-a pela cintura. Ele também não queria se separar dela, mas era preciso, ele sabia que era preciso. Tomaram café juntos e, devido à fina garoa que caia, não tomaram banho na cachoeira. Seguiram para o banheiro e tomaram banho juntos, entre muitas carícias e beijos.

Lizzy estava pronta na cozinha, esperando Willian para seguirem em direção à estação de trem, onde ele embarcaria. Lá, encontrariam Jane, Charles, Richard e George. Ela estava com a cabeça encostada na janela, vendo a garoa molhar a terra, perdida em seus pensamentos.

- Então? Como estou? - Willian saia do banheiro, vestindo a farda do exército inglês.

Lizzy perdeu o ar ao ver aquela cena. Era inegável que Willian estava lindo. O uniforme verde se ajustou perfeitamente em seu corpo, demarcando cada músculo de seus braços. O toque final eram as botas de cano longo. Lizzy não podia ficar indiferente àquela cena. Desejou o marido mais do que nunca.
- Você está lindo, muito lindo, - ela disse se aproximando - mas digamos que ficaria muito melhor sem ela.

- Quando eu voltar, - disse abraçando-a – eu deixo você tirá-la todas as noites.

- Quando você voltar, - ela respondeu beijando-o na boca - você nunca mais irá vesti-la.

Willian não resistiu à proximidade de Lizzy e aprofundou o beijo ainda mais.

- Temos que ir. - disse ele interrompendo o beijo - Não posso perder o horário.

- Claro que não! O que seria da famosa pontualidade britânica? - ela zombou.

- Vamos, então. Temos que passar na sua casa para eu me despedir de seus pais. Meu pai vem nos buscar aqui, para seguirmos para a estação juntos.

O casal foi para a casa de Lizzy e, de longe, puderam ver o carro do senhor Darcy estacionado. Quando o casal entrou na sala, os pais de Willian estavam sentados, conversando com os Bennets.

- Minha filha, - disse a senhora Bennet – há quanto tempo não a vejo! Mesmo estando em nossa propriedade.

- Faz uma semana, mamãe.

- Mesmo assim, é muito tempo para uma mãe!

Lizzy se soltou dos braços da mãe e logo recebeu o abraço do pai. Eles não falaram nada já que palavras não eram necessárias. Ficaram apenas abraçados. Willian também abraçava os pais e limpava as lágrimas que caíam dos olhos da mãe.

- Vamos. - disse Willian relutante - Está na hora.

- Boa sorte, meu rapaz. - disse o senhor Bennet abraçando-o - Cuide-se por lá.

- Pode deixar, meu sogro, pode deixar.
A senhora Bennet não conseguia dizer uma única palavra, apenas chorava e abraçava o genro. Lizzy deu um último abraço no pai e, junto com Willian, subiu no carro do senhor Darcy rumo à estação de trem. Durante todo o caminho, eles conversaram sobre o tempo, sobre os vizinhos,... Todos evitavam falar da partida de Willian.

Quando chegaram à estação, encontraram George e Richard conversando, ambos igualmente fardados como Willian. Os amigos sorriram e logo foram cumprimentar os recém-casados e o casal Darcy.

- E os pais de vocês, onde estão? - Perguntou a senhora Darcy.

- Meu pai já está em Londres. - disse Richard - Por ele ser do exército, preferiu nos esperar lá. E minha mãe disse que não agüentaria ver mais um homem partir. Preferiu chorar em casa.

- Os meus, como de costume, – disse George – nem prestaram atenção quando saí de casa.

- Não diga isso, George. - interferiu o senhor Darcy - Eles apenas não gostam de despedidas.

- Ninguém gosta. - disse Lizzy percebendo que George já estava triste.

- Bom, pelo menos ninguém vai chorar por mim. - disse ele divertido.

- Eu vou. - respondeu Lizzy - Vou chorar por todos vocês.

- Olha lá a sua irmã, junto com Charles. - disse Willian.

O novo casal chegou. Ficaram conversando sobre a semana que haviam passado, matando as saudades, até que ouviram o apito, anunciando que o trem iria partir. Enfim, chegara a hora que todos temiam. A hora de dizer adeus.