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Um Certo Orgulho e Preconceito - Capítulo XXXI

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Um Certo Orgulho e Preconceito

Capítulo 31

 

O dia amanhecia e um raio de sol teimava em entrar por uma fresta da janela, incidindo sobre o rosto de Charlotte. Ela acordou, abrindo apenas um olho, incomodada pela claridade. Logo se percebeu nua e aconchegada ao corpo de Fitzwilliam de Borgh. Mas nenhum sinal de arrependimento passou por sua mente.

“A noite foi ótima ”- sorriu, enquanto se espreguiçava.

Com o movimento de seu corpo, ele também acabou acordando.

- Rum.. – ele proferiu sons sem sentido, enquanto despertava. Apertou mais o abraço, comprimindo o corpo de Charlotte.

- Você está acordada? – perguntou, ao seu ouvido.

- Hum rum. – ela murmurou, ainda com os olhos cerrados.

- Então venha cá – ele a virou de frente para ele. Deu um beijo leve em seus lábios, e indagou: - Você tem algum plano para hoje?

Ela negou em silêncio.

- Hum... Quer passar o dia comigo?

- Claro – sorriu.

- Ótimo! – exclamou, beijando o seu pescoço, e virando-a novamente a fim de beijar lhe as costas, o que a fez ficar arrepiada.

- Acho que preciso voltar ao meu quarto, antes que Georgiana acorde.

- Não se preocupe. Ainda é cedo. Georgiana não costuma levantar-se antes das dez nos finais de semanas.

- Que bom. Eu não estou com a menor vontade de sair ainda. – ela riu.

- E nem eu a deixaria ir. – ele afirmou, sorrindo com malícia.

 

Lizzy acordou na cama usada por Charlotte. Olhou para o lado e viu William Darcy dormindo profundamente em sua cama. Levantou em silêncio e sentou-se a beira desta, fitando-o apaixonadamente. E enquanto observava ele dormir, deu-se conta, pela primeira vez, que aquele era o seu noivo.

“Noivo!”- riu sozinha, olhando a aliança. “Quem diria, casarei antes de Jane!”

Buscou o relógio para ver as horas: seis da manhã. A noite fora agitada e eles haviam dormido há apenas duas horas.

Deitou-se novamente ao lado dele, abraçando-o. Ainda estava cansada e mal conseguia manter seus olhos abertos.

“Como eu amo esse homem”- percebeu, aninhando-se novamente ao corpo dele. Sua cama era pequena, e ele ocupava quase todo o espaço sozinho. Por isso, sem que ele notasse, ela tinha ido para a cama de Charlotte. Mas não agüentou ficar sozinha, preferia ficar apertada, com o corpo dolorido, só para ficar junto dele.

 

Jane teve uma noite agitada, e mal pregou os olhos. Mexeu-se tanto durante a noite, que não deixou Charles dormir.

Percebendo-o acordado, por diversas vezes, perguntou no meio da madrugada:

- O que será que eles estão fazendo? Será que estão finalmente se entendendo? Será que Lizzy me perdoará por haver planejado seu casamento escondido? – indagava, apreensiva.

Charles, paciente e carinhoso, procurava sempre confortá-la com palavras de consolo e com muitos beijos.

- Hum... meu amor, que bom que eu tenho você – Jane agradecia, abraçando-o e tentando novamente dormir. Mas sem sucesso.

 

Darcy acordou às 8 da manhã e não conseguia mais dormir. A cama era apertada e seu corpo doía pela posição incômoda, mas perceber Lizzy aconchegada a ele compensava tudo e o fazia sorrir.

- Meu amor – ele falou baixinho, beijando-a na testa.

- Hum... – ela tinha o sono leve e acordou com o breve toque. Estava de costas para ele e virou-se para fitá-lo.

- Bom dia, meu amor – ela sussurrou, dando um selinho em seu lábio.

- Bom dia, meu amor – ele falou, abraçando-a e aconchegando-a sobre o seu peito.

- Estou morrendo de fome e acho que não tem nada para comer – ela comentou e riu.

- Vamos para a minha casa, Lizzy? Ainda é cedo e podemos passar o resto da manhã no meu quarto.

- No seu quarto? Mas o que faremos no teu quarto se eu não quero mais dormir? – ela brincou.

- Quem falou em dormir? – ele riu – Estava pensando em ficarmos na banheira da minha suíte. Poderíamos tomar o café da manhã na banheira mesmo e eu já aproveitaria e te faria uma boa massagem. O que você acha?

- Massagem? Hum... Sabe mesmo fazer massagem?

- Nunca reclamaram antes. – ele gracejou

- Bobo! – ela riu e jogou o travesseiro nele.

- Lizzy... – ele a encarou, nervoso – Será que... Você poderia... Você gostaria...  de se mudar hoje mesmo para a minha casa? Acho que seus pais não se importariam, já que Jane também foi morar com Charles antes do casamento, não é? Mas se for inconveniente para ti, eu posso esperar, Lizzy. Mas eu confesso que não gostaria de me separar nunca mais de ti. Quero dormir e acordar com você todos os dias a partir de hoje.

- Hum... – ela sorriu realizada – Também adoraria morar com você, William.  Mas tenho que falar com Charlotte antes, para ver se ela se importaria de ficar sozinha no apartamento. E tenho também que falar com os meus pais, não que eu precise da permissão deles, mas não gostaria de contrariá-los e dois meses passam tão rápido.

- Rápido, Lizzy? Esses dois meses em que em passei longe de você pareceram-me anos!

Ela riu e concordou com ele.

- Então vou resolver o primeiro problema e ligar para os meus pais agora mesmo.

- Agora? Mas não é cedo demais para uma ligação no sábado?

- Não, claro que não. Meu pai acorda com os passarinhos – ela riu – e minha mãe ficará tão feliz com a notícia de que nós nos entendemos que nem se importará por ter sido acordada.

- Tem certeza?

- Certeza absoluta! – ela riu.

Ela deixou-o sozinho no quarto, e ele permaneceu na cama, apreensivo, olhando para o teto. Retornou após vinte minutos.

- Tudo certo com meus pais. E percebi que não foi nenhuma surpresa para eles, parece que era tudo tão óbvio e que só a gente não percebia! – ela gargalhou.

Os olhos deles brilharam:

- E então, Lizzy? Já pode fazer as malas?

- Ainda não, Sr. apressadinho! Preciso falar com Char antes, esqueceu?

- Ah... – ele resmungou.- Então vamos logo para a minha casa, porque ela está lá.

- Ela está lá? Fazendo o quê?

- Olha, fazendo o quê eu não sei, mas imagino que a essa hora ela esteja dormindo – ele zombou.

Mas ela continuou surpresa, e ele apressou-se em explicar:

- Georgiana a levou para dormir lá em casa para ficarmos sozinhos.

- Nossa! Parece que todo mundo se juntou para me enganar! – ela exclamou – Me sinto como uma mulher traída, sempre a última a saber. – debochou e deu risada.

- Mas já leva uma mala para o caso dela não se importar. - suplicou, esperançoso – De qualquer forma, hoje é sábado e pretendo passar todo o fim de semana ao seu lado.

- Tudo bem, Fitzwilliam Darcy. Teu desejo é uma ordem – ela falou, e logo começou a separar algumas roupas – Falando nisso, William, se eu tiver um menino terei mesmo que chamá-lo de Fitzwilliam?

Ele gargalhou e a beijou no rosto.

- Não sei, meu amor, ainda não pensei nisso. Mas confesso que isso me faria feliz.

- Então se te fará feliz, me fará feliz também – ela afirmou, retribuindo o beijo.

 

- Charlotte não está no quarto.

- Não? Que estranho... Será que ela já foi embora?

- Mas ainda é cedo, são oito e meia. – Lizzy constatou, olhando a hora em seu celular. – Será que eu ligo para ela?

- Não sei, Lizzy. Vou pedir para nos servirem café no quarto. Você quer comer o quê?

- Ah, qualquer coisa. Do jeito que eu estou com fome...

- Comeria um boi inteirinho? – ele zombou ao recordar o comentário que ela fizera em seu primeiro passeio.

- Ah! Chato! – ela reclamou, dando risadas.

Foram até a cozinha e ele a apresentou para os funcionários:

- Essa é Elizabeth Bennet, futura Elizabeth Darcy, a nova patroa de vocês.

Lizzy sorriu, satisfeita.

“Elizabeth Darcy”- repetiu o nome em seus pensamentos por inúmeras vezes.

Resolveu ligar para Charlotte:

- Char? Onde tu estás? Como assim, na casa de Georgiana, se eu estou aqui e não estou te vendo? Está bem, venha para a sala me encontrar então.

- Amor... mudanças de planos...Charlotte está vindo aqui. Podemos comer por aqui mesmo?

- Claro. Mas onde será que ela estava? Só pode estar com Georgiana ou.... Mas não, não pode ser!

- Ou? – Lizzy indagou, curiosa.

- Com o meu primo Fitz! – ele afirmou, ao ver Charlotte vindo do lado oposto ao do quarto de Georgiana.

Lizzy trocou um olhar de surpresa com Darcy, antes de sair em direção à amiga.

- Charlotte, precisamos conversar!

- Sim, amiga! Precisamos conversar mais até do que tu imaginas! – ela sorriu – Venha, vamos para o meu quarto para eu trocar de roupa.

Passou pelo Sr. Darcy e pronunciou um constrangido bom dia. Não achava adequado encontrar seu chefe vestindo um roupão.

- Tu nem sabes o que aconteceu! – as duas exclamaram ao mesmo tempo e pararam para rir. E então, elas, se revezando para falar, agitadas e atropelando as palavras, contaram as novidades.

- Não acredito, Char! Quero conhecer logo esse primo! Então não tem importância mesmo eu te deixar sozinha com o apartamento?

- Claro que não, Lizzy! Ele ficará um mês no Brasil e eu aproveitarei o apartamento para ficarmos a sós. Do jeito que ele é, amiga, precisaremos de muita privacidade!

Lizzy deu uma gargalhada.

 

- Lizzy! Teu pai no telefone! – Darcy chamou sua futura esposa. Ela já morava com ele há quase um mês.

- Oi pai!

- Oi Lizzy! Só para confirmar que as tuas irmãs conseguiram comprar as passagens para sábado.

- E elas ficarão aqui até quando?

- Até a outra sexta-feira.

Era julho, e as irmãs estavam em férias.

- Ah! Obrigada por ligar, papai. E elas estão em casa? Posso falar com elas?

- Claro, Lizzy! Vou chamá-las.

- Kitty! Lídia! A Lizzy quer falar com vocês!

As irmãs correram ao telefone e cada uma pegou um aparelho.

- Oi Lizzy!

- Oi Lizzy! – Lídia tentou falar mais alto ainda que a irmã.

- Tchau, Lizzy. – Seu pai exclamou, desligando o terceiro aparelho.

- Tchau, pai. Oi gurias, que saudades de vocês!

- Ah, Lizzy! Saudades? Mas nos falamos ontem! – Kitty retrucou.

- Ela está falando de saudades porque não nos vê mais pessoalmente, sua besta – Lídia interferiu.

Lizzy riu.

- E aonde vocês querem ficar? Já decidiram? Aqui, com Jane ou com a tia Gardiner?

- Ah, Lizzy. A gente gostaria de ficar no fim de semana contigo e depois iremos para a casa da tia, porque Roberta já nos prometeu nos levar para conhecer toda cidade. – Lídia comentou.

- É Lizzy! Roberta está de férias como nós, e você não terá tempo para passear com a gente.

- Ainda mais com esse barrigão – Lídia gracejou.

- Que barrigão! Eu não tenho barrigão nenhum – Lizzy resmungou.

- Então deve ser a única grávida sem barriga que eu conheço! – Kitty zombou.

- Mas eu recém estou com três meses, não estou barriguda!

- Mas grávida de gêmeos, Lizzy! Se prepare para ficar uma baleia!

- Ou de gêmeas, Kitty! Ela não sabe ainda!

- Ah! Eu espero que sejam meninas. Poderias ter cinco filhas como a mamãe, Lizzy. Já pensou, que legal?

- Bem capaz, gurias! Bem capaz que eu vou ter tantos filhos!

- Porque não, o teu marido é rico e você não terá problema para sustentá-los.

- Quisera eu ter um marido bonito e rico feito o teu! – Kitty exclamou.

- Cale-se, Kitty! – Lídia ordenou – Não sabes o que está falando, os ricos tem muitos inimigos.

- Eu sei, Lídia. Eu sei... – Kitty comentou, e logo ficou em silêncio, deixando Lizzy sem entender nada.

- Meninas, sobre o que vocês estão falando?

- Nada, Lizzy, Nada. – Lídia logo deu a ligação por encerrada. Só pretendia tocar no assunto ao encontrá-la pessoalmente.

 

Lídia fez um sinal para Kitty deixá-las a sós, para falar em privacidade com sua irmã.

- Lizzy... Eu vim para São Paulo só para falar contigo, sabia? Há meses espero por esse momento, pois este era um assunto que eu não gostaria de falar pelo telefone. – falou, agitada - Queria vir antes, mas o papai não quis me pagar a passagem, se fosse para eu ficar pouco tempo. E eu tentei economizar a minha mesada para poder pagar pelo menos a ida, e estava quase conseguindo dinheiro suficiente, mas vi umas botas em liquidação e não resisti. – deu um suspiro - Então, tive que esperar três meses pelas minhas férias...T rês longos meses. - ela balbuciou, desviando o olhar.

- O que foi, Lídia? O que é que está acontecendo contigo, querida?

- Ah, minha irmã... – Lídia jogou-se nos braços de Lizzy e começou a chorar. – Já faz tanto tempo, mas ele me magoou tanto, Lizzy! Tanto, que eu não consigo esquecer.

- Ele quem, Lídia?

- George Wickham.

- Oh! – ela exclamou, atônita – Ele não, Lídia! O que esse cafajeste teve coragem de fazer com a minha irmãzinha? Já não bastou o que ele quase fez com Georgiana! – ela bufou, com raiva.

- Foi assim... – levantou os olhos e encarou a irmã - No mesmo fim de semana que papai e mamãe foram para São Paulo, ele me adicionou no orkut e depois no MSN e começamos a nos falar. Isso foi no domingo.

- Domingo? Mas esse foi o mesmo fim de semana do coquetel! – Lizzy exclamou, irritada – Ele ficou com Georgiana no sábado e domingo teve a petulância de ir atrás de ti?

Lizzy fez uma pausa, acariciando os cabelos da irmã, que estava deitada em seu colo.

- Naquele dia, William brigou com ele, sabia? E ele foi despedido e foi embora espumando de raiva. Deve ter te procurado por vingança, Lídia. Ele sabia da ligação dos Darcys comigo. Desculpa querida, é tudo culpa minha. Eu devia ter te protegido.

- Me protegido como, Lizzy? Se não moras mais comigo? E eu sinto a tua falta, sabia? A tua e a de Jane.

Lizzy assentiu, abraçando calorosamente sua irmã mais nova.

- E o que ele fez contigo, Lídia?

- Ah... Naquele domingo, passei o dia inteirinho falando no MSN com ele. O pai e a mãe não estavam em casa para me mandar sair do computador, como sempre faziam. Então, passei horas batendo papo com ele. Ele estava em Porto Alegre desde de manhã.

- Em Porto Alegre? Fazendo o quê? De certo fugindo, com medo de William mandar prendê-lo pelo dinheiro que ele desviou!

- Ah... Isso ele não me disse. Mas falou que tinha muito dinheiro e que montaria o seu próprio negócio no Paraguai.

- No Paraguai?

- Sim, viajaria já na segunda ou terça-feira. Nem perguntei os detalhes, Lizzy. Só o que me importava é que ele era lindo. Ele me mandou cada foto dele, uma mais maravilhosa do que a outra. E as coisas que ele dizia: tão inteligente, tão charmoso e encantador!

- Sim, já soube que ele é muito sedutor quando quer – ela resmungou. – E então, Lídia? O que aconteceu?

- Eu tinha uma festa a noite e o convidei para ir. Passamos a noite inteira juntos, e ele depois veio dormir aqui em casa.

- Vocês dormiram juntos, Lídia? – exclamou, exaltada.

- Ah... Sim! Eu me considerei apaixonada por ele. E ele parecia tão apaixonado por mim. Combinamos até que eu iria com ele para o Paraguai.

- Para o Paraguai com um desconhecido? Que maluquice!

- É, mas na última hora eu desisti. E ele combinou que assim que estivesse bem instalado mandaria me buscar. Mas nunca mais mandou notícias, exceto por esse e-mail. – estendeu a mão com um papel – Imprimi para ti ler.

Ela pegou o papel e encarou a irmã, apreensiva.

- Lizzy, antes que leias eu quero te dizer algumas coisas.- Ficou séria, mas com os olhos molhados -  Eu sei que já fiquei com vários caras antes e que deves me considerar uma namoradeira... Mas ele foi o único que eu amei de verdade. Acredita em amor a primeira vista? Eu não acreditava, minha irmã. E eu era virgem, Lizzy. Eu era virgem e escolhi ele para ser o meu primeiro. E ele me magoou... Agora não quero mais saber de homens.

Lizzy ficou espantada, arqueou as sobrancelhas, mas logo baixo os olhos para ler o e-mail:

“Cara Lídia Bennet:

Agora que já estou bem instalado e longe dos meus problemas anteriores, mando essas linhas para avisá-la que não mais a mandarei buscar. Agora outra senhorita já ocupa o teu lugar. Mas obrigado pelas horas de sexo e de diversão gratuita.

Devo confessar que a tua presença fazia parte de um plano bem elaborado por mim. Uma vez que estivesse ao meu lado, e seguramente apaixonada, o Sr. Darcy não mais poderia mandar me prender, devida a tua interferência sobre a Elizabeth. Mas agora isso já não importa. Estou em outro país e não pretendo mais voltar ao Brasil. Sendo assim, não precisarei mais de ti.

Não esqueça de contar a tua irmã Elizabeth a respeito. Espero – profundamente - que ela sofra por você e que isso atinja o Sr. Darcy também.   Estou rindo comigo mesmo ao imaginar o efeito que estas palavras terão sobre os dois! Excluo disso você, pois apesar de tudo, você é legal e não tenho nada contra a tua pessoa.

Ah, não esqueça também de perguntar ao feliz casal o que eles acharam das manchetes dos jornais. Espero que eu tenha sabido informar bem a imprensa.

Termino esse e-mail as gargalhadas. Quisera eu poder ver a reação dos dois ao lê-lo!

Atenciosamente, George Wickham.”

- Lídia! – ela gritou, exasperada, ao acabar de ler, sentindo a raiva crescente – Mas que desgraçado! Posso ficar com isso? Preciso mostrar ao William! Lídia! Coitadinha de ti! Devia ter me contado antes!

Lizzy abraçou a irmã.

- Ah, Lizzy. Mas agora já passou. Não foi nada demais... Tomei a pílula do dia seguinte para não ficar grávida e daqui a pouco já estarei pronta para outra. – sorriu, sem graça.

- Pílula do dia seguinte? – ela gargalhou ao constatar que a sua irmãzinha tinha sido bem mais precavida do que ela.

 

Já era tarde da noite e Elizabeth deixou a irmã sozinha no quarto, chamando Kitty para lhe fazer companhia. Saiu correndo, desvairada, pela casa inteira atrás de Darcy, quase tropeçando na escadaria. Encontrou-o, por fim, no quarto, aprontando-se para dormir.

Lizzy estancou junto à porta, com um semblante tenso e portando à mão o referido papel.

- O que foi, meu amor? O que houve com você? – ele perguntou, preocupado, ao reparar em sua face pálida.

Ela não conseguia falar, e ele a trouxe para dentro do quarto, fechando a porta.

- O que houve, querida? – repetiu a pergunta, de modo carinhoso.

- George Wickham – ela balbuciou, nervosa, sentando-se à cama.

- George Wickham? – Darcy indagou, exasperado – Mas o que aquele canalha fez contigo? – cerrou os dentes, espumando de raiva.

- Comigo nada, mas com a minha irmãzinha... Com Lídia. Leia. – falou em um tom muito baixo de voz, quase sem esboçar reação. Estava em estado de choque.

Darcy pegou a cópia do e-mail e passou a caminhar pelo quarto, agitado.

- Mas que.... – Olhou para Lizzy e se policiou para não proferir todos os palavrões que lhe vieram à mente.

Parou em frente à janela, para refletir um pouco. Ficaram em silêncio e Lizzy mantinha o semblante triste.

- Meu amor, não fique assim. – Darcy sentou ao seu lado, abraçando-a. – Olhe para mim, não fique assim. Não vamos deixar uma pessoa tão sem importância nos abalar. Vamos esquecer o assunto e evitar pensar nele. Para que perdermos o nosso tempo pensando a respeito, se existem tantas coisas mais interessantes para a gente fazer? Para que diminuirmos um segundo sequer na nossa felicidade por alguém que não vale isso? Lizzy, veja pelo lado bom, querida. Ele foi para longe e não pretende voltar. Ele não mais nos perturbará, querida.

- É, eu sei. Mas eu me sinto culpada por Lídia... Devia ter contado quem ele era.

- Mas Lizzy, como você poderia imaginar que eles se conheceriam? Eles moravam tão longe um do outro. Quem imaginaria que ele teria o disparate de ir atrás da tua família, só para me atingir? Lizzy, a culpa pelo aconteceu com Lídia e também com Georgiana, é exclusivamente minha. Eu devia tê-lo desmascarado desde o início, quando tive oportunidade para isso. – baixou os olhos, sentindo-se verdadeiramente culpado.

- Não, meu amor! Não se culpe por isso. Você não poderia prever uma coisa dessas. E Lídia é nova, logo se recuperará e como ela mesma disse, logo estará pronta para outra. – ela sorriu para ele.

- Viu? Logo ela estará pronta para outra! Assim como foi com Georgiana.

- É! – Lizzy riu, acalmando o seu coração.

Eles se olharam fixamente, e sorriram.

- Prometo nunca mais pronunciar o nome desse homem a partir de agora – ela afirmou - Vamos passar uma borracha nesse assunto? Eu te amo e tenho tantos motivos para sorrir, que isso não importa.

- Claro que não importa. – Tomou-a nos braços, beijado-a nos lábios – Só o que me importa é estar com você. Com você e com os nossos filhos.

- Ou filhas – ela afirmou, e sorriu.

- Ou filhas – ele repetiu, retomando o beijo.

- Eu te amo!

- Eu também te amo!