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Tempo de Ser Feliz - Capítulo XIII

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Tempo de ser feliz

Capítulo 13

 

Lizzy estava sozinha em casa, pois John e Georgiana haviam saído para irem ao shopping. Ela não pôde ir com eles, mesmo estando com muita vontade, porque tinha que preparar as aulas que daria no dia seguinte. Charles estava fazendo um intensivo, marcando várias aulas em seqüência, pois viajaria já na próxima semana para o Rio de Janeiro. Ele planejava surpreender Jane com algumas frases em português, já que Lizzy não contara a ela nada a respeito das aulas. E o mesmo ocorria pela parte de Jane – e Lizzy achava isso extremamente engraçado e bonitinho – que se matriculara em um curso de inglês desde que voltara da Inglaterra e também planejava surpreender Charles.

E Lizzy estava concentrada em seus afazeres, vestida com uma calça de abrigo cinza surrada e um moletom velho e encardido e com os cabelos atados num desleixado rabo de cavalo, quando foi interrompida por um toque na campainha. Nunca imaginou quem poderia ser, se soubesse, teria ao menos se olhado no espelho antes. Mas se soubesse quem era, nunca abriria a porta vestida daquela maneira. E talvez nem abrisse a porta, por mais bem vestida que estivesse.

- William! – exclamou embaraçada. Ficou constrangida por alguns instantes. Estava mal vestida e morrendo de vergonha por isso. Desviou o olhar, fitando o chão, sem saber o que fazer e nem como agir.

- Não vai me convidar para entrar? Está frio aqui fora – ele a encarou, esperançoso. Percebeu que ela estava receosa e talvez devesse ter ligado antes. Mas não sabia se ela aceitaria lhe ver, então resolveu arriscar uma visita sem aviso. Falara com Georgiana antes e sabia que Elizabeth estava sozinha e que teria a oportunidade perfeita para se desculpar com ela. Mas ficou espantando pela maneira como ela estava vestida. Ela com aqueles trajes, sem nenhuma produção, sem maquiagem, mais natural impossível, estava mais linda do que nunca!

- Não sei... O que você quer?

- Quero falar contigo. Desculpar-me pelo meu comportamento no nosso último encontro.

- Se desculpar? – indagou, curiosa, arqueando levemente as sobrancelhas e abrindo a boca. – Está bem, pode entrar. Até porque o frio está entrando e congelando a casa.

Ele entrou e sentou-se no sofá, cuidando para afastar os papeis que estavam espalhados por todos os cantos. Mel, assim que lhe viu, saiu de debaixo das cobertas e correu para fazer festa para ele.

- Oi Mel – ele comentou, acariciando a cachorrinha.

Lizzy estranhava o fato de sua cachorrinha gostar assim dele, já que costumava evitar estranhos. Ele a pegou no colo e ela logo se acomodou, como se ali fosse o lugar certo para ela ficar.

- Lizzy.... Eu queria me desculpar... Agi como um tolo... Nem sei como me explicar.... Mas aqueles sapatinhos me assustaram, sabe? Nunca pensei em ser pai e fiquei apavorado com tal possibilidade... – fez uma pausa e como ela não disse nada, prosseguiu - Foram um presente, é?

- Sim. Um presente de Sarah, da minha ex sogra. Quando Erik morreu, nós estávamos tentando engravidar e ela ficou sabendo e os fez para a gente. E agora, resolveu me dar.... Para eu guardar de lembrança, ou para se um dia tiver filhos. Mas não quero ter filhos, William. – ela subiu os olhos e o encarou, se justificando. – Eu queria ter filhos com Erik, agora parece que não faz mais sentido.

- Ah.... – Ele gostaria de ter se expressado melhor... Pensara tanto naqueles sapatinhos que agora a idéia de terem um filho não o assustava mais. Viera para dizer que estava disposto a ter um filho com ela, se era isso que ela precisava para ser feliz.

- Mas Lizzy... – ele queria continuar, mas não achava as palavras. – Você não pensa em ter um novo relacionamento? E em ter filho com outro homem? – queria completar e perguntar: nem comigo? Mas não o fez.

- Não, William. Só se eu um dia me apaixonar perdidamente por alguém, mas penso que perdi a capacidade de amar... – mentiu, evitando encará-lo, pois estava apaixonada por ele. Ainda não o amava, mas sabia que seria questão de tempo e provavelmente, de pouco tempo. Por isso, queria dar um fim a tudo, antes que ficasse mais difícil.

- E a gente Lizzy? Você não pensa na gente? O que está acontecendo entre nós não significa nada para você?

- Não. – ela mentiu, desviando o olhar.

- Eu sei que não é verdade, sei que você está mentindo, pois consigo ver isso em seus olhos, Elizabeth. Porque você está tentando se enganar? Porque você está fazendo isso com a gente?

- Porque eu vou embora, William... Porque eu tenho que ir e minha passagem já está comprada... e não pretendo mais voltar. Nunca mais. – até porque sabia que era uma viagem cara e ela não teria condições de repeti-la tão cedo.

- Tua passagem já está comprada? Para que dia? – ele indagou, ansioso, percebendo-se a angustia em seu tom de voz.

- Para o dia 27 de dezembro. Pretendo passar o ano novo com a minha mãe e com a minha avó. Só não parto antes porque estou esperando por Jane, que vem para passar o natal aqui com Charles e me pediu para esperá-la. Agora é a vez de Jane ficar aqui e a minha vez de ficar em casa.

- E por que ela pode ficar e você não? Por que você tem que voltar, Elizabeth? – perguntou, com desespero. Fez uma pausa e prosseguiu. Resolveu desabafar o que lhe afligia, pois não estava conseguindo raciocinar direito. Tinha que falar a ela o que sentia, não suportava mais guardar – Eu nunca senti o que estou sentindo, Elizabeth, nem nada parecido. Não posso deixá-la partir... Não há nada que eu possa fazer para que você fique? Se você quer um filho, Elizabeth, eu posso ter um filho com você. Diga-me o que você quer, por que farei tudo o que estiver em meu alcance. Mas por favor, não vá embora.... Não me deixe, Elizabeth... – ele suplicou, quase num murmúrio.

- William... Viu como já está difícil? Viu como eu tenho razão em querer parar com tudo agora? A gente nem se envolveu ainda e já estamos tristes, já pensou como será depois?

- Mas a gente ainda tem três meses.... Podemos aproveitar esse tempo que nos resta juntos, não podemos?

- O que são três meses perto de uma vida inteira de saudades? As lembranças vão ficar tão sufocantes que eu não suportarei, William. Não agüento mais sentir saudades e não agüentaria sentir como se outro pedaço fosse arrancado de mim! Eu estou a um passo de te amar, William. Sabia? E eu não quero te amar, por que depois vai ser tão difícil para mim...e eu não agüento mais sofrer!

Ele já havia falado demais, mas era tarde demais para voltar. Só o que lhe restava era prosseguir na tentativa de ficar com ela. Precisava romper sua resistência. Precisava ficar com ela, mesmo que por pouco tempo.

- E eu? O que eu faço com o meu sentimento, Elizabeth? Você está a um passo de me amar? E o que eu faço, se eu já te amo? O que eu faço para não sentir tua falta? O que eu faço para parar de pensar em ti o dia inteiro? O que eu faço com o que eu já sinto? Eu posso te visitar de vez enquanto, você pode vir para cá, a gente pode se falar por telefone, por e-mail, como você quiser. Só não posso ficar longe de você!

- Will... namoro a distancia não dá certo.

- Mas com a Jane e o Charles está dando. – ele retrucou – Por que não pode dar certo para a gente também?

- Por que a Jane vem para ficar com ele, talvez ela nem volte mais para o Brasil....

- Então a tua irmã pode ficar aqui e você não, Lizzy? Por quê? – indagou, exaltado, assustando a Mel, que levantou as orelhas e abriu bem os olhos.

- Porque eu tenho que ficar com a minha mãe, Will.... Quando meu pai estava morrendo, em seu leito de morte, ele pediu para eu cuidar dela e nunca deixá-la sozinha.... Ele pediu para mim e não para Jane! Ele confiava em mim e eu não posso negar o seu último pedido, não posso trair a confiança que meu pai depositou em mim.

- Hum... – ele ficou calado e reflexivo, não sabia o que dizer. – E ela não pode vir para cá? Ela não pode vir morar aqui com as duas filhas?

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- Não com a minha avó doente, Will.... Minha avó caiu no chuveiro e quebrou o osso da bacia e agora está morando na nossa casa, pois não tem mais condição de viver sozinha... E eu tenho que voltar para ficar com elas, Will... Minha avó e eu sempre fomos muito ligadas, sabe?  E eu tenho que voltar para ficar com ela. Ela precisa de cuidados, pois está ficando com Alzheimer e a doença está progredindo tão rápido agora, que eu tenho que aproveitar o tempo que ainda me resta com ela. Entende agora? E a gente tem tanta coisa em comum... Ela me ajudou tanto quando o Erik morreu! Ela também ficou viúva cedo, com 22 anos, e nunca mais se casou. Meu avô era quase 20 anos mais velho do que ela e ele morreu de um infarto fulminante, de uma hora para outra também, com pouco mais de quarenta anos. E ela amava muito o marido e como sentiu a mesma perda do que eu, seus conselhos, seus cuidados, foram muito importantes para mim. Entende?

- Entendo, Lizzy... Mas você pode voltar depois, ou eu posso ir para lá, como Charles e Jane....

- Eu não vou voltar, William. Eu não tenho trabalho e a viagem é cara, como eu conseguirei pagar?

- Eu te pago, Elizabeth. Te pago uma vez por mês, se você puder vir uma vez por mês.

- E você acha que eu vou aceitar?

Ele baixou a cabeça e murmurou:

- Eu sei que não, Lizzy...  Eu já percebi o quanto você é orgulhosa... Mas eu gostaria que você aceitasse.

- William! Pare com isso! Eu já disse que não! E nada do que você disser me fará mudar de idéia, entendeu?

- Sim, Lizzy. Eu entendo e se você acredita que isso seja mesmo o melhor a ser feito, irei te respeitar. Só te faço um único pedido, que eu espero que não seja difícil para você cumprir.

- O que Will? O que você quer? – balbuciou, apreensiva com o que ele lhe pediria.

- Não fique mais com o meu primo, está bem? – ele a encarou com um olhar suplicante e infeliz.

- Eu não sinto nada por teu primo, William.

- Eu sei e é por isso que eu tenho medo.

- Hã?

- Por que o fato de você não sentir nada por ele faria com que você não tivesse nenhum receio de se envolver com ele.

- É verdade – ela deu um leve sorriso com o raciocínio dele. – Mas eu te prometo, Will, que não terei mais nada com ele.

- Está bem, então agora não me resta nada a fazer a não ser ir embora. Esta foi a tua última chance, Elizabeth, de ser feliz comigo. Não mais a procurarei, não mais a perturbarei. Já te disse tudo o que havia para ser dito e não mais repetirei os meus sentimentos. Já me rebaixei demais e já me arrependo de tê-lo feito. Eu não costumo agir assim, isso não faz parte do meu comportamento. Não espere que eu a procure novamente, porque eu não o farei. Já fui além do que deveria ter ido.

- Está bem. – ela se despediu de cabeça baixa, evitando encará-lo. E ele parecia tão triste, tão abatido, que partiu o coração de Lizzy. Tudo o que ela queria era abraçá-lo, beijá-lo e consolá-lo, até para poder consolar a si mesma. Mas foi forte e não o fez, pois tinha que ser assim.

 

- Lizzy, você gostaria de sair comigo hoje?

- Como assim, Richard? Aonde você quer ir?

- Estava pensando em levá-la para dançar. Descobri um bar com musicas latinas, o La Bodega, e gostaria de levá-la lá.

Ela sorriu, considerando a proposta tentadora. Mas lembrou da promessa que fez a William e logo arranjou uma desculpa.

- Eu adoro dançar, Richard, e faz tanto tempo que eu não danço! Eu adoraria ir, mas eu estou tão cansada hoje... Meu corpo dói em quase todos os lugares.... Podemos deixar para outro dia?

- Tudo bem, Lizzy... Mas achei que você gostaria de conhecer esse local... Lembrei de você quando eu estive lá. – ele suspirou, contrariado. – Avise-me quando você estiver mais disposta, pois meu convite ainda estará em pé.

- Está bem, Richard. – forçou um sorriso e baixou os olhos. Gostaria de sair com ele, gostaria de dançar e se divertir. Mas temia que não resistisse a seus encantos, por mais que quisesse ser só sua amiga. Andava triste e cabisbaixa, sentindo muito a falta de William. E o pior de tudo: estava carente.

- E John, já foi embora?

- Sim, foi ontem. Ele planejava ficar só uma semana conosco, mas acabou prolongando sua estadia em mais uma semana. Mas agora teve que ir... Percebemos que os pais de Georgiana estavam começando a se incomodar com a presença dele.

- Sim, eles se preocupam muito com a filha.

- Sim, já percebi – deu um sorriso com o canto dos lábios. Só que dessa vez ela não tirava a razão dos pais dela: Georgiana e John estavam juntos, o que foi facilitado por estarem sob o mesmo teto. Eles tentavam disfarçar esse relacionamento e Georgiana tentava esconder de Lizzy que estava apaixonada, mas era algo tão gritante que não tinha como ser disfarçado. Embora não ficassem juntos na frente dela, Lizzy sabia o que acontecia desde o primeiro dia, desde que eles subiram para o quarto no dia que John lhe mostrou a fotografia. E Lizzy não quis confrontá-los para que lhe dissessem a verdade, preferiu que tudo ficasse assim. Preferia que eles não ficassem juntos na sua frente. Sabia que era um pensamento egoísta, mas perceber a felicidade alheia ainda lhe incomodava... Sentia falta de Erik e de seu relacionamento com ele e casais felizes faziam com que ficasse deprimida. Um pensamento feio, ela sabia, mas não conseguia mudar como se sentia.

- E Charles? Alguma notícia dele?

- Sim, falei com Jane ontem. Eles estão bem.

- Quem é Daniel, Lizzy?

- Hum?

- Ouvi Charles falando sobre um tal de Daniel.... É o ex namorado de Jane, não é?

- Sim, é sim. Mas posso te contar, não é segredo nenhum. Todo mundo já sabe, eu acho.

- Eu não. Ninguém me conta nada – fez beicinho. – Sou um pobre coitado rejeitado – gracejou.

Ela riu.

- Eles moraram juntos por três anos, e então ele trocou Jane pela secretária, dez anos mais nova do que eles. Depois disso, Jane voltou para casa, para morar com a gente.

- Pela secretária?  Mas o que ele fazia? Era médico?

- Não, era dentista. Ele e Claudia foram colegas de faculdade. Não te falei que a nossa amiga Claudia, a que mora aqui com o marido, é dentista? Ela que apresentou Jane ao Daniel.

- Não. Achei que ela trabalhasse numa cafeteria.

- Sim, ela trabalha, pois não conseguiu validar o diploma aqui. Para isso, precisa fazer uma prova que além de ser muito cara é quase impossível de passar.

- Hum.... Então ela desistiu? E vai trabalhar para sempre servindo café?

- Não, ela não desistiu. Está estudando muito e no ano que vem pretende tentar novamente. Ela e Jane foram colegas de turma no colégio e nós andávamos sempre juntas, sempre nós quatro.

- Quatro?

- Sim, Jane e sua melhor amiga e eu e a minha melhor amiga: a Raquel. Aliás, falando nela, estou com saudades da Raquel. Faz tempo que eu não falo com ela. Se der, ligarei para ela hoje à noite.

Ele sorriu.

- Agora vamos trabalhar, Lizzy. Temos muito que fazer.

- Ok. – ela concordou, sorrindo.

 

- Raquel? Oi! É a Lizzy!

- Lizzy? Que saudades! Nossa! Que coincidência! Eu ia mesmo ligar para você hoje, sabia? Tenho novidades!

- Novidades? Coisa boa ou coisa ruim?

- As duas. Qual você quer saber primeiro?

- Ah, pode ser a ruim.

- A ruim? Eu e o Gustavo nos separamos e eu agora estou morando sozinha. Mas sabe que nem é tão ruim assim? Pois eu estou me sentindo tão bem! Sabe, já não estava dando mais certo e a gente brigava tanto, mas tanto, que não dava mais para continuar... E agora que eu estou sozinha, estou sentindo uma paz tão grande por não brigar mais, que quase não estou sentindo a falta dele. E além disso, eu estou me sentindo tão livre! Parece que após cinco anos, eu enfim estou respirando. Como se eu estivesse presa, sufocada, esse tempo todo, sabe? Se eu soubesse que seria assim, teria me separado antes.

- É que o Gustavo era muito ciumento e controlador, Raquel. Você mudou muito por causa dele.

- Sim, eu sei. Por isso me sinto assim, entende? Penso que agora poderei ser eu mesma novamente. Agora poderei fazer as coisas que eu gosto, usar as roupas que eu gosto, falar com quem eu quiser, sem temer pela reação dele. Posso beber demais, posso dançar a noite inteira, posso fazer o que eu quiser.

- Eu entendo amiga... E a noticia boa, qual é?

- Antes você deve saber que eu e a Karine nos reaproximamos. Como estamos as duas solteiras, estamos saindo juntas novamente. Sei que talvez você ainda esteja chateada com ela... Mas ela me explicou porque se afastou da gente, Lizzy. Ela me disse que não sabia como conversar com você, que não sabia como lidar com a morte do Erik e acabou se afastando. Mas ela quer se encontrar com você e se explicar pessoalmente. Ela me disse que está arrependida, Lizzy.

- Hum.... Não me enrola, Raquel! Qual é a notícia boa? – gracejou.

- Nós vamos visitá-la semana que vem, Lizzy! Não é maravilhoso? Estou morrendo de saudades! Eu e a Karine compramos as passagens assim, num impulso, sabe? Pura loucura! Mas eu estou mesmo louca e precisando viajar para mudar de ares. E eu falei com a Claudinha e ela me disse que tem muito homem gato aí e inclusive que o dono do Pub que você trabalha é lindão! Conta, Lizzy? É mesmo verdade? E você o beijou, foi?

- Nossa, como a Claudia é fofoqueira! – zombou.- Sim, eu o beijei e mais de uma vez. Mas agora não temos mais nada, somos só amigos.

- Mas por quê?

- Ah... Faltou química... Sabe quando você espera muito um beijo e quando ele acontece não é nada daquilo que você esperava? Parece que a gente não encaixou...,que ele não serve para mim. – ela riu - Mas quem sabe ele não seja perfeito para ti?

- Para mim?

- Claro, amiga. Eu terei o maior prazer em apresentá-los. Penso que vocês formariam um belo casal.

- Bom, se ele for tão lindo como a Claudia me falou, eu não rejeitarei a oferta. – ela riu - Não precisa nem dizer duas vezes!

- Que bom amiga! E que dia vocês chegam?

- Quinta-feira. Mas te ligo mais perto do dia para a gente combinar tudo.

- Claro! Nossa, fiquei tão feliz com essa notícia! Tchau amiga, se cuida. Beijos.

- Se cuida também e fica com Deus. Beijos.

Logo que Lizzy desligou o telefone teve um daqueles pressentimentos que às vezes costumava ter... Algo lhe dizia, não entendia bem porque, que ela não gostaria tanto assim da visita de suas amigas...

 

- O que foi Lizzy? Estou te achando um pouco tensa.

- Não sei, Char. Estou sentindo uma coisa ruim, uma ansiedade, que nem eu sei explicar direito....

- Hum... – encarou a amiga com atenção - E as tuas amigas, quando chegam?

- Ah... Elas já chegaram aqui na Inglaterra há alguns dias, só que ainda estão em Londres. Mas hoje à tarde elas vêm. E de noite irão ao Pub ficar comigo enquanto eu trabalho. A Raquel está curiosa para conhecer o Richard. Também, depois de tanta propaganda feita pela Claudia. – ela riu.

- E você não se importa?

- Com o quê, Char?

- Que ela se interesse pelo Richard?

- Claro que não, Charlotte. Que idéia! Eu não quero nada com ele, por que me importaria?

- Não sei... Só estava pensando que poderia ser isso que estaria te chateando... – pensou um pouco e indagou – E elas sabem sobre você e o Darcy?

- Sobre eu e o William? Claro que não! Por que saberiam se não há nada para saber? Nós não estamos juntos, nunca mais nos falamos e nem nos vimos.

- E se alguma delas se interessar por ele?

- É um risco que eu irei correr... Mas como elas se interessariam por ele se ele não freqüenta mais o Pub? Por que elas o veriam se nem eu o vejo mais?

- Lizzy! Eu esqueci de te contar! Hoje é o aniversário de George e eles comemorarão sexta-feira no Pub! Como eu sou desligada, amiga – exclamou, num sobressalto.

- Hum? – Lizzy arregalou as sobrancelhas e levou à mão ao peito, aflita por ter que finalmente reencontrá-lo.

Charlotte a encarou, apreensiva.

- Eu o verei novamente... – ela balbuciou. – Mas Char... Só você sabe sobre a gente, viu? Não conte nada a ninguém, muito menos à Karine e à Raquel. Sabe que no colégio a Karine era apaixonada pelo Erik e eles meio que tinham um caso? Mas ela não sabia dos meus sentimentos, aliás, ninguém sabia. E ela nunca me perdoou completamente por eu ter ficado com ele. Nossa amizade nunca mais foi a mesma. Mas ela nem sonhava que eu era apaixonada por ele desde os treze anos e o quanto eu sofria por vê-los juntos... Isso é o preço que a gente paga por ser discreta. Mas imagina se eu deixasse de ficar com ele? Imagina se eu deixasse de ficar com o amor da minha vida por causa dela? E eu gostava dele antes dela, ela é que não sabia.

- É. Eu entendo.

- E eu tenho medo de contar sobre o William e isso fazer com que ela se interesse por ele, sabe? Mesmo que não seja de propósito, mas pode se interessar até inconscientemente por ele, só para competir comigo e provar que dessa vez ela pode ganhar.

- Hum... Eu não a conheço e não posso te aconselhar. Você que sabe, Lizzy.

- É, eu que sei e prefiro manter segredo. Aliás, nem há quase nada para contar, já que passamos muito pouco tempo junto.

 

- Lizzy! Realmente, eu achei o Richard lindo. – Raquel comentou com a amiga ao chegarem em casa. – Pena que ele nem reparou em mim.

- Eu não. Só achei bonitos os sapatos dele – Karine debochou.

- Sim, Lizzy. A Karine está com uns gostos bem estranhos agora, tem que ver os tipos que ela acha bonito! Um mais esquisito do que o outro! – Raquel retrucou.

- Melhor para mim, assim diminui a concorrência. Vocês pensam que eu sou burra? – Karine respondeu, fazendo uma careta para as amigas, mas logo caindo na gargalhada.

- Bom, sexta-feira vocês poderão conhecer meus outros amigos. Mas não esqueçam que o Charles é de Jane, meninas! – Lizzy afirmou e sorriu para elas.

- Ah... Que pena que Jane não está aqui com a gente... Hoje estava tão divertido, com nós três e a Claudia, parecíamos de volta aos tempos de escola. Só faltou a Jane. – Raquel resmungou.

- Sim, eu também me diverti muito, meninas. – Lizzy comentou. A visita das amigas estava sendo bem agradável e divertida.

- Sim, onde já se viu? Precisamos vir até a Inglaterra para nos encontrar! – Karine zombou.

- Meninas, falem baixo que amanhã a Georgiana tem aula cedo. Não quero acordá-la.

- E esse aqui nesse retrato, Lizzy? Quem é? – Raquel indagou interessada, olhando uma fotografia da família Darcy.

- É o William, o irmão dela. – respondeu, tentando não deixá-las perceber seus sentimentos.

- Hum... Que gatinho, Lizzy. Ele estará também no Pub sexta?

- Me deixa ver, Raquel. – Karine ficou curiosa e se aproximou para olhar – Ah... Não achei nada de mais.... Não posso dizer que ele seja feio, mas é sem graça... Homem para mim tem que ter aquele algo mais sabe? Esses bonitinhos sem graça não me atraem. E eu gosto de moreno de olhos castanhos.

Lizzy disfarçou um sorriso e sua satisfação, pois pelo menos a Karine não se interessaria por ele. Sentia-se aliviada.

- Sim, Raquel. Creio que ele vai estar. Mas não sei muito sobre isso, pois não somos amigos.

- Ah... Que pena... – largou a fotografia, logo desviando o seu interesse – Mas me fala do Richard? Achei ele tudo de bom! Pena que ele nem reparou em mim....

- Ele é lindo mesmo! Mas perigoso porque é um galinha.

- Ah, mas eu não pretendo casar com ele, Lizzy! – Raquel gracejou – Só dar uns amassos e uns pegas atrás daquele balcão já me deixaria satisfeita!

- Até parece, Lizzy! – Karine comentou – Isso aí é puro papo! Toda vez que a gente sai é a mesma coisa: ela fala, mas na hora do vamos ver ela escapa e foge. Sabia que ela ainda não ficou com ninguém depois do Gustavo?

- Ah... Mas agora é diferente! Esse sotaque inglês é tudo de bom! Agora eu não iria resistir e nem fugir... Se até a Lizzy não resistiu ao Richard, quem sou eu para fazer isso?

- Por que até a Lizzy? – ela retrucou.

- Ah, Lizzy.... – ela ficou sem graça. – Você sabe por que eu disse isso, não sabe? Desculpa, mas foi sem querer... Falei sem pensar.

- Tudo bem, Raquel. Sem problemas...

- Amanhã nós iremos conhecer uma casa noturna que a Claudia nos indicou, Lizzy – Karine se intrometeu, quebrando o clima. – Você não quer ir conosco?

- Ah... Amanhã eu não posso.... Darei aula sexta-feira cedo para Charlotte e depois vem uma amiga de Georgiana que também é minha aluna.

- Nossa, Lizzy! Como você está importante! Quantos alunos você já tem? – Karine indagou, satisfeita pela amiga.

- Quatro! – ela respondeu rindo – Charles, Charlotte e mais duas amigas da Georgi que querem conhecer o Brasil: a Gláucia e a Roberta. E sabe que estou adorando ensinar? Estou até pensando em dar aulas de inglês quando eu voltar ao Brasil. Eu posso fazer disso a minha nova profissão, não posso?

- Claro, Lizzy! – Raquel se aproximou, abraçando a amiga. – Você não sabe o quanto eu fico feliz por saber disso, Lizzy... Que bom que as coisas estão começando a dar certo para ti!

- É. Vir para cá foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Agora consigo ver as coisas melhor. Agora tudo começa a fazer sentido novamente.

- Que bom! – Karine também se juntou as duas num abraço triplo.