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Vermelho - Capítulo 9 - Amando Elizabeth

Escrito por Cristina Ligado . Publicado em Vermelho

A conhecera fazia tanto tempo que sabia que ela havia engordado alguns quilos. Reconhecia aquelas pequenas ruguinhas, antes inexistentes, que envolvia seus olhos quando ela ria. Ruguinhas que Caroline nunca se permitiria ter, já que cuidava incansavelmente de sua aparência. 

Era estranho, nunca compreendera o efeito que Elizabeth tinha em si. Seus modos despojados e o jeito que era tão alheia a ele, tão distante que ele se sentia invisível para esta por todo o tempo em que conviveram entre festas e festividades. Seu pensamento rápido e espirituoso, o modo como se divertia em observar a futilidade dos outros. Talvez... talvez visse em Elizabeth tudo que desejava ser também. 

“Bom dia senhor.” Ele foi recebido por Matt, seu criado pessoal. Fazendo um suave menear com a cabeça, Darcy subiu as escadas da mansão Darcy e seguiu para seu quarto. Havia uma intensa atividade na casa já que naquela noite haveria um jantar de noivado. O seu jantar de noivado com Caroline Bingley. 

Ele se jogou na cama, fechando os olhos. A risada divertida de Elizabeth ainda ecoava em seus ouvidos e ele se flagrou querendo ouvir mais. Ouvir para sempre. Durante o último mês havia ensaiado mentalmente o que diria e o que faria para ela quando a encontrasse, depois do encontro inusitado que tiveram no elevador. Devia confessar para si mesmo que jamais havia se sentido tão envolto por uma mulher como naquela noite. Obsessivamente, descobrira o endereço de Elizabeth e por várias noites havia postado seu carro ali, tentando tomar coragem para entrar. 

Sim, iria entrar e dizer tudo que pensava dela. Que ela o irritava quando o ignorava ou quando fazia soar ridículos os feitos da classe social a que ele pertencia, fazendo-o se sentir idiota. Diria que ela era imoral ao provocar o seu cunhado e que sempre seria a ovelha negra daquele círculo em que conviviam. Era desastrada e irônica.


Também imaginou que ela diria que sempre quis chamar sua atenção, que desde que se conheceram o desejava. Então tocaria sua face e lhe beijaria com sofreguidão, a levando para a cama. Descobriria todos os caminhos e percursos que podia fazer com os lábios naquele corpo voluptuoso e escutaria sua voz emitir gemidos que ecoariam por toda a casa. Depois daquilo, a deixaria ali e faria com que ela se arrependesse de tê-lo subjugado.

Confessava que seu pensamento era infantil. Parecia um ingênuo e melindroso adolescente, em que tudo se resumia à sexo. E até aquela noite pensava que este era o fim daquela situação.  Foi então que a viu chorar. Seu rosto sempre vívido e bem humorado se envolvera de tristeza e vergonha. Seu desespero doeu em Darcy. Justo ele, que se gabava tanto de sua implacável distância emocional com os outros. 

A levou para casa e a conheceu ali, desarmada pela dor que sentia. A admirou ainda mais quando sua tristeza virou motivo de riso e superação. Achou-a adorável quando ouviu sua história sobre sua busca pelo grande amor na internet. Flagrou-se não querendo mais feri-la ou vingar-se por seu ego ferido. Queria ficar ali, naquela casa, ouvindo suas histórias malucas e tomando refrigerante quente.
Queria dizer para ela que havia encontrado sua companhia perfeita.  No fundo, sempre soubera que amava aquela mulher. Aquela constatação lhe deu um gosto amargo no paladar.