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Quando o Amor Acontece - Capítulo XIV

Escrito por Déia Ligado . Publicado em Quando o Amor Acontece

 Capítulo XIV

Ao chegar em seu apartamento, Lizzy mau teve forças para fechar a porta atrás

de si. Encostando-se nela deixou seu corpo escorregar até ao chão. O desgaste

emocional era tão grande, que sentia como se carregasse o mundo nas costas.

E agora? O que aconteceria? Será que ele iria procurar Jane e terminaria tudo

com ela? O que ele quis dizer com “Acabou não é ?”. Ele não enxergava que

dependeria apenas dele agora? Ou ele ainda se casaria com Jane? Isso era uma

tortura.

A noite parecia eterna, não conseguia dormir, comer, nem mesmo chorar. As

lágrimas haviam secado. Sentia uma dor que lateja em seu peito, parecia que não

iria aguentar.

Assim que o dia amanheceu, resolveu sair para uma volta. Apesar do mau tempo

do dia anterior, neste domingo o sol surgiu com toda sua força.

http://www.youtube.com/watch?v=vVlN4TAMLeM

Dust in the wind

Observou as árvores, as flores, as crianças que começavam a chegar no

parquinho para aproveitar o sol da manhã e as pessoas que se encaminhavam a

igreja. Lembrou-se de sua tia Gardiner, e que elas não saiam pra um passeio fazia

tempo, então resoveu ligar para ela marcando um passeio ao ar livre.

Elizabeth estava se arrumando para ir buscar sua tia quando a sra. Darcy ligou.

- Queria saber se pode vir aqui hoje, Lizzy. Não a vejo já há algum tempo, e gosto

muito de conversar com você.

Ela hesitou; gostaria muito de ir, mas tinha medo de encontrar-se com Darcy.

- Bem, eu...

- Acho que deve ser muito desagradável para você ouvir minhas histórias a

respeito de pessoas que nunca conheceu - comentou a sra. Darcy, percebendo a

sua dúvida.

- Adoro conversar com a senhora - ela se justificou prontamente. - É que eu iria

ver minha tia hoje. E é muito difícil aparecer uma oportunidade durante a semana,

pois estou sempre ocupada. Pensei em almoçar com ela. Levá-la ao litoral ou

então ao campo, assim ela passeia um pouco.

- Traga-a até aqui – convidou a Sra. Darcy.

- Oh, eu não poderia. .. quero dizer... É muita gentileza de sua parte, mas a

senhora nem a conhece... – Ficou apavorada; estava entre a cruz e a espada: de

um lado não queria magoar e nem ofender a sra. Darcy, mas também não podia

correr o risco de se encontrar com Darcy.

- Gostaria de conhecê-la. Pelo que você me contou, acho que vamos nos dar

muito bem. Pelo menos, convide-a para vir, está bem. Lizzy?!

- Georgiana e seus netos também vão?- Ela perguntou querendo saber

indiretamente quem estaria em casa.

- Talvez, não tenho certeza. Meu genro recebe muitas visitas no domingo. - A sra.

Darcy fez uma pausa. - E William também não virá. Chegou ontem a noite, dormiu

aqui e hoje vai almoçar com Jane.

- É? – Lizzy sentiu um grande alívio. Ele não dormiu com Jane.

Quando falou com sua tia sobre o convite, a sra. Gardiner pareceu ficar muito

entusiasmada.

- Eu adoraria ir, é claro! Estou morrendo de curiosidade para conhecer a tão

famosa Pemberley.

- É uma longa viagem - avisou Lizzy. Sabia que Darcy não estaria lá, mas tinha

medo das lembranças que tinha daquele lugar.

- Algumas horas de carro não irão me matar - a sra. Gardiner protestou.

Elas partiram para Kent. A sra. Gardiner acomodou cuidadosamente um enorme

buquê de rosas no banco traseiro do carro.

Assim que chegaram, Katarina levou-as até a sra. Darcy.

- Que rosas lindas! - exclamou a sra.Darcy, quando a sra. Gardiner as colocou

sobre a mesa-de-cabeceira. – Faz tempo que eu queria conhecê-la. Lizzy me falou

muito a seu respeito. Espero que a viagem não tenha sido muito cansativa.

- Claro que não!

- Sentem-se, por favor.

- A sua casa é encantadora. Está na sua família há muito tempo?

- Depois que meu marido morreu. Eu precisava mudar minha casa nos Estados

Unidos trazia tantas lembranças... Eu não poderia superar a perda enquanto

ficasse lá.

- Pois eu não suportaria deixar a minha casa - a sra. Gardiner explicou. - Por esse

mesmo motivo. . . por causa das lembranças.

- Todos nós reagimos de maneira diferente, acho. Pensei que devia me afastar,

deixar espaço para William. Não foi fácil para ele tomar o lugar de seu pai. Era

muito novo, e os outros homens da empresa, mais experientes. Eles tentavam me

fazer apoiá-los, insinuando que meu filho não tinha idade suficiente para dirigir a

firma. Teria arruinado o nosso relacionamento se continuasse lá por mais tempo.

Tive que deixar o caminho livre para ele.

- Também tem uma filha, não?

- Sim... A senhora também tem? - A sra. Darcy interrompeu o que estava dizendo,

olhou para Lizzy, que estava tocando em uma rosa. - Oh, querida, quer pedir a

Katarina para colocá-las na água? Não gostaria que elas murchassem.

- Claro! - ela se levantou e pegou o buquê. A sra. Darcy sorriu.

- Por que não vai nadar um pouco? Katarina lhe dará um dos maiôs de Georgiana.

O dia está tão lindo, é uma pena desperdiçá-lo aqui dentro. - Olhou para a sra.

Gardiner. - Nós podemos bater um papo, enquanto tomamos café - acrescentou.

Elizabeth desceu a escada sorrindo. Não havia lugar para ela na conversa das

duas. Elas pareciam ter muita coisa a dizer uma para a outra.

Katarina pegou as flores e começou a ajeitá-las num vaso de porcelana.

- A sra. Darcy disse que eu podia tomar emprestado um dos maiôs de Georgiana.

- Estão na primeira gaveta da cômoda dela – informou Katariana, mal-humorada. -

Pode pegar uma toalha no armário do banheiro, também.

- Obrigada.

Elizabeth passou pela porta do quarto de Darcy que estava entreaberta, olhou

para os lados rapidamente e não resistiu ao impulso de entrar.

O quarto tinha o cheiro dele, se fechasse os olhos poderia senti-lo a sua volta. O

terno que usara na noite anterior estava no cabideiro. Na mesinha de cabeceira

haviam porta retratos dele mais jovem, parecia muito alegre, com olhos muito

vivos e um sorriso brilhante. Entrou em seu banheiro e pegou a toalha que estava

molhada, ficou imaginando o caminho que ela percorreu para enxugar aquele

corpo que tirava-lhe o ar. Perdeu a noção do tempo em que ficou ali.

Desistiu do banho de piscina e dirigiu-se ao jardim, admirou-se de encontrar a sra.

Darcy sentada numa cadeira de rodas, conversando com sua tia. Lizzy comentou

o fato e ela sorriu, meneando a cabeça.

- Eu já passei muito tempo na cama por causa de minha operação. Não foi bemsucedida,

a dor era tão forte que não conseguia andar direito. Mas ultimamente

tem sido mais fácil me movimentar. Meu médico pediu para me levantar pelo

menos uma vez por dia, nem que seja só para ir até o banheiro. Acontece que sou

covarde; detesto sentir dores.

- Katarina e eu a ajudamos a descer - informou a sra. Gardiner.

- Eu estava lhe dizendo que deveria instalar um elevador, ou então dormir aqui

embaixo. Quando está sozinha, Katarina não consegue trazê-la.

- Dentro de mais alguns meses vou fazer outra operação, e desta vez espero que

dê certo. Não quero passar o resto da vida na cama ou numa cadeira de rodas.

Essas cirurgias nos quadris são muito delicadas, mas centenas de pessoas já as

fizeram com sucesso.

- Pensei que tivesse dito que era covarde - a sra. Gardiner caçoou. - Está me

parecendo muito corajosa, já que está pensando numa nova operação.

- É melhor do que ficar deitada o dia todo. O problema é que, com o coração fraco,

os médicos têm medo de me operar.

Elizabeth tinha se afeiçoado muito à mãe de Darcy, e estava assustada com a

ideia. Será que Darcy sabia o que ela estava planejando? E o que achava disso?

Elas almoçaram na sala de jantar ensolarada. Katarina tinha colocado o vaso de

rosas no meio da mesa. A sra. Darcy olhou-as com prazer.

- Eu adoro ficar rodeada de flores. Tenho sentido muita falta do meu jardim.

Elas tomaram café na sala de estar. Elizabeth saboreava o líquido revigorante,

enquanto ouvia as duas conversarem sobre jardinagem. Sem dúvida as senhoras

estavam se dando muito bem.

De repente, a sra. Darcy interrompeu a conversa.

- Vocês ouviram um barulho de carro, ou será imaginação minha?

- Estou ouvindo vozes - disse a sra. Gardiner.

Lizzy empalideceu, quando conseguiu distinguir a voz de Darcy, depois a risada

de Jane.

(foto 2)

- Olá! Surpresa! - Ela estava usando um vestido muito chique, e falando com

vivacidade. - O tempo está lindo, não acham? Estava com medo de que ficasse

chovendo, quando cheguei a Londres.

- Como está a Califórnia? - a sra. Darcy perguntou.

- Uma maravilha. Estou apaixonada por aquele lugar. Detestei ter que sair de lá.

- Temos uma bela casa em Vermont. Estou certa de que você também vai gostar

de lá - a sra. Darcy falou, e Darcy lhe dirigiu um sorriso tristonho. Até então ele

não tinha olhado para Lizzy; sua expressão era indecifrável.

- Infelizmente, acho que Jane não vai gostar muito de Vermont. Não existe uma

única loja num raio de oitenta quilómetros e, além disso, lá chove demais.

Lizzy não quis ouvir mais nada, e nem percebeu quando a sua tia sugeriu dar um

passeio no jardim da sra. Darcy. Só tomou conhecimento do que estava

acontecendo quando Darcy empurrou a cadeira de rodas de sua mãe para fora da

sala.

Nesse momento, Jane sentou-se a seu lado no sofá, sorrindo.

- Ontem fui visitar Charllote, ela mandou-lhe lembranças! Disse que você tem sido

má em não aparecer por lá! As crianças estão lindas, mas sabe como crianças

são sempre lindas! Lizzy gostaria de conversar com você em particular posso? –

Jane parecia exitante. Elizabeth fechou os olhos rezando para que Darcy não

tenha contado a Jane antes de informá-la que ia fazer isso.

- Claro. Algum problema? – Elizabeth tentou parecer calma.

- Oh não, acho que não! Mas tarde posso aparecer em seu apartamento? Gostaria

tanto de alguns conselhos! – Ela pareceu angustiada e Elizabeth sentiu alivio

quando percebeu que ela não sabia.

- Claro que sim! – Ela não podia recusar. - E quanto aos testes, tem alguma

resposta? – peguntou Lizzy sem muita convicção, tentando mudar de assunto.

-Ainda não! - disse Jane tritonha.

- Ah Charlotte está mais ansiosa pelo meu casamento do que eu, você a conhece!

Jane tinha um tom ansioso. – Ela vem fazendo muitos preparativos para o

casamento! Lizzy eu gostaria que você fosse..... – Lizzy a interrompeu

bruscamente antes que ela concluísse o que estamaginando.

- Jane outra ora conversamos, me desculpe e que eu tenho um compromisso e

esqueci da hora, tenho que ir voando pra Londres. – Elizabeth parecia que tinha

visto um fantasma e saiu correndo pra o jardim.

Ela então viu sua tia empurrando a cadeira de rodas da sra. Darcy e se

aproximou.

- Acho que teremos que ir embora logo, tia.

- É mesmo? Que pena! Tive uma tarde tão agradável! disse a sra. Darcy. - É a

primeira vez que saio de casa há meses!

- Lamento, mas precisamos ir - insistiu Elizabeth, e sua tia vestiu o casaco que

Katarina lhe trouxe.

- Procure William - sugeriu a sra. Darcy.

Apressadamente, Elizabeth explicou que Darcy estava conversando com Jane, e

que não havia necessidade de incomodá-los; ela o veria no escritório no dia

seguinte.

Durante todo o caminho para casa Elizabeth não conseguia raciocinar, sentia-se

angustiada, suja por ter traido Jane. Deixou sua tia em casa e seguiu para seu

apartamento.

Tomou banho, fez um chá e se recostou no sofá pensativa, desejando ser pêga

pelo sono, precisava descansar, porém, a campainha tocou. Ela sentiu todo seu

corpo estremecer e foi até a porta. Era Darcy.

(foto 3)

- Por que você foi embora daquele jeito. - ele falou assim que entrou.

Elizabeth engoliu em seco, sem conseguir falar.

- Então, me explique por que fugiu daquele jeito? - Darcy perguntou asperamente,

olhando-a fixo.

- Eu não fugi! – Tentou manter seu queixo erguido. - Tinha que levar minha tia

para casa.

- Isso não é desculpa! – Ele plantou-se com as mãos na cintura no meio de sua

sala.

- O que você queria que eu fizesse? Ficasse lá assistindo o jovem casal traçarem

planos pro casamento ? Ou aceitando o convite a ser madrinha do casamento de

vocês?! – Lizzy estava exaustada.

- Eu quero que você me diga: Você quer continuar com tudo que vivemos em

Paris? – Darcy tinha um tom enigmático. A expressão que trazia no rosto era

muito parecida com a que tinha por diversas vezes em Paris quando faziam amor.

Não. Elizabeth precisava manter o pé no chão e parar de fantasiar que ele podia

amá-la de verdade.

- O que está me propondo Darcy? – Ela tentou não se sentir enjoada com aquela

prosposta.

Ele se virou e sentou-se no sofá, o corpo tenso. Fechou os olhos tentando se

concentrar e olhou par ela desesperado.

- Quero que me diga se quer continuar nossa história! – Elizabeth não acreditava

que ele poderia ser tão cruel assim. “... Nossa história!”. Como ele poderia chegar

no seu apartamento pedindo-lhe que ela tomasse a decisão de ser sua amante,

aquilo era ultrajante e desrespeitoso. Elizabeth tinha amor próprio acima de tudo,

não poderia concordar com aquilo, mesmo que seu corpo estivesse doendo para

ser levado novamente por Darcy.

Ele atravessou o a sala á passos largos e segurou o rosto de Elizabeth em suas

mãos. Aquelas mãos firmes que passearam por ela lhe acendendo tanto desejo. A

respiração quente dele batia contra sua buchecha, ele respirou fundo trazendo os

lábios dele até os dela.

- Vá embora, por favor. – Sua voz era fraca, doia-lhe que Darcy pensasse que ela

poderia aceitar aquela situação. Não conseguiu impedir que uma lágrima lhe

escapasse. Esquivou-se, foi até a porta e a abriu olhando para o chão enquanto

ele passava por ela lentamente.

- Não posso acreditar que você achou mesmo que eu me contentaria em ser sua

amante, Darcy. – disse ainda olhando pro chão, e antes que ele tivesse a chance

de responder, fechou a porta e correu para o quarto.

Chorando em desespero, Elizabeth sentou-se ao pé da cama. Tudo que ela

sempre desejou, quando era menina, era encontrar o principe encantado e ser

feliz ao lado dele para sempre. Quando se tornou uma mulher, sabia que principes

encantados não existiam, mas desejava encontrar um homem bom que a amasse.

E então, o destino a faz ficar frente à Darcy, a personificação da superficialidade,

egocentrismo e tremendamente lindo e irresistivel. Elizabeth estava apaixonada.

Muito apaixonada. E ela sabia que não podia negar por muito tempo.

A campanhia a despertou de seu devaneio, e sentiu um frio na espinha ao pensar

que poderia ser ele, novamente. Deixou que tocasse uma, duas vezes até que

ouviu a voz de Jane. Fechou os olhos e respioru fundo caminhando até a porta ao

abri-la Jaen parecia aflita.

- Oh querida obrigada! Sei que é tarde, mas preciso conversar com alguém! –

Jane afundou-se no sofá. – Você esteve chorando, Elizabeth? – Ela preocupou-se.

- Não. – Elizabeth mentiu. – Estou com dor de cabeça, apenas isso. – Sentou-se

de frente para ela, sentindo-se horrivel.

- Elizabeth não sei como começar. – Jane ignorou a suposta dor de cabeça. – É

William! Não sei, ele está tão distante, tão aéreo. Pensei que fosse todas as

pressões do trabalho, mas não tenho certeza. O fato é que algo o está distraíndoo

de mim. Sinto que ele não me ama como antes. Oh Lizzy... – Jane falou

tristonha.

- Você suspeita que ele a está traindo? – A voz de Elizabeth era um sussurro.

- Não acho que seje algo sério, mas tenho quase certeza de que ele tem estado

com alguém. Ele não dorme comigo há tempos, e está sempre me evitando, diz

estar cansado ou pensando nos negócios. William não é de se envolver, nem

procuraria acompanhantes...Mas você sabe, nessas reuniões de trabalho ao redor

do mundo.... Suspeita de alguma coisa Lizzy, ou de alguém? – Jane a olhou em

suplicas.

- Não... Eu não. – Como sua vida de repente tinha se tornado tão confusa e

problemática? Deus!! Agora estou mentindo!

- Bom! Por quê acho que William não desistiria de nosso casamento. Apesar da

fama de ir para cama com qualquer uma que lhe dê a chance, ele sabe que não

faço parte dessa categoria. E ele é um homem de palavra, que honra seus

compromissos.

“Qualquer uma que lhe dê a chance...” Elizabeth realmente sentia a cabeça latejar

de culpa e remorso de ter sido tao fácil.

- Ah Lizzy, tenho tantas dúvidas minha amiga! Gostaria de morar na California,

seria mais fácil para mim! Darcy poderia transferir o escritório dele para lá se

quisesse, sei que poderia! Queria convencê-lo a fazer isso por mim, mas agora,

tenho tantas dúvidas com o comportamento dele.

Elizabeth não aguentaria mais ouivir tudo aquilo. Estava sendo desgastante para

ela ter tantos sentimentos antagônicos em apenas três dias.

- Oh querida vejo que não está bem! Vá deitar-se sim? Obrigada por me ouvir, eu

precisa desabafar, você sabe, Charllote não me compreenderia ela acha que

minha vida é apenas glamour. Venha, vou ajudá-la a deitar. – Jane estava tão

solicita e preocupada que fazia Elizabeth se sentir mais nojenta ainda.

- Não Jane tudo bem! Mas eu preciso memso deitar, agora.

Despedindo-se e fechando a porta, Elizabeth voltou para a cama chorando

novamente. Estava decidido, ela pediria demissão amanhã. Não poderia continuar

vivendo dessa maneira, mentindo, sendo desonesta, e arruinando a felicidade de

Jane.

Pela manhã, pediu que a secretária de Darcy entregasse a ele o envelope com

seu pedido de demissão. Foi para sua sala e trabalhou com empenho para deixar

tudo organizado, funcionando, isso também a ajudava a esquecer tudo por alguns

minutos.

(foto 4)

- Pelo seu contrato você é obrigada a fica na empresa por mais dois anos. – Darcy

entrou sem bater, fechando a porta atrás de si e enfiando as mãos nos bolsos. –

Fuja, mas não seja boba em rescindir um contrato onde só você sairá perdendo.

Elizabeth gostaria de mandá-lo para aquele lugar, junto com toda a pompa, o terno

bem alinhado, o cheiro másculo do perfume e seu rosto sem olheiras tão diferente

do dela. Mas tudo que conseguiu dizer foi:

- Eu só preciso não vê-lo mais.

- Em nome do que sinto por você, aceito que não queira me ver mais. Mas não se

desligará desta empresa Srta. Bennet e foi você quem assinou o contrato sabendo

que isso seria díficil; você irá para a filial de Nova Yorque já que insiste em se ver

tão longe de mim. Espero que um oceano de distância seja o suficiente.

Jogando em sua mesa um memorando sobre sua transferência, Darcy retirou-se

mal humorado de sua sala. Pois muito bem. Ela voltaria para Nova Yorque, para

longe de Darcy.

Duas semanas haviam se passado, ela e Darcy se comportaram como

verdadeiros profissionais. Realmente formavam uma dupla formidável.

Lizzy e a Sra. Reynolds recrutaram uma nova assistente para Darcy. Mesmo

assim ainda levava muito de seus afazeres para Nova Yorque. Podia despachar

tudo por e-mail ou resolver os assuntos mais complexos em reuniões de vídeo

conferência.

- Bem srta.Elizabeth, o que posso dizer? Vou sentir muito sua falta! – Disse a Sra.

Reynolds aos prantos.

- O que é isso sra.Reynolds, vamos estar nos falando todos os dias, trocando emails.

Nós ainda trabalhamos pra mesma empresa, lembra-se! – disse Lizzy

tentando animá-la.

- Mas não é a mesma coisa, você sabe! – disse enxugando as lágrimas – Mas vá

logo se não vai perder seu vôo. Do jeito que é organizada deve estar com tudo

pronto não é?

- Sim! Vou direto daqui pro aeroporto. Minha tia Gardiner me ajudou com a

pequenas mudança. Sinto ter de deixá-la , mas não quis vir comigo. – Lizzy

lembrou-se de como essas ultimas semanas passaram de forma rápida.

A filial, “Darcy Corporation New York”, providenciou um apartamento confortável e

mobiliado, proximo a eles. Dessa forma Lizzy não tinha muito o que levar,

somente objetos pessoais.

Como tinha alugado seu apartamento em Londres a pouco tempo, teria que

rescindir o contrato de locação. Mas como não teve tempo hábil pra isso, resolveu

que não o entregaria, não ainda, preferiu deixá-lo fechado sob a responsabilidade

de sua tia.

- Vamos comigo pra Nova York tia Gardiner, não é para sempre, é so pra tomar

outros ares , fazer um passeio.

- Não consigo ficar muito tempo sem minha casa Lizzy, mas pode deixar que eu

cuidarei de tudo, e quando quiser, estarei sempre aqui de braços abertos para

recêbe-la. – murmurou a sra. Gardiner – Você sabe que é a filha que não tive, que

é a fillha do meu coração, não sabe? – neste instante tia e sobrinha abraçaram-se

emocionadas.

-Eu te amo tia. – Lizzy disse com uma voz abafada.

-Eu tambem te amo minha filha. – elas riam e choravam ao mesmo tempo.

- Srta Elizabeth ! - a voz da Sra.Reynolds a trouxe de volta de seus pensamentos -

Tem que se apressar já está na hora.

- Darcy já voltou da reunião? – perguntou ela tentando parecer casual.

- Ainda não, acho que não vai sair tão cedo de lá, da última vez que falei com ele,

pareceu –me irritadíssimo.

Lizzy olhou para sua sala, para sua mesa, sentiu um nó se formando em sua

garganta. Então virou-se para a sra. Reynolds e disse:

- Então vamos! Foi um prazer imenso trabalhar com a sra. aprendi muito, pode ter

certeza – Lizzy tentava sorrir para que a sra. Reynolds não chorasse novamente.

- O pazer foi meu. – elas se abraçaram, e Elizabeth saiu de forma rápida sem

olhar pra trás.

Ao chegar ao aeroporto Elizabeth se deparou com uma comitiva de despedida.

Jane, Charllote e Richard com as as crianças, sua tia Gardiner.

Todos, muito emocionados, a abraçaram e lhe desejaram boa viagem e sucesso.

Charllote não entendia o que estava havendo. Lizzy havia feito um esforço enorme

para voltar pra perto da Sra.Gardiner, e agora do nada voltava pra Nova Yorque.

Sua tia suspeitava, mas não a forçava a falar nada daquilo, que ainda não estava

preparada pra dizê-lo.

Jane, pensou que Lizzy ganhou uma promoção por sua brilhante competência. E

até aquele momento não tinha conseguido fazer o convite para ela ser madrinha.

Elizabeth fugiu de Jane o máximo que pode.

Seu vôo foi anunciado e ela se adiantou, todos a abraçaram e despediram-se

novamente, e se foram.

Elizabeth já estava se dirigindo para o corredor de embarque, quando ouviu uma

voz que a fez arrepiar-se e gemer da cabeça aos pés.

- Elizabeth! – ela se virou e o viu, mais lindo do que nunca, ali na sua frente.

Aqueles olhos profundamente azuis, aqueles olhos em que tinha vontade de

mergulhar e se afogar.

http://www.stellar-matthew.org/gallery/displayimage.php?album=20&pos=474

-Você não tem nada pra me dizer, não é? – perguntou ele.

- Nós já dissemos tudo o que tinha pra ser dito. – disse ela.

Ela virou-se para partir, sentindo seu coração pesado. Derrepente ele a segurou

pelos ombros, virando-a , fazendo com que ela olhasse pra ele, desceu seus

lábios próximos ao dela e disse:

- Pela última vez! Você não pode me beijar pela última vez? – ele falou de um jeito

que parecia mais uma ordem do que um pedido.

- Não posso – a voz dela era quase um sussurro...

- Mesmo assim vou beijá-la. – ele murmurou e ela já estava pronta pra receber

seu beijo.

http://www.stellar-matthew.org/gallery/displayimage.php?album=13&pos=316

Antes que seus lábios pudessem se encontrar, ouviram a última chamada para o

vôo dela. Não tinham mais tempo.

- Adeus Lizzy. – disse ele, soltando-a e dando um passo para trás.

http://www.stellar-matthew.org/gallery/displayimage.php?album=13&pos=322

Pareceu uma eternidade, um de frente pro outro, olhando-se como se fosse pela

última vez.

Lizzy queria abraçá-lo, beijá-lo, chorar, mas fechou os olhos, recusando-se a

pensar.

Ela virou-se, e deixou as lágrimas correrem livremente pelo rosto e se foi.

http://www.youtube.com/watch?v=nmupBG-PeuI&mode=related&search=

Never Had a Dream Come True

Fim do capitulo XIV

Músicas deste Capítulo – Letra e Tradução.

Sarah Brightman - Dust In The Wind

I close my eyes, only for a moment and the moment's gone.

All my dreams pass before my eyes in curiosity.

Dust in the wind.

All they are is dust in the wind.

Same old song.

Just a drop of water in an endless sea.

All we do crumbles to the ground, though we refuse to see.

Dust in the wind.

All we are is dust in the wind.

Don't hang on, nothing lasts forever but the earth and sky.

It slips away and all your money won't another minute buy.

Dust in the wind.

All we are is dust in the wind.

Dust in the wind.

Everything is dust in the wind.

Sarah Brightman - Dust in the wind (tradução)

Poeira no vento

Fecho os meus olhos

só por um momento e o momento já se foi.

Todos os meus sonhos

passam por meus olhos cheios de curiosidade.

Poeira ao vento.

Tudo o que eles são é poeira ao vento.

A mesma velha música.

Só uma gota de água num mar sem fim.

Tudo o que fazemos

desaba sobre a terra, embora nos recusamos a ver.

Poeira ao vento.

Tudo o que somos é poeira ao vento.

Não fique esperando,

nada dura para sempre a não ser a terra e o céu.

Ele fugirá

e todo seu dinheiro não poderá comprar outro minuto.

Poeira ao vento.

Tudo o que somos é poeira ao vento.

Poeira ao vento.

Tudo é poeira ao vento.

I've Never Had A Dream Come True

Everybodys got something they had to leave behind,

One regret from yesterday that seems to grow with time,

Theres no use lookin back or wondering,

How it could been now or might have been,

all this i know , but still i cant find ways to let u know,

chorus

I never had a dream come true,

Til the day that i found u,

Even though i pretend that ive moved on youll allways be my

baby,

i never found the words to say,

Your the one i think about each day,

And i know no matter where life takes me to apart of me will

allways be with u

Somewhere in my memory ive lost a sense of time

And tomorrow could never be

cause yesterday is all that fills my mind and theres no use

lookin back or wonderin

How it should be now or might a been

all this i know but still i cant find ways to let u go

chorus

Youll always be the dream that fills my head

Yes u will say u will u know you will oh baby

Youll allways be the one i know ill never forget

Theres no use lookin back or wonderin

because love is a strange and funny thing

No matter how I try and try

i just cant say goodbye

No No No No

chorus

I've Never Had A Dream Come True (tradução)

Eu nunca tive um sonho realizado

Todo mundo tem alguma coisa

Que teve que deixar para trás

Um arrependimento de ontem

Que parece crescer com o tempo

Não adianta olhar para trás ou imaginar

Como isso seria agora ou poderia ter sido

Tudo isso, eu sei, mas eu ainda não consigo encontrar maneiras para

deixar você ir

refrao

Eu nunca tive um sonho realizado

Até o dia que eu encontrei você

Mas apesar disso, eu finjo que eu levei minha vida em frente.

Você sempre será meu querido

Eu nunca encontrei as palavras para dizer

Você é aquele que penso todo dia

E eu sei que não importa onde a vida me leve

Um pedaco de mim sempre vai estar com você

Em algum lugar na minha memória, eu tenho perdido todo o senso do tempo

E amanhã poderá nunca existir

Por que o ontem é tudo o que preenche minha mente

Não adianta olhar para trás ou imaginar

Como isso seria agora ou poderia ter sido

Tudo isso, eu sei, mas eu ainda não consigo encontrar maneiras para

deixar você ir

refrão

Você sempre será o sonho que preenche minha mente

Sim, você será, diga que você será, você sabe que você será, Oh querido

Você sempre será a pessoa que eu nunca irei esquecer

E não adianta olhar para trás ou imaginar

Por que o amor e uma coisa estranha e engraçada

Não importa como eu tente e tente, eu simplesmente não consigo dizer

adeus.

Não, não, não, não.

refrão