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O anjo de Pemberley - Capítulo 25 - Epílogo

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em O anjo de Pemberley




Lord Arthur teve que recorrer ao auxílio dos jardineiros para que estes carregassem o corpo inanimado da esposa de volta para a mansão.

 

O médico de Lambton, Dr. Gregson, foi chamado às pressas, mas nada pôde fazer, Lady Clementine estava morta. Seu coração doente e fraco havia sido sobrecarregado com a tristeza e preocupações da briga com o marido e parara de bater.

 

Como se não bastasse a dor de perder sua amada esposa, Lord Arthur tinha que conviver com o remorso, que o acompanharia pelo resto de seus dias, pois em seu íntimo tinha consciência que indiretamente tinha sua parcela de culpa na morte da esposa.

 

Os policiais de Matlock, distrito ao qual Lambton pertencia, fizeram uma visita rápida a Lord Arthur, indagando sobre as circunstâncias da morte de Lady Clementine, mas arquivaram logo o inquérito quando o Dr. Gregson expôs a eles o problema de saúde que acometia Lady Clementine de longa data.

 

Houve um longo e doloroso período de luto em Pemberley.

 

Arthur não entrou mais no quarto da esposa, temendo não saber lidar com as lembranças pungentes que certamente o assaltariam naquele lugar que ele compartilhara com ela durante todos os anos de seu casamento, repleto de memórias das noites de amor, das conversas ao pé do fogo da lareira, de confidências e juras trocadas.

 

- Lord Arthur, gostaria de saber qual o destino que o senhor deseja dar aos vestidos e pertences de Lady Clementine, agora que o período de luto terminou? – Perguntou-lhe a governanta passado um ano da morte da esposa.

 

- Sra. Rush, mande os vestidos dela para a igreja para serem distribuídos entre os pobres e os demais pertences encaixote-os e guarde-os no sótão. Quanto às suas jóias traga-as para que eu as guarde no cofre, darei às minhas filhas quando se tornarem adultas.

 

Naquele final de tarde, como numa cerimônia de adeus, Arthur decidiu voltar ao quarto da esposa. Tudo permanecia como Clementine havia deixado, apenas a zelosa governanta havia cuidado para que se mantivesse limpo e arejado.

 

Arthur abriu gavetas observando os objetos ali guardados, deixando que as lembranças o assaltassem, aqui um par de luvas, ali um leque, um pequeno lenço rendado. Até que ao acaso ele encontrou o diário de Clementine.  Ela nunca fizera segredo de sua existência, mas nunca permitira que o marido lesse o que escrevia nele.

 

”- Gostaria de saber o que você escreve sobre mim em seu diário, Clementine.”

- Só escrevo coisas boas. Digo que você é o homem mais lindo que conheço, o melhor marido do mundo, um pai amoroso e que por tudo isto eu o amo apaixonadamente apesar de estar casada com você há tanto tempo.”

- Estou duvidando que você escreva somente elogios a meu respeito.

- Pode duvidar à vontade, meu amor, que não irei mostrar o que escrevo sobre você em meu diário. ”


Arthur pode constatar durante a leitura do diário de Clementine que o amor e a devoção da esposa tinham sido verdadeiros, porém a mensagem que o comoveu até as lágrimas foi a escrita na véspera de sua morte.

 

 

Pemberley, 20 de junho de 1888.

 

Minha mãe e minha irmã Cassie não acreditam em premonição, acham que isto é uma tremenda bobagem. Mas, eu nunca deixei que acreditar que elas existem e devemos respeitá-las, pois elas acabam se concretizando.

Estou dizendo isto porque sinto que amanhã Arthur chegará de surpresa em Pemberley. Tenho certeza de que ele resolveu vir pessoalmente conversar comigo ao invés de me enviar uma carta em resposta a minha.

É próprio de Arthur querer resolver um desentendimento como o nosso, pessoalmente. Ele nunca gostou de escrever cartas. Diz que não conseguem expressar em palavras aquilo que realmente quer dizer.

Estou certa de que ele chegará amanhã, por isto vou colher flores no jardim após o café, para que a casa esteja enfeitada com flores frescas para recebê-lo.

Será tão bom vê-lo de volta a Pemberley. Sinto tanta falta dele que chega a ser uma dor física.

Vamos fazer as pazes e viver tranqüilos, voltaremos a ser felizes, como sempre fomos.

Estou disposta a não ir mais a Londres durante a temporada, para evitar certos encontros inconvenientes, isto não representará nenhum sacrifício para mim, pois os divertimentos mundanos que a sociedade proporciona há muito tempo deixaram de ser sedutores para mim.

 

 

Arthur não deixou de notar que a caligrafia de Clementine saíra um pouco tremida neste último depoimento em relação a sua letra normal. Não seria este um sinal de que ela não estava bem na véspera de sua morte?

 

Mas o diário ainda continha uma surpresa maior e inesperada. Havia um envelope colado na parte interna da contra-capa, com a seguinte subscrição: Para meu esposo Arthur (caso eu venha a falecer subitamente). Com as mãos trêmulas ele abriu a carta e passou a ler seu conteúdo.

 

 

 

Meu amor,

O meu tempo aqui nesta Terra terminou. Escrevo aqui uma espécie de carta de despedida com as minhas últimas vontades, caso minha partida seja repentina. Não se assuste porque não farei nenhuma exigência descabida.

O Dr. Everton foi bastante claro ao me esclarecer que posso morrer a qualquer momento. Eu me acostumei com este fato que a princípio me assustou tanto, vejo que meu destino é igual ao de todo mundo.

Afinal, a vida de todos nós está sempre por um fio e nunca sabemos quando vamos partir. E a morte é apenas uma etapa, um estágio na nossa vida eterna.

Minha maior preocupação é deixar nossos filhos, Arthur. Eles são tão pequenos e precisam tanto de cuidados. Quero que me prometa que não se descuidará deles, que olhará por eles constantemente, não os abandonando nas mãos de empregados, que por melhor que sejam, não terão o amor e os cuidados que eu e você temos por eles.

Peço que você ensine nossos filhos a cultivar minha memória e não os deixe esquecer que eu os amei muito e diga-lhes sempre que de onde eu estiver, estarei velando sempre por eles.

Quanto a você, saiba que foi o grande e único amor de minha vida, não amei ninguém mais do que o amei. Mas por amá-lo tanto, gostaria que você fosse feliz. Quero que reconstrua sua vida ao lado de outra mulher que o ame e o ajude a cuidar de nossos filhos.

Enquanto escrevo estas palavras, percebo que a ideia de dividi-lo com alguém, por melhor que seja esta mulher, não me agrada nem um pouco. Afinal, sempre fui ciumenta e possessiva em relação a você. Mas não ligue para esta bobagem que acabei de escrever, pois não tenho o direito de prendê-lo a mim.

Arthur, uma última recomendação, não se esqueça das famílias pobres que assisto, não as abandone, elas precisam e contam com nossa ajuda. Peça ajuda a nossos filhos nesta tarefa, quero que eles aprendam desde cedo a se importar e ajudar os mais necessitados.

Sua esposa que o ama de todo coração.

Clementine

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A vida tinha que continuar mesmo quando o sonho dela tivesse terminado.

 

Lord Arthur Darcy não voltou a se casar, apesar do pedido de Clementine e dos conselhos de seus familiares e amigos para que providenciasse uma nova mãe para os filhos tão pequenos e uma companheira para amenizar sua solidão.

 

A idéia de colocar outra mulher, no lugar que um dia fora de Clementine, o repugnava e lhe parecia completamente fora de questão, pois sentia que seria o mesmo que trair a esposa que continuava viva em sua memória.

 

Na realidade Lord Arthur jamais conseguiu superar a morte de sua adorada esposa e jamais se perdoou pelo fato de ter ficado detido em Londres por importantes questões parlamentares, só chegando a Pemberley quando Clementine já estava morta.

 

Como era de se esperar, as crianças sofreram muito com a ausência da mãe, embora Lord Arthur tenha se desdobrado em cuidados e atenção para com os eles, sendo um pai sempre presente e amoroso.

 

Claire e Georgiana tornaram-se lindas jovens e se casaram tão logo se apresentaram à sociedade.

 

O jovem William terminou seus estudos universitários passou a ajudar o pai na administração dos negócios da família.

 

Lord Arthur, à medida que envelhecia, foi se tornando um recluso, raramente deixava Pemberley, e passava longas horas do dia na galeria de retratos contemplando com olhos perdidos o belo retrato de sua esposa em magnífico traje de baile que parecia estar sempre sorrindo para ele.

 

E foi diante deste quadro que um dia um criado o encontrou morto, caído próximo à poltrona onde costumava ficar sentado, parecia que ele havia se levantado para ir ao encontro de alguém, tinha os braços estendidos em direção ao retrato da esposa e em seu rosto sereno havia um leve sinal de sorriso como se finalmente houvesse reencontrado alguém muito querido.

 

 

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- Lizzy, estou precisando conversar com você urgente. Pode ser hoje à noite?

 

Lizzy detectou imediatamente no tom angustiado da voz da irmã mais velha que algum problema grave a incomodava, pois Jane era sempre muito serena e dificilmente perdia a tranqüilidade.

 

- Sim, claro, Jane. Venha jantar comigo. William tem hoje um jantar de negócios e chegará tarde, poderemos conversar à vontade.

 

- Ótimo. Irei direto do escritório para sua casa.

 

Assim que Jane chegou, a aparência abatida dela alarmou Lizzy.

 

- O que aconteceu Jane? – Perguntou Lizzy não escondendo sua preocupação.

 

- A pior coisa que poderia ter me acontecido Lizzy.

 

- Não faça suspense Jane, diga logo.

 

- Estou grávida, Lizzy.

 

 

- Grávida!? Do Charles?

 

- Claro que é do Charles, de quem mais poderia ser Lizzy?

 

- Sei lá... Mas se é do Charles, não vejo qual é o problema?

 

- Eu ainda não decidi se quero me casar com ele e esta gravidez vai me forçar a tomar uma decisão que ainda não estou preparada para tomar.

 

- Jane, fui a primeira a reconhecer o erro do Charles quando a abandonou, mas não acha que ele já pagou por ele? Não acha que ele já merece seu voto de confiança?

 

- Sim, creio que sim. Mas, Lizzy, eu não queria que esta gravidez acontecesse agora, vai dar a impressão de que vou me casar com ele apenas porque estou esperando um filho dele.

 

- Vamos dizer que meu sobrinho apenas acelerou uma decisão que seria tomada cedo ou tarde. – Ironizou Lizzy com um sorriso carinhoso.

 

- Não sei se conto primeiro para o Charles que estou grávida, ou se primeiro digo a ele quero voltar a ficar noiva dele? O que acha Lizzy?

 

- Você está mesmo confusa Jane. Nunca a vi neste estado. Quer saber? Eu contaria primeiro sobre a gravidez. Não preciso dizer que Charles vai ficar eufórico e você nem vai precisar dizer que quer se casar com ele. Ele mesmo irá tomar as providências, você vai ver.

 

- Outro inconveniente, vou ter que casar às pressas, pois não quero me casar com uma barriga enorme.

 

- Há sempre a opção de ir se casar em Gretna como eu e o William. – Sugeriu Lizzy com uma expressão marota.

 

- Não quero matar nossa mãe do coração. Até hoje ela ainda fala que não se conforma com o seu casamento. Imagine se eu me casar em Gretna também. Vou matar nossa mãe de desgosto.

 

- Então, você precisa se apressar, pois a preparação de um casamento formal demanda muito tempo.

 

 

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A notícia do casamento de Darcy havia deixado Charles Bingley incomodado, embora tivesse compartilhado a felicidade do amigo, mas o levou a pensar que seu relacionamento com Jane estava estagnado.

 

Não estaria na hora de voltar a pedir Jane em casamento? Ela havia dito ao terminar o noivado que pediria o anel de noivado de volta quando sentisse que estava confiando nele novamente.” – a Charles parecia que ele já havia se penitenciado o suficiente e provado a Jane que era merecedor de sua confiança.

Não, não vou esperar que Jane me peça o anel de noivado de volta. Ela é tímida e pode se sentir inibida e assim vamos ficar namorando indefinidamente. Vou tomar a iniciativa.”

 

Foi assim que um ansioso e determinado Charles Bingley puxou o assunto quando jantavam a sós num restaurante:

 

- Jane, nestes meses que estamos namorando você não acha que teve tempo para pensar sobre nós dois?

 

- Penso todos os dias em nós dois, Charles.

 

- Deve ter percebido o esforço que fiz para mudar, para me tornar digno de seu amor e de sua confiança.

 

- Charles, acho que você e seu terapeuta fizeram milagres.

 

- Então, você aceita se casar comigo? Juro que nunca mais você terá motivo de queixas de mim.

 

- Aceito, Charles, por dois motivos. Primeiro porque eu o amo, nunca deixei de amá-lo.

 

- Eu também a amo, Jane, e não sei viver sem você.

 

- Não quer saber o segundo motivo?

 

- Sim, claro, mas o que realmente importa é que nos amamos.

 

- Eu estou grávida, Charles.

 

Houve alguns minutos de silêncio, Charles olhava Jane, a incredulidade estampada em seus olhos, mas logo ele reagiu tomando entre as suas as mãos da namorada

 

- Grávida!?

 

- Charles, por favor, fale mais baixo, as pessoas estão todas olhando para nós.

 

- Não tem importância Jane. Saber que vou ser pai foi a melhor notícia que você poderia me dar! Precisamos nos casar sem perda de tempo, imediatamente.

 

- Charles, eu não quero me casar em Gretna.

 

- Casaremos onde você escolher, mas teremos que nos apressar, não há tempo a perder.

 

 

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Mary Bennet havia conseguido uma bolsa de estudos patrocinada pela Orquestra Filarmônica de Londres através de seu esforço e talento e ajudada pela carta de apresentação de Darcy. Ela sentia-se feliz, pois vislumbrava um futuro brilhante para sua carreira de musicista na própria Filarmônica ou em outra orquestra de renome.

 

- Jane, encontrei hoje um pequeno apartamento em Hammersmith com um aluguel que posso pagar. Já dei entrada nos papéis para alugá-lo. Está numa vizinhança calma e é próximo à estação do metrô.

 

- Você acha mesmo melhor morar sozinha? Não seria melhor você ir morar com Lizzy e William? A casa deles é grande o suficiente para você não interferir na privacidade deles e nem eles na sua.

 

- Não, agradeci muito o convite de Darcy, mas já está mais do que na hora de eu ter o meu próprio canto e me tornar independente.

 

- Mas Lizzy e eu estamos preocupadas pelo fato de você ir morar sozinha.

 

- Jane, não sou mais um bebê, vocês, as irmãs mais velhas, têm a mania de achar que nós as caçulas somos eternas crianças. Tenho condições de me cuidar muito bem sozinha.

 

 

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A matéria sobre Lady Clementine saiu finalmente publicada na revista “Mulheres”, e fez o sucesso esperado. Lizzy foi chamada até a dar entrevistas na TV e como conseqüência, revistas femininas de todo o mundo se interessaram em comprar os direitos para publicar a matéria.

 

- Lizzy, você estava certa “O anjo de Pemberley” foi a consolidação de sua carreira como jornalista [i]freelancer[/i]. – Comentou Charlotte Lucas. – A partir de agora poderá escrever o que quiser que as revistas comprarão e você terá uma legião de leitoras fiéis.

 

- Você, melhor do que ninguém, sabe que não é bem assim. Nesta carreira que escolhi preciso matar um leão por dia se quiser sobreviver.

 

- Você não precisa mais matar um leão por dia, minha amiga. Esqueceu que é a esposa de Lord William Darcy e pode, se quiser, ter a vida de uma verdadeira [i]socialite[/i].

 

- Você sabe que casamento não é emprego e que eu não faço o tipo da [i]socialite[/i].

 

- Mas William vai deixar que você fique viajando por aí para pesquisar sobre as matérias que escreve?

 

- Claro que ele irá deixar, ele não poderá me proibir de trabalhar, só abri uma exceção agora porque estou grávida, embora esteja me sentindo muito bem.

 

- Quando o bebê vai nascer?

 

- Em maio, só espero que ele não seja apressadinho, pois Georgie até antecipou o casamento dela para abril para não coincidir com o nascimento de meu filho. Mas já falei muito de mim: conte-me sobre sua vida? Seus amores?

 

- Pois é, lembra daquele jornalista econômico com quem andei saindo no ano passado? William Collins.

 

- Lembro sim, aquele sujeito pomposo, com ares de importante que você me apresentou num jantar há algum tempo atrás. Não é este?

 

- Sim, ele mesmo, pois então, eu o encontrei um dia destes num bar freqüentado por jornalistas e conversa vai, conversa vem, estamos juntos novamente.

 

- Santo Deus, Charlotte! Acho que você poderia arrumar alguém melhor... – Lizzy imeditamente parou de falar arrependida por suas palavras.  – Desculpe-me, Charlotte, não tenho o direito de julgar sua escolha e muito menos de criticá-la. Se você está com ele é porque certamente tem suas razões e ele deve ter qualidades.

 

- Você sabe que não sou romântica, nunca fui. Nunca sonhei me casar por amor, loucamente apaixonada. As razões que me levaram a ficar com o Collins são bastantes práticas. Temos a mesma profissão, então cada um entenderá perfeitamente bem as exigências de nossa carreira. Ele é um jornalista bem sucedido com um futuro promissor poderá me dar uma vida confortável. E, por último, estou vendo todas as minhas amigas casando e eu não quero ficar sozinha, também quero ter minha família, marido e filhos.

 

- Fico feliz por você, Charlotte. Realmente, se estava se sentindo sozinha, e acha que ele pode te fazer feliz, você tomou a decisão certa.

 

- Reconheço que Collins é detalhista e meticuloso, mas são estas qualidades ou até mesmo defeitos que fazem dele o ótimo jornalista que é.

 

- Se você está conseguindo ver até pontos positivos nos defeitos dele está no caminho certo para um casamento bem sucedido. – Comentou Lizzy com um sorriso malicioso no rosto.

 

- Vou contar algo a você que não contei ainda a ninguém. Ele me pediu em casamento ontem.

 

- Uau! Então teremos outro casamento em breve!

 

- Não dei ainda minha resposta, pedi um tempo a ele, estou pesando os prós e contras, mas a balança está pendendo para eu dar uma resposta afirmativa.

 

 

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Georgiana e Richard casaram-se no ano seguinte ao casamento de William e Lizzy.

 

A cerimônia foi realizada em Pemberley no início da primavera. Mas, ao contrário da simplicidade e da informalidade do casamento de Lizzy e Darcy. Georgie fez questão de uma cerimônia formal e sofisticada cercada por toda a pompa e circunstância, contando com a presença de todos os familiares e amigos dos noivos que lotaram a suntuosa propriedade dos Darcy.

 

Como a capela de Pemberley era pequena demais para comportar todos os convidados, a cerimônia foi realizada no imenso salão de bailes e para a recepção foram utilizados vários salões da mansão, pois Georgie resolveu não confiar no instável tempo inglês para realizar os festejos ao ar livre.

 

- Foi a cerimônia de casamento mais bonita que eu assisti. – Comentou Lizzy para William quando já estavam a sós após o término da festa .

 

- Pelo visto você se arrependeu da simplicidade espartana de nosso casamento em Gretna.

 

- Não, absolutamente nunca me arrependerei disto. Nosso casamento foi tão lindo e tão romântico, que não mudaria nada dele, mesmo que pudesse. Vou me lembrar sempre como o dia mais feliz de minha vida. O casamento de Georgie foi bonito também, embora completamente diferente do nosso, o importante é que ela e Rick estejam sentindo a mesma felicidade que nós sentimos naquele dia.

 

- Tudo indica que sim. E espero que Rick saiba conservar a felicidade que vi brilhando nos olhos de minha irmã hoje.

 

- Ele saberá William, tenho certeza. Não se preocupe, Rick cuidará cuidar bem de Georgie.

 

Lizzy acariciou a grande barriga, onde carregava seu filho e refletiu sobre todos os últimos acontecimentos de sua vida e das pessoas que lhe eram próximas. A vida estava seguindo seu curso inexorável, promovendo encontros e separações, mas o importante era que o amor estivesse sempre presente dando o verdadeiro sentido a nossa existência neste mundo.

 

~~~~~~~~~~~~ F I M  ~~~~~~~~~~~~