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Namoro de Férias - Cap 04

Ligado . Publicado em Namoro de Férias

 

A neblina que frequentemente cobria toda a região reforçava mais ainda o ar inglês de suas ruas estreitas. O difícil acesso havia preservado tanto a arquitetura como os recursos naturais que a cercavam e o charme do lugar atraía turistas, embora não em tão grande número que descaracterizasse seu ar bucólico. A maior parte das famílias residentes ainda se conhecia e ostentavam sobrenomes tipicamente ingleses como Morgan, Henderson e Baker.

Darcy, Carolina e Carlos haviam acabado de chegar ao pequeno posto médico situado próximo à administração do distrito.  Mancando, Bingley foi examinado por uma médica muito bonita, o que o deixou subitamente animado.

Havia apenas um atendente e a própria doutora imobilizou o seu tornozelo, medida necessária embora a contusão não fosse de maior gravidade. Carlos não disfarçou seu encantamento com a jovem, que não lhe pareceu indiferente, apesar de se mostrar tímida. Esperava ter a oportunidade de se encontrarem novamente, disse ele ao ser despedir da médica que descobriu se chamar Joana Benett.

 

Ele crescera cercado por figuras femininas, mãe e irmãs, e talvez por isso tivesse tanto jeito com elas.  Mas quando se tratava de amor era tão romântico quanto inseguro.

 

Darcy, por seu turno, separava sexo de amor com muita facilidade, como ocorre com à maioria dos homens, embora elas se iludissem com a possibilidade de seduzi-lo a ponto de fazê-lo jurar amor eterno. Como isso não acontecia, o pecado do qual mais o acusavam era sua aparente frieza quando se falava em sentimentos e compromisso. Entender as mulheres era algo de que desistira há bastante tempo.  Mesmo sua irmã Georgiana, a pessoa mais próxima dele desde que seus pais morreram, adotava atitudes por vezes incompreensíveis para ele. 

 

Depois de trocarem idéias no caminho sobre como poderiam se divertir daí por diante em função do descanso forçado de Bingley, chegaram à casa em que estavam hospedados, onde Carolina cercou o irmão mais novo de cuidados.

 

***

 

Na sala principal dos Bennet cinco mulheres se reuniam.   Elisa havia acabado de chegar e sua mãe, Fanny, não cabia em si de alegria.   Lídia e Catarina, as duas filhas mais novas, desejavam ouvir todas as novidades. Maria fazia uma breve pausa nos livros em que mergulhara para o vestibular de medicina para rever a irmã mais velha. 

 

Tomás Bennet estava acostumado àquela algazarra feminina habitual de sua casa.   Era um homem carinhoso, embora reservado.   Costumava externar suas opiniões com fina ironia, mas este temperamento aparentemente crítico não ocultava o grande afeto que sentia por sua esposa e filhas. Contudo preferia demonstrar seus sentimentos apenas em momentos especiais.

 

Sua esposa, Fanny, no entanto poucas vezes poupava palavras e gestos para demonstrar o que ia pelo seu coração.  Frequentemente isto a levava a falar sem pensar. Sua energia aparentemente inesgotável só parecia se reduzir quando abatida por alguma contrariedade, o que durava pouco até que algum outro assunto chamasse mais a atenção de sua mente inquieta.

 

Os temperamentos do casal eram mesmo muito diferentes entre si. Todavia, ambos partilhavam uma visão muito semelhante da vida que os havia unido por todos estes anos.  Buscando uma vida mais integrada com a natureza, Fanny acompanhara Tomás e o casal transformara a casa da família Bennet em um hotel-fazenda. Ele se ajustara tão perfeitamente ao retorno ao interior que passara a repudiar a vida urbana, considerando as cidades nada menos que males desnecessários à Humanidade. 

 

Já a Srª. Bennet se ressentia um pouco da falta de uma vida social e cultural mais ativa, devido ao seu gênio expansivo. Isto explicava a sua necessidade constante de se comunicar que por vezes esgotava a paciência do marido. Naquele momento, por exemplo, ela esqueceu-se de Elisa para rapidamente inquiri-lo a respeito de recém-chegados à localidade.

 

- Tomás, soube que alugaram o castelinho para esta temporada? Quem serão nossos visitantes?

 

O “Castelinho”, cujo verdadeiro nome era “Refúgio das Águas” era simplesmente a principal propriedade da região e o seu aluguel depois de longo tempo sem uso pelos proprietários era uma novidade e tanto. Localizado no alto de uma colina, tinha uma vista privilegiada para toda a vila e um aparato de lazer que incluía extensos jardins, piscinas e quadras de esportes.

 

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- Meu amor, fique tranqüila, Alta Serra é um lugar pequeno e certamente nós logo os encontraremos lhes dar as boas-vindas. – respondeu pausadamente, o Sr. Bennet.

 

- Então você já sabia e não me contou? Quem são eles?

- Ouvi dizer que são dois executivos e a irmã de um deles.  Foi Lucas quem intermediou a negociação.

 

Elisa chegara a tempo de participar do almoço tardio.  Observou que a mãe antipatizara com George à primeira vista. Fanny era dada a pressentimentos e ninguém a convencia do contrário quando dizia que seu sexto sentido havia lhe mostrado algo.  Às vezes suas impressões eram confirmadas. Em outras ocasiões se mostravam apenas receios infundados. Elisa já não as levava a sério, mas sentiu curiosidade em conversar sobre o assunto.