Imprimir

Apenas um Beijo - Capítulo I

Escrito por Rosana Ligado . Publicado em Apenas um Beijo

Capítulo 1

 

O grupo de estudos estava reunido no playground do prédio em que Charlotte Lucas reside. Havia horas que discutiam as questões de um questionário de 50 perguntas que o professor de História passara como atividade extra. Estavam presentes: Charles Bingley, William Darcy, Richard Fitzwilliam, Jane e Elizabeth Bennet, Lydia Vaugh, Catherine White, Caroline Adams, George Wickham e, é claro, Charlotte.

Elizabeth estava começando a perder a paciência. Há mais de meia hora que debatiam uma questão do questionário e não conseguiam entrar em consenso. Era a última pergunta que precisava ser respondida e ninguém parecia encontrar a resposta.

Mas o que realmente a irritava era a falta de colaboração de alguns componentes daquele grupo. Em particular, William Darcy.

Ele não estava fazendo nada. Sequer participava do debate. Apenas rabiscava em seu caderno secretamente e a encarava quando pensava que ela não estava olhando. Ela sequer sabia por que ele estava participando do grupo de estudos, tinha certeza de que ele estava praticamente passado na matéria.

Ele, com certeza, era o garoto mais estranho que ela já conhecera. Tendo pai e mãe por juízes, reside em um prédio de luxo na parte mais nobre da cidade. Costumava ir para a escola de carro com motorista particular. Até o dia em que o viu no mesmo trem que ela, a irmã e a amiga, Charlotte Lucas, tomam para ir à escola.

Ele simplesmente apareceu lá um dia, quando voltavam para casa da escola. E no dia seguinte, encontraram-no novamente no mesmo trem. Desta vez, já no inicio da manhã, quando ainda estavam a caminho da escola.

Ele nunca falava com nenhuma delas, no entanto. Embora fossem da mesma sala desde o primário, não andavam com o mesmo grupo de amigos. E no trem, ele se sentava um pouco mais afastado e as observava em silêncio.

Poucos dias depois, ele apareceu acompanhando do primo, Richard Fitzwilliam, e com o melhor amigo, Charles Bingley – ambos de família tão rica quanto ele. Este foi o primeiro dia que lhes dirigiu a palavra. Não que fosse por escolha. O primo dele foi quem se aproximou primeiro e se apresentou. E Charles o seguiu, então ele se viu forçado a seguir-lhes o exemplo. Mas se manteve calado a maior parte do tempo.

Charles não tardou a demonstrar interesse por Jane, sua irmã gêmea não-idêntica. E Richard era um garoto divertido e animado, tornando-se um grande amigo das três meninas rapidamente. Então Elizabeth não se incomodava muito com a sua presença no trem, a caminho ou voltando da escola. Mas William Darcy era um enigma.

Embora permanecesse calado e distante, cansou-se de flagrá-lo espiando-a quando imaginava que ela não estava prestando atenção. Ele lhe dava arrepios.

E, por causa dele, precisava aturar a presença incômoda de Caroline Adams. Uma das meninas esnobes de sua escola, qual se desmanchava de amores por ele. Mesmo que ele não parecesse muito interessado.

Ergueu o olhar do seu livro e olhou a sua volta. Jane e Charles estavam discutindo em tons de voz reservado a questão do caderno e possíveis respostas do livro, com as cabeças próximas e sorrisos nos lábios. Richard fazia aviõezinhos de papel e jogava-os no ar, na direção de Charlotte. Que se fingia de irritada e ralhava com ele, por ser “infantil”.

Lydia e Catherine jogavam charme para George, que lhes dava sua total atenção. Caroline estava se esticando toda para tentar ver o que William Darcy escrevia em seu caderno, mas ele estava tampando sua visão com o braço em frente do caderno. Ele estava com a cabeça baixa e rabiscava algo furiosamente.

Elizabeth abaixou a cabeça para o próprio caderno e releu a pergunta. Decidida a achar a resposta sozinha, já que ninguém parecia interessado em ajudá-la a concluir aquele questionário.

Após cinco minutos, ergueu o rosto de novo, desistindo de sua busca. Unicamente para encontrar William Darcy olhando para ela.

--O que você está olhando? – Explodiu, chamando a atenção de todos.

--Nada. – Ele respondeu, constrangido.

--Não minta. – Contrapôs. – Eu vi você olhando para mim. Mais de uma vez. – Atestou; ouvindo o risinho abafado de seus colegas. – Tem algo de errado comigo? Tem alguma mancha no meu rosto? Algum bicho no meu cabelo? – Continuou a interrogá-lo, sem desviar o olhar.

--Não. – Ele replicou e voltou a baixar o olhar para o próprio caderno.

--Por que você veio aqui, se não está participando? – Ela não desistiu de arrancar-lhe uma resposta verdadeira. - No entanto só fica rabiscando no caderno de cabeça baixa. – Ganhando novamente o seu olhar. – Isto é, quando não fica me encarando.

Ouviu outro risinho abafado e ao olhar para o lado, viu que era Richard quem estava rindo. Voltou o rosto para William e esperou que ele respondesse algo. Mas ele permaneceu calado.

--O que você tanto escreve? Achou a resposta? – Elizabeth decidiu mudar a tática.

--Eu já fiz o questionário. – William, enfim, disse. E, virando as páginas do caderno, abrindo outra matéria totalmente diferente, mostrou-lhe o questionário respondido. – Pode copiar, se quiser.

--Eu quero! – George se debruçou sobre a mesa e pegou o caderno, passando a copiar a resposta da última questão.

Lydia e Catherine seguiram o seu exemplo.

--Você já sabia a resposta e não disse para ninguém? – Richard o questionou. – Esse tempo todo ficamos procurando esta resposta e você já sabia?

--Eu fiz o questionário ontem. Se você tivesse me pedido, já teria lhe dado as respostas. – William respondeu.

--Idiota! – Charles resmungou. – Perdemos a tarde inteira com isto e você já tinha feito todo o questionário?!

--Você não me perguntou se eu já tinha feito o questionário. – William se defendeu.

--E por que você acha que eu te chamei para vir aqui, Will?! – Charles interrogou-o; o amigo encolheu os ombros.

--Por que você veio? – Elizabeth repetiu a sua pergunta. – Se você já tinha feito todo o questionário, não tinha motivo para querer vir aqui. Por que veio, então?

Ele não respondeu. Fingiu-se distraído pelo próprio caderno, que passava de mãos em mãos entre seus colegas. Os quais tratavam de copiar a resposta da última questão.

O caderno dele veio parar em suas mãos por último. Elizabeth o tomou e olhou para a sua letra apertadinha. Decidiu lhe dar crédito pela organização. O seu caderno era bastante limpinho para um caderno de garoto.

--Você pode confiar. É a resposta certa. – Ele garantiu, quando notou sua hesitação em copiar sua resposta.

--Eu não duvido que seja. – Ela replicou, erguendo o olhar para William rapidamente. Sabia que ele era o menino mais inteligente da sua sala.

Contrariada, passou a copiar a sua resposta. Estava cansada demais para se fingir de desinteressada.

Ao concluir isto, teve uma idéia. Ergueu o olhar para ele e notou que William parecia distraído com os aviõezinhos que o primo atirava em sua direção. Então, virou algumas folhas do caderno dele. Procurando descobrir o que ele tanto rabiscava aquele tempo todo. Deparou-se com vários desenhos de olhos. Olhos grandes, marcantes, expressivos.

Achou-os extremamente familiar. Estava tentando identificar a quem eles pertenciam, quando sentiu o caderno ser retirado de suas mãos e fechado bruscamente. Ergueu o olhar para William e encontrou-o a fitá-la de um jeito que fez o pêlo de sua nuca se arrepiar.

--Desculpe. Eu estava... curiosa. – Justificou-se, constrangida. E apressou-se a guardar o seu material para não ter que ficar encarando-o.

Charlotte prontificou-se a ir buscar um lanche em seu apartamento agora que haviam concluído o questionário. Elizabeth e Jane se ofereceram a ajudá-la, e juntas as três tomaram o elevador até o 15º andar.

Os pais de Charlotte trabalhavam fora de casa o dia inteiro e a proibiam de receber mais de quatro coleguinhas em casa, porque sabiam que um grupo maior sempre acaba fazendo mais bagunça. Por isso, Charlotte reunira os amigos no playground do seu prédio residencial.

Ao entrar no apartamento, foi direto para a cozinha com as amigas. Selecionaram três pacotes de salgadinho, três de biscoito recheado e duas garrafas de refrigerante de dois litros, além de copos descartáveis. Voltando a sair do apartamento e tomar o elevador até o playground.

Ao voltarem, encontraram o restante de seu grupo de estudos discutindo o que deviam fazer agora que tinham o resto da tarde livre. Distribuíram a comida e serviram o refrigerante, fazendo um pequeno piquenique. Vindo a entrarem na discussão e opinar quanto a que atividade deviam se dedicar.

Por fim, alguém sugeriu que brincassem de um jogo chamado Verdade ou Conseqüência.  E após muita discussão, todos concordaram em participar. Sentaram-se no chão do playground, formando um circulo e usaram uma das garrafas de refrigerante que estava vazia.

Rodavam a garrafa dentro do circulo e quando ela parasse, a parte do gargalo da garrafa apontava aquele que fazia a pergunta e o fundo da garrafa apontava aquele que respondia a pergunta. Aquele que preferisse não responder a pergunta, pagaria uma prenda. Por isso, se chama “Verdade ou Conseqüência”. A pessoa teria que responder com a verdade ou aceitar um desafio em conseqüência.

Richard rodou a garrafa e todos esperaram ela parar com expectativa. A garrafa parou com o gargalo na direção de George e o fundo na direção de Elizabeth. George riu-se e bateu uma mão na outra, animado, fazendo uma careta diabólica.

--Verdade ou Conseqüência? – Ele perguntou a ela.

--Verdade. – Elizabeth respondeu; preferia responder qualquer uma de suas perguntas a ter de pagar um mico qualquer que este menino estivesse em mente.

--Tem alguém lá da escola com quem você ficaria? – Ele perguntou, satisfeito.

O silêncio perdurou na rodinha enquanto ela pensava em como responderia.

Elizabeth sempre achou George Wickham um gatinho, mas conhecia a sua fama de mulherengo. Além de que, após conhecê-lo melhor, considerou-o um tanto bobo. Mas ainda tinha curiosidade quanto ao seu beijo e sempre acreditou que ficaria com ele, sem pensar em namoro, se tivesse a oportunidade.

Por isso, respondeu.

--Sim.

O silêncio persistiu, enquanto os outros aguardavam que ela revelasse o nome. Mas Elizabeth se adiantou para a garrafa, com o intuito de girá-la de novo.

--Espere. – George ordenou. – Você não disse quem. – Contestou.

--Você não perguntou quem. – Elizabeth rebateu.

--Ahh, qual é? Estava subentendido na pergunta. – Ele argumentou, contrariado.

--Não estava não. – Elizabeth insistiu em sua defesa. – Da próxima vez, faça a pergunta direito. – E girou a garrafa.

George ainda bufou em protesto, mas quando a garrafa parou com o gargalo voltado para Charles e o fundo para Jane, a brincadeira prosseguiu.

--Verdade ou Conseqüência?

--Verdade.

--Se eu te pedisse em namoro, você aceitaria? – Charles questionou-a, brincalhão.

--Sim. – Jane replicou, corando furiosamente.

--Sério? – Ele logo quis saber, espantado.

--Que coisa horrível! – Caroline se intrometeu, enquanto seus amigos riam do que acabara de acontecer. – Se eu fosse você, não aceitava, Jane. Isso é jeito de se pedir uma garota em namoro?! – Caroline prosseguiu com o seu protesto, cheio de indignação.

Charlotte se adiantou para a garrafa e a girou pela terceira vez, quando Charles e Jane saíram da rodinha e foram para um cantinho do playground – continuar aquela conversa com o máximo de privacidade possível.

A garrafa girou, girou e girou, até parar. Com o gargalo voltado para Richard e o fundo para William.

--Você está em minhas mãos, priminho. – Richard ameaçou.

E, por alguma razão desconhecida a Elizabeth, ela testemunhou William Darcy perder a cor do rosto. Parecia obvio que Richard sabia algo a respeito de William que ele não queria que ninguém mais soubesse e temesse ser revelado ali, naquele instante. O que seria?

--Qual é o nome da menina por quem você nutre...? – Richard começou a perguntar, mas William o interrompeu.

--Você não me perguntou se escolho Verdade ou Conseqüência?

Elizabeth estava se roendo de curiosidade. Seria paixão secreta ou aversão profunda? E quem seria objeto deste sentimento? Por que ele não deixara Richard completar a pergunta? Que raiva!

--Verdade ou Conseqüência? – Richard perguntou de má vontade.

--Conseqüência. – William respondeu prontamente.

Richard ficou em silêncio, pensando em seu desafio. Era o primeiro desde que a brincadeira começara. E Elizabeth tinha a suspeita de que Richard iria caprichar, para impedir que o primo continuasse a evitar a responder suas perguntas.

--Já sei! – Richard exclamou, animado.

Chamando até a atenção de Charles e Jane, os quais se aproximaram da rodinha para saber o que estava acontecendo.

--Eu desafio você a... – Richard fez uma pausa para elevar o suspense. – beijar de língua por cinco minutos cronometrados...

Richard fez outra pausa, saboreando a expressão de espanto do primo (que estava boquiaberto) e a excitação de Caroline Adams (quem mal conseguia ficar sentada, imaginando se tratar dela a escolhida).

--Elizabeth Bennet. – Richard concluiu, rindo-se.

--O que?! – Elizabeth gritou. – Não mesmo! – Protestou. – O desafio é para ele, não para mim! – Reclamou com Richard, sem olhar na direção de William. Sabia que sentiria aquele arrepio na nuca se olhasse para ele e o pegasse a fitá-la.

--Você está participando da brincadeira, Lizzie. Não pode tirar o corpo fora agora! – Richard contra-argumentou.

--Isto não é justo! – Elizabeth resmungou.

--Eu concordo com Richard. Qualquer um que estiver participando da brincadeira deve aceitar as prendas. – Charlotte disse, achando tudo aquilo muito divertido.

--Se ela não quiser, eu beijo. – Lydia se prontificou.

--Eu também aceito. – Catherine disse, soltando um risinho na direção de William.

--Ei, suas oferecidas! – Caroline as recriminou, vermelha de raiva

--O que? Eu sei que você também quer. – Lydia revidou.

--Anda, Lizzie. – Richard ordenou. – Eu escolhi você.

--Não seja infantil. – Charlotte a provocou. – É apenas um beijo.

Elizabeth dirigiu um olhar mortal a amiga. Depois respirou fundo, resignada. E voltou o olhar para William. Ele já não estava mais pálido ou boquiaberto. Olhava para ela analiticamente. Como se aguardasse o seu veredicto sem muita expectativa. Como se beijá-la não fosse nada demais.

Ou, talvez, fosse aversão que visse estampado em seus olhos. Pois, sim, só se ele sentisse aversão a ela, beijá-la seria um castigo bom o bastante para ensiná-lo a não fugir mais das perguntas de Richard.

E, dizendo a si mesma, contrariada: “como se eu quisesse beijar você! Seu convencido!”; Elizabeth se ergueu do chão e contornou a roda. Indo parar de pé, às costas dele, dizendo.

--Anda logo com isso! – Irritada.

William se levantou do chão e se aproximou dela.

--Espera aí! – Richard exclamou, chamando-lhes a atenção. – Eu vou cronometrar. – Explicou diante dos olhares impacientes que todos lhe dirigiram.

E, trapaceiro, marcou seis minutos em seu relógio digital.

--Agora sim. Pode beijar. – Disse.

--Está cronometrando? – Elizabeth indagou, enraivecida.

--Assim que vocês começarem a se beijar, eu solto o tempo. – Richard esclareceu. – Anda, beija logo! – Ordenou, felicíssimo.

Todos ficaram em silêncio absoluto enquanto Elizabeth e William se encaravam, com poucos centímetros os separando.

Elizabeth tinha que admitir para si mesma. Olhar para aqueles olhos azuis estava fazendo uma coisa muito estranha com o seu coração; parecia que ele ia sair pela sua boca e cair no chão, aos seus pés. Suas mãos estavam suando e parecia que seus dedos estavam ficando dormentes.

William deu mais um passo em sua direção e parecia que os centímetros que os separavam quase não mais existiam. Ele era um pouco mais alto que ela. Na verdade, do tamanho exato que ela gostava que seus namorados fossem. E, por ser maior, precisou se inclinar para baixo e ela precisou erguer o rosto em sua direção, para que seus lábios se encontrassem.

Ela não saberia dizer por que os seus lábios tremeram quando sentiram a pressão mínima dos lábios dele sobre os seus. Não era como se nunca houvesse beijado algum garoto antes na sua vida.

Mas beijá-lo era, de alguma forma, diferente. William não era afobado ao beijá-la. Na verdade, ele não parecia ter pressa alguma. Primeiro, deixou seus lábios moldarem-se ao seu lábio inferior com suavidade, depois ao superior. Seguiu-se desta forma por mais alguns beijinhos demorados, fazendo com que ela começasse a se sentir a vontade e, por fim, fechasse os olhos.

Então, ele se afastou um pouco. Como se estivesse encerrando o beijo. E quando ela abriu os olhos, ele transpassou o braço por sua cintura e puxou o seu corpo contra o dele, voltando a pressionar os seus lábios ao dela. Desta vez, aprofundando o beijo. Deslizando a língua por seus lábios até que ela lhe desse passagem e lhe permitisse invadir a sua boca.

Elizabeth ouvia sussurros abafados serem transformados em gritinhos e assobios. Mas não conseguia lhes dar sua total atenção. Aquele beijo estava a transportando para um mundo completamente diferente, a um lugar onde só existiam eles dois. Só existia o seu cheiro, o seu calor, o seu gosto.

Ao fundo, ainda ouvia um alarme apitar e alguém tentando chamar sua atenção. Mas não se importava. A única coisa que tinha total consciência era a vontade que sentia de passar os braços envolta do pescoço dele. E foi o que fez.

Com calma, apreciando a sensação, ergueu as mãos e deslizou-as pelos braços dele, até que circundaram o seu pescoço. Não satisfeita, passou as mãos pelo seu cabelo, sentindo a sua maciez na ponta dos dedos.

Não saberia dizer por quanto tempo se beijaram. Quando ele encerrou o beijo, permitindo que voltasse a respirar, não havia mais algazarra alguma. Todos a sua volta estavam em completo silêncio e observavam-nos espantados.

Confusa quanto ao que havia lhe acontecido, afastou-se de William sem lhe dirigir o olhar novamente. Circundou a roda de amigos e apanhou sua mochila. Colocando-a nas costas, seguiu em direção a saída do playground.

--Ei, aonde vai? – Richard exclamou.

--Pra casa. Pra mim, já deu! – Elizabeth replicou, sem se deter.

--Lizzie, espere! – Ouviu sua irmã pedir, mas não parou. – Espere por mim.