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Apenas um Beijo - Capítulo II

Escrito por Rosana Ligado . Publicado em Apenas um Beijo

Capítulo 2

 

Elizabeth abriu o seu armário e retirou dois livros de sua mochila, colocando-os dentro do armário. Depois selecionou aqueles qual precisaria para as próximas aulas e colocou-os dentro da mochila.

Ao fechar o armário, assustou-se ao deparar com Charlotte parada ao seu lado, encostada ao armário vizinho.

--Você já o convidou? – Sua amiga lhe perguntou, brincando com um cartão em formato de coração.

--Não. – Respondeu de má vontade, preocupando-se em fechar o zíper de sua mochila.

--Deveria. Antes que ele aceite um dos milhares de convites que anda recebendo. – Charlotte a aconselhou.

--Não me importo. – Elizabeth resmungou, colocando a mochila nas costas e apressando os seus passos.

Charlotte a acompanhou.

--Quer ver? – Propôs, entregando o cartão que tinha em mãos a Elizabeth.

--Quando você vai entregar a Richard? – Elizabeth quis saber, ao ler o cartão onde Charlotte o convidava para ser seu par no Baile do Dia dos Namorados.

A festa aconteceria naquela sexta-feira, na quadra de esporte interna da escola. O grêmio estudantil conseguira convencer a administração da escola a permitir que promovessem um baile para os alunos do segundo grau, comemorando o Dia dos Namorados.

Contudo, neste baile, caberia às meninas convidar os meninos.

--Vou enviar pelo Correio Cúpido. – Respondeu sem a menor vergonha.

O Correio Cúpido era um sistema de entrega de cartões de Dia dos Namorados de aluno para aluno, inventado pelo grêmio. Existiam caixas em cada sala, para que os alunos colocassem seus cartões endereçados aos seus colegas. Durante o recreio, um membro do grêmio recolheria a caixa e entregaria os cartões.

--Você devia fazer o mesmo. Dá tempo para você fazer um cartãozinho antes do recreio e esperar que o correio entregue.

--Não vou fazer nada disso. – Elizabeth já estava perdendo a paciência. – Eu não vou convidá-lo. Quer parar com isso!

--Por que não? Depois daquele beijo... – Charlotte protestou.

--Char, chega! – Elizabeth a interrompeu. – Não quero mais falar sobre aquele beijo. Ponto final. – E entrou na sala, sendo seguida pela amiga.

Depois daquela brincadeira estúpida, Elizabeth não tivera mais sossego. Parecia que todos que o presenciaram tinham próprias expectativas quanto ao que devia acontecer em seguida. Existia esta pressão para que eles começassem a namorar, independente da vontade de qualquer um deles.

Isto é, Elizabeth sequer sabia o que William Darcy queria. Desde o beijo, ele não falara ou se aproximara dela. E, pessoalmente, Elizabeth tinha certeza – está certo, quase certeza – de que não queria namorá-lo. Ele é calado, quieto e reservado demais para o seu gosto. Nunca iam dar certo.

Viu quando Charlotte colocou o seu cartãozinho na caixa do correio ao entrar na sala, antes de se encaminhar para a sua cadeira.

Após o recreio, já em sala de aula, viu a maioria de seus colegas cheios de expectativa pela chegada do Correio Cúpido. Os professores, apenas naquela semana, estavam permitindo o atraso de suas aulas por cerca de dez minutos para que haja a entrega dos cartões.

Viu um membro do grêmio estudantil entrar na sua sala e começar a entregar os cartões. Quando Richard recebeu o cartão, Charles e William se debruçaram em suas cadeiras e tentaram ler o cartão do amigo por cima de seu ombro. Richard riu e piscou para Charlotte, guardando o cartão em seguida.

Pouco tempo depois, o membro do grêmio entregou três cartões a William Darcy, que os leu com o semblante sombrio e depois dos guardou. Enquanto Charles e Richard riam-se dele.

Elizabeth conseguiu ouvir a conversa entre os amigos após a saída do membro do grêmio de sua sala. Charles defendia-se, dizendo que fora convidado por Jane muito antes de Richard sê-lo por Charlotte e que por isso não esperava receber nenhum cartão de última hora.

Mas logo o professor pediu silêncio a todos e começou a sua aula.

Ao fim da manhã, enquanto seguia em direção a saída da escola na companhia de sua irmã e Charlotte, sua amiga lhe entregou um cartão em formato de coração com os dizeres: “Quer ir ao Baile do Dia dos Namorados comigo?”.

--Você pode aproveitar a ida de trem para casa e dar a ele. – Indicando William a sua frente, caminhando entre Richard e Charles.

--Eu não vou... – Elizabeth tentou protestar, mas a irmã a interrompeu.

--Você não precisa convidá-lo, se não quiser. – Indicando William também. – Pode convidar qualquer outro garoto.

--É. – Charlotte entendeu a tática de Jane e decidiu segui-la. – Fica com o cartão para isso. – Forçando o cartão em suas mãos.

Elizabeth, por fim, o tomou e guardou em sua mochila. Dizendo a si mesma que não convidaria ninguém.

Assim que saíram da escola, o grupo dispersou. Charles se aproximou de Jane e Charlotte aproveitou a oportunidade para puxar Elizabeth para perto de William, fingindo que queria conversar com Richard. Por fim, assim como Charles e Jane, adiantou os passos e deixou Elizabeth para trás com William.

Eles caminharam o tempo todo em total silêncio. Entraram no trem e procuraram lugares vazios para se sentarem no vagão. Charles e Jane já estavam sentados juntos, e Richard e Charlotte seguiram o seu exemplo.

Elizabeth sentou-se perto da irmã, deixando um lugar vazio ao seu lado. Mas William foi se sentar depois do primo. Isto finalmente acabou com qualquer dúvida que Elizabeth poderia ainda possuir a seu respeito. Ficou claro que ele não queria que ela o convidasse para o baile. Que preferia manter total distância dela.

--O que você está fazendo? – Ouviu Richard resmungar, num sussurro raivoso. – Vá se sentar com ela.

--Cuide da sua própria vida. – William respondeu.

--Não acredito. Vai ver se eu te ajudo de novo! – Richard voltou a resmungar.

Elizabeth abriu a sua mochila e retirou o livro de Meg Cabot, Garota Americana. Ao fazê-lo, o cartão em formato de coração que Charlotte lhe dera caiu em seu colo. Elizabeth pegou-o e resmungando mentalmente – “Eu não pretendia lhe convidar mesmo!” – amassou o cartão, jogando-o de volta dentro da mochila.

*

O Baile do Dia dos Namorados estava bastante animado. O grêmio conseguira fazer os alunos juntar dinheiro para contratar um DJ profissional e a qualidade do som estava muito melhor que a do que escutavam nos eventos planejados pela própria escola.

A decoração da quadra de esporte também fora feita pelos alunos e estava de acordo com o gosto da maioria. Dentro das possibilidades financeiras e habilidades dos alunos, decoraram-no como os corredores – querubins e corações flechados de cartolina e papel marche, balões vermelhos e brancos.

Algumas mesas e cadeiras estavam espalhadas. Não eram muitas, porque existia a arquibancada ao fundo da quadra de esporte para que se sentassem e os alunos queriam espaço para fazer uma pista de dança. A comida não era muito sofisticada. Salgadinhos e refrigerante estavam a dispostos em mesas encostadas na parede, ao fundo da quadra.

Elizabeth estava dançando com Charlotte, Jane, Richard e Charles. Dizia a si mesma que não estava prestando atenção em William Darcy. Que era pura coincidência todas as vezes que o seu olhar recaiu sobre ele – lá ao fundo da quadra, encostado a parede, cercado pelo seu fã clube.

Assustou-se quando Robert Collins começou a dançar a sua volta de forma desajeitada. Robert era garoto mais inconveniente que Elizabeth já conhecera. Desprovido de beleza, riqueza ou simpatia. No entanto, é um ser cheio de si. Elizabeth sempre achou que ele parecia ter um parafuso a menos na cabeça.

E agora estava ali, dançando tão desajeitado que as pessoas começavam a se afastar para não trombarem com ele; enquanto Robert a cercava, indiferente a qualquer outra pessoa ao seu lado.

Constrangida, Elizabeth tentou se afastar. Deu-lhe as costas e tentou se aproximar de sua irmã e de sua amiga sem para de dançar. Mas pouco tempo depois, ele estava de novo na sua frente. Como se estivesse dançando com ela.

Já sem paciência, Elizabeth se esquivou dele e seguiu em direção a mesa de comida. Tinha acabado de se servir de refrigerante, quando ele a abordou. E de um fôlego só, bombardeou-a com o seguinte discurso.

--Eu sei que você é uma garota pensamentos conservadores e por isto esteve lutando contra os seus princípios para cumprir esta regra feminista estúpida de que somente as meninas podem fazer o convite do Baile do Dia dos Namorados. E garanto-lhe que muito me agradou esta sua atitude de não ceder às pressões sociais e manter o seu caráter intacto. É dever do homem fazer a corte a uma mulher. Este liberalismo atual acaba com o romantismo. – Diminuindo o tom de voz, como se fosse partilhar um segredo particular, continuou. – Aproveito este momento para lhe confessar que admiro muito a sua modéstia e timidez.

Elizabeth olhou-o aparvalhada.

--Robert, você enlouqueceu? – Elizabeth questionou-o.

--Não precisa ficar constrangida. – Collins pediu, sorrindo meigamente. - Já chegou a meu conhecimento o profundo sentimento que nutres por mim. E lhe asseguro que é recíproco.

--Eu não sei do que você está falando. – Elizabeth replicou. – Eu não tenho sentimento algum por você, Robert.

--Querida, não há necessidade de fazer estes joguinhos. Eu já admiti que gosto de você. – Collins disse, tentando soar paciente e carinhoso. – Sinta-se livre para admitir os seus sentimentos. Não se restrinja.

--Não planejo me restringir de forma alguma. – Elizabeth declarou veemente. – Pelo contrário, vou ser o mais clara possível. Eu não gosto de você. Nunca poderia gostar de você!

E sem esperar uma resposta dele, afastou-se.

Charlotte e Jane não demoraram a se aproximar de Elizabeth e a inquirir o que tinha acontecido.

--De onde ele tirou a idéia de que gosto dele? – Elizabeth verbalizou suas dúvidas após relatar o episódio. – Eu nunca troquei mais de meia dúzia de palavras com Robert antes de hoje.

--Eu não sei. – Charlotte respondeu.

--Do que vocês estão falando? – Lydia se aproximou delas, acompanhada por Catherine.

--Robert Collins acha que Lizzie gosta dele. – Jane respondeu.

Lydia e Catherine riram.

--Ahh... eu não lhe contei do rumor que anda circulando por aí? – Lydia perguntou a Elizabeth.

--Que rumor?

--Que você está apaixonada por ele. – Catherine adiantou-se.

--O que?! Quem inventou isso? – Elizabeth quis saber.

--A gente acha que foi Caroline Adams. – Lydia esclareceu. – Você sabe, porque você passou a perna nela e beijou William. Aí ela inventou esta história para se vingar de você.

--Ela o convidou para o Baile, mas William recusou. – Catherine comentou.

--Eu o convidei também. – Lydia informou, pensativa.

--Você convidou? – Charlotte repetiu.

--Por quê? – Elizabeth quis saber.

--Oi?! Ele parece que beija bem pra caramba! – Lydia exclamou, sonhadora. – Não há uma menina em sã consciência que não daria um braço para ter uma oportunidade igual a sua! – Completou, exagerada.

Elizabeth fez uma careta ao ouvir isto.

--Ele recusou? – Charlotte adivinhou.

--Hum-hum. – Lydia resmungou. – Metido. – Desdenhou.

--Lyd, olhe! – Catherine lhe chamou a atenção para algo na outra extremidade da quadra de esporte.

--Vamos lá. – Lydia apressou-se a responder e, segurando Catherine pela mão, afastaram-se.

As meninas as observaram abordar um garoto de outra turma do terceiro ano que estava cercado por outros garotos e começarem a conversar.

--Lydia não tinha convidado George? E Catherine não convidou Sanderson? – Elizabeth questionou, estranho o comportamento das amigas. As quais, naquele instante, paqueravam outros garotos.

--Convidaram. E vieram esta noite acompanhadas por eles. – Jane respondeu. – Mas não estou vendo nenhum deles agora.

--Ouvi dizer que George está lá fora se agarrando com Mary King. – Charlotte comentou. – E Sanderson está ali. – Apontou para um garoto loiro sentado na arquibancada, conversando animadamente com dois outros colegas.

Richard e Charles se aproximaram e todos juntos decidiram descansar um pouco. Cada um selecionou o que queria comer e foram se sentar na arquibancada, porque as mesas ao redor da pista de dança já estavam ocupadas.

Após lancharem e ficarem um tempo conversando, voltaram para a pista de dança. O DJ estava tocando as músicas mais pedidas na estação de rádio e todos estavam se divertindo.

Elizabeth reparou pela primeira vez que William não estava mais encostado a parede. Passou o olhar pela quadra de esporte e não o encontrou. Viu o seu fã clube ali – algumas meninas estavam sentadas a uma mesa e outras dançavam. Mas ele não estava em parte alguma.

Decidiu parar de se preocupar com William. Na verdade, não estava preocupada. Apenas curiosa. De verdade. Era o que dizia a si mesma.

Dançou cinco músicas seguidas e, embora já começasse se sentir fatigada, queria continuar dançando. Estava se divertindo tanto que não viu o momento em que sua irmã e Charles saíram da pista de dança e desapareceram da quadra de esporte. Deixando-a apenas na companhia de Charlotte e Richard.

O DJ deixou de tocar músicas que ela gostava, para se concentrar em música estritamente eletrônica. Charlotte enlouqueceu de animação – seu sonho de consumo era ir a uma rave – e Richard seguiu o seu exemplo. Elizabeth, no entanto, não gostava de música eletrônica e decidiu descansar.

Percebeu pela primeira vez a ausência da irmã e do cunhado neste instante. Observou de novo a quadra de esporte e não conseguiu encontrar William também. Entediada, saiu da quadra e foi ao banheiro feminino.

Na volta do banheiro, caminhando sozinha pelo corredor e ainda escutando o barulho abafado da música eletrônica vindo da quadra de esporte, deparou-se com William.

Ele estava de costas para ela, sentado no degrau da escada. Sem saber o porquê, sentiu um frio na barriga ao ouvir a sua voz.

--Você já pode vir me buscar. – Ele falava ao celular. – Tudo bem. Eu espero. – E logo desligou o celular, guardando-o no bolso da calça.

Elizabeth não percebeu o momento que tomou aquela decisão, mas se aproximou dele. E, para chamar sua atenção, disse.

--Já vai embora? – Fazendo-o virar a cabeça de lado, depois contorcer parcialmente o corpo, para poder enxergá-la. – Não devia estar lá dentro... entretendo o seu fã clube? Dançando? – Questionou-o, tentando soar impertinente e não nervosa sob o olhar que ele lhe lançava.

Naquele instante, ele lhe lançava um olhar minucioso – dos pés a cabeça. E diante do silêncio dele, além daquele olhar – que Elizabeth julgava ser desdenhoso – já desistia de esperar por uma resposta.

--Eu não danço. – Ele respondeu, por fim, quando ela já se virava para retornar a quadra de esporte. – Eu não sei dançar. – Detendo-a. – E você? Por que não está dançando? Parecia estar se divertindo lá dentro.

--Não gosto de música eletrônica. – Elizabeth respondeu, caminhando até o corrimão da escada e escorando-se a ele, permanecendo de pé. – Não tem ritmo, não tem melodia, não tem letra... Não dá para cantar... É apenas barulho. Eu, pessoalmente, não consigo dançar a este tipo de música.

--Cadê o seu par? – Ele quis saber.

--Onde está o seu? – Ela revidou.

--Vim sozinho. – William respondeu.

--Igualmente. – Elizabeth replicou.

--Por que não convidou ninguém? – Ele não perdeu tempo em questionar.

--Por que não aceitou um dos tantos convites que recebeu? – Ela continuou a esquivar suas perguntas com outra pergunta.

--Quem eu queria que me convidasse não o fez. – Ele respondeu, sério.

--Talvez ela não soubesse o que você queria. – Elizabeth argumentou; ainda surpresa quanto ao conteúdo da conversa que estavam tendo. – Você não é o garoto mais comunicativo que já conheci. Qualquer garota teria um trabalho tremendo tentando ler a sua mente.

--Sei que não sou extrovertido com todo mundo. Mas não é por falta de vontade. – Ele se defendeu. – É porque eu não sei como. Não possuo este talento.

--Ahh não. Você não está tentando me convencer de que é tímido. – Elizabeth contestou, risonha.

--Por que é tão difícil para você acreditar que sou tímido? – Ele interrogou, estranhando sua reação.

--Um garoto tímido não beija do jeito que você me beijou. – Elizabeth argumentou, sem pensar direito no que estava dizendo. E logo que o fez, ficou corada.

--Eu disse que era tímido, não gay. – William protestou, fingindo não perceber seu rubor. – Além do mais, beijar você foi muito fácil.

--Como é? – Elizabeth exclamou, franzindo a testa.

--Não é o que você está pensando. – William se apressou a dizer, pondo-se de pé e se aproximando dela de forma agitada. – Eu não quis dizer que você é fácil. – Passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o, nervoso. – Apenas que... Que querer beijar você é fácil. Você é linda!

Surpresos com aquele arroubo, os dois ficaram calados. Elizabeth sentiu aquele frio na barriga novamente e o rosto arder. Imaginava estar ainda mais vermelha de vergonha. Para disfarçar, disse.

--É assim que você é tímido? – Gracejando.

William riu baixinho, ainda nervoso. Elizabeth sentiu aquela sensação estranha de novo. O coração batendo apressado, as mãos suando e os dedos dormentes. Será que era isto o tal frisson que lera a respeito?

O que faria agora? Ele não podia esperar que ela tomasse a atitude e o beijasse, não é? Elizabeth suspirou, ansiosa.

E, como se pudesse ler o seu pensamento ou adivinhar seus desejos, William deu mais um passo adiante. Ergueu a mão e colocou uma mecha errante de seu cabelo atrás de sua orelha. Aproveitou também para acariciar a maçã de seu rosto, ainda vermelha de rubor. O tempo todo olhando dentro dos seus olhos.

Sua mão deslizou pelo ombro dela, contornou o braço e encontrou o caminho para sua cintura. Delicadamente, puxou-a para si. Por estar usando salto alto para combinar com o vestidinho de festa, Elizabeth logo percebeu que só precisava inclinar a cabeça um pouquinho para cima para que ele conseguisse beijá-la.

Suas bocas se encontraram com perfeita sintonia. Não pensando em resistir ao que estava acontecendo, Elizabeth perpassou os braços entorno do pescoço dele e deixou-se abraçar apertado. E, como se notasse esta sua entrega, William não demorou tanto como no primeiro beijo para aprofundá-lo.

E lá estava de novo, aquela mesma sensação de abandono. Elizabeth não precisava de música lenta e romântica, um céu estrelado ou fogos de artifício para tornar aquele momento perfeito. Precisava de apenas um beijo.