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Namoro de Férias - Cap 08

Ligado . Publicado em Namoro de Férias

 

- Não muito.  

- Foi o encontro com George Wickham? – Carolina desejava investigar as reações dele desde o dia anterior, mas resolvera esperar o momento certo.

- Fiquei sem ação ao achá-lo aqui, num primeiro momento. Depois confesso que precisei me controlar muito pra não partir pra cima daquele canalha. Mas vou fazer isso na hora certa.

- E Elisa Bennet estava com ele, Carlos.  Você percebeu como a camiseta dela estava, Darcy? – A resposta dele ao comentário malicioso é o que ela mais esperava analisar. Darcy a encarou impassível, mas nada respondeu.  Ela entendeu isso como um encorajamento e prosseguiu.

- Não se fazem mais mocinhas do interior como antigamente. Parecia estar acontecendo algo mais entre eles quando chegamos, você não achou?

 

Darcy não queria ver evocada novamente a visão que lhe tirara o sono durante a noite. Toda a aversão e hostilidade que sentia por George haviam se misturado ao incômodo que percebeu em si mesmo em ver Elisa ao seu lado.  Embora houvesse prometido acabar com Wickham da primeira vez em que o visse, não conseguiu esboçar nenhuma reação por temer perder o controle diante da intensidade de seus sentimentos.

 

 

Mas o mal-estar perdurava desde então. Existiria um relacionamento entre ele e Elisa Benett?  Ela percebera a espécie de homem com que lidava? Haveria outra chance de ajustar suas contas com ele? Todos estes pensamentos giravam em sua mente como um caleidoscópio e ele precisou fazer um grande esforço para adormecer alta madrugada.

 

Não procuraria por George, pelo menos por enquanto. Esperaria que o acaso voltasse a fazer o seu papel como acontecera na véspera.  Só que da próxima vez em que se encontrassem estaria pronto para tomar satisfações com o fotógrafo.  E quanto à Elisa Bennet, se afastaria dela o mais possível, pois o ciúme que sentira era um aviso perigoso.

 

***

Catarina e Lídia conversavam com George após o café da manhã. A segunda, especialmente, parecia maravilhada com os relatos que ele fazia de suas expedições.   Viver em uma cidade pequena apresentava muitos aspectos positivos.  Mas o ambiente menos sujeito a ameaças e o fato de não terem a experiência de se afastarem da família acabaram por superproteger as jovens irmãs Bennet.  O temperamento de ambas aliado ao muito pouco que conheciam da vida as tornavam muito vulneráveis, pensou Elisa. 

 

Ela passara por isso em seu primeiro ano na faculdade. Mas seu caráter bem mais realista do que o das irmãs facilitara sua adaptação. Elas frequentemente fantasiavam sobre como seria viver em um lugar maior e provavelmente cairiam das nuvens, por mais que fossem avisadas, quando precisassem se afastar de casa.  Mas como só conseguiriam perceber isso por si mesmas, desistira de alertá-las.

 

Naquele caso elas não tinham tanta culpa de sua reação, pensou Elisa. George era puro charme vestindo uma camisa bem clara que valorizava sua pele bronzeada combinando com a calça cargo cáqui.  O sorriso arrasador abriu-se ainda mais quando a viu para leve desagrado de Lídia. Que situação estava surgindo? Estaria sua irmã com ciúmes de George? Elisa decidiu que nada poderia fazer quanto a isso, especialmente porque não havia nenhum compromisso entre eles.  Não iria evitá-lo para não aborrecer a irmã.

 

Entretanto considerava-o um tipo livre demais para uma adolescente que ainda acreditava em romances. Conversaria com ela em outro momento por dever de consciência, muito embora não esperasse ser ouvida de boa vontade. Tranquilizava-se lembrando de que George parecia ser uma boa pessoa, pelo que conhecera dele até então. 

 

- Está pronta, Elisa?

- Tudo certo. Podemos ir?

- Claro.  Creio que sua irmã gostaria de nos acompanhar...

- Posso ir, Lizzy?

- Claro, Lídia. Só não demore para se arrumar.

 

Elisa não poderia dar outra resposta, embora preferisse que ela não fosse.  Não se tratava de nenhum sentimento de posse da sua parte em relação a George. Aliás, se convencia cada vez mais que nada aconteceria entre eles além do clima que surgira no dia anterior, por mais atraente que ele fosse.   Só não desejava encorajar um possível envolvimento de Lídia com um homem mais velho e experiente.  Ela só tinha dezesseis anos e muitos sonhos na cabeça.  Entretanto achou melhor que ela estivesse por perto exatamente para acompanhar os acontecimentos.

 

Assim sendo, subiram os três para a nascente sem mais demora, caso contrário o tempo não seria suficiente para irem e voltarem com a luz do dia.  A escalada transcorreu sem maiores incidentes e George foi gentil como sempre com ambas.   Mas Elisa não pode deixar de notar os olhares apaixonados que Lídia dirigia a ele.   Tomara não houvesse nenhum problema por causa disso, pensou.