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Um Certo Orgulho e Preconceito - Capítulo VI

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Um Certo Orgulho e Preconceito

Capítulo 6

Demorou uns quinze minutos para ele vir atrás e sentar ao seu lado. Durante este período, Lizzy se acalmou. Seu coração desacelerou, voltando aos batimentos normais, e ela então pode refletir:

“Se estou sentindo tudo isto só com a expectativa, imagina o que sentirei com o beijo.“ – E se deu conta que tinha uma necessidade urgente de beijá-lo.

“Preciso deste beijo! Mas e se ele ficou ofendido pelo jeito que eu saí? E se ele não me quiser mais? E se ele não tentar mais nada?”

E começou a se desesperar com a idéia.

“Preciso saber como vai ser. Tenho que fazer alguma coisa. Agora já é tarde para voltar atrás...   ”

“Preciso deste beijo, de qualquer jeito.”_ conclui ao perceber que ele se aproximava.

 

Darcy chegou em silêncio e sentou na toalha. A cesta ficou entre eles, um em cada ponta. Colocou sua camisa sem dizer uma palavra. Estava sério, como se estivesse contrariado. Lizzy percebeu, mas fingiu que estava tudo bem.

- Estava te esperando! O que tem nesta cesta? Estou morrendo de fome! – disse sorrindo e olhando para ele. – Acho que seria capaz de comer um daqueles bois do caminho inteirinho!

Ele a olhou e deu um sorriso com o canto da boca. Não conseguia ficar brabo com ela.

- Nem eu sei. A Lourdes que preparou.

- Posso abrir?

Fez que sim com a cabeça, ainda não estava muito à vontade para falar.

Lizzy abriu a cesta e tirou uma bolsa térmica. Viu ao fundo algumas frutas, como maça, banana e uvas, mas não se interessou por elas pelo momento. Pegou também dois copos, dois pratos e guardanapos de tecido extremamente brancos. E abriu a bolsa térmica para ver seu conteúdo.

- Hum... Suco! E bem geladinho ainda! E tem dois! Do que será que são? – e não esperou a resposta – Tirou a tampa das garrafas e foi cheirar.  Hum... laranja! – e fez uma careta – Esse eu não quero, não me traz boas lembranças. – e olhou para ele.

Ele não pode deixar de rir ao lembrar de certa ocasião. Mas continuou calado. Então ela falou:

- Ultimamente não me dei muito bem com suco de laranja. E prefiro não correr esse risco, afinal tua camisa está tão branquinha!

E ambos deram risadas.

- Deixa eu ver de que sabor é o outro – Lizzy continuou – Hum... pelo cheiro acho que é de melancia. Vou provar – e colocou no copo e bebeu um gole – Muito bom! Posso escolher este?

- Claro, Lizzy – ele já estava mais relaxado, e parecia estar voltando ao normal.

- E para comer? O que será que tem? – E achou uns sanduíches na bolsa térmica – Do que será que eles são?

- Não faço a menor idéia, Lizzy.

- Posso escolher primeiro?

- Claro!

E Lizzy resolveu escolher pelo cheiro. Tinha quatro sanduíches, todos diferentes, mas com aromas igualmente deliciosos.

- Hum... todos parecem tão saborosos! Vou fechar os olhos e pegar um na sorte.

E foi o que fez. E comeu com tal entusiasmo que Darcy ficou admirado. Enfim também escolheu um sanduíche e ambos ficaram em silêncio.

- Hum... que delícia! Estou satisfeita!

- Com apenas um? Mas isto é muito pouco para quem disse que comeria um boi inteiro!

E riram.

“Consegui “- pensou Lizzy contente – “Consegui deixá-lo à vontade. Mas será que ele vai tentar me beijar de novo? “

- Eu vou comer mais um. – Darcy disse, enquanto pegava outro sanduíche – Este está ótimo também! Quer um pedaço?

- Não, obrigada.  Já comi o bastante.

Lizzy resolveu guardar seu prato na cesta e viu algo na bolsa térmica que chamou sua atenção.

- O que tem neste potinho? Parece interessante... – disse, retirando-o em seguida e logo abrindo a tampa – Mousse de chocolate! Será isto mesmo? – perguntou, enquanto seus olhos brilhavam.

- Deixa eu ver. Sim! – Darcy pegou um para ele também, parecia surpreso e feliz - Lourdes fazia para mim quando eu era criança. Os melhores mousses que eu já provei!

- Hum... acho que é o melhor mousse que eu já comi também! Não posso esquecer de dar os parabéns a ela quando voltarmos.

Ambos acabaram de comer.

Lizzy sentou ao lado dele.

- Estou tão feliz! O dia foi tão agradável! Me diverti bastante. Muito obrigada! – ela disse, beijando o rosto dele.

Ele ficou surpreso, mas permaneceu imóvel.

- Estou tão cansada! Quero ver como estarei amanhã. Ando tão sedentária, não tenho tempo para fazer exercício. Imagina a dor no corpo que eu sentirei! O cavalo já me deixou dolorida só da ida, e ainda tem a volta! Mas não posso reclamar de nada, está sendo ótimo! Vamos descansar um pouco antes de voltar?

Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça.

- Que bom! – ela colocou o braço em volta dele e apoiou a cabeça em seu ombro para descansar.  Ficaram em silêncio.

Darcy em seguida a abraçou e a trouxe para junto dele, para que ela se acomodasse melhor. Ela ficou com a cabeça apoiada em seu peito, envolvida em seus braços, e ficaram um tempo nesta posição. Estava tão confortável, que Lizzy quase adormeceu.

- Lizzy? - Darcy chamou

- Que...? - Ela disse, sem abrir os olhos.

- Temos que ir daqui a pouco.

- É? – levantou a cabeça e olhou para ele.

Seus olhos se encontraram e ele não pode mais resistir. Tinha muita vontade de beijá-la.

Colocou a mão em seu rosto e disse:

- Desta vez não a deixarei fugir.

Ela deu um sorriso. Queria este beijo e não estragaria novamente o momento.

E ele a beijou.

 

Começou como um beijo suave, seus lábios de se tocando de leve, com a boca entreaberta. Suas línguas se encontraram, e o beijo foi se tornando profundo, exprimindo todo o desejo que sentiam. Lizzy estava completamente entregue. Nada pensava, era como se o mundo parasse. Sentia sensações que não saberia descrever.

O abraço foi se tornando mais apertado, seus corpos foram ficando mais unidos. Ele lhe acariciava as costas e a trazia para mais perto. Algumas vezes subia as mãos para o pescoço, e Lizzy se arrepiava a cada toque. Estavam sentados ainda.

Lizzy envolvia o corpo dele com os braços, e o apertava com força. Era muito intenso o que sentia. Vez que outra acariciava seu peito, outras vezes suas costas, subindo as mãos até o pescoço e baixando até a cintura. Queria descer as mãos, mas não o fazia.

Então eles deitaram, de frente um para o outro, sem se largarem por nem um segundo. As carícias foram ficando mais ousadas. Lizzy estava sem fôlego, seu coração disparava, e ela não tinha consciência de mais nada.

O beijo demorou vários minutos. Estavam completamente entregues um ao outro. Era difícil pensar no que faziam. Lizzy não oferecia nenhuma resistência. Naquele momento, pertencia completamente a ele. Então ele falou ao seu ouvido:

- Lizzy? – falou bem baixinho

- hum? – ela perguntou, mais parecendo um gemido.

- Acho que devemos parar.

Ela se deu conta do que faziam. Como se levasse um susto, afastou-se um pouco dele.

“Nossa o que foi isso?  O que está acontecendo comigo? Se ele não parasse.... se ele não parasse, certamente eu não lhe ofereceria nenhuma resistência.” - Lizzy pensou.

- Sim... – ela respondeu meio tonta. – Devemos sim...

E deitou-se um pouco com as costas para o chão. Ficou olhando para o céu. Ele a imitou, deitando próximo a ela, mas com um espaço entre eles.

Ambos aos poucos foram se recuperando. Retomando o fôlego. Precisavam de um tempo para refletir, para se recompor.

Alguns minutos depois, Lizzy se acalmou e passou a procurar por ele. Só agora percebeu que ele deitara a seu lado, e que parecia estar na mesma situação que ela.

Foi então para perto dele e deitou com a cabeça em seu ombro. Ficaram olhando juntos para o céu.

- Acho que está na hora de irmos. Senão ficará tarde. – Darcy falou, sem se mexer.

- Que horas será que são?

- Não tenho idéia. Deixa eu ver no meu relógio – e levantou para olhar as horas. O relógio estava no bolso de sua calça. – São 15 horas!

- Sério! - Lizzy levantou rapidamente – Nossa, que tarde! O tempo passou voando!

- Também achei.

Vestiram-se rapidamente, guardaram tudo, e logo já estavam pronto para voltar.

- Vamos apostar uma corrida? – e sem esperar resposta saiu em disparada.

Ele, pego de surpresa, saiu atrás, e demorou um pouco para alcançá-la.

Ele chamava por ela, mas ela estava tão distraída com seus pensamentos, que não percebeu. Estava de olhos fechados, curtindo a brisa que vinha com o movimento do cavalo, e nem olhou para trás.

- Lizzy! – ele gritava. Ela percebeu e diminuiu o ritmo.

Ele a alcançou, emparelhou seu cavalo com o dela, e puxou suas rédeas para reduzir a velocidade.

- Elizabeth! Sua irresponsável! Nunca mais faça uma coisa dessas! Não vê que pode ser perigoso?

Ela olhou para ele, fez uma cara de quem não compreendia.

- Perigoso?

- Sim, ainda hoje você não sabia nem subir em um cavalo. E agora acha que pode controlá-lo sozinha? E se ele não lhe obedece? Hein? Nesta velocidade! – ele falava aos berros, estava muito zangado.

Ela olhou para o chão. Parecia uma criança que descobrira que fez algo errado e que estava arrependida.

- Desculpe... eu não me dei conta.

Depois de um minuto em silêncio, ele falou:

- Me desculpe também, Lizzy. Fui um tanto grosseiro. Mas se algo acontecesse com você eu não poderia me perdoar. – Fez um pausa - Agora não saia mais do meu lado.

E assim continuaram o resto do caminho, lado a lado.

Durante o trajeto de volta, Lizzy falou sobre sua vida. Contou sobre sua família, em especial sobre Jane, mostrando o quanto se sentia ligada a ela, e omitiu alguns detalhes sobre sua mãe e o comportamento de suas irmãs mais novas.