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Um Certo Orgulho e Preconceito - Capítulo VII

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Um Certo Orgulho e Preconceito

Capítulo 7

 

Chegaram, e Lizzy foi tomar banho. Colocou o vestido florido rosa e as sandálias de salto baixo. Era curtinho e mostrava suas pernas. Tinha também um decote nos seios que apesar de não muito revelador, era bastante insinuante. Secou o cabelo, colocou a mesma maquiagem leve de antes e desceu. Todas suas coisas já estavam preparadas para irem embora.

Sentiu um cheirinho irresistível e o seguiu até a cozinha. Chegou à porta e se deparou com Lourdes tirando um bolo do forno.

- Oi! Senti o cheiro e vim atrás. Posso entrar?

Lourdes se virou para ela e falou:

- Claro!

- Queria agradecer pelo nosso lanche. Estava perfeito. E o mousse de chocolate! Acho que foi o melhor que eu já comi na vida.

- Muito obrigada! E também fiz esse bolo para vocês. Já vão embora?  Quer que eu embrulhe para levar?

- Se possível, gostaria de comer agora. Esse cheirinho me deu fome.

- Lógico! E leve um pouco para o Sr. Darcy também. – Ela cortou várias fatias e colocou em um prato – Vocês foram ao lago?

Lizzy respondeu que sim balançando a cabeça. Não podia falar, pois já estava com a boca cheia.

- Fico feliz em saber. Suspeitei que fossem, mas não tinha certeza. Sempre que ele passava o dia lá com seu pai, eu costumava recebe-los com um bolo e ele adorava. Nunca deixava esfriar. Por isso lembrei de fazer. Leve para ele, por favor? Ele está na varanda a sua espera.

Darcy estava sentado na varanda em frente da casa, aguardando-a.

- Já está pronta? – olhou o relógio. – Que rapidez!

- Eu sou uma mulher rápida – brincou, alcançando a ele o prato com as fatias de bolo.

- Sim, de fato é. Estava planejando esperá-la por pelo menos mais trinta minutos. – falou enquanto pegava o prato e provava uma fatia do bolo. – A Lourdes pensa em tudo! Esperar-nos com um bolo! Lembro da minha infância.

- Sim, ela me contou. Mas prove, está uma delícia, bem quentinho!

Ele concordou com ela.

- Agora temos um tempo livre – falou depois de engolir um pedaço – e gostaria de lhe mostrar algo que acho que irá gostar.

- Mais surpresas, suponho!

- Sim. – e sorriu

Acabaram de comer, Lizzy lambeu os dedos, que nem criança.

Ele levantou e ela o seguiu. Caminharam lado a lado. Em pé, Lizzy batia quase em seu ombro. Não se considera baixa, mas ele devia ter quase 1,90 metros de altura. Ele pegou sua mão, e eles foram de mãos dadas, como dois namorados.

- Vamos até aquele galpão lá em cima. - Apontou para o local. Não era longe, ficava a uns 200 metros, mas era uma subida íngreme. – Fiquei sabendo que uma ovelha deu cria, e foi colocada lá, separada dos outros animais.

Ela o olhou com curiosidade.

- Uma ovelha?

- Sim, já viu filhote de ovelha?

- Nunca. Devem ser tão fofinhos!

- De fato são. – E deu uma risada – Achei que iria gostar de ver.

Ela soltou sua mão e o abraçou pela cintura. Ele colocou o braço em seu ombro e passaram a caminhar abraçados. Chegaram ao galpão e Lizzy avistou a pequena ovelha.

- Que bonitinha! Será que posso chegar perto?

O filhote estava só, e Darcy olhou para os lados a procura da mãe.

- Enquanto ele estiver sozinho, sim. Mas se a mãe dele chegar deve evitar, pois ela pode não gostar e te machucar.

Lizzy olhou para ele como necessitasse de estímulo para se aproximar do animal. Estava curiosa, mas tinha medo que a mãe dele aparecesse.

- Pode ir Lizzy, eu fico cuidando para ti.

Ela se aproximou da ovelha e a tocou.

- Que fofinha! – sorriu - mas ela é muito fedida, não é?

Ele riu:

- É. Algumas ovelhas têm esse cheiro forte de gordura.

Ela fez uma careta, mas voltou a acariciar o animal.

- Agora vamos sair daqui antes que a ovelha mãe volte. – Lizzy disse, indo na direção dele. E assim fizeram.

- Gostou? _ele perguntou.

- Sim, muito. – e iniciaram o trajeto de volta.

 

Lizzy parou no caminho, e o fez parar:

- Tenho que te confessar algo. Posso te falar a verdade?– Ele assentiu com um movimento de cabeça – Seu convite me pegou de surpresa. Se eu tivesse tido tempo para pensar, para formular qualquer desculpa, certamente não viria.

Ela parou de falar e ele a olhou. Mas algo em seu olhar a permitiu continuar:

- Porque no primeiro instante em que o vi, as suas maneiras me convenceram de que era um homem arrogante, pretensioso e devotando a maior indiferença pelos sentimentos dos outros.

Baixou os olhos e depois completou:

- Eu precisava te dizer isso.

Ele respondeu:

- Já sabia que pensava isso de mim, Lizzy. Ouvi sua conversa ao telefone. De certo modo não estava errada. Não posso me justificar pelo meu comportamento quando nos conhecemos. Mas a verdade é que eu não tenho o talento que muita gente possui de dirigir facilmente a palavra a pessoas que nunca vi anteriormente.

 

Ficaram parados em silêncio. Ele a puxou para perto e a beijou. Este foi um beijo mais calmo. Um beijo de trégua. Como se selasse a paz entre os dois.

O dia foi ótimo, mas já estava na hora de irem embora. Logo estavam dentro do helicóptero. Lizzy havia experimentado tantas emoções durante o dia, que agora o medo de voar parecia insignificante.

Os dois estavam à vontade, como dois namorados. E Lizzy se sentiu segura para perguntar:

- E sua namorada?

- Quem?

- Caroline! Também ouvi tua conversa no telefone, esqueceu?

Ele parecia não querer falar, mas Lizzy queria saber.

- E sei que se não fosse por ela, esse passeio não teria ocorrido. Estou pensando até em agradecê-la, se a encontrar um dia.

Ele riu.

- Se ela tomasse conhecimento deste fato, decerto enlouqueceria. Mas ela não é mais minha namorada. Não mais.

- E o que ela faz na sua casa?

- É uma praga na minha vida! Mas em consideração ao seu irmão, não posso colocá-la para fora.

- Seu irmão?

- Sim, nos conhecemos há muitos anos, e Charles é um dos meus melhores amigos. Foi assim que conheci Caroline. Desde nova ela me enchia de atenções, mas eu nunca me interessei por ela.

- Se não se interessou, porque namoraram?

- Acho que falta do que fazer... estava sempre sozinho, não tinha ninguém que me interessasse, e ela estava sempre ali, se mostrando disponível. Sempre me cobrindo de atenções,... mas eu nunca a estimulava, nunca a encorajei nem lhe dei esperanças.

- Então? Como ela virou tua namorada?

- Um dia eu bebi demais e acordei com ela ao meu lado. Não me lembrava de nada, mas o fato estava feito.

- Começaram a namorar por causa de uma bebedeira?

- Sim, eu devia isto ao seu irmão. Quando acordei ao seu lado, me senti um tremendo cafajeste. Fiquei desesperado, não sabia o que fazer.

- E quando foi isto?

- Há um ano atrás.

- Durante um ano ficou com ela sem gostar dela? – Lizzy estava assombrada com tal fato

- Sim.... E como foi difícil! Nunca passei tanto tempo fora como neste período. Viajo muito a trabalho, mas neste ano aumentei as viagens consideravelmente. Até quando não necessitava. E às vezes inventava viagens e me hospedava no hotel.

“Por isso todos o conheciam”- Lizzy  pensou.

- Então porque continuou namorando ela?

- Porque era mais fácil e eu me acomodei com a situação. Todos estavam satisfeitos com tal arranjo. Charles parecia contente. E até para mim havia algumas conveniências: tinha ao meu lado uma mulher dedicada, que me ajudava a organizar jantares, receber meus convidados e organizar meus eventos. Até minha tia que costuma implicar com todo mundo a considerava adequada.

- Adequada?

- Sim.  Educada, de boa família e de boa fortuna, isto é o que minha tia considera adequada. Principalmente de boa fortuna! E minha tia é tão desagradável quando quer! E assim eu ficava em paz. Como vê, tudo parecia perfeitamente bem, exceto por um detalhe.

- Que detalhe? – Lizzy tinha até medo de perguntar, mas sua curiosidade era grande.

- Os momentos em que ficamos sozinhos eram uma tortura para mim. E estava ficando cada vez pior. Já estava com medo de me tornar um alcoólatra, pois ultimamente era apenas bêbado que suportava nossos momentos de intimidade.

- Oh! E ela não percebia?

- Decerto que sim. Mas acho que ela ainda tinha esperanças de me conquistar. E eu tentei Lizzy, só Deus sabe como eu tentei gostar dela! Mas não deu. Parece que quanto mais eu me esforçava, mais meus sentimentos iam na direção oposta.

- Entendo, acredite que sei bem como se sente. E vocês moravam juntos?

- Não, nunca.

- E o que ela faz na sua casa? – Lizzy estava incrédula e se compadecia tanto por um quanto pelo outro.

- Nem me lembre disso! Acho que ela percebeu que eu iria terminar e num gesto de desespero alegou um vazamento em seu apartamento e se mudou para minha casa. Mas esta sua última tentativa de me prender, foi o que me afastou completamente.

- Nossa!

- Só Deus sabe o que eu tenho passado, Lizzy! Como me amaldiçoou por ter tomado aquela bebedeira! Nunca falei com ninguém sobre isto. Ninguém sabe como eu de fato me sinto. E há tanto tempo não me sinto tão livre como hoje. – Fez uma pausa.

Lizzy colocou suas mãos sobre as dele, querendo transmitir o seu apoio através deste gesto.

Ele retomou o assunto:

- Inclusive quero ver se hoje mesmo dou um basta nesta história! Marquei uma reunião de negócios hoje às 20 horas com o Charles na minha casa, e quero ver se faço com que ele a convença a sair. Sinto pelo que ele possa pensar, mas agora cansei de pensar nos outros e vou começar a pensar mais em mim.

Olhou em seus olhos e continuou:

- Gostaria de te levar para jantar. Mas como vê, tenho esse compromisso. E amanhã bem cedo irei viajar.

- Não vai voltar mais para o hotel?

- Não. Meu quarto foi liberado assim que sai. A essa altura as suas amigas já devem estar de volta e perfeitamente instaladas.

- E se Caroline não sair? Vai passar a noite com ela? – se controlou, para não demonstrar o ciúmes que sentia.

- Sim, correrei esse risco. Mas se ela estiver em meu quarto, dormirei no quarto de hospedes. E trancarei bem a porta!

Ela riu. E mesmo ele garantindo que não queria nada com ela, uma pontadinha de ciúmes permaneceu ao imaginar os dois na mesma casa.

- Vai viajar amanhã? E quando voltará?

- Não sei ainda. Pretendia ficar uma semana, mas talvez tenha que estender a viagem por mais uma.

- Ah, entendo. – Ela ficou triste. Lembrou que ele costumava viajar para fugir de Caroline, e imaginou se ele não estivesse aumentando a viagem para fugir dela também.

- Quando eu voltar posso te procurar no hotel? Você ainda estará lá, não é?

- Sim, espero que sim. Espero estar no mesmo lugar.

- E se quiser estará, Lizzy. Só vai depender de você querer ou não – Ela não entendeu seu comentário, mas não quis perguntar. Ele tinha medo do que ela faria quando descobrisse quem ele era.

E ficaram em silêncio pelo resto da viagem. Lizzy adormeceu em seus braços até pousarem. Ele estava pensativo, não conseguia relaxar completamente. Pensava no que conversavam, em como passaram o dia e no que ele ainda teria pela frente – “Longo dia”- pensou- “mas ainda não acabou.”

 

Desceram no mesmo prédio de antes e Darcy olhou no relógio:

-Ainda são 18 horas, tenho algum tempo até meu compromisso. Gostaria de ficar um pouco mais comigo?

Ela respondeu com um sorriso, não disfarçando sua felicidade diante de tal idéia. Não queria que o dia acabasse.

- Sim. Mas para onde iremos com tão pouco tempo?

- Tenho uma idéia. Não iremos a lugar algum, ficaremos aqui mesmo.

- Aqui?

- Sim. Tenho algumas salas neste prédio. Costumo fazer alguns eventos e receber alguns clientes aqui, e acho que uma delas é bastante apropriada para levá-la.

Desceram para buscar as chaves na portaria com o Telmo. Lizzy só agora reparou nele. Era um senhor calvo, de baixa estatura, e possuía um pequeno bigode branco. Ficou feliz ao ver Darcy e não demorou para lhe alcançar as chaves.

Pegaram o elevador, descendo no décimo quinto andar. Ela o seguiu pelo corredor e pararam diante de uma porta branca.

 

Lizzy pode reparar que a sala era longa. Havia uma mesa ao fundo que comportava umas vinte pessoas sentadas. Perto da porta, à direita, estavam dois sofás azuis impecavelmente novos e organizados, um de três lugares e outro de dois. E do lado esquerdo podia perceber um bar, que parecia perfeitamente equipado.

Foi para este último que eles se dirigiram. Tinha um balcão alto, com tampo de granito cinza e que continha alguns bancos com o estofado em couro preto. Atrás do balcão, ela avistava vários tipos de bebida.

- Gostaria de um drinque para fecharmos nosso dia com chave de ouro?

- Depende. O que pretendes me oferecer?

- Estava pensando em um champanhe. Aceitas?

- Oh sim. Estou com algumas dores no corpo, e certamente a bebida me ajudará a relaxar.

Ele lhe alcançou uma taça, e logo trouxe o champanhe já aberto em um balde de gelo. Colocou entre os dois e serviu.

- Antes faremos um brinde – Lizzy falou – ao nosso dia, que foi maravilhoso.

Ele sorriu.

Brindaram e logo beberam.

 

Ao acabar a primeira taça, Lizzy falou:

- Primeira taça, primeiro segredo.

Ele a olhou com curiosidade, e ela continuou.

- Tenho algo para te contar.

- Pode falar. Estou ouvindo.

- Lembra que eu disse que achava que o nome William não combinava contigo?

- Sim, lembro perfeitamente – ele riu.

- E por acaso notou que eu nunca te chamei por nome nenhum?

- Nunca? – Ele ficou pensativo, tentado se lembrar – não, na verdade não reparei.

- Pois é.... nunca te chamei por nome nenhum. E preciso achar um nome para te chamar.

Ele riu de seus comentários.

- Na verdade, Lizzy, meu nome não é William.

- Não? – ela inquiriu, levantando às sobrancelhas, curiosa.

- É Fitzwilliam.

- Fitzwilliam? – Ela perguntou, incrédula.

- Sim, é um nome que esta na minha família há várias gerações. Na verdade, não o considero muito bonito, e o considero demasiado longo para usá-lo. Mas mesmo assim, é um nome de tradição. E pretendo mantê-lo se algum dia tiver um filho.

Ela ficou pensativa e repetiu o nome para observar melhor seu feito sonoro:

- Fitzwilliam... – continuava meditando – De fato não o considero um nome feio, e acho que têm um certo charme. Mas penso que também não combina contigo.

- É mesmo? E o qual nome você acha que combina comigo? – perguntou, entre sorrisos.

- Darcy! – fez uma pausa, e continuou - Sempre achei impessoal tratar as pessoas pelo sobrenome, e todos o chamam assim de forma tão formal... Mas acho Darcy o nome mais adequado. Posso chamá-lo assim?

- Claro Lizzy.

- Ok, Darcy.

 

E ela serviu outro copo de champanhe. E quando terminou este também, ela falou:

- Segunda taça, segundo segredo!

Ela o surpreendia novamente, e ele falou:

- Acho que vou sempre te dar bebida quando quiser alguma informação – e falou rindo, com um sorriso lindo e com seus olhos azuis brilhando, encantados por ela.

- Tenho algo que eu queria te contar, mas estava com vergonha. É sobre mim...

- Sobre você? Sobre o que, Lizzy?

- Sobre minhas experiências anteriores – ele a olhou, queria que ela soubesse que o que fizera no passado não tinha importância.

- Não precisa me contar nada, se não quiser, Lizzy.

- Mas eu quero. E minha história de certa forma se assemelha a sua com Caroline.

Ele ficou curioso, mas a deixou falar sem pressioná-la. Lizzy tomou coragem e prosseguiu:

- Eu estava na faculdade, tinha 19 anos e não me interessava por ninguém. Todas minhas colegas de turma namoravam, e eu ficava sempre sozinha. Mas não queria ficar com ninguém. Então minhas amigas começaram a me pressionar para que eu ficasse com o Breno, um colega nosso. Breno estava sempre no meu pé, me cercando de atenções, assim como Caroline com você.

Ele sorriu, pensando na situação, no quanto era semelhante.

- Eu não queria nada com ele, mas estava cansada de ficar sozinha e resolvi tentar. Breno era até interessante, bonito, se vestia elegantemente e eu pensei: “porque não?” Posso dar uma chance para ele e quem sabe no meio do caminho eu me descubra apaixonada.

Fez uma pausa e bebeu o último gole da taça. Então continuou:

- E eu tentei! Não chegamos a namorar, era mais um casinho. Eu não queria nada sério, mas ele sim. E cada noite que eu dormia, eu esperava acordar apaixonada. E acontecia justamente o contrário. Isto durou quatro meses, quatro longos meses! E ele cada vez mais apaixonado por mim. Suas atenções comigo iam aumentando! Mas quanto mais ele tentava, mais eu me sentia sufocada. – Ela olhou para ele – acho que dá para perceber bem o meu desespero.

- Sim Lizzy, consigo imaginar perfeitamente.

Ela assentiu e prosseguiu:

- Então ele começou a me pressionar para transarmos. E eu pensei: porque não? Já tenho 19 anos e ainda sou virgem. E se o sexo for maravilhoso, posso acabar finalmente amando-o.

- E isso aconteceu? – ele perguntou.

- Não! Pelo contrário! Foi horrível! Queria desistir no meio e ele não deixou. Praticamente me obrigou. Foi estúpido comigo, um pouco agressivo, e acabou me machucando. Foi a pior experiência de minha vida! – parou de falar por alguns segundos - Mas depois de tantos anos já não o culpo. Acho que naquele momento ele percebeu que eu nunca o amaria e por isso se descontrolou. E eu resolvi nunca mais fazer nada que não quisesse. E esta foi minha única experiência amorosa. Como pode perceber, sou praticamente uma virgem. – Disse rindo para tentar quebrar o gelo, querendo amenizar um pouco a tensão que tal revelação causou.

Ele não sabia o que dizer e ficou calado.

- Pode me servir mais uma taça?

 

E Lizzy passou a beber sua terceira taça. Continuavam em silêncio, mas ela bebeu rápido, em poucos goles e logo falou:

- Terceira taça, terceiro segredo!

- Mais um segredo? Estou até com medo de tal revelação!

Ele estava parado em pé ao seu lado, escorado no balcão, e ela estava sentada em um dos bancos. Ela o puxou para perto, posicionando-o em sua frente, e colocou os braços ao redor do seu pescoço. Ela sorria e o olhava nos olhos. Então falou:

- Estou caidinha por você!

Ele estava surpreso, não esboçou reação por alguns segundos, e então sorriu, abraçando-a pela cintura. Antes que ele pudesse prosseguir, ela falou:

- Não se preocupa que não estou bêbada, apenas mais corajosa. Sei perfeitamente o que quero – ela colocou as pernas ao redor do corpo dele, como num abraço. E com um movimento rápido das pernas, o trouxe para junto dela. Tinha urgência e necessidade de senti-lo. Seus corpos se encaixaram perfeitamente, não deixando dúvidas de sua intenção. – Sei o que quero. E quero você, Darcy.