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Um Certo Orgulho e Preconceito - Capítulo IX

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Um Certo Orgulho e Preconceito

Capítulo 9

 

- Lizzy, desculpa te fazer esperar!- Charlotte entrou no quarto correndo, meio esbaforida. E vendo que Lizzy já a aguardava pronta para saírem, falou:

– Acabei me atrasando. Mas me visto rapidamente. Para que horas são as reservas?

- Para daqui a vinte minutos.

Haviam combinado jantar em um restaurante, não muito distante do hotel.

- Charlotte, que bom que sairemos! Passo tanto tempo aqui dentro, e estou precisando espairecer um pouco. Ando tão tensa, preciso me distrair!

Charlotte sabia bem a causa de tal tensão, mas não esboçou reação, preferindo não retomar o assunto da manhã. Sabia que a chatearia com mais perguntas. E se Lizzy quisesse falar, ela estaria pronta para ouvir.

- Hum... vamos ver esse cardápio... Tudo parece ótimo. Vamos tomar um vinho, Lizzy? Eu certamente irei querer uma taça.

- Não, para mim não, obrigada. Ainda não estou perfeitamente recuperada. E fico nervosa só de ouvir a palavra taça.

Charlotte riu.

O vinho de Charlotte chegou, antes que tivessem definido os pedidos. Ela o provou, como se precisasse deste para tomar coragem, e falou:

- Olha só, Lizzy. Quero que saibas que não te contei ainda o nome do meu namorado apenas por julgar necessárias maiores informações, e não por considerá-lo digno de um grande segredo.  Tenho certeza que te surpreenderás, mas te digo antecipadamente que ele está mudado, muito mudado. Completamente diferente das nossas recordações de infância. Aliás, nem o reconheci inicialmente. Ele está mais magro, mais apessoado.

- Ele quem, Charlotte?

- Sei que achará o fato de certa forma engraçado, já que costumávamos fugir dele quando crianças. Ele sempre estragava nossas brincadeiras e era um completo chato.

- Quem? – pensou um pouco - Meu primo William! Não acredito, Charlotte! – e não pôde deixar de rir, ao se surpreender com tal revelação – É dele que estamos falando, Charlotte? De William Collins?

- Sim, Lizzy – Charlotte estava envergonhada, com o rosto corado, e desviou os olhos.

- Desculpa, Charlotte. Mas não pode me julgar por estar tendo esta reação. Primo, Collins! Quem diria! E você não o suportava! Acho até que tinha mais aversão a ele do que eu!

- Sim, creio que sim. – Charlotte foi descontraindo-se, começando a sorrir – Mas ele era realmente insuportável! Sempre querendo nossa atenção! Lembra quando nos escondemos dele dentro do armário? Quase não respirando para não fazer barulho.

- Sim! Lembro perfeitamente! – ambas riram e Lizzy continuou- E Jane... Pobre Jane! Tinha pena dele e era a única que lhe dava atenção.

- Sim! E então ele se considerou apaixonado por ela e lhe escreveu uma declaração de amor! – Charlotte continuou

- Sim! Como posso esquecer! Jane aos 11 anos recebendo sua primeira carta de amor. E o pavor surgindo em seu rosto à medida que lia cada palavra!

As duas amigas davam sonoras gargalhadas ao recordarem tais fatos.

- E então ganhamos mais uma companheira de fuga!

- Sim, Lizzy! E lembra que numa reunião dançante Jane dançou a noite toda com o Paulinho, e tu, sem par, teve que dançar com William?

- Sim! Como posso esquecer! Ele depois se considerou apaixonado por mim e me perseguiu durante anos!

Ficaram em silêncio, mas Lizzy, tentando amenizar a situação e consolar a amiga, disse:

- Mas isso faz tanto tempo, Charlotte... E não o vejo há pelo menos 5 anos, desde que ele se mudou com seus pais para cá.

- Sim! Nem eu! Mas já te aviso que ele esta mudado! Está bem mais interessante!

- Que bom, amiga. Fico Feliz ao te ver feliz.

Na realidade, Lizzy duvidava de tal afirmação. Mas resolveu aguardar para formar uma conclusão quando o encontrasse.

Os dias foram passando sem novidades. Lizzy tentando pensar em Darcy o menos possível, evitando falar nele e se punindo cada vez que o fazia. Apesar de ter passado apenas um dia com ele, não conseguia tirá-lo da cabeça. Não controlava seus pensamentos, e muito menos seus sonhos. E todas as noites, desde domingo, sonhava com ele. Mas estava decidida a esquecê-lo.

Finalmente chegou o dia do curso de Jane. Era segunda-feira, dia 28 de janeiro, e faltava exatamente uma semana para o dia da reserva de Darcy.

Lizzy acordou cedo, ansiosa para rever sua irmã. Ela chegara no dia anterior, tarde da noite, e foi direto para a casa da tia. Conversaram somente por telefone.

- Bom dia, Jonas! – chegou à recepção ainda mastigando um pedaço de pão – Estou tão contente! Que horas são? Não vejo a hora de Jane chegar! Ela ficou de vir mais cedo!

- Bom dia, Lizzy. Fiquei sabendo de alguns detalhes sobre este curso...

Jonas era o seu melhor informante. Conhecia a todos, e desta forma se inteirava de muitos assuntos. E o que julgava interessante, transmitia a Lizzy. Como quando contou a ela sua prometida conversa com Rita. Na verdade, não exatamente a conversa, mas sua impressão sobre esta:

- Lizzy, Rita não me disse nada! Não consegui arrancar uma só palavra sobre o assunto! Mas desconfio que ela viu alguma coisa. Tenho quase certeza que ela sabe de algo e não quis me falar. Pena que a Estela voltará, pois com mais alguns dias eu daria um jeito de descobrir!

E como na terça-feira, um dia depois, a Estela voltou a assumir seu cargo na recepção, eles não conseguiram saber se Rita de fato presenciara ou não a sua volta ao hotel.

- Você estava certa, Lizzy! Será uma ótima oportunidade para sua irmã. Charles Bingley vai estar entre os alunos, e estará de olho em quem se destacar. Sabe quem é ele, Lizzy?

- Sim! Quer dizer, ouvi falar... Sei que é o irmão de Caroline e amigo de Darcy, ou melhor, do Sr. Darcy – se corrigiu, pois deveria se referir a ele com formalidade, esquecendo toda a intimidade que tiveram naquele dia.

- Sim. Mas mais do que isto, ele de certa forma também é dono do hotel. De uma parte dele. Seu pai era muito amigo do falecido Sr Darcy, e eles fizeram alguns investimentos juntos. Calculo que uns 20% pertença a sua família, o que não é pouco, Lizzy.

- Não, claro que não. Mas seu pai também morreu?

- Não. Ele e sua esposa moram em Minas Gerais. Mas Charles Bingley está praticamente assumindo seu lugar. E devo dizer que está fazendo um excelente trabalho.

- E ele vai estar presente todos os dias de curso? – uma pontinha de pavor a percorreu, pensando na hipótese de Darcy ter comentando algo a seu respeito.

- Sim. Pelo que ouvi falar sim. Escutei que ele pretende selecionar entre os alunos futuros funcionários. Por isto estou dizendo: grande oportunidade para tua irmã!

- Sim – Lizzy estava sorrindo, não disfarçando sua felicidade – E imagina se Jane for escolhida! Mas quantos alunos são?

- Muitos, Lizzy. Creio que muitos! Talvez mais de duzentos.

- Duzentos? – ficou desapontada

- Sim, ele foi muito bem divulgado.  E como todos sabem que o hotel está em expansão, acho que tal curso se tornou deveras atrativo.

- Que pena! Duzentos... Mas não vou perder as esperanças... Será que eu conto isto a ela, ou ela ficará nervosa?

Mas Jonas não teve tempo de responder, já que Lizzy avistou sua irmã ao longe e foi ao encontro dela.

Correram uma em direção a outra e se abraçaram.

- Jane, que saudades!

- Lizzy, que bom te ver! Porto Alegre ficou tão sem graça sem ti! E papai... Papai está inconsolável com a tua ausência. E agora que eu vim, pareceu ainda mais triste. Acho que ele tem medo que eu também acabe ficando por aqui.

- Oh, Jane! Mas quem sabe ele não está certo? Quem sabe este curso não seja uma seleção e tu sejas escolhida! Queria tanto que trabalhássemos juntas!

Jane sorriu diante de tal afirmação.

- Charlotte! – Jane correu em direção à amiga. – Como tu estás bem! Está diferente! Bem melhor, devo dizer!

- Sim! Ela está namorando! – Lizzy falou.

Charlotte ficou vermelha e tentou mudar de assunto.

- Namorando? Que bom Charlotte! Depois quero saber de tudo.

E ficaram as três conversando. Jane contando como estavam todos em Porto Alegre, e Lizzy e Charlotte falando sobre o hotel. Sobre a rotina de trabalho, as pessoas que trabalhavam, e todas as informações que acreditavam relevantes para Jane saber. Queriam que ela soubesse o máximo possível para se destacar.

Nem perceberam passar o tempo, e logo Jane teve que ir para o curso.

Encontraram-se novamente na hora do almoço. Era difícil Lizzy e Charlotte conciliarem seus horários, mas como era o primeiro dia de Jane, ambas se esforçaram para isto.

Sentaram as três numa mesa de canto. E duas mesas adiante, se viam três homens sentados. Lizzy percebeu que o mais novo deles olhava para sua irmã.

- Jane! Recém chegou e creio que já conquistou um admirador! – Lizzy falou. Charlotte riu.

Jane se virou para olhar e ele percebeu que estavam falando a seu respeito.

- Lizzy, que vergonha! Ele viu que falávamos dele!

- Jane, não seja boba! Ele não para te olhar!

- Sim, Lizzy. Já havia percebido. E confesso que também o olhei algumas vezes. E que em alguns momentos nossos olhares se cruzaram – Jane sorriu, um sorriso discreto, pois estava envergonhada.

- Jane! – e todas sorriram

- Mas fala baixo, que ele está sentando com os meus professores – Jane cochichou.

Lizzy e Charlotte franziram a sobrancelha, e Lizzy falou:

- Será que ele é o Charles Bingley?

- Quem? – Jane perguntou

- Um dos donos do hotel. – Charlotte afirmou.

- Sim, ficamos sabendo que ele estaria presente durante o curso. – Lizzy comentou.

- Dono do hotel? Mas ele é tão novo! – Jane comentou com surpresa.

- Na verdade é do pai dele, ele é o herdeiro de uma parte menor – Charlotte explicou em tom de voz baixo para não serem escutadas – Mas devo te dizer que o dono da maior parte tem a mesma idade dele. Não é, Lizzy?

- Sim... – agora foi a vez de Lizzy ficar com o rosto corado.

- Amigas, vou tentar descobrir quem ele é. Esta curiosidade está me matando... – Charlotte saiu da mesa, sorrindo - Volto já!

Mas não precisaram esperar por seu retorno, pois logo em seguida perceberam que o homem perguntava algo a Alberto, que respondia apontando em sua direção. Ele parecia surpreso, mas como Alberto reforçou sua indicação, se levantou e seguiu para a mesa delas.

Lizzy e Jane esperaram mudas por ele, curiosas para saber sua intenção.

- Então você é a famosa Elizabeth Bennet? Deixa eu me apresentar, meu nome é Charles Bingley – E estendeu a mão para cumprimentá-la.

Lizzy retribuiu seu gesto, mas não pôde disfarçar seu assombro.

- Famosa, eu?

- Sim! Creio que saibas a que me refiro. Um amigo me falou muito bem de você.

Jane a olhou com surpresa, percebendo que a irmã devia ter lhe omitido certos fatos.

Mas Lizzy não precisou responder, pois as atenções de Charles se voltaram para sua irmã, e ela então os apresentou:

- Esta é minha irmã, Jane.

- Sua irmã? – perguntou curioso e satisfeito – Oh, muito prazer!

E começaram a conversar um com o outro, ignorando completamente a presença de Lizzy.

Charles foi muito atencioso e convidou Jane para conhecer o hotel. Jane aceitou com prazer, e os dois saíram.

Charlotte voltou, e perguntou:

- Nossa! O que eu perdi?

- Olha! Eles estão encantados um com o outro – falou, observando-os se afastar. – Acho que minha querida irmã não terá dificuldade de se destacar nem entre mil alunos. – gracejou.

Charlotte confirmou balançando a cabeça e as duas sorriram felizes.

Jane pôde economizar o dinheiro destinado ao táxi de volta, já que, desde o primeiro dia, Charles lhe ofereceu carona. A casa de seus tios era distante, praticamente do outro lado da cidade, e apesar dela recusar com veemência tal oferecimento, não querendo lhe causar transtorno, não conseguiu dissuadi-lo.

E ainda na segunda-feira, no primeiro dia de curso, Lizzy recebeu um telefonema quando se preparava para dormir:

- É Jane! – exclamou com surpresa, atendendo o celular.

- Lizzy! Já estás dormindo? Desculpa, mas não pude esperar até amanhã, preciso te falar!

Lizzy sorriu, já imaginando o tema de tal conversa. Charlotte sentou-se a seu lado, curiosa.

- Lizzy! Estou tão contente! Charles é exatamente como um rapaz deve ser - disse ela -, sensato, bem disposto e animado. E que modos os seus! Tão simples e revelando uma boa educação a toda a prova. - disse, como se quisesse justificar o que diria em seguida.

- Sim, Jane. Pelo pouco que pude observar dele, concordo perfeitamente.

- Lizzy... Ele me levou até a casa de nossos tios, que gentileza! Chegando lá, desceu e abriu a porta do carro para mim! Como podes ver, um perfeito cavalheiro! E na despedida, Lizzy, ele me deu um beijo.

- Um beijo? Um beijo no rosto?

- Não, Lizzy! Na boca. Lizzy, estou tremendo até agora! E com muita vontade de repetir este beijo! Diversas, e diversas vezes!

- Penso que é algo perfeitamente possível. Jane, fico tão contente! Tão feliz por ti! E já imagino mamãe dizendo: minha filha com um bom emprego, e namorando um homem de fortuna! – pausa para risadas - Jane, creio que teremos que aturar juntas o assunto Londres e França!

- Espero que sim, Lizzy! – Jane falou sorrindo – Mas não imagines coisas por enquanto. Foi apenas um beijo. E entre um beijo e um namoro há uma enorme distância.

Lizzy sorriu. Mas não concordava com a irmã.

Durante a semana, Charles e Jane almoçaram sempre juntos, às vezes com Lizzy e/ou Charlotte, algumas vezes sozinhos. E ele lhe dava carona todas as noites, e sempre as finalizava com um beijo. Igualmente apaixonados, já na sexta-feira se comportavam como um perfeito casal de namorados.

Chegou sábado e Lizzy passaria a noite sozinha. Jane jantaria com Charles Bingley, e Charlotte iria encontrar com William Collins, que retornara de viagem.

- Lizzy! Fico tão culpada em te deixar sozinha! Tem certeza que não quer que eu lhe faça companhia? Posso perfeitamente cancelar meu jantar.

- Não, Jane! De jeito nenhum! Não deves fazer esta desfeita a Charles. E, além do mais, não me sentirei sozinha. Ficarei perfeitamente bem na companhia de meus livros.

- Sim, Lizzy. Se não a conhecesse poderia duvidar de tal afirmação. Mas tem certeza que não quer que eu fique?

- Jane! Te proibido de falar novamente nisto. Vá de uma vez, está me deixando nervosa!

Jane suspirou contrariada, mas acabou indo. Charles já devia estar a sua espera.

-Charlotte! Ainda não está pronta? A que horas ele vem te buscar?

- Ah, só daqui a uma hora. – Charlotte sentou ao lado de Lizzy. Queria ter uma conversa com ela, e estava apenas aguardando a oportunidade de ficarem sozinhas.

- Lizzy, acho que não voltarei hoje para dormir. E penso que não poderemos adiar mais esta conversa.

Lizzy baixou os olhos, sabia a que ela se referia.

- Não queria falar na frente de Jane, pois não sei o quanto você contou a ela.

- Sim, e fez muito bem. Falei a ela o mínimo possível. Tenho medo que ela comente, mesmo que sem querer, algo com o Charles. Pelo que ela deu a entender, acho que os dois torcem pelo nosso namoro.

- Será? Mas Caroline não é a irmã dele?

- Sim, mas parece que na verdade ele não estava satisfeito com este relacionamento. Ele apenas consentia em silêncio para não chatear o amigo. E embora não comentasse, percebia sua infelicidade e as armações de sua irmã. Pelo menos foi o que Jane me disse, mas eu me fingi desinteressada...

- Então descobriu o Sr. Darcy falou a teu respeito?

- Não, claro que não. Nem quis perguntar.

- Ah, Lizzy! Você é tão cabeça dura! Está decidida mesmo a esquecê-lo?

- Sim! Determinada. – respondeu com firmeza – E Jonas concorda comigo que é o melhor a ser feito. Ele viu como eu fiquei naquele dia, Charlotte. E dar continuidade a tal relação certamente afetaria o meu trabalho.

- Trabalho, Lizzy? É nisso que você está pensando? – Charlotte estava incrédula, mas fez uma pausa. Sabia que Elizabeth Bennet era teimosa e obstinada. – E como você pretende tratá-lo? Fingir que nada aconteceu?

- Sim. Pretendo ser fria e indiferente, uma relação perfeitamente normal entre chefe e funcionária.

- Lizzy, tem certeza?

- Sim! E não me olhe desse jeito, Charlotte. Não tenho mais raiva dele por ele não ter me contado quem ele era. Agora consigo compreender bem tal fato. Ele devia estar cansado de tanta formalidade, tanta bajulação. E tinha medo que se me contasse, eu mudasse meu comportamento.

- Sim, Lizzy. Ele pode ter pensado isto. Mas eu, a conhecendo bem, tenho certeza que mesmo sabendo sua identidade, você agiria exatamente da mesma forma.

Lizzy riu, e comentou:

- Sim, acredito que sim.

Charlotte continuou:

- Amiga, se é isso que tu queres, estarei ao teu lado. – Charlotte continuava misturando tu com você, tentando perder o sotaque de gaúcha, mas por vezes, o “tu” surgia naturalmente.

E quando Charlotte deixou o quarto, Lizzy afundou a cabeça no travesseiro e desatou a chorar. Pôde relaxar tão logo se viu sozinha. E pela primeira vez em dias, deixou todo sofrimento trancado se exteriorizar. Permitindo que muitas lágrimas saíssem livremente.

Um choro de ansiedade, medo e desespero. Um choro acumulado, controlado, guardado há vários dias.

E por fim se acalmou e pôde dormir tranqüila. E sentiu-se mais forte, preparada para enfrentar o que viesse pela frente.