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Namoro de Férias - Cap 09

Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Primeiramente chegaram a irmã mais velha de Bingley, Luísa, e seu esposo.  Ela era uma figura esguia e elegante, embora as roupas que vestissem fossem um tanto sociais para a ocasião, dando a impressão que este era seu estilo usual de se vestir independente do lugar onde estivesse.  Ambas as irmãs tinham cabelos louros, os de Carolina com reflexos dourados e os de Luísa mais escuros. Mas os seus traços eram diferentes entre si: a mais velha se parecia com Bingley, que por sua vez saíra ao pai, enquanto Carolina ostentava as feições de sua mãe.  A caçula era bastante alta com porte e postura de modelo profissional e a mais velha tinha estatura mediana valorizada por sandálias bem altas que usava habitualmente.

 

O marido de Luísa era um tipo um tanto inexpressivo, parecendo preferir os prazeres de uma boa mesa e de um bom vinho à companhia humana.  Mas também tinha boa aparência, trajando roupas de grife esportivas.  Ambos haviam chegado em um caro carro importado.

 

O próximo convidado do fim de semana era Fitzwilliam, primo de Darcy, que o foi receber à porta calorosamente.  Beirava uns quarenta anos, não propriamente bonito, mas muito simpático e extrovertido, o que lhe dava um ar jovial.  Além de primo, era sócio de Darcy em empresas do grupo e parceiro de alguns outros projetos de Bingley.  Apesar de solteiro convicto apreciava muito a companhia das mulheres, tendo como um de seus passatempos prediletos conversas interessantes com o sexo oposto.

 

Por último, Joana chegou acompanhada de Lizzy ao volante.  Nenhuma das duas possuía seu próprio carro e por isso utilizavam o segundo veículo da família para se locomoverem quando estavam em casa.  Para que o carro não ficasse todo o fim de semana parado no Castelinho, Elisa fora levá-la. Carlos insistiu tão enfaticamente para que também saltasse que Elisa não pode deixar de atendê-lo sem ser indelicada.  Como desejava não voltar a se encontrar com Darcy e Carolina, especialmente depois do incidente na mata, tentaria fazer a sua presença o mais breve possível.

 

Entretanto confessou a si mesma que tinha muita curiosidade em conhecer melhor a casa tão famosa no povoado, na qual estivera poucas vezes. A magnífica propriedade alugada pelos Bingley tinha o apelido de “Castelinho” pelo seu aspecto imponente situada no alto de uma colina em meio à mata, de onde se via o entorno da floresta e a pequena cidade mais ao longe. 

 

Fora construída pelo engenheiro inglês responsável pela construção da ferrovia que levou à fundação da vila.  A família original o manteve por muitos anos, mas como a maioria dos muitos herdeiros não residia mais em Alta Serra, decidiu-se que a propriedade seria vendida para divisão do valor apurado. Durante o inventário, que se arrastava lentamente pelo grande número de sucessores a serem consultados, alugavam a propriedade para temporada a turistas.

 

O próprio Bingley pensava em comprá-la posteriormente, para investimento. Aliás, parecia ter outro motivo ainda mais interessante para isso: uma ilustre moradora que o estava encantando como ninguém até então o fizera.  Joana era linda, doce, inteligente e meiga.  Apenas a sua timidez deixava Carlos incerto da reciprocidade de seus sentimentos. Ela não falava muito de si mesma e Bingley preferia não insistir.  Mas percebia estar sentindo algo mais profundo, provavelmente para a vida inteira, embora não o confessasse a ninguém. 

 

Desejava ter espaço para uma conversa mais íntima naquele fim de semana e pensou que ela se sentiria mais à vontade com a irmã por perto. Por isso insistira tanto para que ambas ficassem.   Não estava alheio às manobras de sua irmã caçula para afastar Elisa.  Embora parecesse um pouco estouvado e inconseqüente pelo seu gênio extrovertido, Carlos era muito observador.  Percebera também o quanto a presença de Elisa afetava Darcy, mas sabia que era inútil forçar confidências do amigo.  Assim, examinando todas as variáveis envolvidas, contava fazer com que Elisa permanecesse no “Refúgio das Águas” pelo menos durante aquele dia, para o bem de todos, mesmo que Carolina se mostrasse aborrecida.

 

Elisa não tinha nenhum compromisso e estava de férias.  As incursões de George deste dia teriam Lídia como guia.  Ela resolvera não interferir mais no caso depois de ouvir o quanto era antiquada por aconselhar a irmã com relação à companhia de homens mais velhos. Constatando que seria inútil tentar convencê-la do contrário, apenas recomendou-lhe que tomasse cuidado.

 

Sabia que a Joana se sentiria bem melhor se ela permanecesse.  A irmã era tímida e se sentia insegura em ambientes novos, embora sua aparente tranqüilidade não deixasse que estes sentimentos transparecessem.  Desse modo, resolveu aceitar o convite de Bingley, após ligar e avisar seus pais que demoraria mais um pouco.

 

Quando todos se reuniram devidamente apresentados no salão principal, a reação de Darcy se mostrou indiferente em relação a ela, embora Carolina a fuzilasse com os olhos.  Simpatizou com Fitzwilliam à primeira vista e ao lado do marido do qual não conseguia lembrar o nome, Luísa lhe pareceu uma versão em escala mais reduzida e suavizada de Carolina.

 

Resolveram jogar tênis em duplas alternadas.  Ela e a irmã haviam praticado o esporte poucas vezes, mas não se saíram tão mal. Bingley era um excelente jogador assim como Darcy que tinha um estilo seguro e agressivo, como seria de se esperar.  No rodízio de duplas ela e Fitzwilliam jogaram contra Carolina e Darcy, que os venceu praticamente sozinho, dando pouca chance à parceira de participar. Elisa e seu companheiro riam dos erros que cometiam enquanto Darcy franzia a testa a cada lance perdido demonstrando contrariedade.  Ao final da partida, Fitzwilliam deu uma piscadela para Elisa indicando que pretendia caçoar do primo:

 

- Darcy, não está satisfeito em apenas vencer, precisa nos massacrar?

- Você me conhece bem, Fitzwilliam. Sabe que costumo dar o meu melhor em tudo que faço.  E também sabe que não gosto de perder.

- Sente orgulho por isso? – perguntou Elisa não resistindo à provocação.

Pela primeira vez naquele dia Guilherme Darcy a olhou de verdade. Ela o desafiara e ele não deixaria por menos, pensou Elisa.

- Tento evitar fraquezas de caráter como a vaidade, por exemplo. Mas não considero a plena consciência do que realmente se é uma delas, embora muitos chamem isso de orgulho.

Elisa escondeu um sorriso. Ele agora chegava mais perto da rede parecendo querer intimidá-la com sua proximidade física. Mas ela não fugiria da luta:

- Estou perfeitamente convencida de que é um homem sem falhas.

- Não tenho essa pretensão. Conheço meus defeitos. Quanto ao meu temperamento, não respondo por ele. Não esqueço com facilidade o que fazem contra mim.  Pode me chamar de vingativo, se quiser, mas a minha amizade uma vez perdida é para sempre.

Ele dizia isso cada vez mais perto, olhando bem dentro dos olhos dela que imaginava se isto se aplicaria a ela, devido aos incidentes ocorridos desde que se conheceram.

- Este é um grande defeito, na verdade! Mas não vou ser irônica sobre isso. Apenas diria que por baixo desta atitude se esconde algo mais grave: uma propensão para odiar todas as pessoas.

Agora era Elisa quem encarava os olhos azuis faiscantes dele, sem medo. Ele não estava acostumado a ser contrariado e precisava levar umas lições.

- E o seu – replicou ele sorrindo pela primeira vez. – é enganar-se no julgamento que faz das pessoas.

- Vamos tomar um banho de piscina? Interferiu Carolina, bastante aborrecida com a conversa da qual não participava.

 

Darcy respirou fundo e começou a meditar novamente no perigo da presença de Elisa. O impulso permanente que sentia de tomá-la em seus braços quando estava perto dela tornava a lembrá-lo que seria melhor tomar uma decisão: ou tentar conquistá-la ou manter distância.

 

Elisa, por sua vez, achou que já havia cumprido sua cota. Tentou se esquivar do convite dizendo que não havia trazido roupa de banho e aproveitar o pretexto para ir embora.  Mas Luísa, que era do mesmo manequim, ofereceu-se para lhe emprestar um biquíni, sob os olhares contrafeitos de Carolina, que desejava tudo, menos que a adversária ficasse mais tempo ao lado de Darcy. Novamente sem ter como se desembaraçar da situação, Elisa viu-se obrigada a ficar mais tempo do que planejara no Refúgio das Águas.