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Namoro de Férias - Cap 10

Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Após dar umas braçadas, Elisa deixou-se ficar ao lado de Joana ouvindo Luísa descrever as últimas tendências para a estação.  Ela era estilista, o que explicava seu apuro no vestir e a predileção pelo assunto.  Não era tão pretensiosa quanto a irmã, pensou, mas ambas eram igualmente diferentes dela, que não costumava dar maior importância a essas coisas. Sua mente divagava por estes pensamentos quando Fitzwilliam, sentado ao lado do primo, a convidou a sair da água.  Elisa resolveu atendê-lo, embora tomando o cuidado de sentar-se o mais distante possível do orgulhoso Guilherme Darcy, que continuava concentrado em seu computador de mão.   

 

Neste momento Carolina sentou-se do outro lado de Darcy, colocando suas mãos possessivamente em um de seus ombros.

- Está escrevendo para sua irmã, Guilherme?

- Estou.

Ele estava ficando exasperado com a pressão de Carolina sobre ele ainda mais aumentada com a presença de Elisa, e não estava mais conseguindo ser muito paciente.

- Não sei como consegue digitar tão rápido no teclado de um palm.

- Está enganada, digito bem devagar.

- Como vai ela? Não me encontro com Georgiana há bastante tempo. Soube que está começando a estagiar em um escritório de advocacia. Dê a ela meus parabéns e diga que precisamos nos encontrar para colocar as novidades em dia. – Carolina continuava debruçada sobre ele.

- Vou dizer. – replicou laconicamente Darcy.

- Gostaria muito de tornar a vê-la. Sua irmã é uma das pessoas mais encantadoras que já conheci. E tão talentosa!  Ainda toca piano como antes?

- Sim. – respondeu ele sem olhar para ela, quase perdendo a paciência.

- Ela anda preocupada com a sua solidão, Darcy. – aparteou Fitzwilliam. - Quer dizer, com a rotatividade de suas namoradas.  Acha que com seu nível de exigência, vai ser muito difícil se casar um dia.

Além de prepotente ele era um conquistador, registrou mentalmente Elisa, que os ouvia atentamente.

- É verdade. – Carolina retomava a conversa. – A mulher certa para Guilherme deve possuir muitas qualidades. Quais são elas, Darcy?

Ele parou de olhar para o palmtop, dando-se por vencido, e virou-se para ela respondendo:

- Há certas qualidades que espero encontrar em uma mulher para que eu queira viver ao seu lado para sempre. Mas uma é absolutamente essencial: que seja inteligente.  E não são muitas as que correspondem a este  perfil.

 

Elisa esperou por alguns momentos para que alguém respondesse à observação machista, chegando a sentir um pouco de pena de Carolina. Porém ninguém disse nada e Fitzwilliam ainda riu do comentário do primo.  Assim resolveu intervir em defesa de seu próprio sexo.

- Não me admira que não tenha achado esta mulher.  – disse Elisa.

- Menospreza tanto assim seu próprio sexo? – replicou Darcy intrigado.

- Não.  É que será impossível encontrar uma mulher com tantas qualidades quanto as que possui, Sr. Darcy.  Para estar de acordo com suas exigências ela deverá ser praticamente perfeita.

 

O sarcasmo de Elisa não passou despercebido a seu desafeto, que tornava a escrever após olhar para ela e sorrir por alguns instantes.  Por que não conseguia ficar calada? Ele a provocava, justificou-se consigo mesma.  Mas seria melhor tentar morder a língua da próxima vez em que ele a desafiasse para não encompridar esta história com ele.

- Darcy, você encontrou em Elisa uma adversária à sua altura.- disse rindo Fitzwilliam.

 

Em resposta a este comentário, Darcy parou de escrever e virou-se para ela, que sustentou o seu olhar penetrante por algum tempo. Depois de alguns instantes Lizzy preferiu retornar à água, antes que Carolina, que estava vermelha e não era só por causa de sol, pulasse em seu pescoço de raiva.  As mulheres eram mesmo desunidas, concluiu.

 

Distantes deles, Joana e Carlos estavam embevecidos um com o outro.  Elisa sabia que praticamente não houvera espaço para a vida amorosa na vida da irmã nos últimos tempos em função de sua profissão.  Mas pelo visto esta questão ia ser resolvida agora.  Lizzy apoiaria a irmã no que fosse necessário e só por isso ficara até agora. Mas estava começando a achar que acabaria atrapalhando ao invés de ajudar. Decidiu ir embora impreterivelmente após o almoço.

 

Quando se levantaram, Elisa se despediu primeiramente de Joana, assegurando-se de que ela ficaria bem e depois de Bingley e de suas irmãs.  Fitzwilliam e Darcy estavam afastados conversando e ela dirigiu-se a eles antes de ir.   Fitzwilliam retribuiu calorosamente seu cumprimento enquanto Darcy limitou-se a lamentar educadamente que ela não pudesse ficar por mais tempo. Sim, ela poderia, pensou. Mas era mais seguro ficar longe dele. 

 

Intimamente ele também estava dividido entre o desejo de que ela não se afastasse e a apreensão quanto ao que acabaria fazendo se ficasse mais tempo com ela por perto.  Mas estava acostumado a se conter e sua fisionomia não traiu um milímetro do que passava por sua mente.  Desse modo Elisa partiu sem ter a menor idéia dos verdadeiros sentimentos de Darcy em relação a ela naquele momento.

 

***

 

Mais tarde, depois que Joana partiu, Carolina teceu comentários nada elogiosos à Elisa, como era de se esperar:

 

- É o tipo de mulher que deseja aparecer menosprezando as outras. E com a maioria dos homens deve conseguir, como aconteceu com Fitzwilliam, para não falar de George Wickham.

 

Este era o trunfo definitivo de Carolina. Sabia o quanto Darcy detestava-o e contava com isso para afastar qualquer possibilidade de envolvimento dele com Elisa Bennet.

 

- Mas eu gostei muito da irmã dela. E Carlos também, pelo que vi. – comentou Luísa.

- Ela é mesmo muito meiga.  Mas você acha que pode haver futuro neste relacionamento? É só um namoro de férias. 

- Nunca vi nosso irmão olhar para uma mulher do jeito que olha para ela.

Neste momento chegaram Darcy e Charles.

- De quem estão falando, posso saber? – perguntou Bingley.

- De você, é claro. Estávamos comentando como é agradável a Dr.ª Joana Bennet. – Luísa pronunciou significativamente as últimas palavras.

- E de como ocorre o oposto com a irmã dela. – completou Carolina.

- O que você tem contra Elisa? – perguntou-lhe o irmão.

- Nada.  Só é pretensiosa e arrogante, além de ter sempre respostas irônicas para tudo. Darcy que o diga, não é mesmo?

Este, após ouvir impassível as observações de ambas, resolveu pronunciar-se:

- Apesar de uma certa antipatia inicial, hoje a considero uma das mulheres mais interessantes que já conheci.

Estas palavras tiveram o poder de frustrar todas as expectativas de Carolina com relação a Darcy, e ela resolveu calar-se.