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Tempo de Ser Feliz - Capítulo IV

Escrito por Tânia Ligado . Publicado em Tempo de ser feliz

Capítulo 4

 

Lizzy acordou radiante, extremamente feliz. Mesmo tendo voltada para casa tarde, não conseguia mais dormir. Estava agitada, ansiosa e emocionada.

Levantou cedo e encontrou seus pais ainda sentados à mesa, tomando tranquilamente seu café da manhã.

- Boa dia pai, bom dia mãe. – Deu um beijo e um abraço em cada um e entrou rodopiando pela cozinha, não conseguindo se conter e nem parar de sorrir.

- Hum... Vejo que a festa de ontem foi boa, minha filha.

- Sim, pai. A festa foi ótima!

- E então, filha, reviu seus colegas? Estavam todos lá?

- Todos não, mamãe. Mas todos os importantes.

- Inclusive o Erik? – sua mãe indagou, perspicaz.

- Ah, mamãe... – ficou um pouco sem graça, sem saber o que responder. – Sim, ele estava lá.

- E vocês conversaram?

- Sim, mamãe. Conversamos muito! Conversamos a noite inteira! Ele quase não saiu do meu lado, mãe. E eu estou tão feliz!

Margareth Bennet sorriu. Ficava contente pela filha.

- Ele seria muito burro se não reparasse em uma menina linda como você, Lizzy.

- Obrigada, pai. Onde está Jane? Preciso muito falar com ela.

- Ah, ela já deve estar chegando. Foi à padaria buscar pão para vocês duas.

- Mas tem pão aqui, não tem?

- Sim. Mas ela queria comer pão quentinho, então resolveu ir até a padaria buscar.

- Será que ela demora?

Lizzy estava impaciente para conversar com sua irmã, que mais do que irmã era sua melhor amiga e confidente. E assim que ouviu o primeiro ruído de chave correu até a porta e praticamente atacou Jane.

- Jane! Precisamos conversar!

- Lizzy! O que foi? – indagou uma espantada Jane.

- Você nem imagina, Jane! Nem imagina o que aconteceu!

Jane reparou atentamente na expressão eufórica da irmã e não precisou pensar muito para saber do que se tratava.

- Hum... – sorriu – Pelo visto a festa estava boa! Erik estava lá, não estava?

- Hunrun. Venha Jane, vamos para o nosso quarto. Eu quero te contar tudo!

- E eu quero ouvir tudo. – Correram para cima, apressadas. Jane nem teve tempo para largar os pães, que conservou na mão.

Lizzy relatou tudo, todos os detalhes, descrevendo com precisão o primeiro beijo. Aquele beijo que conservava vívido em sua mente, o beijo que jamais esqueceria. Assim como todos os beijos que vieram em seqüência, igualmente maravilhosos.

- Jane! Eu sempre soube, Jane! Eu sempre soube que ele foi feito para mim! Eu sempre soube que ele era tinha que ser meu, Jane! – relatava uma empolgada Lizzy. – Tem que ver, Jane!  Foi simplesmente perfeito!

Jane ouvia com atenção, mas não dizia nada. Sabia o quanto sua irmã já havia sofrido por esse amor e não queria encorajá-la. Queria que ela fosse feliz, mas temia que ela viesse a ter uma nova decepção. Mas seus olhos brilhavam junto com a irmã, pois Lizzy estava tão feliz, que sua alegria era contagiante.

- E ele pegou meu telefone e ficou de me ligar, Jane. Será que ele vai ligar mesmo? Acho que nem vou sair de casa hoje para ficar esperando. Já pensou se ele liga quando eu não estiver em casa? – comentou com ansiedade.

- Mas ele ficou de te ligar hoje?

- Não, ele não disse quando. Só disse que me ligaria. Mas e se ele ligar hoje e eu não estiver em casa? Não, já decidi. Ficarei o dia todo em casa. Jane: tira uns filmes na locadora para eu ver? Por favor! Preciso ver uns filmes. Assim eu me distraio e já fico em casa caso ele ligue. – ela suplicou.

- Então nós não vamos ao shopping de tarde? A gente combinou de comprar umas roupas para a festa da Claudinha.

- A festa da Claudinha? É mesmo, tinha até esquecido. Mas não sei se eu vou, Jane. Posso decidir depois?

- Ah, Lizzy... Eu não quero ir sozinha na festa. E também não quero ir sozinha no shopping. – Jane resmungou.

- Vai no shopping com a mamãe.

- E na festa, Lizzy? Diz que vai comigo! Eu tiro os filmes para ti e até compro roupas para ti, se você quiser. Mas vai na festa comigo, vai? E depois, a amiga da Claudinha está namorando um amigo do Erik. E se ele também estiver na festa?

- Quem, Jane? Quem está namorando quem?

- A Jéssica está namorando o Roberto.

- O Roberto é um dos melhores amigos de Erik! – seus olhinhos brilharam. - Está bem, Jane. Eu irei à festa. Farei esse sacrifício por ti! – brincou.

Jane riu.

- Obrigada, Lizzy. E eu irei no shopping com a mamãe, mas antes passarei na locadora para ti.

- Obrigada, Jane.

 

- Então, Lizzy? Ele te ligou?

- Não, Jane. Não ligou. – Respondeu desanimada. – Já estou no meu segundo filme e ele ainda não ligou.

- Quer ver a blusa que eu comprei para ti?

- Claro!

- Que linda, Jane!

- Acho que você deveria ir à festa com ela. Vai que Erik esteja presente.

- Hum... Não vou pensar mais nele, Jane. Ele não me ligou. Se quisesse algo comigo, teria ligado. Ontem foi um sonho, mas agora eu preciso acordar. Não quero alimentar falsas esperanças e sofrer depois. Mas sabe o que eu estava pensando?  Estava pensando em ir com aquele meu vestido preto que eu comprei semana passada e ainda não usei.

- Qual, Lizzy? Não me lembro.

- Vou pôr para ti ver.

- Lizzy! Você está linda! Sim, certamente deves ir com ele. Vai que Erik esteja lá.

- Para, Jane! Não estou pensando mais nele.

- Sei... – ela sorriu.

 

O vestido era todo preto, ajustado com precisão ao corpo, valorizando suas formas, mas sem deixá-la vulgar. Como estava quente, era de um tecido leve e terminava na altura do joelho. Era frente única, como várias de suas roupas e como a blusa que Erik aprovara no dia anterior.

- Vou tomar banho, Jane.

Lizzy estava pronta para entrar no chuveiro, despida e prestes a se molhar, quando bateram à porta.

- Lizzy! Telefone! É o Erik! – Jane gritou, agitada.

Rapidamente ela se enrolou em uma toalha e saiu para atender a esperada ligação, tão depressa que quase tropeçou pelo caminho.

- Fecha o chuveiro para mim, Jane!

Saiu correndo para atender.

“Fiquei a tarde inteira esperando e ele liga justo quando vou tomar banho!”- refletiu, com raiva de si mesma – “Ainda bem que deu tempo para eu atender, não me perdoaria se perdesse essa ligação.”

Respirou fundo e procurou se acalmar para atender o telefone. Não gostaria que ele soubesse o que ela sentia por ele. Não gostaria que ele soubesse o quanto ela ficava alterada por causa dele.

- Alô – controlou-se para não gaguejar.

- Oi, Lizzy!

Foram colegas de turma durante anos, mas essa era a primeira vez que se falavam ao telefone. Lizzy prendeu a respiração. A voz de Erik ficava ainda mais linda no aparelho e seria capaz de ficar horas a fio ouvindo aquela voz.

- Oi Erik. – Ela não sabia o que dizer. A mulher firme e decidida que era simplesmente desaparecia na presença dele. Não era mais criança, mas sentia-se novamente uma diante dele.

- Vocês irão à festa da Claudinha hoje à noite? Eu tinha outro compromisso marcado, mas se você for, eu vou. Gostaria de te ver, Lizzy.

- É... Sim, eu vou com Jane.

- Que bom. Nos encontramos lá então?

- Sim. – balbuciou.

- Até mais tarde. Um beijo.

- Outro para ti.

 

Cláudia fora colega de turma de Jane, e como freqüentavam o mesmo colégio de Lizzy e de Erik, havia um grande número de conhecidos na festa. Muita gente se aproximava deles para baterem papo, contar as novidades ou mesmo matar as saudades, e Lizzy e Erik não conseguiam ficar sozinhos. Enquanto ela disfarçava muito bem, tratando todos de forma educada e com atenção, percebia que o mesmo não ocorria com ele: Erik estava inquieto, contrariado e visivelmente aborrecido. Lizzy percebia e estava adorando notar o quanto ele desejava ficar a sós com ela.

Resolveu então ir ao banheiro, e como o de dentro de casa estava ocupado, foi em um que sabia existir nos fundos, numa parte da casa que não estava sendo ocupada pelos convidados. Ao sair, tomou um susto ao levar um puxão. Erik estava na porta, esperando por ela. E assim que a viu, não teve dúvidas: a puxou e a beijou na boca.

Sem se soltarem, foram juntos até uma parede, onde se encostaram. Era um cantinho mais escuro, onde poderiam namorar mais a vontade.

- Eu já estava ficando impaciente, Lizzy. Tudo o que eu queria era poder ficar a sós contigo.

Ela apenas sorriu. Tinha percebido isso, mas resolveu não comentar. Preferiu aproveitar aqueles braços, dos quais não queria nunca mais se soltar. O beijo foi ficando bem intenso, as caricias foram ficando mais ousadas. Erik pressionava o seu corpo contra o de Lizzy, que apoiada contra a parede, não podia fugir desse contato. E mesmo que pudesse, não fugiria, pois estava adorando.

Ele não teve dúvidas e resolveu explorá-la, seu desejo era intenso: passou as mãos pelo seu corpo, tocou nos seus cabelos, apertou o pescoço, desceu e subiu as mãos diversas vezes em toda a extensão de suas costas, tocou-lhe na perna, apertou-lhe a cintura e vendo que ela não oferecia nenhuma resistência, resolveu ousar mais. Lizzy estava de vestido e suas pernas nuas eram como um convite para ele, que logo desceu as mãos, apertando o seu traseiro por debaixo do vestido.

- Erik. – ela o chamou, entre sussurros.

- Hum...? – ele abriu os olhos e a fitou. Antes de receber qualquer resposta, baixou as mãos. Achava que ela reclamaria que ele estava sendo atrevido demais e ele não gostaria de forçá-la a nada.

- Alguém pode nos ver.

Ele sorriu, satisfeito.

- Vamos sair daqui, Lizzy? Vamos para minha casa? Meus pais estão viajando.

Tudo o que ela queria era poder ficar mais a vontade com ele. Não iria pensar se era certo ou errado. Não pensaria se ele a julgaria muito fácil depois, no que ele poderia vir a pensar sobre ela. Só queria aproveitar o momento. Se isso for um sonho – pensava – melhor aproveitar antes que eu acorde. E tinha certeza que ninguém melhor do que ele para perder sua virgindade. Ninguém melhor do que o seu primeiro e único amor para ter sua primeira vez. Não se importaria com o que aconteceria depois.

- Vamos, Erik. Só tenho que falar com Jane antes de sairmos.

Erik logo percebeu que Lizzy era inexperiente, e teve a confirmação de que ela era virgem na hora em que finalmente transaram. Ela não precisou falar nada, ele simplesmente sabia. Foi muito delicado com ela, tratando-a com atenção e dedicando a ela um carinho especial.

Deitaram na cama e ele a abraçou, trazendo-a para junto de si. Acariciou seus cabelos, e comentou:

- Sabe, Lizzy, desde ontem não consigo mais parar de pensar em ti. Não sei o que está acontecendo comigo... Você acredita em amor a primeira vista?

- Como a primeira vista, Erik, se a gente se conhece há 6 anos! – riu.

- Eu sei, Lizzy. Mas é como se ontem eu tivesse te visto pela primeira vez. Não sei explicar...

Ela olhou-o nos olhos e sorriu. Ele não precisava explicar, mas ela entendia. Mais do que ninguém ela sabia que ele não a via, pelo menos não até o dia anterior...

- Você quer ser a minha namorada, Lizzy?

- Hum?

- Você quer namorar comigo?

Lizzy encarou-o, confusa. Queria se certificar que ouvira certo antes de responder. Queria ter certeza que não estava sonhando.

- É sério, Erik?

- Claro que é sério, Lizzy. Você acha que eu brincaria com uma coisa dessas? Nunca pedi nenhuma mulher em namoro antes. Nunca quis namorar ninguém antes de ti. A não ser que você não queira. –  fitou-a, apreensivo. – Você não quer namorar comigo, Lizzy?

- Quero. Claro que eu quero. – sorriu.

Ele deu um beijo suave nos lábios dela. E ficaram deitados, em silêncio, apenas se olhando. Naquele momento não precisavam de palavras. Ela não dizia, mas ele sabia que ela se sentia da mesma maneira. Ela havia se entregado a ele e esse fato já servia com uma prova de amor incontestável. E, além disso, ele lia tudo o que necessitava em seu olhar. Certas coisas não precisam ser ditas.

- Erik? Fala alguma coisa em inglês para mim?

- Hum?

- Sério, Erik! Eu adoro te ouvir falando em inglês. Diz alguma coisa para mim? – suplicou.

Ele riu.

Lizzy sempre imaginava ter inúmeros diálogos em inglês com ele. Imaginava várias conversas dos dois neste idioma, sonhando que as pessoas em volta não entenderiam e que ele falaria somente para ela. Achava fascinante aquele menino americano que entrava em sua turma: adorava quando ele trocava alguma letra, quando ele enrolava a língua e se perdia em uma palavra. Adorava o sotaque dele. Embora ele morasse no Brasil desde os nove anos, e falasse português com fluência, matinha o sotaque, cada vez mais fraco, o que a encantava.

E Lizzy desde os treze anos, como não poderia ser diferente, se interessou pelo idioma e fez inúmeros cursos particulares. Falava quase com fluência. Mas seu maior treinamento, ninguém sabia, eram as enormes conversas imaginárias que travava em sua mente com Erik.

- I think I am falling in love with you. (eu acho que estou me apaixonando por você) – ele enfim falou e ela sorriu e respondeu:

- And I’ve always in love with you (e eu sempre fui apaixonada por você).

- Desde quando, Lizzy? Desde quando você é apaixonada por mim?

- Acredito que desde que eu te vi pela primeira vez – ficou envergonhada e desviou o olhar. Embora estivesse relutante, achava que devia confessar seus sentimentos. Se eles fossem mesmo namorar, não era bom que começassem tendo segredos.

- Sabe que eu estava me perguntando a esse respeito?

- Hum? Quando?

- Agora mesmo. Eu estava pensando se por acaso você já não gostava de mim e eu não percebi.

- Por quê?

- Por que? Ah, sei lá.... por que você se entregou a mim sem nenhuma resistência e fez tudo parecer tão certo, que eu estava me perguntando sobre os seus sentimentos.

- Você me achou fácil então? – ela murmurou, triste.

- Não, Lizzy. Não foi isso que eu quis dizer.

- Mas disse.

Ele a abraçou e falou com carinho:

- Lizzy, como eu te acharia fácil se eu percebi que você era virgem?

- Você percebeu? – indagou, levemente embaraçada.

- Sim. E eu percebi também que você é minha. Que você foi feita para mim e que a partir de agora você será sempre a minha namorada.

Trocaram um beijo terno, mas ao mesmo tempo apaixonado.

- Lizzy, sua pronuncia em inglês é horrível, sabia?

- Eu sei, eu estou sem prática. – Riu agarrada a ele. Fazia tempo que parava o curso e que evitava pensar em Erik. E para esquecê-lo, havia deixado de lado também o idioma.

- Acho que terei que te dar aulas particulares. Muitas e muitas aulas, pelo jeito. – sorriu, olhando-a nos olhos.

- E eu irei adorar essas aulas, Erik.

Eles riram. Novamente, jogaram-se nos braços um do outro. Parecia tão certo, como se fossem feitos um para o outro. E sem nenhuma resistência, Lizzy se entregou novamente a ele, e desta vez foi ainda melhor. Ela sempre fora dele e ele era – finalmente - dela.