Imprimir

Conto: Uma Noite, Um Sonho

Escrito por Fátima Ligado . Publicado em Conto: Uma Noite, Um Sonho

Uma noite, Um sonho...

São Paulo, Brasil, 2009.


Ainda bem que Lizzy tinha se lembrado de recarregar a bateria do celular, seu telefone tocava a todo instante; todos os seus amigos estavam eufóricos com o grande show do artista internacional William Darcy, que aconteceria logo mais a noite. E queriam sugá-la em busca de informações e facilidades para assistirem o show ou chegarem perto dele.

No trabalho, estava ansiosa, contava os minutos para ir ao shopping com Jane e Charlotte. Ambas haviam chegado ao consenso que precisavam de roupas novas para o show.

Como disse Charlotte: Roupa nova, namorados novos! Elas estavam atualmente solteiras, e apenas Lizzy sentia-se desconfortável com isso. Jane e Charlotte estavam radiantes, sempre disponíveis para conhecer novas pessoas, novas bocas, novos beijos... Mas para Lizzy o relacionamento estava além de uma noite. Tinha bem definido seus conceitos e tudo o que queria era ser feliz, a sua maneira.

Finalmente o relógio trabalhou a seu favor e às dezessete horas em ponto, Charlotte e Jane a aguardavam em frente ao prédio do imponente escritório de publicidade, onde Lizzy trabalhava como produtora.

- Então, mais alguma novidade sobre o show de hoje? – Charlotte perguntou eufórica.

- Char, a empresa está ajudando na divulgação do show. – Lizzy respondeu revirando os olhos.

- Sem essa Lizzy. Sei que você tem mais detalhes... Você pode nos levar até o camarim dele? – Foi à vez de Jane interrogá-la.

- Claro que não. Não teremos acesso a ele. Entendam de uma vez por todas: Eu e minha equipe, vamos apenas cuidar do marketing, entenderam?

Após responder, Lizzy ligou o som do carro em uma estação de rádio qualquer, na tentativa de fazer suas amigas esquecerem por alguns minutos William Darcy. Mas para sua frustração estava tocando uma música dele: - Toda cidade respira William Darcy hoje! Mas que inferno. – Pensou... Os gritos eufóricos das amigas abafaram seus próprios pensamentos.

Elas provavam pela milésima vez alguns vestidos. Até que finalmente encontraram exatamente o que queriam. Ao passarem por uma grande loja de Eletrônicos voltaram sua atenção para as TVs que exibiam o DVD de William Darcy.

- Meu Deus como ele é lindo e que corpo. – Sussurrou Charlotte estagnada em frente à vitrine.

- Eu morreria por esses olhos azuis. – Jane completava o coro de adoração.

- E eu perderei meu emprego se chegar atrasada ao local do show. Vamos embora, por favor. Vocês terão tempo suficiente para babarem por ele no show, duas horas mais precisamente. – Lizzy falou enquanto arrastava as amigas pelos braços.

- Não acredito que você não o acha um Deus grego.

- Não disse que não o acho bonito, sexy e tudo mais, Jane. Mas sou realista, não fico por aí suspirando pelo que não posso ter. Por que você não suspira pelo Collins que lambe o chão que você pisa, Charlotte e você dona Jane não enxerga a grande paixão que meu primo Charles sente por você?

- Eles nunca se declaram para nós Lizzy. Não seja radical. – Ponderou Charlotte.

- Não estou sendo radical, mas caras como William Darcy são inatingíveis entendem?- Lizzy verificou o relógio. - Oh Droga! Já passam das 19h e agora só tenho uma hora pra chegar em casa e me arrumar.

*******************************

Lizzy havia planejado escovar os cabelos, mas agora teria que se contentar com apenas secá-los e prendê-los em um coque com pequenos fios soltos. Odiava os cachos dos seus cabelos. Colocou o vestido apressadamente, tendo dificuldade com o fecho das costas. Colocou os brincos e o delicado colar correndo, deu um ultimo retoque na maquiagem e com os sapatos nas mãos correu para a sala para atender ao telefone que tocava insistentemente.

- Elizabeth Onde você está? – A voz bradou do outro lado da linha, fazendo com que ela afastasse um pouco o aparelho.

- Já estou de saída Sr. Collins. – Respondeu educadamente para seu chefe.

- Preciso da minha melhor funcionária agora. Aconteceu um imprevisto e teremos que cuidar de tudo, então te dou cinco minutos para vê-la chegar aqui.

- Sim, Collins. Mas vou descontar os segundos que você está me segurando no telefone.

Ao ouvir o som do telefone sendo desligado, Lizzy pegou a bolsa e correu rapidamente para a porta, ainda com os sapatos nas mãos.

Já no carro, dirigia com cautela, mas apressadamente. Seu celular tocava insistentemente então colocou no viva voz.

- Faltam três minutos.

- Collins eu chegarei aí em alguns minutos. – Respondeu dando um longo suspiro.

- Três minutos Elizabeth, três minutos.

Lizzy jogou o celular com tanta força no banco do carona que o aparelho caiu no chão fazendo um barulho que indicava que ela teria que usar novamente seu cartão de crédito e comprar um novo.

- Odeio celular! Odeio o Collins! – Esbravejou .

Quando chegou dentro da casa de show encontrou o pior cenário que gostaria encontrar. Collins estava mais maluco que o normal, dando ordem, gritando, esperneando. Respirou fundo e se colocou ao lado do chefe.

- Elizabeth atrasada quatro minutos. Se você não fosse tão competente e praticamente minhas mãos eu te demitiria agora mesmo.

- Tudo bem Collins. Estou aqui e então o que houve?

- A agência que ficou responsável pela assessoria de imprensa e coletiva teve um problema e nós fomos encarregado de fazermos este trabalho... Como se não tivéssemos trabalho demais.

- Collins, acalme-se. Temos capacidade e pessoal suficiente para isso.

- Eu sei, e por isso pode voltar para o estacionamento e ir direto para o hotel onde será dada a coletiva antes do show.

- Eu? – Lizzy perguntou incrédula.

- Quem mais, Lizzy? Designei você para este trabalho. Você assessorará os assessores dele e quero só alertá-la que tem apenas cinco minutos para chegar ao hotel.

Lizzy ainda estava incrédula com as ordens de Collins.

- O que está esperando? Quatro minutos e quarenta segundo agora.

Collins gritou, fazendo com que instantaneamente Lizzy corresse para seu carro. Enquanto dirigia sentia que precisava descarregar a raiva e a pressão que a tomavam naquele momento. Amava seu emprego, e até às vezes gostava do chefe, mas agora odiava seu trabalho, odiava seu chefe e odiava esse idiota que dirigia como uma tartaruga a sua frente.

Quando finalmente chegou ao hotel, se dirigiu rapidamente para o salão da coletiva. Para seu alívio ainda não havia começado; os jornalistas se acomodavam e os fotógrafos e cinegrafistas posicionavam seus equipamentos.

Lizzy se recostou na parede dando um longo suspiro aliviado. Em seguida com os olhos fechados praguejou baixinho.

- Odeio... odeio... odeio... Idiota, estúpido.

Uma gargalhada masculina abafada e um pigarreado a fez abrir os olhos rapidamente. Quase caiu quando o viu parado com um meio sorriso a sua frente, acompanhado de um bando de seguranças e uma ruiva alta e irritantemente metida à besta.

- Elizabeth Bennet? – A ruiva perguntou em inglês analisando-a por completo.

- Sim. – Respondeu desviando os olhos dele para a ruiva.

- Já não era sem tempo. – A ruiva esbravejou. – Caroline Bingley, assessora de imprensa de William Darcy e você está atrasada. Darcy odeia atrasos.

- Sinto muito, mas houve um imprevisto. – Respondeu irritada, mas mantendo a educação.

- Bem, esperamos que não haja mais imprevistos. Podemos ir para a coletiva ou devemos aguardar mais um pouco enquanto você xinga mais alguém?

Lizzy odiou ver aquele sorriso irônico na boca fina daquela enferrujada, mas era uma profissional, então apenas sorriu formalmente, dando passagem para eles. A ruiva revirou os olhos e passou feito um foguete, em seguida dois seguranças que foram na frente par checar o local.

Enquanto aguardava o sinal dos seguranças, Darcy lançou um tímido sorriso para ela, que envergonhada pela situação apenas retribuiu e olhou em outra direção. Um segurança que estava com ele recebeu um sinal dos outros e eles começaram a se mover para o local da coletiva. Mas ao passar por ela, Darcy aproximou o rosto do dela e falou em um português fraco e carregado pelo sotaque inglês:

- Ele deve ser realmente um idiota.

Em seguida se afastou sorrindo abertamente. Lizzy sentiu que seu rosto corou violentamente. Recuperando seu autocontrole, foi em direção ao salão aonde conduziria à coletiva.

************************

Lizzy agradeceu aos céus quando se viu dentro do seu carro a caminho da casa de show. Seu único pensamento era matar o Collins, ele tinha jogado ela para os leões, na verdade uma gata enferrujada e rabugenta. Ligou o rádio no volume máximo e fez o que sempre funcionava quando estava com raiva. Bateu no volante com força e gritou extravasando a raiva.

Um carro blindado a ultrapassou fazendo-a olhar para o lado, ainda pôde ver William Darcy sorrindo, na verdade gargalhando no banco de trás do carro com a janela semi- aberta. A segunda vez que ele a pegara fazendo um papel ridículo.

- Você é uma idiota, Elizabeth Bennet. Agora o astro da música inglesa deve estar te achando uma completa idiota. – se repreendeu.

Quando encontrou Collins nos bastidores, ele já estava mais calmo. Após resolver os últimos detalhes, o show teve início.

Lizzy se dirigiu ao bar e pediu um whisky duplo, precisava de uma bebida forte. Tomou de um gole só.

- Noite longa. – Sussurrou.

Foi ao encontro dos seus amigos que estavam em um camarote vip. Jane e Charlotte ao vê-la a chamaram para que ela sentasse junto com elas.

- Que cara péssima. Aconteceu alguma coisa? – Jane perguntou vendo o rosto esgotado de Elizabeth.

- Se você considerar o fato da sua amiga aqui ter pagado mico duas vezes na frente do astro William Darcy e ainda ter engolido o veneno de uma gazela enferrujada como alguma coisa. Então... aconteceu... Hum o que vocês estão bebendo? – Perguntou analisando os copos das amigas.

- O que? – As duas perguntaram de uma vez.

- Você esteve com ele? – Charlotte perguntou eufórica apontando para o palco.

- Nem me lembre disso, foi tão constrangedor... Posso beber isso aqui? – Sem esperar a resposta, foi logo pegando o copo de Jane e virando de uma vez.

- Oh Meu Deus, oh meu Deus! Você esteve com o tudo de bom William Darcy? – Jane agora sorria abobalhada.

- Já disse que quero esquecer isso, gente. – Lizzy falou enquanto pegava a bebida de Charlotte.

- Pára tudo agora! – Charlotte gritou tirando o copo das mãos da amiga. – Você tem que nos levar para conhecê-lo e não poderá fazer isso se estiver embriagada.

- Esquece! Eu disse que falei com ele não que era amiga intima do cara. Além do mais estou livre o resto da noite e pretendo aproveitar o show. Ah! E vocês podem gritar feito malucas daqui mesmo, é até melhor pra mim que não passarei mais vergonha.

Lizzy levantou da mesa e foi até a frente do camarote. Realmente William Darcy era um artista, suas músicas, sua voz, suas letras. Era incrível como ele prendia a atenção de todos com seu carisma e charme. Além disso, tudo tinha um cheiro delicioso, a lembrança do cheiro dele ao passar tão próximo a ela a fez estremecer. E aquele sorriso; O que era aquele sorriso? Estava tão envolta em suas sensações que sentiu seu chão fugir quando se viu flagrada por ele, que do palco lhe sorria da mesma forma como fez no carro.

- Droga! Ele agora além de me achar uma idiota deve me achar uma tarada. – Pensou.

A casa de show estava praticamente vazia. O show havia sido um verdadeiro sucesso. Lizzy saia com alguns amigos quando foi abordada por Collins que estava visivelmente agitado.

- Por onde você andou Elizabeth?

- Estava vendo o show como todo mundo.

- Te liguei feito um louco. Onde está seu celular? Por que não me atendeu?

- Oh! – Lizzy exclamou lembrando-se do pequeno acidente com o celular. – Outro acidente.

- Isso não tem importância. Preciso de você.

- Mas eu estou de folga. Foi você mesmo quem falou.

- Quando vai aprender que não pode dar ouvidos ao que eu digo? Você tem que ir até o camarim do William Darcy, pois ele decidiu receber alguns repórteres daquela emissora poderosa para uma entrevista já que ele viaja amanhã cedo.

- Collins...

- Agora, Elizabeth.

Lizzy se despediu dos amigos que a aguardavam e seguiu em direção ao camarim. Lá organizou impecavelmente todos os detalhes da entrevista, acompanhando tudo inclusive as próprias entrevistas. Por vezes teve vontade de esganar a ruiva nojenta que vira e mexe fazia questão de alfinetá-la, mas era uma profissional e não poderia agir de outra forma, a não ser diplomaticamente.

Algumas horas depois tudo já estava acabado. Recolhia o seu material quando teve sua atenção voltada para Darcy e Caroline tendo uma pequena discussão. Pegando suas coisas saiu rapidamente deixando-os sozinhos.

Já no estacionamento privativo da casa de show, Lizzy aguardava o flanelinha trazer seu carro. Estava frio, muito frio e passava das duas horas da manhã. Odiou-se por ter deixado seu casaco no carro e aquele vestido não ajudava em nada.

Mais de dez minutos depois finalmente seu carro estava parado a sua frente. Pegou a chave e abriu a porta do carona para colocar suas coisas, quando levantou se deparou com William Darcy, bem a sua frente.

- Oi. – Ele a cumprimentou sorrindo.

- Oi. – Ela respondeu com dificuldade.

- Pode me dar uma carona? – Ele perguntou com um sorriso triste.

- Desculpe? – Definitivamente ela não estava acostumada a beber e agora estava imaginando William Darcy lhe pedindo uma carona.

- Eu preciso de uma carona. – Ele repetiu agora mais cauteloso.

- Ok... Mas a questão é: Por quê?

- Sei lá... Eu só preciso de um pouco de ar... respirar. – Falou por fim, colocando as mãos no casaco. – Tudo bem?

- Cla... claro.

Era um sonho, só poderia se tratar de um sonho maluco. William Darcy estava pedindo uma carona para ela? Sem pensar muito para não se beliscar, coisa que fazia sempre que ficava surpresa, ela retirou suas coisas do banco do carona e jogou no banco traseiro, em seguida ele se acomodou no banco fechando a porta. Lizzy ainda incrédula entrou no carro e sem olhar para ele deu partida.

Enquanto dirigia ela olhava apenas para frente, não sabia o que dizer, até que ele tomou a iniciativa.

- Obrigado. – Falou em português.

- Tudo bem. – Lizzy respondeu dando uma rápida olhada para ele. – Logo estaremos no hotel.

- Ah! – Ele resmungou.

- O que? – Aquilo estava cada vez mais confuso.

- É que pensei que poderíamos dar uma volta, ir para outro lugar... longe de tudo. – Ele desabafou. Lizzy começou a rir, o que o deixou confuso. – O que é tão engraçado?

- Isso é algum tipo de brincadeira, tipo um Reality show?

Ele não pôde deixar de sorrir, na verdade gargalhar. Pegando o porta CDs dela, escolheu um que conhecia bem: Vanessa da Mata colocou no som e relaxou no banco.

- É sério Sr. Darcy eu preciso levá-lo a algum lugar.

- Desculpe, estou atrapalhando você não é? – Perguntou melancolicamente.

- Não. Claro que não. Só estou confusa com tudo isso.

- Sabe quando você se sente tão sufocado que precisa fazer algo muito maluco, algo que não é esperado para poder respirar? – Ela assentiu, então ele continuou. – Eu simpatizei com você, e quando a vi próxima ao seu carro, pensei que... Droga! Agi por impulso, só queria ficar longe um pouco... Pode me levar para o hotel.

- Podemos ir para onde desejar. – Lizzy falou sentindo pena dele. – A esta hora não tem muitos lugares legais, e acho que você chamaria muito a atenção se aparecer em algum local público.

- É, eu sei, foi idiotice.

- Espere! – Lizzy falou de repente como se tivesse se lembrado de algo. – Acho que tem um lugar que podemos ir sim.

**************************

Darcy olhava admirado a cidade de são Paulo toda iluminada, era uma visão de tirar o fôlego. Sentiu Lizzy que estava sentada ao seu lado estremecer com o frio. Rapidamente retirou seu casaco entregando a ela que colocou sem protestar.

- Obrigada.

- Eu é quem devo agradecer. Aqui é lindo. Como descobriu este lugar?

- Vinha aqui com meu pai quando ele estava triste ou precisava recarregar as baterias.

- E foi ele quem te ensinou a gritar enquanto dirige? – Perguntou sorrindo.

- Oh céus! Por favor, não me lembre disso, foi vergonhoso.

- Funciona?

- Como uma maravilha!

Os dois riram com vontade. Em seguida Darcy voltou a adotar o mesmo olhar melancólico.

- Quer tentar? – Lizzy perguntou se pondo de pé.

- O que? Não... Não mesmo.

- Ah! Vem. Tenho certeza que você vai se sentir melhor. – Vendo que ele continuava sentado, ela continuou incentivando. – Anda vem, ninguém vai nos ouvir, e você vai ver como vai te fazer bem, é como expulsar os fantasmas.

Ela estendeu a mão para ele que receoso aceitou. Caminharam para um lugar menos iluminado do pequeno morro. Então ela passou a dar as instruções.

- Feche os olhos. Pense em tudo que está te afligindo, todas as pessoas que estão te sufocando... Tudo aquilo que só você sabe e que quer jogar fora.

Vendo que ele tinha os olhos fechados e parecia estar entregue, ela continuou.

- Agora pode gritar. Imagine que são todos os seus problemas indo embora com sua voz.

- Eu não posso fazer isso. – Darcy olhou pra ela sorrindo.

- Fecha os olhos. – Ela ordenou. – É fácil, vou fazer primeiro para você criar coragem.

Lizzy fechou os olhos e ficou imóvel por alguns segundos em seguida gritou a plenos pulmões, fazendo um grande eco. Darcy começou a sorrir.

- Você é maluca, sabia?

- Sei sim. Mas não mude de assunto. Agora é a sua vez.

Darcy hesitou um pouco fechando os olhos em seguida. O primeiro grito saiu fraco, o que provocou gargalhadas em Lizzy.

- Tenho certeza que você pode fazer melhor que isso, até eu faço melhor que isso.

Atendendo ao desafio, Darcy gritou um pouco mais alto e aquilo fez bem. A sensação de angustia e vazio aos poucos estava desaparecendo, ele estava ficando mais leve. Empolgado ele ainda gritou mais umas duas vezes, sendo acompanhado por Lizzy.

De volta ao carro, Darcy olhava fixamente para ela enquanto ela dirigia calmamente pela cidade adormecida. Aquela estranha tinha o dom de fazê-lo se sentir como há muito tempo não se sentia: Ele mesmo. O garoto de doze anos que corria livre por Pemberley.

- Você tinha razão, sinto-me bem melhor.

Lizzy apenas sorriu em seguida olhando para o relógio.

- Quase quatro horas da manhã. Pronto para voltar para o hotel?

- Na verdade não. Alguma outra sugestão que, por favor, não seja gritar no meio da noite como um maluco? – Ele brincou .

- Nenhum lugar que você não chame a atenção, desculpe, mas quem mandou ser tão famoso? – Lizzy retribuiu a brincadeira, mas ele não sorriu então ela mudou de assunto. – Estamos passando neste exato momento pelo meu prédio.

- Sério? Qual?

- Aquele ali. – Lizzy respondeu apontando para o charmoso prédio do centro.

- Podemos ir até lá? Adoraria um café forte.

Lizzy sentiu uma grande pontada no estômago. Tudo aquilo era uma verdadeira loucura. Ela passara algumas horas gritando com o famoso William Darcy e agora ele queria tomar um café no seu apartamento. Charlotte e Jane iriam pirar. – Pensou enquanto respondia sorrindo.


- Claro.

Lizzy abriu a porta do apartamento com Darcy logo atrás. Ao acender a luz ela apressou os passos e começou a catar as roupas espalhadas pela sala.

- Desculpe pela bagunça, mas moro sozinha e não costumo trazer astros internacionais para meu apartamento. Sabe, é uma coisa que não acontece sempre. – Falou sorrindo.

- Jura? Achei que você fosse mais bem relacionada. – Darcy brincou arrancando risadas dos dois.

Depois um silêncio constrangedor se instalou entre eles. Estavam visivelmente desconsertados. Darcy mantinha as mãos nos bolso da calça e Lizzy ainda tinha as peças de roupas nas mãos. – Isso é ridículo, Elizabeth Bennet. – Ela pensou.

- Eu... Eu vou até o quarto guardar essas coisas e trocar de roupa. Por favor, fique a vontade. Se quiser beber alguma coisa o bar fica ali no canto. – Falou apontando na direção do bar.

- Tudo bem. Prefiro um bom café, está frio aqui.

- Ok. Então volto em alguns minutos.

Lizzy praticamente correu para o quarto, pegando as coisas que estavam espalhadas pelo caminho. No quarto começou a tirar a roupa, pensou no que iria vestir. Se estivesse sozinha, seu velho moletom serviria, mas tinha nada mais nada menos que William Darcy na sua sala. Vestiu uma camisa de flanela e uma calça de malha mais arrumadinha. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e seguiu para o banheiro para retirar um pouco da maquiagem.

Darcy começou a observar a decoração do apartamento. Realmente organização não a definiria muito bem. Era um amplo apartamento, muito bem decorado, com várias cores, algo bem alegre porem de muito bom gosto. Havia várias fotos espalhadas pelo grande e imponente móvel encostado em uma das paredes: Ela gostava dos amigos. – concluiu. Pois a maioria das fotos eram dela com várias pessoas. Passou os olhos pelo móvel e se deparou com a coleção de CDs dela, resolveu investigar o que ela gostava de ouvir.

Lizzy saiu do banheiro e seguiu para a sala, o encontrou mexendo em seus CDs. Ele realmente era uma bela visão. A camisa preta estava com as mangas arregaçadas até o cotovelo, fazendo um belo conjunto com a calça de belo corte preta esportiva. Lizzy se viu flagrada mais uma vez observando ele, ficou completamente sem graça, mas ele pareceu se divertir com a forma como ela corava.

- Bela coleção você tem aqui. – Falou mostrando alguns CDs que estavam em sua mão.

- Adoro boa música. Ouvir música é uma terapia para relaxar.

- Realmente. Não vi nenhum cd meu. – Darcy agora recolocava os CDs no lugar.

- Oh! Eu... Na verdade eu... – Lizzy desejava que um buraco se abrisse agora.

- Tudo bem, Elizabeth. – Ele abriu aquele lindo sorriso que o deixavam ainda mais irresistível.

- Não, eu tenho sim, ganhei das minhas amigas, Jane e Charlotte, elas são loucas por você. – Lizzy parou abruptamente ao perceber o que tinha falado. – está lá no meu quarto.

- Certo... Mas ainda quero aquele café.

- Ai claro! Desculpe, vou até a cozinha preparar para nós.

- Posso ajudá-la?

- Claro.

Eles seguiram para a cozinha. Lizzy passou a colocar a água no fogo e Darcy a ajudou pegando o que ela precisava. Enquanto aguardavam que o café ficasse pronto, eles sentaram no balcão que ficava no centro da pequena cozinha.

- Acho que não vejo alguém fazendo café no fogão há muito tempo. – Darcy falou apontando para o fogão.

- Ah! Não sou muito adepta da modernidade, sou uma mulher das cavernas como diz meus amigos. Eles e minha família teimam em me presentear com esses monstros, mas prefiro o convencional.

- Não, é sério Lizzy. Dá até certa nostalgia. Faz lembrar minha infância. – Ele abandonou o sorriso aberto e adotou um ar cabisbaixo.

- Está tudo bem? – Lizzy perguntou colocando por impulso sua mão sobre a dele que estava em cima do balcão.
Aquele simples toque fez com que eles estremecessem. Darcy levantou os olhos buscando os dela e ao encontrá-los percebeu que estava onde queria estar e poderia confiar nela.

- Acho que não estou muito bem. Afinal fugi da minha assessora maluca e da minha vida de glamour e flashs. Você deve estar me achando um maluco. – Ele tentou sorrir, mas apenas seus lábios se movimentaram, seus olhos permaneceram melancólicos.

- Não acho nada, estou aqui se quiser conversar.

Darcy apertou a mão dela e elevando-a até seus lábios, a beijou carinhosamente.

- Obrigado. – Falou olhando nos olhos dela, então continuou. – Estou neste meio há algum tempo e sou feliz, ao menos pensava ser, mas ultimamente tenho sentido falta de algo, como se tivesse uma grande lacuna que não sei com o que preencher, dá pra entender?

Lizzy assentiu, então ele continuou.

- Meus “amigos” não entendem. Caroline não entende.

- Af! Aquela ali não entenderia mesmo, mulherzinha azeda. – Mais uma vez Lizzy percebeu que falou demais e colocando a mão na boca se desculpou.

- Desculpe-me Darcy, eu falo demais, por favor, me desculpe.

- Tudo bem, Lizzy. Caroline é intragável às vezes, mas está comigo há muito tempo e é extremamente competente. O segredo é ignorá-la. – Darcy sorriu e piscou para ela como se estivesse confidenciando uma formula secreta.

- Nosso café está pronto.

Lizzy levantou depressa ao perceber que a água estava fervendo. Após alguns minutos eles estavam sentados na varanda, saboreando um delicioso e quente café.

- Está delicioso, Lizzy, parabéns.

- Muito obrigada, café é minha especialidade. – Ela sorriu.

- São quase cinco da manhã, meu vôo sai as nove.

- Deus! Todos devem estar te procurando. – Lizzy se sobressaltou com o pensamento.

- Calma Lizzy. Enquanto você estava se trocando eu liguei para Caroline e avisei que estava bem, só não falei onde estava, pois certamente ela já teria vindo até aqui.

- Hum... Vocês...
- Eu e Caroline? – Darcy riu entendendo o que ela estava querendo dizer. – Somos amigos há muito tempo, ela é casada com meu irmão.

- Ah! – Estranhamente ela se sentiu aliviada pela resposta dele. - Então, sempre costuma sair por aí com estranhas? – Perguntou em tom de brincadeira, fazendo-o rir.

- Só com as que gritam dentro do carro. – Ele piscou novamente. – Não sei o que me deu, acho que estava pirando e desde que ti vi, com os olhos fechados e xingando alguém.

- Meu chefe. – Lizzy respondeu rápido arrancando um leve sorriso dele.

- Certo. Xingando seu chefe e tão linda, tão natural, me senti tão bem perto de você... Não sei te explicar, mas eu queria estar com você, conversar, rir, e gritar. – Ele sorriu abertamente com a ultima palavra.

- Espero estar ajudando você a se sentir melhor.

- Muito, acredite.

- Mas um pouco de café? – Lizzy ergueu a sua caneca e apontou para a dele que estava vazia.

- Sim.

Lizzy pegou a caneca dele e foi até a cozinha em busca de mais café. Darcy se virou para vê-la e teve sua atenção voltada para um violão que estava em um canto da sala. Foi até lá e o pegou, enquanto ela não voltava, ele ficou afinando o instrumento.

Ao ouvir o som do violão sendo afinado Lizzy suspirou. Como tinha esquecido de guardar o violão? Nova meta para 2009: Ser mais organizada e parar de deixar as coisas espalhadas no meio da casa. Com as canecas cheias novamente, foi até a varanda.

- Belo violão. Você toca?

- Oh Não! Estou começando a aprender, gosto do som, mas, por favor, não me peça para tocar. – Lizzy falou entregando a caneca para ele.

- Gostaria de ouvir uma música que compus?

- Lógico. – ela assentiu colocando os pés sobre a cadeira e recostando-se para ficar mais confortável.
Love At First Sight (tradução)
Michael Bublé
Estou fazendo disso uma noite especial
Tendo uma chance na minha vida
Esperando que você se sinta do mesmo jeito que estou me sentido essa noite
Apenas tente e olhe dentro dos meus olhos
Não fique com medo do que você pode ver lá
A primeira vez que eu te vi
Eu soube que amor a primeira vista deve ser verdade, de verdade, oh, de verdade
E agora eu só tenho que explicar porque me sinto desse jeito
Eu sinto alegria, eu sinto dor
Você esta no meu coração e isso está acabando comigo
Pois eu te amo, eu te amo, eu te amo


- É linda! Uau. – Lizzy aplaudiu.

- Gostou mesmo?

- Claro que sim. Você é muito bom. – Falou na tentativa de esconder o nervosismo que a corroia naquele momento.

- Obrigado. Fico feliz que tenha gostado... é assim que me sinto agora. – Darcy falou encarando Elizabeth, aqueles olhos negros tão vivos, tão intensos.

- Olha o sol nascendo... que lindo... Lizzy suspirou pela bela visão.

- Sim... lindo. – Darcy se referia aos olhos de Lizzy, mas ela pareceu não perceber e continuou olhando para o nascer do sol.

Ficaram lado a lado nas cadeiras da varanda observando os raios amarelos rompendo o horizonte. Lizzy sentiu a mão dele segurando firme a sua, ainda olhando na direção do horizonte fechou forte os olhos e suspirou profundamente.

- Estou feliz. – Darcy sussurrou.

- Eu também...

- Estou feliz por estar com você. – Ele afirmou se colocando de joelhos ao lado da cadeira dela. – Não estou mais vazio, Lizzy... Estou em casa.

Ela não respondeu e apenas sorriu fechando os olhos na expectativa do que estava por vir.
Darcy se aproximou lentamente sentindo a respiração quente dela tão inebriante. Nunca uma mulher o fizera se sentir daquela forma, tão completo. Beijou-a com ternura, e o doce sabor dos lábios dela o fez estremecer. Beijaram-se intensamente.

Lizzy agora enlaçava o pescoço dele em busca de mais. Sentia vontade de chorar, nunca havia se sentindo daquela forma, tão entregue. Não era desejo ali, era apenas vontade de ser feliz e morrer por essa felicidade.

Quando finalmente se separaram, permaneceram unidos pela testa e com as mãos fortemente entrelaçadas.

- Preciso ir. – Ele falou com dificuldade.

- Eu sei. – Lizzy sussurrou em meio a um sorriso tímido.

Enquanto o carro seguia pela estrada vazia de um domingo, o vento circulava pelas janelas abertas fazendo os cabelos de Lizzy voarem contra seu rosto. Eles tinham as mãos unidas, estavam em silêncio... palavras agora estragaria tudo.

No estacionamento privativo do hotel, Darcy já estava de pé ao lado do carro aguardando Lizzy se aproximar. Já de frente para ela, tudo o que mais desejava naquele momento era não ter que partir, não ter que deixá-la.

- Então... – ela começou, mas parou olhando para ele com tristeza.

- Obrigado por tudo.

- Sempre que desejar fugir, por favor, me procure. Tenho essa tendência louca de raptar astros da música. – ela brincou mais o sorriso dos dois foram sufocados pela dor da partida.

- Foi ótimo, até tive uma idéia para uma nova composição.

- É? Isso é ótimo. E falará sobre o que?

- Ainda não sei bem, mas umas frases não saem da minha cabeça: E estou cercado por um milhão de pessoas; Ainda me sinto sozinho; Deixe-me ir para casa; Sinto sua falta você sabe.

Com os olhos úmidos, eles se uniram em um beijo apaixonado acompanhado de um abraço doloroso de despedida e da incerteza de voltarem a se ver algum dia.
- Lizzy eu... – Darcy tentou falar, mas foi interrompido por ela que colocou o dedo nos lábios dele.

- Não vamos fazer promessas. Uma noite... um sonho. Guardaremos isso para sempre. – Lizzy o beijou ternamente nos lábios, se afastando em seguida. – Agora vá.

Como ele permaneceu parado com olhos suplicantes. Lizzy resolveu que ela teria que acabar com tudo antes que ficasse mais difícil para eles. Sem olhar para trás deu a volta e entrou no carro. Ainda sem olhar para ele deu a partida e foi embora...

Três meses depois...

Lizzy tinha acabado de chegar ao trabalho, analisava alguns contratos que Collins havia deixando em sua mesa no dia anterior quando o entregador deixou algo na sua mesa. Ela agradeceu e sorriu ao ler o remetente. Lembrou da conversa que tiveram no dia anterior, pois desde aquele dia que se despediram no hotel, se falavam quase todos os dias pelo telefone. Ele tinha dito para que ela se preparasse para receber um presente e lá estava ela com a pequena caixa nas mãos. Abriu rapidamente e encontrou um cd e um bilhete que dizia assim:

Lizzy,

Quero que me prometa que só ouvirá este cd quando estiver no carro indo para casa. Lembra que te falei que naquela noite comecei a compor uma música pra você? Terminei e quero que você seja a primeira pessoa a ouvir, por favor, preste atenção em tudo o que estou te falando através dela.

P. S. não grite nem bata no volante desta vez.

Sempre seu,
William Darcy


Lizzy sorriu e guardou o bilhete junto com o cd em sua bolsa. Ouviu os gritos de Collins pelo corredor, então achou por bem voltar para o trabalho, apesar da curiosidade corroendo.

Apressou os passos pela garagem, respirou aliviada quando se viu dentro do seu carro. Esperou até que estivesse na estrada para só então colocar o cd. Com os primeiros acordes sentiu um nó na garganta, as lágrimas já inundando seus olhos...
{denvideohttp://www.youtube.com/watch?v=kcvAUMyGAPw&feature=related}
Obs.: Por favor, meninas leiam a letra da música para entenderem o conto.
*
Home
Michael Bublé
Composição: Michael Buble, David Foster, Bill Ross
Another summer day
Has come and gone away
In Paris and Rome
But I wanna go home

Maybe surrounded by
A million people I
Still feel all alone
I just wanna go home
I miss you, you know

And I've been keeping all the letters that I wrote to you
In each one a line or two
"I'm fine baby, how are you?"
Well I would send them but I know that it's just not enough
My words were cold and flat
And you deserve more than that

Another airplane
Another sunny place
I'm lucky I know
But I wanna go home
I've got to go home

Let me go home
I'm just too far
From where you are
I wanna come home

And I feel just like I'm living someone else's life
It's like I just stepped outside
When everything was going right
And I know just why you could not
Come along with me
Cause this was not your dream
But you always believed in me

Another winter day has come
and gone away
And in Paris and Rome
And I wanna go home
Let me go home

And I'm surrounded by
A million people
I Still feel alone
Let me go home
Oh, I miss you, you know

Let me go home
I've had my run
Baby, I'm done
I gotta go home

Let me go home
It all will be alright
I'll be home tonight
I'm coming back home
Tradução
Outro dia de verão
Que vem e vai embora
Em Paris ou em Roma
Mas eu quero ir para casa

Talvez cercado de
um milhão de pessoas, eu
ainda me sinto totalmente sozinho
Eu somente quero ir para casa
Eu sinto sua falta, sabe?

Eu continuo guardando todas as cartas que te escrevi
Em cada uma delas, uma ou duas linhas
"Estou bem baby, como você está?"
Bem, eu as enviaria, mas sei que isto não é o bastante
minhas palavras eram frias e vazias
E você merece mais do que isto

Outro avião
Outro lugar ensolarado
Eu tenho sorte, eu sei
mas eu quero ir para casa
tenho que ir para casa

Deixe-me ir para casa
Estou tão longe
de onde você está
Eu quero ir para casa
Sinto como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa
É como se eu acabasse de sair
Quando estava indo tudo bem
E eu sei exatamente porque você não poderia
vir junto comigo
Isto não era o seu sonho
Mas você sempre acreditou em mim

Outro dia de inverno veio
e já foi embora
E mesmo em Paris ou Roma
E eu quero ir para casa
Deixe-me ir para casa

E estou cercado por um milhão de pessoas
Ainda me sinto sozinho
Deixe-me ir para casa
Sinto sua falta você sabe

Me deixa ir para casa
Eu tive minha chance
Baby, acabei
Estou indo para casa

Me deixa ir para casa
Ficará tudo bem
Estarei em casa hoje a noite
Estou voltando para casa


Lizzy já não controlava as lágrimas, chorava de saudade, de emoção. Desejava tanto vê-lo e sofreu todos estes meses sem saber ao certo o que ele sentia e agora diante daquela música sabia que ele também sentia saudades.

Ao chegar em casa, foi direto para o aparelho de som e colocou o cd, colocou no modo para repetir e foi para o banheiro. Deixou que a sua música fosse à trilha do seu começo de noite.

Já se passavam das dezenove horas e Lizzy estava tomando uma taça de vinho enquanto esperava o jantar ficar pronto. Ouvia sua música na sala desejando fortemente que ele estivesse ali do seu lado. Ouviu a campanhia tocar, uma, duas, três vezes, até que impaciente resolveu abrir, apesar de não estar com espírito para visitas.

Ao abrir a porta precisou se segurar no batente para não cair. Darcy estava bem ali, ao alcance dos seus braços. Aquilo só poderia ser um sonho... Mas a voz dele a fez ver que era a mais bela realidade.

- Oi. Posso entrar? – Sorriu abertamente, com os olhos cheios de saudade.

- William? – Lizzy perguntou ainda incrédula.

- Não fez o que mandei no bilhete, não foi? – Um sorriso maroto tomou os lábios dele.

- É claro que sim... Só estou em estado de choque... Me dê apenas um minuto e voltarei a realidade.
Ele sorriu e a abraçou forte, levantando-a de maneira que desse passagem para ele entrar. Ainda com ela nos braços começou a andar até o meio da sala. Tomou os lábios dela com urgência, sonhou com este momento por três meses. Após beijá-la olhou para ela com um sorriso sensual.

- Então? Já voltou a realidade?

- Você está mesmo aqui?

- Eu disse para prestar atenção em tudo o que eu estava te falando na letra da música não foi?

- E eu prestei. Eu juro.

- Então não deveria estar surpresa por me ver aqui. – Diante da expressão confusa dela, ele continuou. – Eu disse na ultima parte:

Ficará tudo bem
Estarei em casa hoje à noite
Estou voltando para casa.

Darcy sussurrou no ouvido dela. Lizzy abriu um largo sorriso e o abraçou com força.

- Estou em casa, Lizzy.

Sem mais nenhuma palavra eles se beijaram com paixão, enquanto dançavam embalados pela música suave que ecoava por todo apartamento.

***********Fim*************