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Novo Ano

Ligado . Publicado em Novo Ano

Elizabeth Bennet acordara quase uma hora antes, do que na verdade precisava, estava super empolgada e não conseguia mais ficar na cama. Trabalhava para uma agencia de turismo e ganhara na festa de final de ano da empresa, um cruzeiro de 7 dias, num luxuoso navio, com direito a acompanhante e esta viagem culminava com o dia de Ano Novo.
 
Aproveitaria suas férias de final de ano e, como acompanhante levaria Jane, pois estava solteiríssima há exatamente seis meses. Charlotte Lucas sua melhor amiga, empolgada pela animação das irmãs Bennet, resolverá acompanhá-las por sua conta, seu pai, Sr. Lucas, um conhecido senador proporcionaria sem problemas financeiros aquela viagem a sua filha mais velha.

 
Sua família em peso as acompanharia ao porto de Santos. Elétrica correu para a cozinha, afim de preparar o café da manhã, pois nada poderia atrasá-las. Quando já estava terminando, seu pai adentrou a cozinha, impecavelmente vestido.
 
_ Ansiosa para ficar longe de nós? _ sorriu com seu habitual sarcasmo.
 
_ Claro, que não, papai. Só estou empolgada, faz muito tempo que não viajo.
 
_ Embora, fique triste por você e sua irmã me deixarem sozinho com os pobres nervos de sua mãe e as loucuras de suas irmãs, não posso deixar, também, de ficar feliz porque vocês merecem descansar de toda esta loucura.
 
_ Ora, papai!
 
_ Lizzy! _ exclamou uma voz estridente _ Você deveria estar dormindo. Como vai causar uma boa impressão aos jovens, se estiver sonolenta e com olheiras? _ interrompeu bruscamente a Sra. Bennet.
 
_ Mamãe, não estou preocupada em causar boa impressão.
 
_ Pois deveria, uma viagem num navio de luxo. Que tipo de pessoas acredita que irá encontrar?
 
_ Pessoas como todas as outras.
 
_ Querida, não seja ingênua, ricos e milionários, é o que vai encontrar, não são como todas as outras pessoas. _ Lizzy torceu o nariz.
 
_ Bom dia! _ Jane cumprimentou a todos.
 
_ Pelo menos, uma de minhas filhas não irá me decepcionar. _ dirigiu um sorriso benevolente a Jane.
 
_ Do que estão falando? _ perguntou Jane, sentando-se a mesa.
 
_ O mesmo de sempre, minha querida. _ respondeu-lhe o pai.
 
_ Ah. _ balbucio sem maior importância, servindo-se de café.
 
_ Mamãe, engoliu um gravador, esta sempre repetindo a mesma coisa. _ riu Lizzy.
 
_ Pode rir menina, mas não venha depois me dizer, que não tentei por juízo nessa sua cabecinha. _ voltando-se em direção a porta _ Onde estão essas meninas. Lydia! Kitty! Mary! _ gritou _ Desçam logo, não vão atrasar suas irmãs.
 
_ Querida, poupe os vizinhos! _ pediu de bom humor o Sr Bennet.
 
Dez minutos depois três garotas sonolentas, apareceram na cozinha.
 
_ Até que enfim! _ ralhou à mãe.
 
_ Não sei, por que é que temos de ir? _ resmungou Lydia.
 
_ Não são nem seis horas da manhã e é sábado. _ completou Kitty.
 
_ Devemos demonstrar nossa afeição fraternal, mantendo nossos laços fortalecidos, em qualquer ocasião. _ comentou Mary, no tom de um provérbio, os demais a olharam atônitos.
 
_ Obrigada, Mary. _ disse a Sra. Bennet _ Você esta certa, embora eu deva acrescentar que é uma excelente oportunidade para conhecerem pessoas interessantes.
 
Lizzy revirou o olhar, nada demoveria a mãe da sua idéia fixa de arranjar-lhes um bom partido. Após, todo o estardalhaço do café da manhã, puseram-se a caminho do porto. Encontrariam Charlotte no embarque. Ao chegarem, o movimento era grande, outros navios de passageiros também iriam embarcar, apesar de ser muito cedo, sete horas da manhã, as pessoas estavam dispostas e falantes, o embarque mais lembrava um check-in de aeroporto, a diferença é que teriam que retirar fitas coloridas para embarcarem suas malas, neste momento houve certa confusão, pois tanto Jane quanto Elizabeth, não sabiam direito, para onde deveriam dirigir-se, até que encontraram Charlotte.
 
_ Lizzy! Jane! Até que enfim as encontrei. _ sorriu abraçando as duas amigas.
 
_ Estávamos tentando falar no seu celular.
 
_ Desculpem, estou tão agitada, que nem o percebi tocar. Venham, vamos pegar as fitas para embarcarem logo. Nossa, já dei uma volta e tem cada gato.
 
_ Char e o Collins? _ brincou Lizzy.
 
_ Seu primo, esta ótimo Lizzy, o deixei muito satisfeito pela manhã.
 
_ Como assim, Char? _ Lizzy a olhou com malicia.
 
_ Ora, jurei amor eterno, essas coisas, até o convenci de que não era necessário me acompanhar, pois isso seria muito penoso para ambos.
 
_ Char, só você. Não entendo porque esta com ele?
 
_ Lizzy, Lizzy, se você realmente entendesse de homens, não teria deixado o Mateus lhe escapar.
 
_ Ele não me escapou, Char. Eu terminei com ele.
 
_ Vê é isso o que eu digo. Homem com potencial, honey, é artigo raro no mercado, livrar-se de um desse é sinal de insanidade ou no mínimo de ingenuidade.
 
_ Às vezes você me aborrece, com suas teorias. _ riu, de repente sentiu um baque e quando deu por si, estava no chão, atordoada olhou para cima, dando de cara com um par de olhos azuis inexpressivos.
 
_ Lizzy, você esta bem? _ correu Jane para ajudar a irmã a se levantar.
 
_ Acho que sim, Jane. O que aconteceu?
 
_ Se a senhorita não estivesse distraída, não teria acontecido nada. _ respondeu friamente o dono do par de olhos azuis.
 
_ Hei! Eu estou bem obrigada. Obrigada, também pela sua gentileza de me ajudar a levantar, ou melhor, pela sua gentileza por me colocar no chão. _ ele ia retrucar, mas Lizzy lhe impediu _ Não precisa dizer mais nada, acho que foi o suficiente para mim, o som da sua voz pode ficar ecoando em minha mente. _ virando-se para Jane e Charlotte _ Vamos, já basta este mico, agora vou ser conhecida, como a garota que caiu, era só o que me faltava. _ afastou-se, rindo-se, apesar de ter ficado extremamente aborrecida pela falta de educação do rapaz, não conseguia e não gostava de ficar de mau humor por muito tempo, ele ficou sem reação, estático a observando se afastar, até que uma voz familiar lhe trouxe a realidade.
 
_ Irmão! O que aconteceu?
 
_ Não foi nada, Georgiana.
 
_ Porque derrubou aquela moça?
 
_ Foi sem querer, estava com pressa ...
 
_ De fugir de Caroline? _ sorriu.
 
_ Na verdade, era da tia Catherine que estava fugindo. _ sorriu.
 
_ Por que não ajudou a moça a se levantar?
 
_ Não sei. _ respondeu pensativo _ Vamos, pare de fazer perguntas, vamos embarcar.
 
***~***~***~***~***
 
Após, as despedidas ruidosas de sua mãe, Elizabeth sentia-se feliz por já estarem no navio que estava prestes a zarpar, todos os passageiros estavam a bordo, acenando para os que ficaram em terra, alguns apitos longos davam sinal à partida e todos se sentiram mais entusiasmados. Todos foram chamados ao deck central, onde aconteceria um show de apresentação do comandante e da tripulação, que era composta de pessoas dos mais diversos países, ao término todos se dispersaram, circulando pelo navio, que oferecia a mais variada diversão, de piscinas, a academias, salões de jogos, dança, entre outros.
 
_ Nossa, vocês viram? Que capitão é aquele? Estou passando mal até agora.
 
_ Calma, Char. _ riu Jane.
 
_ Que homem lindo. _continuou _ Gostei do nome dele, Comandante FitzWilliam. Soa tão másculo. _ Lizzy e Jane riam da expressão de Char.
 
_ Realmente ele é muito bonito. _ concordou Lizzy _ Aliás, a tripulação parece muito satisfatória. _ riu.
 
_ Ah, não acredito, Elizabeth Bennet, paquerando a céu aberto. _ riu Charlotte _ Deve ter sido o tombo, foi a primeira vez que te vi aos pés de um homem.
 
_ Engraçadinha, aquilo era um ogro, isso sim.
 
_ Ogro? Pensei que eles eram verdes, enormes, fedidos e horrorosos. Aquele me pareceu moreno, alto, atlético, lindo e irresistivelmente charmoso, sem contar naqueles olhos azuis.
 
_ Tirando os olhos, não vi nada disso. Não é Jane? _ não houve resposta _ Jane?
 
_ Oi. O que foi Lizzy?
 
_ Hum, o que você esta olhando? _ Lizzy e Charlotte olharam na mesma direção.
 
_ Nós aqui perdendo tempo discutindo e Jane esta aproveitando. Belo ruivo.
 
_ Char, você esta parecendo àquelas mulheres desesperadas, nem parece que tem namorado. Menos Char, quase nada. _ riu Lizzy.
 
_ Ok, estou mesmo eufórica. _ concordou rindo _ Veja ele esta vindo para cá.
 
_ Ops e agora? _ perguntou Jane virando o rosto.
 
_ Sorria e haja naturalmente. _ respondeu Lizzy sorrindo, pois ele já estava bem próximo.
 
_ Olá, bom dia.
 
_ Bom dia. _ responderam as três sorridentes.
 
_ Prazer, sou Charles.
 
_ Prazer, sou Elizabeth, aquela é Charlotte e esta é Jane. _ ele olhava fixamente para Jane, o que deu oportunidade para que Charlotte e Lizzy o observassem.
 
_ Vocês estão sozinhas? Quero dizer, tem mais amigos fazendo esta viagem?
 
_ Somos só nós três e você? _ perguntou Charlotte.
 
_ Estou com amigos e parentes.
 
_ Esta num grupo grande, deve ser bem mais divertido. _ disse Lizzy.
 
_ E é, desta vez consegui trazer meu melhor amigo, apesar do capitão ser primo dele, ele não é muito de sair de casa nesta época.
 
_ Primo do capitão! _ exclamou Charlotte, com um olhar significativo para Lizzy, que não conseguiu segurar o riso.
 
_ É a primeira vez de vocês no navio?
 
_ É sim. _ respondeu Lizzy, Jane ficara incrivelmente muda.
 
_ Vocês irão adorar, é uma ótima experiência e amplia seu circulo social, pode-se conhecer pessoas muito interessantes. Ofereço-me desde já, para servir-lhes de guia.
 
_ O que acha Jane? _ perguntou Lizzy, com o intuito de fazê-la falar.
 
_ Ahn, ficaríamos agradecidas. _ respondeu timidamente.
 
_ Excelente! _ respondeu com um brilho no olhar _ Deixem-me apresentá-las ao meu amigo. _ virou-se, chamando em voz alta _ Darcy! _ acenou _ Vocês gostarão dele, é uma excelente pessoa.
 
Elizabeth fez uma careta para Jane e Charlotte, que entenderam o que se passava na mente dela. Sempre que alguém é apresentado com uma “excelente” qualidade, significa que ou ele é um chato ou é muito feio, alguma coisa “estranha” ele deveria ter. Isso fez com que a curiosidade de Elizabeth aumentasse, porém Charles estava em pé, bem na sua frente, impedindo a sua visão. Pôs-se a observar a reação de Jane e Charlotte, que de onde estavam, tinham uma visão privilegiada. A principio as duas sorriam, porém quanto mais próximo parecia estar o tal amigo, mais a feição das duas mudava e o sorriso sumia de seus lábios. Elizabeth começava a temer o que veria, até que as duas a olharam alarmadas.
 
_ Darcy, quero lhe apresentar minhas novas amigas, Charlotte, Jane e Elizabeth. _ neste momento, Charles abriu espaço para que Lizzy pudesse ver seu amigo.
 
Seus olhares se cruzaram, o silêncio e o espanto pairou no ar, até que Elizabeth quebrou o silêncio.
 
_ Ora, ora. Quem diria? _ sorriu sarcástica.
 
_ Já se conhecem?
 
_ Na verdade, não fui muito feliz em esbarrar com o seu amigo há algumas horas atrás.
 
_ Nos encontramos no saguão de embarque e ... _ tentou explicar Darcy, porém foi interrompido.
 
_ Bem, ele me deixou literalmente a seus pés. _ encarou-o zombeteira.
 
_ Me desculpe ...
 
_ Por favor. _ o interrompeu novamente _ Lembra-se a sua voz, ecoando na minha mente. _ virando-se para Charles _ Charles é um prazer conhecê-lo. _ voltando-se para a irmã e a amiga _ Garotas, vou até a piscina. De repente, deu-me uma vontade louca de mergulhar e me refrescar. Vemos-nos mais tarde. Com licença. _ afastou-se rápida.
 
_ O que deu nela? _ perguntou Charles confuso.
 
_ Talvez, o seu amigo possa lhe explicar. _ respondeu Charlotte, encarando Darcy.
 
_ Vamos, acompanhar Elizabeth, Char. _ pediu Jane, levantando-se.
 
_ Mas ...
 
_ Nos vemos mais tarde, cobraremos a sua oferta de ser nosso guia. _ disse Jane, com seu sorriso angelical, afastando-se em seguida com Charlotte.
 
Charles olhou inquisidor para Darcy.
 
_ Eu a derrubei no saguão de embarque.
 
_ Como?
 
_ Estava com pressa e não sei de onde ela surgiu, quando vi estava no chão.
 
_ Tudo bem, que deve ter sido doloroso, mas ficar com esta raiva toda.
 
_ É que fui grosseiro com ela.
 
_ Você grosseiro? Nunca vi você ser grosseiro com alguém, ainda mais com uma garota. Você não é grosseiro nem com minha irmã e olha que na maioria das vezes, ela merece.
 
_ Charles, você exagera. Também, sei ser grosseiro. Sequer a ajudei a se levantar, nem ao menos pedi desculpas.
 
_ Bem, então você terá que se desculpar. Pois, fiquei muito interessado na amiga dela.
 
_ Você não perde tempo. Qual delas é o seu alvo? _ sorriu, vendo a expressão sonhadora do amigo.
 
_ Jane. A loira com rosto de anjo. É a mulher mais linda que já vi.
 
***~***~***~***~***
 Elizabeth afastou-se tentando compreender, porque estava tão aborrecida. Afinal, ele era apenas um desconhecido, em geral, isso não a afetava, não costumava ser mal educada, mas aquele olhar frio a tirou do sério. Respirou fundo tentando se acalmar, o melhor que poderia fazer era manter distância dele.
 
Desceu até o 6º deck, local onde ficava sua “cabine”, ao entrar viu suas malas no meio do quarto, vasculhou ao redor, encantando-se com tudo, era pequena, porém, aconchegante as janelas em formato circular davam um charme a mais, abriu uma das malas procurando seus trajes de banho, decidindo que deixaria para mais tarde a arrumação de suas roupas. Algum tempo depois Jane e Char apareceram.
 
_ O que deu em você, Lizzy?
 
_ Desculpe, Jane. Mas, quando vi aquele sujeito ... argh ... não consegui me controlar.
 
_ Se você o derrubar, acha que estarão quites?
 
_ Quem sabe, Char. _ riram _ Então, vamos pegar uma cor?
 
_ Claro.
 
_ Vou me vestir e nos encontramos no elevador. _ Char estava em outra cabine.
 
_ Tudo bem.
 
_ Lizzy, você esta bem? _ perguntou Jane, assim que ficaram sozinhas.
 
_ Não se preocupe, Jane. Prometo que vou me comportar. Não vou atrapalhar a sua paquera.
 
_ Sabe que não estou preocupada com isso.
 
_ Eu sei. _ olhou com malicia para a irmã _ Mas, que ele é bonitão?
 
_ É sim. Mas, não acho que ...
 
_ Jane, Jane. Ele não tirou os olhos de você e você tem a minha permissão para se divertir com ele, me pareceu um cara legal.
 
_ Lizzy. _ retrucou com ar reprovador.
 
***~***~***~***~***
 
Na piscina, aproveitaram para relaxar. Logo fizeram amizade com outras pessoas e o incidente com Darcy foi esquecido. Enquanto, Charlotte e Jane estavam na piscina, Elizabeth aproveitou para tomar sol, notou uma garota loira de traços delicados, sentada sozinha, com ar melancólico a duas cadeiras de distância. Como seu espírito era alegre, não conseguia ver ninguém triste ao seu redor, resolveu fazer amizade com a garota.
 
_ Olá! _ disse em tom alto, chamando a atenção dela.
 
_ Oi. _ respondeu timidamente, depois de ter olhado ao redor para certificar-se de que era com ela mesmo que estava falando.
 
_ Sou, Elizabeth.
 
_ Sou Georgiana.
 
_ Que lindo nome. Desculpe, por perguntar. Mas, esta sozinha?
 
_ Estou, não encontrei o meu irmão para me fazer companhia e ninguém mais quis vir à piscina, agora.
 
_ Quer ficar conosco, eu e minhas amigas. _ apontou para Jane e Charlotte que conversavam com o salva-vidas.
 
_ Claro! _ sorriu, aproximando-se.
 
_ Esta com sua família?
 
_ E com alguns amigos.
 
_ Seu irmão deve estar paquerando por aí. Os garotos adoram isso.
 
_ Bem, ele não é tão garoto, tem 28 anos e também não é muito de paquerar, embora esteja solteiro.
 
_ Ah, mas eles nunca deixam de paquerar. _ riu Lizzy _ Vê. _ olhou novamente na direção de Jane e Char que estavam cercadas por mais dois rapazes. _ Georgiana riu.
 
_ É verdade, mas meu irmão é tímido.
 
_ Com 28? Queria ver isso. _ riu _ Não conheço, nenhum homem dessa idade tímido, quando o assunto é mulher.
 
_ Você gostaria do meu irmão. Ele é lindo.
 
_ Hum. Você é uma irmã coruja, pelo visto. _ Lizzy riu do jeito da garota.
 
_ Sou mas ele é realmente lindo. É o que todas dizem. Vou apresentá-lo a você, tenho certeza de que ele vai se interessar por você.
 
_ Por que tem tanta certeza?
 
_ Porque você é linda e muito legal.
 
_ Obrigada. _ sorriu _ Mas, me diga Georgi, você é sempre tão exagerada?
 
_ Não. _ ambas riram.
 
Jane e Charlotte se aproximaram.
 
_ Lizzy, quem é nossa nova amiga? _ perguntou Char.
 
_ Georgiana. Estas são Jane minha irmã e Charlotte nossa amiga.
 
_ Lizzy, você observou o salva-vidas?
 
_ De longe, Char.
 
_ Pois, ele é do jeito que você gosta.
 
_ Do jeito que Lizzy gosta? _ perguntou Georgi.
 
_ Loiro, alto, atlético e totalmente extrovertido, como ela.
 
_ Ah. _ virando-se para Lizzy _ Você gosta de loiros?
 
_ Não é um padrão. Mas, pode-se dizer que é uma preferência.
 
_ Meu irmão é moreno. _ comentou decepcionada.
 
_ Mas, ele é lindo. _ repetiu Lizzy, fazendo-a rir.
 
_ O nome do salva-vidas é George Wickham. _ continuou Char.
 
_ Obrigada, Char. Assim, vou saber por quem chamar, caso me afogue. _ sorriu e piscou para Georgiana _ Não sei vocês, mas estou faminta. Que tal almoçarmos?
 
_ Ótima idéia! _ concordou Jane.
 
_ Georgi, nos dá o prazer da sua companhia?
 
_ Vou tentar falar com meu irmão. _ pegou seu celular, discando, as demais a aguardaram _ Tudo bem. _ sorriu-lhes.
 
O almoço foi divertido, Charlotte continuava impossível, elogiando ora o capitão e ora o salva-vidas. Georgiana, sorria, embora não fosse tão falante, demonstrou estar muito à vontade entre elas. Após o almoço, separaram-se, voltando as suas cabines, para um breve descanso.
 
Elizabeth não queria perder nada e após 20 minutos, estava em pé novamente. Como Jane cochilava, resolveu dar uma volta, para conhecer melhor todas as diversões do navio. Depois de algum tempo, excursionando, decidiu sentar-se e tomar um suco, encontrou um bar, que lembrava um desses barzinhos de beira de praia, inacreditável as coisas que existiam num grande navio. O local não estava muito cheio, Lizzy sentou-se e apreciou a vista marítima, olhou ao redor e observou as pessoas, sua atenção foi chamada para um trio de mulheres elegantemente vestidas, uma senhora de cabelos acinzentados, seu semblante tinha um ar severo e aristocrático; uma moça de cabelos castanhos claros, muito branca e de compleição frágil; a terceira era ruiva, traços finos e elegantes, porém seu ar era esnobe, Lizzy de imediato antipatizou com ela. Lembrou-se das palavras de sua mãe: _ Que tipo de pessoas acredita que irá encontrar? _ Esnobes! _ respondeu mentalmente, sorrindo em seguida. Voltou sua atenção para o mar, quando se virou novamente, a mesa das três mulheres, continha uma figura masculina, que logo foi reconhecida: Darcy. Ele a encarava, instintivamente Elizabeth, virou o rosto, estava prestes a levantar, quando ele a interpelou.
 
_ Posso me sentar? _ sua voz era estranhamente doce.
 
_ Existem outros lugares vagos. _ Elizabeth não daria a chance de ser razoável com ele.
 
_ Por favor. _ não tendo outra alternativa, Elizabeth assentiu com a cabeça _ Obrigado.
 
Olharam-se por alguns segundos, Elizabeth sentiu-se incomodada, com aquele olhar, mas não conseguiu quebrar o contato visual, até que ele quebrou o silêncio.
 
_ Peço desculpas, pelo meu comportamento desta manhã. Acredite, não costumo agir assim.
 
_ Você foi extremamente rude.
 
_ Sei e me envergonho por isso. _ exprimiu sinceridade.
 
_ Tudo bem. _ sorriu-lhe, estendendo-lhe a mão _ Não gosto de ficar aborrecida com alguém. _ o toque de sua mão era macio e forte, uma sensação de calor a invadiu, notou que aquele aperto de mão, demorou um pouco mais do que o normal _ Agora, que esta desculpado, acho que deveria voltar à outra mesa, suas companheiras, não estão muito satisfeitas por ter-se afastado delas.
 
_ Não é necessário que eu volte lá, agora.
 
_ Bem, eu preciso ir. Até mais. _ deixou-o sozinho, na mesa, por algum motivo que não conseguiu entender, o olhar dele a perturbou.
 
***~***~***~***~***
 
O restante da tarde passou sem maiores acontecimentos, a noite jantaram num dos restaurantes mais “popular”, ou seja, mais econômico, tudo era muito caro e a moeda de troca era o dólar. Após, o jantar foram para uma festa para solteiros, Elizabeth não estava nem um pouco satisfeita com isso.
 
_ Char, amanhã eu cuidarei da nossa programação.
 
_ Não te entendo Lizzy, você esta solteira, não sei por que esta tão emburrada?
 
_ Simplesmente, porque ser obrigada a passar a noite com um desconhecido, não é o que considero um programa legal.
 
_ Deixe de bobagem, você vai se divertir. Prometo que se o seu par for muito desagradável, iremos todas embora.
 
_ Ah, fico mais feliz. _ retrucou sarcástica _ Mas, só se ele for “muito” desagradável?
 
_ Você é sempre tão esperta. _ riu Charlotte.
 
Ao entrarem na boate, receberam uma pulseira, após um determinado horário, um sorteio eletrônico escolheria os pares e as pulseiras emitiriam uma luz idêntica ao do parceiro escolhido, quando estivessem próximos. Por isso, Elizabeth não estava contente, ela preferia escolher por si só, aquele com quem dançaria.
 
Sentaram-se no mezanino, de onde estavam tinham uma boa visão da pista de dança. Assim, que se sentaram ouviram uma voz conhecida.
 
_ Boa Noite, garotas! _ cumprimentou Charles, animado _ Podemos nos sentar com vocês? _ Charles estava acompanhado por Darcy.
 
_ Claro! _ respondeu Lizzy, observando o semblante alegre de Jane.
 
_ Não as vimos no jantar.
 
_ Jantamos no “Evita”. _ informou Jane.
 
_ Evita !?! _ repetiu Darcy, com ar esnobe.
 
_ Estão gostando do navio? Aonde ficam suas cabines?
 
_ Deck 6. _ respondeu rapidamente Lizzy, encarando Darcy. Pode-se dizer, que a escala social dentro de um navio, corresponde ao deck em que a pessoa esta alojada, quanto mais baixo for o deck, menor é o valor, portanto, menor é o poder aquisitivo do ocupante _ Vocês estão aonde?
 
_ 10º. _ respondeu Darcy, também a encarando, neste momento, ambos delimitaram uma fronteira entre eles.
 
_ Esnobe. _ sussurrou Lizzy no ouvido de Charlotte, rindo ambas.
 
_ Finalmente, encontrei vocês. _ uma moça ruiva parou aborrecida diante da mesa.
 
_ Não sabia que viria, Caroline.
 
_ Ora, Charles. Você é um péssimo irmão me deixando sozinha.
 
_ Desculpe, sente-se. Deixe-me apresentá-la a nossas amigas, Jane, Elizabeth e Charlotte. Esta é minha irmão Caroline.
 
_ Olá. _ respondeu Caroline, medindo-as e sentando-se ao lado de Darcy, quase em seu colo, o que o fez ficar com uma expressão de descontentamento, fazendo Elizabeth rir.
 
A conversa na mesa, fluiu bem, entre Charles e as três amigas, Darcy e Caroline, permaneceram mudos, exceto nos momentos em que Caroline conversava exclusivamente com este. Charles tirou Jane para dançar. Depois de alguns minutos a pulseira de Elizabeth começou a piscar num tom dourado. Esquecendo-se por completo, o porquê dela estar piscando, levantou o pulso para mostrar a Charlotte, que soltou uma sonora gargalhada.
 
_ O que foi? _ perguntou Lizzy confusa.
 
_ Veja. _ apontou na direção de Darcy.
 
A pulseira dele, também piscava no mesmo tom dourado que a dela, os dois olharam-se surpresos. A pulseira, então, passou a fazer um ruído irritante.
 
_ O que é isso?
 
_ Acho que vocês terão que ficar mais próximos.
 
_ Esta brincando? _ Darcy levantou-se e sentou-se próximo a Elizabeth, as pulseiras pararam de piscar e emitir o som.
 
_ Acho que teremos que passar a noite juntos. _ disse friamente.
 
_ Humhum. _ retrucou Lizzy, evidenciando seu mal humor.
 
_ Bem, com licença. Mas, vou circular, senão corro o risco de passar a noite sentada aqui. _ levantou-se Charlotte, evitando o olhar súplice de Lizzy.
 
Caroline a encarava de forma ameaçadora do outro lado da mesa. Até que sua pulseira piscou e um rapaz moreno fez-la acompanhá-lo a pista de dança.
 
_ Acho, que sua namorada não gostou muito da brincadeira! _ afirmou Lizzy, tentando puxar assunto, já que passaria um bom tempo ao lado de Darcy.
 
_ Caroline, não é minha namorada. _ disse enfático.
 
_ Você dança? _ continuou tentando de algum modo manter uma conversa.
 
_ Só se for obrigado.
 
_ Por quê? Não sabe dançar? _ perguntou incrédula.
 
_ Não me exibo para estranhos. _ continuou em seu tom sério.
 
_ Sinto lhe informar, Sr Darcy. _ levantou-se _ Esta noite, será obrigado. Não vou ficar sentada tentando conversar com o senhor. Se não podemos conversar ao menos podemos dançar. _ pegou na mão dele, fazendo-o levantar-se, não encontrando resistência.
 
Ao chegarem na pista de dança, começou a tocar um mambo, Elizabeth imaginou que sua noite estaria perdida, pois se ele não gostava de dançar, não saberia dançar mambo, mas para sua surpresa ele a surpreendeu dançando até melhor do que ela, era um excelente parceiro de dança. Permaneceram na pista durante horas, dançando todos os estilos que tocava. Não trocaram palavras, de vez em quando Elizabeth o olhava nos olhos, sempre encontrando um olhar frio na sua direção. Quando finalmente sentiu-se cansada, informou ao parceiro, que entrelaçou sua mão com a dela a conduzindo para fora da pista. Ao chegarem a mesa, não encontraram ninguém.
 
_ Estou cansada, vou embora.
 
_ A acompanho.
 
_ Não é necessário.
 
_ Eu insisto.
 
_ Tudo bem.
 
Deixaram a boate ainda de mãos dadas, porém sem trocarem palavras. Elizabeth experimentava uma sensação deliciosa, no toque da mão dele com a sua, por isso, não se importou em continuar da maneira que estava. Chegaram ao hall dos elevadores e Darcy apertou o botão, para chamar o elevador. Elizabeth se postou de frente para ele, buscando o seu olhar, Darcy continuava frio e impenetrável. Fazendo com que Elizabeth se sentisse uma tola, por estar gostando da companhia dele. Retirou sua mão da dele, que a prendeu por um momento, soltando em seguida, desviando o rosto para o elevador. O silêncio a estava oprimindo, até que finalmente as portas do elevador se abriram. Lizzy entrou, Darcy deu um passo para entrar, mas ela o barrou.
 
_ Obrigada. Daqui sigo sozinha. _ apertou o botão para que a porta se fechasse mais rápido, fazendo-o sumir de sua visão.
 
Na cabine, notou que Jane já dormia. Sem fazer muito ruído, tomou uma ducha e deitou-se. Ainda, podia sentir o calor da mão dele na sua e afastando qualquer pensamento que pudesse ter sobre ele, adormeceu.
 
***~***~***~***~***
 Acordou com uma animada Charlotte, cantarolando alegremente e puxando seu lençol.
 
_ Acorde, bela adormecida.
 
_ Char! _ disse sonolenta _ Que horas são?
 
_ Não importa. O sol brilha imponente lá fora e se faz urgente que como suas humildes súditas o prestigiemos. Vamos, vamos, levante-se e se vista.
 
Em trinta minutos as três estavam no elevador, dirigindo-se ao restaurante para o café da manhã. Elizabeth encostou-se na parede do elevador, completamente sonolenta, com um óculos escuro no rosto.
 
_ Jane, quem foi o seu parceiro? _ perguntou Char, animada.
 
_ Vocês não acreditam, Charles. _ respondeu com uma voz feliz.
 
_ Charles !?! _ exclamaram surpresas Char e Lizzy, momentaneamente fora de seu torpor.
 
_ Vocês duas, são mesmo sortudas. _ riu Charlotte.
 
_ Por quê? _ perguntou Jane.
 
_ Lizzy, ficou com o ogro mais bonito que já conhecemos. _ sorriu maliciosa.
 
_ Não “fiquei” com ele, se é o que esta tentando insinuar.
 
_ Lizzy, de nós três, você foi a única que voltou as cinco da manhã.
 
_ Ficamos dançando, nada demais. Não rolou nem selinho.
 
_ Que desperdício. Nem Jane foi tão devagar. _ Jane enrubesceu _ Não adianta disfarçar, dona Jane. Eu vi muito bem.
 
_ Só nos beijamos nada demais. _ as três riram.
 
Continuaram animadas, embora Lizzy mal conseguisse manter os olhos abertos, pois eram 09:00 h e não havia dormido quase nada. Tomaram o café e foram para a piscina, Lizzy escolheu uma espreguiçadeira na sombra, aproveitaria para cochilar um pouquinho, enquanto Jane e Char tomavam sol. Acordou 1 hora depois, novamente com Charlotte a chamando. Decidiu dar um mergulho para afastar o sono, a água fria fez seu efeito. Notou o salva-vidas a observando, com um belo sorriso no rosto, teve que concordar com Charlotte, ele era realmente bonito. Saiu da piscina e resolveu ir ao bar pegar uma água de coco.
 
No bar, próximo a piscina Charles e Darcy conversavam.
 
_ Darcy, minha noite foi maravilhosa. Jane é muito especial.
 
_ Charles, você sempre diz isso.
 
_ Mas, agora é para valer. Nunca encontrei alguém como ela.
 
_ Você só a conhece há um dia, não pode tirar uma conclusão assim tão apressada. Não notou que elas são diferentes.
 
_ Diferentes como?
 
_ Não são do mesmo circulo social que nós.
 
_ Ora, Darcy. Isso não quer dizer nada, você esta sendo preconceituoso. Porque teve uma experiência ruim, não pode generalizar. _ o amigo fez uma careta _ Jane é um anjo, é a mulher mais linda que já conheci.
 
_ Concordo com você é a mulher mais bonita deste navio.
 
_ Mas, a irmã dela não lhe fica atrás.
 
_ Elizabeth? Tolerável.
 
_ Como foi sua noite com ela?
 
_ Normal, nada de especial.
 
_ Juro, jamais serei tão exigente como você.
 
_ Uma água de coco, por favor. _ os dois reconheceram a voz e viraram-se para o lado, surpresos.
 
_ Elizabeth! _ exclamou Charles, gaguejando.
 
_ Olá, Charles! Tudo bem? _ sorriu-lhe _ Como vai, Sr Darcy? _ deu-lhe um sorriso de canto de lábio, medindo-o, o garçom entregou-lhe sua água de coco _ Até mais. _ retirou-se.
 
_ Acha que ela nos ouviu?
 
_ Infelizmente, Charles. Acho que sim. _ respondeu Darcy, com um olhar triste e ao mesmo tempo envergonhado, observando-a se afastar.
 
_ Vocês não acreditam no que acabei de ouvir. _ Elizabeth contou para a irmã e Charlotte, o comentário que ouviu sobre si, num tom de piada, fazendo as outras duas rirem e olharem na direção em que Charles e Darcy encontravam-se.
 
_ Não acredito que ele disse isso. _ comentou Jane, terminando de rir _ Deve haver algum equivoco.
 
_ Jane, não há equívocos. _ sorriu _ Eu o perdoaria facilmente, se o orgulho dele não tivesse ferido o meu. Mas, isso não importa, não nos veremos novamente quando este cruzeiro acabar.
 
_ Enquanto isso, acho que terá que aturá-lo. Veja estão vindo para cá. _ mostrou Charlotte.
 
_ Ah, não Char. Minha cota de Sr Darcy esta se esgotando. Com licença, tem um loiro muito interessante do outro lado, que ainda não conheci. _ levantou-se, mergulhando, saindo do outro lado da piscina.
 
O salva-vidas, aproximou-se dela, não perdendo a oportunidade de se apresentar, ficaram conversando. Do outro lado, Darcy os olhava de modo diferente. O dia passou cheio de atividades, Elizabeth evitou ao máximo ficar na presença de Darcy, embora tenha sido uma tarefa difícil, pois Charles não desgrudou mais de sua irmã. Combinaram que jantariam juntos e elas se prepararam para jantar no restaurante principal. Para sua surpresa sentaram-se na mesa do capitão. Darcy ainda não estava presente. Lizzy ficou mais surpresa ainda quando viu Georgiana, sentada na mesma mesa que ela.
 
_ Lizzy! Que surpresa.
 
_ Georgi. Então, estes são seus parentes?
 
_ Sim, então você conhece meu irmão, Will?
 
_ Will? Não, ainda não o conheci. _ sentou-se próximo a ela e ficaram conversando.
 
_ Não sei se é uma pena. Mas, mesmo assim vou apresentá-los.
 
_ Por quê?
 
_ Acho que meu irmão esta interessado numa garota, com quem dançou na noite passada. Ele não me contou seu nome, mas me disse que foi a noite mais agradável que já teve.
 
_ Sorte a dele, pois a minha noite não foi tão agradável.
 
_ Por quê?
 
_ Dancei com um chato a noite toda. _ riu com uma careta.
 
Darcy chegou acompanhado pela senhora de cabelos cinza, ao ver Elizabeth e Georgiana, conversando não conseguiu esconder seu espanto.
 
_ Meu irmão chegou.
 
_ Onde? _ via somente Darcy, que acabara de chegar a mesa.
 
_ Ora, Lizzy. Você às vezes é tão engraçada. Will! _ chamou num tom um pouco mais alto _ Quero lhe apresentar minha amiga, Elizabeth. _ Darcy se aproximou.
 
_ Já nos conhecemos, Georgiana.
 
_ Já, mas Lizzy disse ...
 
_ É que o conheci por Darcy e não por Will.
 
_ Então, você é a famosa Elizabeth? _ perguntou a senhora do outro lado da mesa.
 
_ Famosa, não sei. Mas, sou Elizabeth, prazer.
 
_ Catherine DeBourgh e esta é minha filha Anne. _ mediu Elizabeth _ Meus sobrinhos não param de falar em você. _ Lizzy olhou para Darcy que aparentemente, não ouvira o que disse a tia. _ O que faz Elizabeth?
 
_ Trabalho numa agencia de viagens.
 
_ Interessante.
 
A atenção foi desviada, para o capitão FitzWilliam que acabara de sentar-se a mesa, apresentou-se as três amigas, monopolizando a atenção delas, sua conversa era animada e interessante. Terminado o jantar, ele tirou Elizabeth para dançar em seguida Charlotte. Lizzy e Darcy não voltaram a conversar. Ficaram um pouco mais no restaurante e após, cada grupo dirigiu-se para outros locais do navio. Elizabeth estava sentindo-se indisposta pela noite mal dormida e recolheu-se cedo.
 
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Os dias que se seguiram foram quase uma repetição dos primeiros, a não ser por mudarem algumas atividades, participando de aulas de dança e jogos. Invariavelmente, Charles e Darcy eram uma presença constante e agora, Georgiana também, o que foi certo alivio para Lizzy, pois sua antipatia pelo irmão, não diminuiu a simpatia crescente que sentia pela garota. Elizabeth notou certa mudança nas atitudes de Darcy, aquele distanciamento e frieza dos primeiros dias, haviam quase desaparecido, ele até sorria com certa constância, concluiu que isso se devia pela intimidade que o grupo criou, passando até a considerá-lo bonito.
 
Na quinta-feira, Georgiana quis mostrar a Lizzy o vestido que usaria na noite de Ano Novo. Lizzy a acompanhou até a cabine e ficou encantada, era completamente diferente, da que ocupava, além do quarto, havia sala e até uma varanda. Enquanto, Georgiana foi buscar seu vestido, Elizabeth foi até a varanda. Ouviu o som de uma porta se fechar e voltou para a sala.
 
_ Georgi, é muito linda a sua ... _ parou a frase, dando de cara com um Darcy, estático _ O-lá. _ sem entender porque gaguejou, o vendo ali parado, parecia-lhe tão lindo.
 
_ O que faz aqui? _ perguntou serenamente.
 
_ Georgiana, quer me mostrar seu vestido. Desculpe, se invadi sua cabine. _ respondeu encabulada.
 
_ Não, desculpe. Não foi isso que quis dizer. _ aproximou-se _ Elizabeth, eu gostaria de ... _ foi interrompido pela chegada de Georgiana.
 
_ Lizzy, veja! Ah, oi Will. _ sorriu vendo os dois tão próximos.
 
_ Com licença. _ Darcy, saiu rapidamente como se estivesse fugindo de algo, naquele dia Elizabeth não mais o viu.
 
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A sexta-feira, véspera do Ano Novo, finalmente chegou, estavam todos empolgados para a festa da noite. O dia passou voando e mais uma vez Elizabeth não vira Darcy. A tarde, quando estava sozinha em sua cabine, recebeu uma visita inusitada.
 
_ Sra. Catherine !?!
 
_ Posso entrar?
 
_ Por favor. _ a senhora, entrou com sua habitual imponência, medindo tudo o que passava pelo seu olhar.
 
_ Pequeno. _ voltou-se para encarar Elizabeth.
 
_ Por favor, sente-se.
 
_ Não é necessário, serei breve. Acredito que saiba o porquê de minha visita?
 
_ Na verdade não faço a menor idéia.
 
_ Percebi suas intenções para com o meu sobrinho.
 
_ Minhas intenções?
 
_ Não se faça de desentendida, conheço muito bem o seu tipo. Sei muito bem, que esta tentando enredar meu sobrinho. Mas, saiba que não vou permitir.
 
_ Não sei o quanto o seu sobrinho permite que a senhora se intrometa nos seus assuntos. Mas, eu não permito que a senhora venha aqui, e se intrometa nos meus e me faça insinuações.
 
_ Insinuações? Então, você e meu sobrinho não tem nada um com o outro.
 
Neste momento, Elizabeth queria mentir, somente para afrontar aquela impertinente mulher, mas não conseguia fazer isso.
 
_ Não. _ respondeu por fim.
 
_ Promete, que jamais se envolverá com ele?
 
_ Não farei nenhuma promessa dessa espécie.
 
_ Garota, leviana. Envergonho-me da sua atitude.
 
_ A senhora já me insultou de todas as formas cabíveis. Por favor, retire-se.
 
_ Nunca fui tão ultrajada. _ cruzou a porta, encarando mais uma vez Elizabeth _ Não pense que esta afronta ficará assim.
 
Elizabeth fechou a porta e atirou-se a cama. Uma dor de cabeça torturante a dominou. Em vão, Jane e Charlotte tentaram tirá-la da cabine, durante aquela tarde. Somente a noite, Elizabeth sentiu-se mais disposta e concluiu de que nada lhe serviria passar a noite de Ano Novo, sozinha ali, toda aquela discussão não passava de uma maluquice daquela senhora. Darcy jamais a olhara com interesse, não havia sentido algum no pedido de sua tia.
 
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A decoração do restaurante, tornou o clima da noite especial, as pessoas em sua maioria vestidas de branco, conversavam animadas e sorridentes. O jantar estava impecável, mas desta vez elas não se sentaram na mesa da família de Darcy, preferiram ficar numa mesa somente delas. Elizabeth podia ver Darcy de onde estava e apesar de ele estar com um semblante preocupado, sorria-lhe ternamente. Após, a refeição, todos foram convidados para dirigirem-se a parte externa do navio, com o intuito de ver os fogos da noite. Elizabeth e Charlotte, saíram na frente, Jane ficara para acompanhar Charles. Logo elas se misturaram na multidão e Lizzy perdeu Charlotte de vista, ao que parecia estaria sozinha na virada. Não se preocupou em procurá-la, subiu um deck, a iluminação era fraca e estava vazio, todos estavam no deck abaixo, preferiu ficar ali e observar a movimentação, faltavam pouco mais de dez minutos para a meia noite.
 
_ Elizabeth! _ sobressaltou-se.
 
_ Darcy! Não ouvi você se aproximar.
 
_ Você esta bem?
 
_ Sim.
 
_ Soube que não se sentiu bem esta tarde.
 
_Foi somente uma indisposição passageira.
 
_ Espero que minha tia não tenha sido a causa da sua indisposição.
 
_ Sua tia?
 
_ Peço, desculpas por qualquer ofensa que ela tenha lhe feito.
 
_ Esta tudo bem. Nada do que ela me disse faz sentido. _ virou-se encabulada e voltou a olhar as pessoas abaixo, Darcy aproximou-se mais.
 
_ O que ela disse realmente não tem sentido algum. Mas, o que você disse, fez todo sentido para mim.
 
_ Como? _ encarou-o, ele realmente estava muito próximo, Elizabeth podia sentir seu perfume.
 
_ Elizabeth, desde o momento em que meus olhos cruzaram com os seus, você enfeitiçou o meu corpo e a minh’alma. Eu a amo. Não posso e não quero guardar este sentimento só para mim. Mas, uma palavra sua e me silenciarei para sempre. _ fez uma pausa, como se esperasse pela resposta, Elizabeth apenas lhe sorriu _ Porém, se seus sentimentos forem semelhantes aos meus, saiba que fará de mim, o homem mais feliz do mundo e eu farei o possível e o impossível, para que você só tenha motivos para sorrir.
 
_ Então, seremos irremediavelmente felizes e sorridentes. _ a contagem da passagem do ano, fazia-se ao longe _ Eu te amo. _ Darcy a puxou para si, beijando-lhe avidamente os lábios, ao fundo os fogos de artifício brindavam mais um novo ano que se iniciava e o inicio de um amor verdadeiro e forte, capaz de perdurar pelos séculos.
 
***~***~ FIM ~***~***