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Namoro de Férias - Cap 12

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

- Quem é ele, Elisa?

- Um primo que não via há tempos. É arquiteto e está aqui a trabalho.

Charlotte acompanhou Collins com um olhar apreciativo enquanto ele se afastava.

- Não é de se jogar fora...

- Só não a aconselho dançar com ele. Meus pés ainda estão reclamando. – Elisa respondeu bem-humorada.

- Ele é solteiro?

- Você está mesmo interessada nele?

- Por que não? Cavalheiros em cavalos brancos só existem nos contos de fada, amiga.  

- Prefiro ser um pouco menos realista quando se trata de relacionamentos.

- Lizzy, acho que você ainda acredita que o seu amor vai chegar galantemente montado em seu corcel para resgatá-la da torre.  Eu prefiro um homem comu, de preferência disposto a ser um marido fiel.

 

Ambas ainda riam dos próprios comentários quando Collins retornou e convidou Charlotte para dançar. Enquanto examinava a multidão em busca de um rosto conhecido Elisa foi surpreendida por uma voz familiar:

 

- Enfim a encontro sozinha. Normalmente há sempre alguém ao seu lado: George, Fitzwilliam e agora Collins.

Era Guilherme Darcy, desta vez descontraído e quase sorridente.

- Collins? Você o conhece? – foi a única coisa que ocorreu a Elisa para lhe responder.

- Ele trabalha para a empresa De Bourgh, e temos alguns projetos em parceria.

- Mundo pequeno. Ou não foi por acaso que o encontrou por aqui?

Elisa não conseguia baixar a guarda perto de Darcy devido à constante frequência com que haviam discutido desde o primeiro instante em que se conheceram.  Mas ele parecia estranhamente amistoso e acessível naquela noite.

- Foi só uma coincidência. Na verdade não sabia que a De Bourgh tinha algum projeto nesta região.

Começou a tocar uma música irresistível e Elisa desejou muito dançar, mesmo que fosse com ele. Darcy pareceu ler seus pensamentos e a chamou.

 

Sugestão de trilha sonora
{denvideo http://www.youtube.com/watch?v=EgEq6NcIIeI&feature=related}

 

Como da última vez em que se tocaram ela estremeceu. Apenas dançaram por algum tempo até que ela resolveu quebrar o silêncio:

- Que tipo de planos a De Bourgh poderia ter aqui?

- Não sei. Mas quando voltar vou perguntar à minha tia.

- Tia?

- Sim, Catherine De Bourgh, a presidente do grupo.

- E que tipo de negócios você faria em Alta Serra se surgisse a oportunidade?

- Qualquer coisa que não estragasse a magia deste lugar.

Ele a olhou no fundo dos olhos e seus braços a abraçaram com força, passando a conduzi-la com mais firmeza do que antes. Porém, seu rosto estava relaxado e ele sorria sedutoramente.

- Não foi o que eu soube. - respondeu ela.

- Seja o que for que tenham dito sobre mim, não acredite.

- Se refere a George?

- George Wickham? – A voz dele parecia fuzilar cada letra do nome dele – Acho que você ainda não conhece bem.  Ele é tão rápido para fazer amizades como para perdê-las.

- Acha justo tanto ressentimento em relação a ele?

- Preferiria não falar deste assunto esta noite, Elisa.

Era estranho ouvir seu nome pronunciado por ele de forma tão doce. Mas a menção a George fizera a face dele contrair-se de tensão novamente.

- O que conversamos então, sobre o tamanho da praça ou vamos calcular o número de pessoas presentes?

- Costuma falar sem parar sempre que dança?

- Não, prefiro ser pouco sociável e não dizer nada. – Elisa ironizou – É mais agradável, não acha?

Na verdade ela falava muito sempre que estava nervosa, mas não diria isso a ele agora.

- Claro. Mas não é a única coisa que podemos fazer...

Dizendo isso ele aproximou lentamente seus lábios dos dela e os tocou suavemente antes de explorar demoradamente sua boca.  Ela correspondeu experimentando em todo o seu corpo reações que nunca havia sentido antes. Quando o beijo terminou decidiu apenas fechar os olhos e permanecer em silêncio o restante da música.

 

Enquanto isso, Joana também dançava com Bingley a quem havia apresentado os pais e irmãs.  As irmãs de Carlos chegariam mais tarde.  Quando o casal se afastou, Fanny comentou com o marido que a coisa parecia estar ficando séria e que fazia muito gosto no relacionamento dos dois porque afinal ele parecia ser mesmo um ótimo rapaz, ao que o Sr. Bennet respondeu com um conciso: “Sim, querida.” Lídia examinava em derredor procurando por aquele que ocupava seus pensamentos com mais frequência ultimamente.  Por que ele não chegara ainda?  George disse que viria, e ela esperaria uma eternidade se fosse preciso para estar com ele.

 

A irmã caçula, Catarina, já havia se juntado a um grupo de amigas enquanto Maria permanecia ao lado dos pais.  Diga-se em seu favor que ela não era menos atraente que as irmãs, apenas seu temperamento mais retraído a afastava um pouco do convívio social, especialmente agora, quando tudo que pensava fazer era passar no vestibular. Mas nesta noite ela resolvera interromper seu incansável programa de estudos para se divertir um pouco.

 

Collins dançava mais uma vez com Charlotte, confirmando as expectativas iniciais da conversa das duas no início da noite, quando ele avistou Darcy dançando com Lizzy e aproximou-se do casal.

 

- Sr. Guilherme Darcy, que bom encontrá-lo por aqui.

Se Darcy pudesse fulminaria Collins com seu olhar naquele momento! Conseguira ficar a sós de novo com Elisa e quando  tomava coragem para uma conversa mais pessoal com ela depois de beija-la, era interrompido.

 

O que poderia fazer? Se reagisse mal, ele sabia que estaria mais uma vez sendo rebaixado no conceito de Lizzy como um homem grosseiro.  Então respondeu educadamente:

 

- Prazer em vê-lo, Collins.

Ainda dançando, o arquiteto continuou a conversa, sem perceber a contrariedade disfarçada pelo seu interlocutor. Precisava falar alto para se fazer ouvir por cima do ruído da música, mas mesmo assim não desistiu.

- Gostaria de poder agendar um encontro para lhe falar do projeto em que estou trabalhando para a De Bourgh.  Certamente vai se interessar.

- Collins, não deve ser o seu caso, mas eu estou em férias. – A música estava perto de acabar e ele não se afastava, mas Darcy conseguiu continuar se controlando.

- Sim, Sr. Darcy.  Será rápido.  Se mudar de idéia, estou hospedado no hotel dos pais da Srta. Elisa, Fazenda Inglesa. Até logo, e mais uma vez prazer em vê-lo.

- Farei contato.

Enquanto durou este diálogo, Charlotte e Elisa permaneceram nos braços dos respectivos parceiros trocando olhares significativos que só as duas entenderam o que queriam dizer.  Charlotte estendeu o queixo levemente para Darcy dando a entender que afinal Elisa estava muito bem acompanhada, pois se ele não tinha um comportamento muito cordial, era um homem muito atraente.  Elisa inclinou a cabeça na direção de Collins, aludindo à conversa que haviam mantido.

 

Quando ambos os casais se afastaram um do outro, a música que estavam dançando terminou e a banda fez um intervalo, como o parceiro de Elisa temia.

- Muito obrigada pela companhia, Sr. Darcy.

- O prazer foi meu, Srta. Bennet. Não gostaria de dançar novamente quando o intervalo acabar?

- Primeiro vou avisar meus pais onde estou, nos separamos desde que chegamos e preciso combinar a hora de ir embora por causa do carro.

- Eu posso levá-la. Não se preocupe.

Ele estava tentando seduzi-la? Era isso mesmo? Devia haver algum engano, depois do tanto que haviam discutido. Ou seria apenas um capricho da parte dele para provar que poderia conquistá-la se quisesse?  Ficar ao lado dele do jeito que ela se sentia quando ele a tocava era brincar com fogo. Ou mais do que isso, pensou Elisa, era risco de explosão.  E ela resolveu não correr estes perigos para não se arrepender mais tarde:

 

- Muito obrigada, nos vemos depois.

E se afastou deixando um homem desapontado atrás dela.  Para aumentar a decepção dele, ao caminhar em meio à multidão, ainda observada por Darcy, encontrou-se com George que a saudou com um abraço e beijos no rosto.  Decididamente as coisas não estavam correndo a seu favor neste dia, pensou Guilherme. Sentindo todo o seu auto-controle esvair-se em um segundo, resolveu ir ao encalço de Elisa para afastar aquele crápula de perto dela de uma vez por todas.  Ao aproximar-se dos dois, bateu com a mão direita no ombro de George, que virou-se surpreso:

 

- Wickham, preciso falar com você.

- Dá pra ser depois, Darcy? Não sei se você percebeu, mas estamos em uma festa.

- Não posso esperar e você sabe muito bem disso. – O cinismo dele fazia o estômago de Darcy dar voltas.

- Então está bem, pode ser agora.

Elisa assistia aos dois, percebendo que ignoravam a sua presença.  O que Darcy poderia estar pretendendo?

- Em particular, Wickham.

- Não há nada que não possamos dizer na frente de Elisa. – respondeu George buscando-a como aliada. - Ou há algo que precise esconder dela?

 

Um, dois, três, quatro, cinco, seis... Darcy tentava contar até dez para não perder o controle de uma vez por todas. Mas não conseguiu. Sua mão direita foi mais rápida que seu cérebro e deu um tremendo soco no rosto de George Wickham que caiu sangrando pelo canto esquerdo da boca. As pessoas ao redor se afastaram assustadas. Elisa instintivamente amparou George, que se desvencilhou rapidamente dela e tentou reagir ao ataque de Darcy atracando-se com ele, inutilmente, pois seu oponente era maior, mais forte e mais rápido.  Darcy o imobilizou e deu outro soco, desta vez no estômago. George se dobrou com um gemido de dor.

 

A esta altura um tumulto se armara a volta deles e três homens se aproximaram de Darcy para imobilizá-lo. Darcy foi se dando conta do que acontecia e sua consciência momentaneamente embotada retornou fazendo com que resolvesse parar. Afinal, George fora castigado, embora isso fosse muito pouco para o que ele merecia.  Estava caído ao chão, quase desmaiado com Elisa ao seu lado tentando reanimá-lo. Darcy respirou fundo para pensar com clareza e percebeu que ela o olhava com ar reprovador.  Ela estava ao lado dele! Claro, não sabia o tipo baixo que ele era.  Mas não adiantaria avisá-la, depois do que havia acontecido ela certamente acharia que ele estava errado de qualquer modo.   Mas pelo menos Wickham pensaria duas vezes antes de tentar qualquer coisa com ela.