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Namoro de Férias - Cap 13

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias


Elisa afastou-se um pouco para falar com Joana.

- Lizzy, o que foi que aconteceu?

- Nem sei direito.  Foi tudo muito rápido. Eu havia dançado com Darcy e depois que nos despedimos ele voltou e queria falar com George.  Como ele não quis sair para conversarem em particular, Darcy deu um soco e depois outro nele. 

- Mas eles se conhecem?

Elisa passou a relatar a versão de George para o desentendimento entre eles.

- Meus Deus, será possível? Darcy pode ser muito fechado e mesmo prepotente, mas não me parece ser desonesto como esta história faz supor. Nem covarde como se poderia pensar pelo que vimos aqui.  Seria bom ouvir o lado dele da história.

- Joana, você acredita que todo mundo é bonzinho.  Dá pra perceber pelo temperamento descontrolado de Darcy o restante de sua personalidade, o que só confirma a história de George. Venha, vamos avisar nossos pais desta confusão antes que saibam por outros e fiquem preocupados. Depois você volta para o seu príncipe encantado.

 

***

Após o incidente com George, não restava a Darcy nada mais a fazer a não ser ir embora da festa, o que fez sozinho, contra os conselhos de Bingley.

- Estou bem, Carlos.  Fique tranqüilo e aproveite os sorrisos de sua namorada.  Eu volto para casa.

 

As mulheres eram muito estranhas, pensou Darcy. Como Georgiana, por exemplo, fora se deixar seduzir por aquele cafajeste do Wickham? Estavam no século XXI, e ele não se iludia quanto à perspectiva da irmã ter tanta liberdade em seus relacionamentos quanto ele uma vez que fosse adulta. Mas as emoções e inexperiência dela permitiram que o amigo de infância a envolvesse no que certamente esperava ser o golpe da vida dele ao casar-se com ela. Quando ele descobriu que não compartilharia livremente de seus bens, que eram geridos por um fundo controlado pelo irmão, a abandonou.  Darcy a apoiara e compreendera, sem julgar suas atitudes, mas ficara indignado com ele.

 

Wickham sabia com qual adversário estava lidando.  Ele o conhecia muito melhor do que Georgiana e seria capaz de esmagá-lo como uma aranha.    Assustado com as conseqüências de seu malfadado plano, resolvera fugir sem maiores escrúpulos.   Mas Georgiana estava grávida e sofreu um aborto espontâneo aos quatro meses de gravidez. Os acontecimentos a fizeram entrar numa depressão que durou meses. 

 

Agora tudo estava bem e ela retomara sua vida normal, certamente mais amadurecida do que antes.  Darcy não revelara as verdadeiras intenções de Wickham para que ela não sofresse mais ainda.  Mas aguardara determinado o dia em que encontraria o cafajeste para ajustar contas com ele. Ainda bem que ela não o acompanhara na viagem porque seguira para outro destino com pessoas de seu próprio círculo de relações na faculdade que retomara, Mas eles se comunicavam diariamente. 

 

Darcy nutria pela irmã um sentimento paternal, pois haviam perdido os pais quando ela era ainda bem mais jovem que ele. Decidira morar sozinha quando começara a faculdade, embora bem próxima de Darcy, para que ele tivesse mais liberdade para viver sua própria vida.  Ela sabia que sob aquela capa de empresário bem sucedido havia apenas um homem sincero e afetuoso e se preocupava que ele trabalhasse demais e que tivesse uma vida muito solitária, desejando que encontrasse alguém a quem realmente amasse.

 

Mas eram poucas as namoradas que ele lhe apresentara e elas rapidamente pareciam desvanecer no ar, apesar das esporádicas trocas de acompanhante.  Ele não se fixava a ninguém, e seu temperamento reservado fazia com que tivesse poucas amizades, não obstante os muito conhecidos.  Mas uma coisa não se podia negar, era um amigo verdadeiramente fiel para os poucos que compartilhavam de seu círculo mais íntimo de relações.

 

Sugestão de trilha sonora:
{denvideo http://www.youtube.com/watch?v=qassrYWbFnM}


Os Bennet ainda permaneceram por mais tempo no baile público. Elisa tentou se esquecer do que havia acontecido, conversando e dançando com outras pessoas, sem sucesso. George se recuperou o suficiente dos punhos de Darcy para dançar com Lídia várias vezes. As irmãs de Bingley chegaram e mesmo lamentando o incidente com Darcy decidiram ficar, embora Carolina manifestasse o desejo de voltar para casa mais cedo.  Carlos tomava coragem para certificar-se dos sentimentos de Joana uma vez que faltavam poucos dias para partir.  Quando estavam dançando, após um beijo apaixonado, perguntou-lhe:

 

- Joana, o que vamos fazer quando eu for embora?

- Não sei o que posso responder a esta pergunta... – Ela na verdade imaginava que deveria ser ele mesmo a respondê-la.

- Quero dizer, o que estamos sentindo um pelo outro... o que você... – Ele parou para tomar fôlego.

- O que eu...? – Ela queria que ele continuasse, como o coração batendo ainda mais forte.

- Como você está... vendo nosso relacionamento?

Joana pensou em dizer que estava apaixonada por ele.  Mas teve medo de afastá-lo se o confessasse. Assim preferiu ser mais sutil.

- Acho que estamos nos dando muito bem.

- E...?

- E acho que podemos continuar o que começamos de alguma forma, Carlos.

 

Ele não sabia como era difícil para ela abordar questões sentimentais.  Especialmente neste caso sentia-se insegura em relação ao que ele pudesse propor.   Quanto a Bingley, igualmente tímido, a resposta não era o que ele esperava.  Ele a amava, agora tinha certeza e ela dizia apenas que estavam se dando bem? Talvez os sentimentos dela não tivessem a mesma intensidade dos seus.  Uma ruptura invisível ocorreu entre os dois naquele momento, apenas percebida por Carlos com clareza.