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Namoro de Férias - Cap 14

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

No dia seguinte à festa, Darcy resolveu encerrar suas férias em Alta Serra. Bingley e suas irmãs o seguiram dias depois, deixando o Castelinho vazio novamente.  Carlos não procurou Joana pessoalmente para se despedir, apenas telefonou avisando que precisaria partir com urgência e que manteria contato assim que pudesse.

 

Lamentavelmente ele não o fez, nem no dia seguinte nem depois. Elisa acompanhou e sofreu o drama silencioso da irmã querida, mesmo que ela não falasse muito de seus sentimentos e preferisse dizer que a história com Bingley não fora tão importante assim. Mas lágrimas furtivas surgiam no rosto dela várias vezes durante os dias que se seguiram. O que teria acontecido para ele desaparecer da vida dela dessa forma? Parecia tão apaixonado, na verdade parecia mais apaixonado que a própria Joana.  Seria esse o problema? Mas se ele realmente a amasse deveria ter percebido a dificuldade dela em expressar seus próprios sentimentos.  Todavia estas especulações eram inúteis.  Se ele não a procurava não gostava dela de verdade, e portanto não a merecia. Melhor mesmo esquecê-lo o quanto antes.

 

Além de Joana, havia uma outra pessoa com saudades: Lídia ainda suspirava por George semanas depois dele ir embora.  Seus sentimentos eram alimentados por freqüentes conversas pela internet.  Ele dizia que não a esqueceria e que tornariam a se encontrar e ela ansiava para que esse dia chegasse logo, mas não confidenciava estas conversas a ninguém, pois sabia que Lizzy discordava deste relacionamento e poderia atrapalhar. Além do mais a atitude de Darcy para com ele o colocara sob suspeita diante de seus pais, muito embora ele lhes dissesse que era completamente inocente, culpando excusivamente Darcy como responsável pelo incidente, no que ela acreditara piamente.

 

Planejava encontrar-se com ele sem ninguém saber, pois se pedisse aos pais eles certamente não permitiriam.  Chegava a hora de ter alguma aventura em sua vida e para isso juntava secretamente dinheiro para a viagem.  Ele lhe dera seu endereço na capital e ela esperaria a hora certa para procurá-lo.  Apenas a Catarina confidenciava seus sentimentos e desejos e embora a irmã caçula ponderasse que não deveria esconder isso de todos, entendia e respeitava seu segredo.

 

Collins permanecera em Alta Serra trabalhando no projeto da De Bourgh e seus encontros com Charlotte eram cada vez mais freqüentes.  O sapo se transformara em príncipe, pensou Elisa.  Mas ficou satisfeita em ver Charlotte feliz.  Collins que praticamente residia na Fazenda Inglesa durante este período, também estava cada vez mais alegre.  A monotonia de sua vida fora preenchida pelas cores trazidas pela meiga namorada. O problema dele era mesmo solidão,

 

E Elisa? Bem, não conseguia esquecer o beijo que Darcy lhe dera, por mais que tentasse.  Parecia que havia marcado sua boca como ferro em brasa. Mas era inútil, provavelmente nunca mais o veria, principalmente agora que Bingley, seu melhor amigo, também não tinha contato com Joana. Procurava racionalizar o que sentia. Afinal fora só um beijo, e hoje em dia mesmo quando acontecia algo mais isso representava muito pouco para a maioria das pessoas. Ele tinha uma personalidade complexa, uma hora frio e outra hora afetuoso, o orgulho misturado à teimosia.  Não parecia haver futuro ali de qualquer maneira. 

 

Mesmo assim se flagrava constantemente pensando nele.  Seus olhos azuis escuros, seu cheiro, sua pele quente. Era pura atração sexual, pensava. Mas nunca se sentira assim em relação a ninguém.  Ao ter contato com sua personalidade independente e extrovertida poucos imaginavam que aos vinte anos Lizzy ainda era virgem, praticamente uma exceção entre as mulheres de sua idade.  Não por falta de oportunidade ou para guardar-se para seu casamento. Ocorre que não concebia este ato como algo banal como via acontecer com a maioria de suas amigas, pulando de um relacionamento para o outro.  Ela imaginava alguém especial para ter sua primeira vez. Sexo era algo muito importante para ser desperdiçado com quem não a merecesse, apenas para satisfazer seus corpos.  O encontro emocional devia preceder o físico, pelo menos era assim que esperava que fosse.  E enquanto isso não acontecia, aguardava pacientemente a hora certa chegar.  Estava certa de que reconheceria a pessoa e o momento adequados.    

 

E por sinal Darcy possivelmente não teria sido esta opção.  Primeiramente porque não se entendiam bem a nível emocional.  E depois ele provavelmente estava apenas em busca de um relacionamento eventual com ela naquela noite. Certamente mudara sua abordagem com ela por que se interessara sexualmente.  Não se arrependera de não ter cedido, mesmo sendo ele tão sedutor, o que só aumentava as suspeitas de que estivesse acostumado a fazer isso com muita freqüência. Pronto, ele não saia de novo da sua cabeça.  Esperava que isso acabasse quando retornasse à faculdade, pois teria muitas coisas a fazer e precisaria se empenhar para conseguir um estágio.

 

Fanny Bennet por sua vez observava os sentimentos das filhas, mas preferia não interferir.  Apenas acompanhava silenciosamente a reação de cada uma e examinava e comparava os fatos de que era conhecedora.  Tivera uma péssima impressão de Darcy, especialmente depois do ataque à George na festa.  Ainda bem que não se envolvera com Lizzy, pensou.  Lamentava que Collins não se entendesse com Elisa.  Mas Charlotte Lucas embora não fosse bonita era uma excelente moça e merecia um bom marido.  

 

George, embora muito simpático, agradável e tudo o mais, era bem mais velho que Lídia, o que desaconselhava qualquer relacionamento entre eles.  Ainda bem que partira sem que nada mais sério houvesse entre eles.  Parecia estar tudo terminado. Mas quem lhe preocupava mesmo era Joana.  Conhecia a profundidade e delicadeza de sentimentos de sua filha mais velha.  E sabia o quanto ela estava magoada, embora não o confessasse a ninguém.  Seu coração de mãe se ressentia por ela, mas sua experiência lhe dizia que o tempo e a distância eram os melhores remédios para este tipo de dor.  Sua intuição lhe dizia que Bingley era um homem de boa índole e que ele estivera realmente apaixonado por ela.  Mas o amor é complexo e sujeito a muitas variações.   Quem sabe não desejasse nenhum compromisso e por isso mesmo houvesse se afastado?  Faria o que pudesse para que suas filhas fossem felizes, mas neste caso não parecia haver nada mais a fazer do que esperar que as coisas se acertassem por si mesmas. Namoros de férias. Não seriam os primeiros nem os últimos a terminarem com o final do verão.  

 

Mas fora em um deles que conhecera o Sr. Bennet.  Thomas sempre fora um homem bonito. E Fanny não ficava atrás.  Ambos se conheceram em uma viagem de verão e foi amor à primeira vista da parte dela, embora ele ainda não se desse conta de sua presença.  Precisou usar todo seu charme para se aproximar dele.  Mas depois disso fora fisgado definitivamente.  Após se formarem, resolveram se casar e depois de tentarem se estabelecer na metrópole por algum tempo, decidiram se mudar para Alta Serra depois das duas filhas mais velhas nasceram.

 

Sempre havia desejado uma família grande, como a que fora criada, com muitos irmãs e irmãos e muito movimento dentro de casa.  E isso dificilmente seria possível se permanecesse trabalhando fora no ritmo da capital.  Juntaram suas economias e assumiram a casa dos pais de Thomas, que por sua vez se mudaram para uma casa menor que exigisse menos cuidados da parte deles.   

 

Depois desses anos, contemplava sua casa e sua família e se sentia realizada. Mas só coroaria sua vida familiar de êxito quando as filhas estivessem encaminhadas tanto a nível profissional como pessoal.  E por enquanto este último item estava um pouco difícil.  Mas consolou-se lembrando que nesta geração a maioria só se casava pelos trinta anos ou mais.  Precisava se adaptar. Entretanto tudo que desejava para as filhas é que fossem tão felizes em seus casamentos como fora durante todo este tempo ao lado de Thomas. Pensando nisso, inclinou-se para o lado e deu um beijo no marido adormecido ao seu lado, acordando-o para mais um dia.