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Namoro de Férias - Cap 18

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

- Você gosta muito disso tudo, não é?

- Disso tudo o quê?

- Dessa natureza maravilhosa, de seu trabalho.

- Sim.  Sempre quis fazer isso, desde criança.

- Por isso era monitora ambiental em Alta Serra.

- Você se lembra desse detalhe... Pois é.

- Imagino que prefira ficar mais perto de sua família depois de se formar...

- Não sei ao certo.  Não há muito campo para o que pretendo fazer lá.

- Meu trabalho não me permite usufruir dessa qualidade de vida com tanta freqüência como gostaria. Sou obrigado a passar a maior parte do tempo em grandes cidades quer queira, quer não. Por isso estou aproveitando para juntar o útil ao agradável.

- A propósito – Elisa achou que a ocasião estava propícia para que ela fizesse um questionamento que a preocupava. - Não acha que o resort possa descaracterizar muito a área? Afinal o acesso à reserva passaria a ser apenas para quem pudessem pagar por este luxo. Ou estou enganada?

- Talvez seja exatamente a única forma de preservar este lugar: destinar uma parte para os milionários para manter o restante intocado. Precisamos ser realistas, Elisa.

 

Continuava sendo estranho ouvi-lo dizer seu nome desse jeito tão suave, pensou ela.

- Mas este discurso é meio ecochato, não concorda? Vamos parar de falar de trabalho.

 

Ambos sorriram um para o outro, surgindo uma sensação de intimidade entre eles como nunca houvera antes desde que se conheceram. Isso aliviou a tensão que Darcy sempre sentia ao lado dela e ele começou a ter certeza de que não se enganara ao achar que o fim de semana poderia ser muito agradável.

 

Chegaram ainda com luz do dia, e Elisa pode contemplar a confortável e charmosa casa que ele possuía na Praia da Ferradura. A grande piscina se confundia com a linha do horizonte e tanto a arquitetura como a decoração eram despojadas e elegantes.  Na espaçosa sala de estar um grande piano Steinway dominava o ambiente.

 

Georgiana correu para abraçar o irmão que parecia não ver há algum tempo. Ele deu um grande sorriso e Elisa pensou em como deveriam ser unidos. Depois disso, a irmã caçula de Darcy veio saudá-la afavelmente. Era meiga e de porte delicado, embora se pudesse perceber que também fora forjada na mesma têmpera que o irmão pela firmeza no olhar.  Seu tipo físico por outro lado diferia bastante de Darcy: de cabelos castanhos claros, olhos verdes e pele bem clara, tinha um talhe esbelto e não era muito alta. 

 

- Elisa Bennet? Guilherme disse que você viria. Prazer em conhecê-la.

- Muito prazer. Você deve ser Georgiana.

- Venha conhecer a casa, vou levá-la a seu quarto.

 

Darcy as acompanhava com muita atenção aparentando uma expectativa inusitada diante da apresentação das duas.  Ao subir para o quarto, Elisa perguntou-se como Georgiana soubera que ela viria se não vira Darcy ligar para ninguém nem uma vez desde que aceitara vir.  Provavelmente ele teria planejado o convite e confiado antecipadamente que ela fosse aceitar.  Mas isso não importava agora diante da bela vista para o mar azul escuro que banhava a península que via da janela de sua suíte.  Após acomodar suas coisas, Elisa desceu e passou a conversar com Georgiana enquanto Darcy continuava a apreciá-las com um ar meditativo. Logo depois Fitzwilliam chegou e após o jantar, Georgiana resolveu tocar uma melodia ao piano, demonstrando que Carolina não exagerara ao elogiar seu talento para a música.

 

Elisa estudara piano quando era criança, mas muito pouco se lembrava do que aprendera porque não se dedicara ao crescer.  Ao comentar isso, Fitzwilliam insistiu veementemente que ela os brindasse com uma apresentação sua.  Em vão ela se recusou, mas foi praticamente arrastada a se arriscar na única melodia de que se lembrava digna de ser tocada em público.

 

Guilherme saiu de onde estava sentado e aproximou-se do piano onde permaneceu silencioso observando Elisa tocar:

 

- Sr. Darcy, não pense que vai me intimidar parado ao meu lado, apesar de eu não tocar nem de perto tão bem quanto sua irmã Georgiana.

Ele sorriu diante de seu comentário e respondeu no mesmo tom:

- Acho que já a conheço o suficiente para nem considerar esta hipótese.

Fitzwilliam que cantarolava a letra da música, ainda sentado provocou-o:

- Gostaria de saber como meu amigo se portou fora de casa em suas primeiras férias após tanto tempo...

- Muito mal, Fitzwilliam – disse Elisa. – Na primeira vez em que nos conhecemos ele quase me atropelou porque eu estava pedindo carona.  Na segunda praticamente não me dirigiu a palavra enquanto tentava conversar com ele.

 

Fitzwilliam deu uma gargalhada junto com Georgiana.  Darcy pareceu um pouco contrariado e disse a ela em voz mais baixa:

- Não tenho muita facilidade para conversar com pessoas que nunca vi antes.

- Também não toco bem piano. Mas a culpa é minha por não praticar.

Ele a encarou detidamente mais uma vez e Elisa desviou o seu olhar para o teclado a pretexto de tentar tocar mais um pouco, mas na verdade sentiu seu corpo reagir diante dele e receava que se deixasse trair. 

 

Darcy a intrigava com suas atitudes um tanto imprevisíveis como convidá-la para este fim de semana, mas ao mesmo tempo permanecer reticente e reservado de modo que ela não conseguia entender o que se passava exatamente com ele em relação a ela.

 

Como no dia seguinte ainda eram esperados outros convidados, resolveram dormir mais cedo, mas Lizzy sentia muita vontade de dar um passeio noturno na praia em frente à casa na qual ainda não colocara os pés e perguntou-lhes se havia algum perigo.  Fitzwilliam ofereceu-se para ir com ela, mas foi Darcy quem se levantou e abriu a porta para acompanhá-la, após um olhar incisivo para o primo.

 

O barulho suave das ondas e uma lua crescente que havia surgido por trás de algumas poucas nuvens os aguardavam do lado de fora. Elisa pensou que só faltava uma música para completar o cenário romântico.  Mas estaria o reservado e às vezes seco Darcy preparado para reagir à altura? A temperatura havia caído bastante com o correr da noite, e ainda era mais baixa com o vento do mar fazendo com que Elisa apertasse o agasalho fino de linha que usava e cruzasse os braços para se aquecer.  Este movimento não passou despercebido a Darcy que perguntou se ela queria seu agasalho emprestado. Ela aceitou o oferecimento, agradecida ao certificar-se de que ele não sentiria frio porque ainda estava protegido por uma camisa de mangas compridas que usava por baixo.

 

- É um lugar realmente lindo.

- Freqüentamos essa praia desde crianças, Georgiana e eu.

- Deve despertar muitas recordações.

- Com certeza.  Era aqui onde convivíamos mais tempo, especialmente com o nosso pai, que trabalhava muito.

- Assim como você faz hoje...

- Pois é. Acho que é um mal de família. – Ele sorriu e de novo surgiu aquela sensação agradável de intimidade que Elisa também sentira ao seu lado no percurso de vinda. – Mas quando tiver filhos pretendo reduzir o ritmo para dar mais atenção a eles. – completou com o olhar perdido no horizonte.

- Deve ter sido muito difícil perder os pais tão cedo.

- Foi tudo muito rápido: o acidente, a notícia chegando, eu precisando assumir a empresa.  Na verdade acho que levei muito tempo para absorver o choque, pois logo depois eu operava em uma espécie de piloto automático, principalmente por causa de Georgiana, que era apenas uma criança.

 

Ficaram em silêncio por alguns minutos.  Elisa resolveu não tocar mais nestas lembranças que ainda deviam ser dolorosas para ele.  Quando alcançaram uma grande rocha na extremidade final da faixa de areia, resolveu sentar-se para apreciar melhor o reflexo da lua na linha do horizonte do mar escuro.

 

Ele sentou-se ao lado dela e abraçou-a gentilmente esfregando seus braços para aquecê-la. Sentindo-se à vontade ao lado dele, Elisa reclinou suavemente a cabeça em seu ombro. Após mais algum tempo em que ambos não disseram nem uma palavra, temerosos de quebrar o encanto daquele momento mágico, aconteceu o que era inevitável: ele segurou seu rosto pelo queixo e beijou-a, primeiro suavemente e depois de forma apaixonada como se sentisse fome e sede de estar junto dela há muito tempo.   

 

Voltaram ainda abraçados para a casa e despediram-se com outro beijo. Elisa refletiu que esta parecia a receita perfeita para não discutirem um com o outro: permanecerem em silêncio e permitir que apenas seus corpos de comunicassem.  Depois de ela subir, Darcy ainda ficou bastante tempo na sala com um ar feliz e ao mesmo tempo pensativo, sorrindo sozinho de vez em quando...

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