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Namoro de Férias - Cap 19

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Darcy ponderou com Fitzwilliam que Elisa estava visitando Búzios pela primeira vez e teria pouco tempo para conhecer a cidade.  Assim resolveram sair de barco para que pudessem percorrer algumas praias ao invés de se concentrarem em uma só.  O dia era azul de poucas nuvens e Elisa protegeu-se com bastante filtro solar além de levá-lo para reaplicar, como também fazia durante seu trabalho. Sua pele muito clara, apesar dos cabelos bem escuros, e precisava de muita proteção caso contrário passaria uma noite mal dormida com a pele ardendo, como já lhe acontecera mais de uma vez.

 

Começaram pelas praias Azeda, Azedinha e João Fernandes. A seguir foram para as praias Brava e do Forno, terminando na praia de Geribá onde resolveram parar para um mergulho mais demorado.  Havia pranchas de surfe no barco e Darcy convidou Elisa a nadar com ele até a praia, que segundo ele tinha ondas perfeitas.  Fitzwilliam e sua amiga preferiram permanecer na espaçosa lancha, ao abrigo do sol, bebericando alguma coisa entre um mergulho e outro.

 


Elisa não tinha tanta intimidade com o mar como Darcy, mas nadava bastante bem e não hesitou em acompanhá-lo. Sentaram-se sobre as pranchas na areia.

- Acho que já sei a resposta, mas você prefere praia ou serra? – indagou ele.

- Olhando pra esse mar... os dois, eu acho. – Ambos sorriram, e contemplaram o horizonte a sua frente, mais uma vez alguns minutos sem dizer nada.  Isto estava ficando comum entre eles e parecia um meio seguro de não voltarem a se desentender. 

- Já pegou onda antes? – perguntou Darcy.

- Eu? No máximo um jacaré e alguns caixotes. – respondeu ela bem-humorada.

- Quer tentar?

- Está falando sério?

- Claro, posso te ensinar.  

- Acho que você vai ser divertir muito. Seria difícil conseguir ficar em pé na prancha mesmo com muitas aulas, então vai ser impossível em tão pouco tempo.  Provavelmente vou engolir muita água.

- Confie em mim. – disse ele se levantando.  - Fique aqui.  Primeiro vou te mostrar algumas manobras.

 

Ele surfava muito bem, o que possivelmente aprendera nos anos em que frequentara essas praias maravilhosas. Fechou os olhos e imaginou-o apenas um garotinho correndo por essas areias, e este pensamento a enterneceu.  Toda a história inicial de atritos entre eles parecia tão distante e ela se sentia tão próxima dele, especialmente depois das confidências que ouvira na praia enluarada em seu primeiro dia neste fim de semana.

 

Quando abriu os olhos, ele realizava destramente uma manobra radical e sinuosa chamada de batida ou cutback, em que após uma rápida subida na onda virava a prancha para o lado oposto, seguida de um floater, em que subia na crista da onda para deslizar rapidamente para baixo.

 

A seguir retornou à areia e a convidou:

- Venha comigo agora, Elisa.

Ela concordou, embora um pouco receosa.  Ela remou em uma prancha long-board e ele logo atrás em outra para acompanhá-la bem de perto. Apesar das ondas robustas a praia não era muito profunda nem apresentava correntezas. Mesmo assim alguns inevitáveis caldos* aconteceram quando Elisa tentava se erguer na prancha. 

 

Por fim Darcy propôs que fossem juntos lado a lado e ela conseguiu permanecer alguns gloriosos segundos em pé antes de mergulhar mais uma vez, comemorando e sacudindo os braços vitoriosamente como uma criança. Ele se aproximou, a abraçou e beijou logo depois, fazendo Elisa sentir o sabor salgado em seus lábios.  Separaram-se a contragosto, pois seus corpos começavam a reclamar mais do que apenas um beijo, mas aos poucos ela foi retornando à realidade:

 

- Acho que por hoje as aulas foram suficientes. Não seria melhor voltarmos ao barco?

Darcy, envolvido pela companhia de Elisa, se esquecera completamente de Fitzwilliam!

- Tem razão, precisamos voltar.

 

Mesmo assim a abraçou e beijou demoradamente outra vez antes que se fossem.  Elisa se deixava levar docilmente pelas emoções desencontradas que a invadiam e reconheceu que nunca se sentira como naquele dia ao lado dele.  Era como se flutuasse em uma espécie de sonho e não queria pensar que provavelmente tudo acabaria junto com o fim de semana quando precisasse conviver com Darcy apenas como seu superior no ambiente de trabalho, apesar de seu senso prático tentar avisá-la disso o tempo todo.

 

Ao regressarem à lancha, descobriram que Fitzwilliam não estava nem um pouco aborrecido ou preocupado com a demora deles: reclinado numa cadeira à sombra disse que estivera relaxando e se divertindo ao lado de sua bela acompanhante que agora tomava sol na proa. 

 

Regressaram bem tarde para almoçarem.  Depois disso Lizzy conversou longamente com Georgiana que lhe disse que os horários em Búzios funcionavam dessa forma: acordar tarde e almoçar depois da praia para depois freqüentar a agitada vida noturna do balneário. À noite Darcy a convidou para conhecer um dos restaurantes internacionais do Centro, enquanto Georginana, Fitzwilliam e os demais preferiram sair mais tarde diretamente para uma das badaladas boates locais.  

 

Passaram pela Rua das Pedras, a principal da cidade, de calçamento irregular e aberta apenas para pedestres e seguiram para um restaurante charmoso com ambiente intimista, iluminado por velas.  Darcy sugeriu que escolhessem algum prato a base de frutos do mar, que eram a especialidade da casa e recomendou-lhe algumas opções do cardápio.

 

- Prefiro que você escolha já que nunca vim aqui antes.

Eliza também se sentia um pouco intimidada pelo ambiente refinado e achou melhor não arriscar.

- Então vou fazer o mesmo pedido para nós dois, pode ser?

- Tudo bem.

Feitas os pedidos pairou o silêncio habitual entre eles. E surpreendentemente foi Darcy a quebrá-lo:

- Está gostando do fim de semana?

Na verdade ele queria mesmo era saber se ela estava gostando de passar este dia ao lado dele, mas preferiu conversar com ela sobre o relacionamento entre os dois numa fase posterior, pois seus instintos lhe avisavam que ainda era cedo.

- Este lugar é fantástico. Obrigada pelo convite.

- Minha irmã gostou muito de você.

- A recíproca é verdadeira, apesar de conhecê-la há tão pouco tempo.

 

Elisa sentira afinidade imediata com Georgiana por sua personalidade extrovertida e simples, mais parecida com a dela. Olhando para ele sob a luz indireta da chama acesa no arranjo central da mesa, Elisa se perguntou quantas convidadas ele teria trazido a este restaurante e sentiu uma onda de ciúmes.   Neste instante ele segurou sua mão e sua expressão era de quem queria dizer alguma coisa. Não queria pensar que ele pudesse desejar outra mulher a não ser ela mesma naquele momento.  Esperou pacientemente que ele continuasse a falar quando ele fez um comentário inesperado:

 

- Você moraria longe de seus pais? Vocês parecem uma família muito unida.

- Na verdade precisei morar longe deles para estudar.

- Quero dizer... quando terminar a faculdade.

- Não pensei nisso, mas acho que sim, por causa do meu trabalho provavelmente.

- De qualquer modo é sempre fácil se deslocar hoje em dia, principalmente de avião.

- Claro.

 

Por que ele estaria fazendo estas perguntas?  Desistira de analisá-lo a fundo, as reações imprevistas pareciam fazer parte de sua personalidade. Tentaria manter a conversa no mesmo tom casual:

 

- Descobriu alguma coisa sobre o projeto que Collins começou em Alta Serra? Todos estão curiosos.

- Ainda não – Era impressão ou ele se sentia pouco à vontade para falar desse assunto?

- Será necessário o mesmo tipo de trabalho que estamos fazendo por aqui. Ou estou enganada?

- Provavelmente está certa. – Ele retirou as mãos que estavam sobre a dela para beber um pouco mais de vinho branco, antes de continuar. – Mas apenas Catherine vai poder lhe responder. Algumas vezes trabalhamos juntos, outras não.  Não sei quais são os planos dela, apenas que adquiriu uma grande área próxima de onde estávamos neste verão.

 

Era estranho ele não ter ouvido nenhum comentário, já que deviam se encontrar constantemente por causa do projeto na Praia do Peró.

- Vocês não pretendem mais voltar para Alta Serra? – Elisa pensava em Carlos e no sofrimento de Jane diante da ausência de qualquer comunicação da parte dele.  Pelo menos uma amizade poderia ter ocupado o lugar daquela dor, se eles tivessem a oportunidade de ter conversado.

- Alugamos a casa apenas para as férias. Quem sabe retornemos juntos à pousada de seus pais da próxima vez?

 

Juntos? Juntos como? Ele e Bingley? Ou ele e ela...? Sim ela poderia retribuir o convite dele e prolongar o tempo que passariam juntos... Ops! Seu pensamento estava indo longe demais! Havia decidido não pensar a longo prazo este fim de semana ou não se divertiria.

 

Neste ínterim o garçom trouxe o prato que haviam pedido e Elisa teve uma grande surpresa, pois não havia prestado atenção ao que Darcy havia escolhido: eram lagostas e pareciam vivas!  Como faria para comê-las?

 

Na única vez em que houvera a oportunidade de experimentar este prato, estava passando férias em família. Foi quase impossível comer sem sujar as mãos e mesmo as roupas, sem contar algumas patas dos bichinhos que voaram das mãos dos mais inexperientes.  Só que isto acontecera durante o dia e na praia.  Agora estava em um restaurante fino, à noite e não imaginava como devesse proceder.  Por via das dúvidas achou melhor esperar por Darcy para poder imitá-lo. Mas ele parecia estar aguardando cavalheirescamente por ela para que começasse a comer.  O que fazer agora?

 

Darcy sorriu diante da expressão aturdida de Elisa para as lagostas e disse:

- Eu as prefiro servidas dessa forma, embora possa dar mais trabalho para comer.  Desculpe se não perguntei o que achava antes. Algum problema?