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Namoro de Férias - Cap 20

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Elisa tornou a olhar para os crustáceos que pareciam dispostos a saltar dos pratos a qualquer momento para fugir através do restaurante e não conseguiu articular nenhuma palavra, mal reprimindo uma grande vontade de rir. Começava a encarar a situação pelo seu ângulo cômico e decidiu que acompanharia Darcy em sua escolha, mesmo que isso implicasse em quebrarem todos os protocolos do elegante restaurante. Afinal fora ele quem pedira.

 

- Se quiser, pedimos ao chef para prepará-la de outra forma.

- Não... Não é preciso. – disse ela. - Está bem assim.  Só não posso garantir que vá conseguir comer sem nenhum incidente. – completou ela com um sorriso brejeiro.

 

Ao perceber que Elisa aceitara sua sugestão sem se embaraçar, ele pediu que o garçom trouxesse os acompanhamentos.  Depois disso, ela assistiu a uma verdadeira aula de como comer lagostas, com cada passo prático sendo demonstrado e complementado por instruções detalhadas de Darcy.  Primeiramente ele usou uma espécie de alicate que havia sido trazido com os talheres para destacar as articulações. Elisa fez o mesmo, mas não sem alguma dificuldade.  Depois ele segurou a lagosta firmemente com uma mão para com a outra retirar os tentáculos e a cauda. Essa foi bem mais difícil e ela precisou de ajuda após alguns esforços infrutíferos para continuar a desmontar a sua.  Ao final, um garfo foi apoiado na base da carapaça do animal para cortá-la e assim puderam comer a carne, depois de muitas gargalhadas de ambos durante todo o processo.

 

- Não foi tão difícil, foi? – perguntou ele.

- Você foi um bom professor, é um especialista em degustar lagostas. E está mesmo deliciosa.

 

Para encerrar, foram trazidas lavandas e toalhinhas para retirar o odor da iguaria de suas mãos.  Elisa olhava para Darcy e pensava que nunca havia se divertido tanto com ele desde que se conheceram, nem mesmo na aula de surfe que ele lhe dera à tarde.  Então um homem divertido e bem-humorado se escondia mesmo debaixo de toda aquela capa de orgulho e reserva. 

 

- A lagosta é considerada um alimento afrodisíaco. 

 

O comentário aparentemente casual embora sugestivo da parte dele silenciou os risos de ambos quando seus olhares se cruzaram. Ela não sabia exatamente como aquela noite acabaria, mas sua imaginação começava a formar um quadro mental em que o ambiente, a comida, e sobretudo a presença de Darcy se conjugavam para anular qualquer resistência de sua parte quanto a ir mais longe com ele.

 

Nunca ele lhe parecera tão bonito. O bronzeado do dia passado ao sol ressaltava ainda mais seu par de olhos azuis em contraste com os cabelos escuros desalinhados pelo vento. Seus músculos fortes, como pudera sentir ao ajudá-la a subir na prancha, se faziam perceber por baixo da camisa branca.  Sentiu tanta falta dos braços quentes dele ao redor de seu corpo que sentiu necessidade de esfregar os seus próprios. A mulher que coexistia nela ao lado da jovem travessa como uma menina emergia com toda a força e trazia a sua consciência um fato inegável: ela o desejava com todas as células de seu corpo.   Ainda sentia a pressão dos lábios dele junto aos seus, como se mais um beijo estivesse acontecendo naquele momento, levando seus dedos inconscientemente a tocarem a própria boca de leve.

 

- Vamos voltar para casa depois do jantar ou pretende esticar com o pessoal em alguma boate? – Ele a trazia à realidade de novo.

 

- Você é quem sabe.  Estou em suas mãos.

Depois que pronunciou as últimas palavras se deu conta do que poderiam significar.

 

 

Darcy por sua vez, não queria forçar nada, apenas deixar fluir sem barreiras o magnetismo que existia entre eles.  Ela o atraía como nenhuma outra mulher conseguira antes.  Seus olhos escuros pareciam ter a capacidade de penetrar sua alma inteira e conhecer os seus sentimentos mais íntimos, mesmo aqueles que ele procurava resguardar de todos.  Isso o tornava completamente desarmado ao lado dela, como se precisassem trocar forças para ele se sentir inteiro novamente.

 

Ele tentara reprimir esses sentimentos quando se conheceram em Alta Serra.  Ela era mais jovem e bem mais inexperiente do que ele.  E muito diferentes também eram as suas visões do mundo.  Talvez a relação deles não tivesse um futuro mais longo do que os dias que passariam juntos este fim de semana, pensou Darcy.  Mas certamente Elisa Bennet não seria apenas mais uma das mulheres que haviam passado por sua vida sem deixar marcas.  Era muito especial.  Extremamente inteligente.  Companhia agradável e bem humorada.  Procurava defeitos nela e não os encontrava, a não ser a teimosia e o gênio forte que foram as primeiras características que conhecera. Mas nisso não eram muito diferentes e pareciam acrescentar-lhe um charme a mais.  Não, não hesitaria em levar adiante tudo que havia planejado para aquela noite.  A não ser que ela não o desejasse.

 

- Está certa de que quer fazer o mesmo que eu quero?

 

Ela assentiu com um meneio afirmativo do queixo apoiado em suas mãos.  A taça de vinho branco que tomara para acompanhar o jantar a estava fazendo flutuar.  Ou seria a presença dele?  De qualquer modo decidiu se render ao entorpecimento que tomava suavemente seu corpo.

 

- Pois o que eu quero é ficar sozinho com você em algum lugar onde ninguém nos perturbe.  – Ele sussurrou bem perto de seu ouvido.

 

Ele agora lembrava mais o velho Darcy que conhecera, indo direto ao assunto sem maiores rodeios.  Mas isso não a desagradou, pois parecia significar que ele a queria tanto como ela a ele.   Preferiu não responder, concordando apenas com o olhar.  Uma love song dos anos setenta tocava na pequena pista do restaurante e ele tomou sua mão e a levou para dançar.

 

Sugestão de trilha sonora

http://www.youtube.com/watch?v=NJ6cWOj3VSU

 

 

Ela se abandonou suavemente ao contato cálido de suas mãos, seu peito, suas pernas. Ele beijou-a longamente, primeiro em toques curtos dos lábios, que foram se abrindo à exploração mútua e demorada provocando reações inusitadas em seu corpo que começava a clamar por estar ainda mais próximo do dele.

 

Após o restaurante, ele dirigiu em silêncio de volta para casa.  Quando saltou do carro e a ajudou a descer, toda a tensão física que existia entre eles explodiu. Ele a beijou e abraçou devastadoramente enquanto ela retribuía seus carinhos passeando suas mãos pelo corpo dele e desabotoando-lhe a camisa.  Nem percebeu que agora haviam adentrado a casa e estavam no grande e confortável sofá branco da sala principal.  Ele parou de beijá-la por alguns instantes e perguntou-lhe com uma expressão séria:

 

- Você tem certeza de que quer fazer isso?

Ela mais uma vez assentiu com um gesto, com seu olhar, com suas mãos que voltaram a explorar o corpo dele, enquanto ele começava a conhecer ainda melhor o seu.

- Vamos subir, Lizzy. – Ele disse levantando-se e estendendo-lhe a mão.

 

Ela adorava a forma como a voz grave e profunda dele pronunciava seu nome, principalmente usando esse diminutivo de forma tão íntima, como agora. Subiram lentamente as escadas, ainda abraçados, e ao final ele a conduziu para sua própria suíte. Era bem espaçosa, mobiliada com sobriedade e muito bom gosto, com um aspecto marcadamente masculino. Ela sentiu o cheiro do perfume dele se misturando à leve embriaguez que sentia, enquanto se deitavam na cama king size.

 

As roupas leves que usavam já haviam sido devidamente afrouxadas, mas Elisa sentiu vontade de assumir a iniciativa, mesmo com sua pouca experiência no assunto e o imobilizou na cama para o despir lentamente, entremeando cada movimento com uma carícia. Só depois disso deixou que ele fosse retirando a sua blusa, enquanto beijava suavemente seus seios e depois suspendesse sua saia enquanto as suas mãos vorazes tocavam suas pernas.  Finalmente, sem poder mais esperar, ambos se entregaram um ao outro de forma plena e total, como ela nunca poderia realmente compreender que acontecesse entre um homem e uma mulher.    Então era assim...

 

O curto gemido de dor dado por Elisa quando chegaram ao clímax além de algumas pequenas gotas de sangue no lençol não passaram despercebidos a Darcy, surpreendido diante de tal constatação. Mas ela o estava enlouquecendo, mesmo sendo ainda tão pouco versada nas artes do sexo, e eles se amaram várias vezes durante aquela noite, quando enfim saciados dormiram abraçados um ao outro.