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Namoro de Férias - Cap 24

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Agora não havia como voltar atrás, nem desejava isso.  Queria apenas tê-la perto de si, sem pensar em mais nada.  Desde cedo se acostumara a reprimir e controlar suas emoções, pesando e medindo todas as possibilidades antes de tomar qualquer decisão. Uma vez apenas, se daria ao direito de ser impulsivo: houvesse o que fosse faria o que seu coração desejava.

 

Assim pensando, depois de ter acordado bem cedo, levantou-se e decidiu dirigir-se à casa dos Bennet na expectativa de encontrar Lizzy assim que despertasse.  Era bem cedo ainda quando saiu e a neblina estava em toda parte. Se ao menos soubesse em que parte da casa ela dormia... Ao perceber movimento na cortina de um dos quartos, resolveu arriscar jogando um pequeno seixo do jardim na veneziana.  Era ela! Estranhando o ruído, Lizzy abriu a janela e foi surpreendida pela visão de Darcy se preparando para atirar outra pedrinha em sua janela. Ele lhe acenou silenciosamente com um sinal para que descesse, o que ela fez após vestir rapidamente um jeans e uma camiseta. 

 

- Não consegui dormir direito. – disse ele

- Nem eu. – respondeu ela. – Venha. Vamos tomar um café forte para acordar.

Ela o tomou pela mão e foram à cozinha da pousada onde preparou dois capuccinos. Os funcionários que estavam na escala do dia começaram a chegar e o Sr. e Srª Bennet também não tardariam a estar por ali organizando o café da manhã dos hóspedes.  Lizzy e Darcy foram se sentar no alpendre que dava para a principal entrada do hotel.

 

- Carlos ainda está dormindo?

- Ressonando profundamente. Sempre foi assim, acordá-lo de manhã não é tarefa fácil.

- E você?  Acordou muito cedo!

- Normalmente não consigo dormir tanto. Ainda mais hoje, que tenho uma razão especial para isso.

- Qual motivo?

- Você não adivinha? – dizendo isso, pousou a xícara na mesa, pegou em sua mão e limitou-se a olhar para ela, enquanto os dois ficavam em silêncio.

- O que vamos fazer? – perguntou Elisa.

- Não sei, você decide.

- Acho que teremos sol. Poderíamos fazer uma caminhada por algumas da trilhas, se você quiser. Chamamos mais alguém.

- Bingley? E se você quiser ajudá-lo, certamente sua irmã também.

- Vou perguntar a ela, enquanto você o acorda.  Eles vão ter que conversar mais cedo ou mais tarde.

 

Bingley acordou a contragosto até que Darcy lhe disse que provavelmente Joana os acompanharia. Esta por sua vez, mostrou-se insegura quando Lizzy a chamou, mas a irmã encorajou-a a enfrentar de uma vez a situação e ela acabou concordando.  Preparados, saíram após o desjejum, debaixo dos olhares sugestivos dos pais, que não sabiam bem o que mais esperar da história daqueles dois casais.

 

 

 

 

Pairou um silêncio constrangedor entre Bingley e Joana.  Como Darcy não era muito loquaz, coube a Lizzy tentar estabelecer um diálogo entre eles com alguns comentários ocasionais, sem muito sucesso a princípio.  Escolheram um roteiro mais curto para que voltassem a tempo de almoçar. Subindo uma trilha paralela ao riacho que dava na pousada, alcançaram uma pequena cachoeira que formava um lago chamado de Poço Formoso, onde pararam para apreciar as águas límpidas e se refrescarem.  

 

Depois de algum tempo, entretanto, Lizzy tentou subir em uma rocha e caiu com um gemido de dor. Joana acorreu para socorrê-la e concluiu que não era nada grave, mas Elisa não se sentiu em condições para ir adiante.

- Vou ficar por aqui, descansar um pouco e depois voltar, Joana.  Vão em frente vocês.

- Eu fico com ela. – atalhou prontamente Darcy.

Joana não soube o que dizer. Embora temesse ficar a sós com Bingley, sua timidez a impedia de protestar.

- Tem certeza disso? Não seria melhor descermos todos juntos agora?

 

- Fique tranqüila. Você é a médica e viu que não há nada demais.  Só não gostaria de seguir porque ainda dói.

Joana considerou também que provavelmente a irmã desejava ficar sozinha com Darcy e este argumento foi definitivo para que concordasse em prosseguir ao lado de Bingley. Mesmo que seu coração ficasse descompassado com a simples idéia de falar sobre qualquer assunto mais pessoal com ele, intimamente desejava mais do que tudo saber o que ele teria a dizer.

 

- Está bem.  Não iremos muito longe.

Quando os dois se afastaram, Lizzy deu umas boas risadas com Darcy. Tudo não passara de uma estratégia para que os dois tímidos ficassem sozinhos e conseguissem se entender.  Mesmo com receio de que sua irmã pudesse sair ainda mais magoada daquele encontro, Lizzy entendia que ela precisava enfrentar o fantasma daquele relacionamento incompleto para seguir o curso normal de sua vida.

 

Algum tempo depois, mais a frente, Carlos começou a demonstrar seu nervosismo falando mais do que o normal.  Não tinha idéia de como abordaria o relacionamento deles.  Joana apenas permanecia em silêncio, com o coração apertado.  Num dado momento, ele não se conteve e tomou a iniciativa:

 

- Joana.  Precisamos conversar sobre... nós dois.

Ela continuou em silêncio, o que só dificultou mais as coisas para ele.

- Imagino que você deve ter ficado magoada porque não a procurei mais.

- Imagina? – O tom de voz dela era ligeiramente irônico.

- Não há justificativas e não vou tentar me desculpar pelo indesculpável. Mas saiba que estou muito arrependido.

- Depois de todos estes meses você vem me dizer isso? – Ela não se renderia tão fácil a qualquer tentativa de reconciliação dele.

- Não sabia o que fazer, Joana.  Mas cada vez mais sentia sua falta e pensava em você. Só não tinha certeza sobre o que você sentia por mim.  Achei que não passava de um namoro de férias. Darcy e Carolina concordaram comigo. Mas hoje sei que não foi assim. E quanto a você?

Ele segurou seus braços o que a forçou a responder ao olhar para ele.  Mas ela, embora não querendo chorar não conseguiu se conter.

- Joana!

Ele a abraçou e segurou em seus braços durante bastante tempo, enxugando suas lágrimas e dando alguns beijos carinhosos em sua testa, seu rosto, seu nariz.

- Não chore, Por favor!

Ela enxugou as lágrimas e afastou-se dele para conseguir raciocinar melhor. Estava cedendo outra vez e não queria fazer isso. Ou queria, mas achava que não deveria.

- Você não tem idéia de como o seu silêncio me machucou.  Eu sei, foram apenas alguns dias, mas o que aconteceu entre nós foi muito especial para mim. Achei que tivesse direito pelo menos a uma despedida de verdade.  Não creio que você mereça o meu perdão.

 

Bingley olhou para ela e suas palavras pareceram atropelá-lo.

- Não creio que seja possível ficarmos juntos de novo. – Ela continuou.

Ele precisava dizer a ela o que viera dizer:

- Sei que mereço suas censuras. Vamos dar tempo ao tempo, para que tudo isso possa ser superado. Você é a mulher de minha vida, com quem quero passar o resto dos meus dias. E esperarei o tempo que for preciso para que não duvide mais de mim. Diga o que preciso fazer e eu farei.

Joana havia secado suas lágrimas e em um tom muito decidido resolveu por fim àquele diálogo que não levaria a lugar nenhum:

- Carlos, sinto muito, não há nada que você possa fazer agora.  O que você afirma sentir por mim, eu também sentia por você antes.  Agora não sei mais.  Não posso dizer nada sobre o futuro, mas no presente eu não me respeitaria como ser humano se voltasse para você.

 

Estas palavras calaram fundo em Carlos fazendo-o reconhecer que suas chances com ela eram mesmo remotas.  O que esperava também? 

 

- É melhor voltarmos agora para encontrarmos Elisa e Darcy.

Enquanto isso, no pequeno lago formado pela cachoeira, Darcy e Lizzy não estavam nem um pouco preocupados. Ele tirou a camisa e entrou na água fria com ela.  Após algum tempo se abraçaram e beijaram apaixonadamente, ele a tomou nos braços e deitou na relva e todo o desejo reprimido entre eles desde a última vez em que estiveram juntos veio à tona.   Ela passou a mão pelo seu peito e o aconchegou a si.  Os lábios dele passearam céleres pelo seu pescoço e ombros, desabotoando os primeiros botões da camisa que ela usava e prosseguindo em direção aos seus seios, enquanto ela passava os dedos entre seus cabelos e descia as mãos pelas suas costas.   Sequiosos um do outro eles aumentaram o ritmo das carícias e se desnudaram se amando sem medo protegidos pela muralha da mata ao seu redor.

 

Quando acabaram, exaustos, tomaram outro banho de cachoeira para depois voltarem à pousada.  Lizzy começou a pensar se seria sempre assim entre os dois, muito sexo e pouco diálogo temperado com uma boa dose de insegurança, pelo menos da parte dela.   E Joana, como estaria indo?   Quando acabou de pensar nisso, ela retornava com Bingley, Ainda bem que ela e Darcy estavam devidamente recompostos. Observou que ela tinha os olhos vermelhos e ambos cenhos carregados. As coisas não deviam ter ido muito bem.

 

Por que o amor tinha que ser sempre tão complicado?  Tinha seus pais como referência de relacionamento bem-sucedido, apesar das diferenças entre eles. Mas possivelmente esse equilíbrio só pudesse ser obtido depois de muito tempo juntos, a custa de muitos desacertos para se alcançar um verdadeiro equilíbrio.  As dificuldades de Joana e Carlos em se entenderem também não passaram despercebidas para Darcy que fez um sinal interrogativo para Lizzy com o olhar que ela respondeu com ar de dúvida.  

 

Eles desceram em silêncio e Darcy começou a se sentir culpado pela influência que exercera sobre Bingley para que ele não levasse aquela relação a frente.  Ele sempre gozara de grande ascendência sobre o amigo, mas não usava dessa prerrogativa a não ser quando absolutamente necessário.  E achando que Joana não parecia corresponder aos sentimentos dele com a mesma intensidade, o aconselhou a cortar qualquer laço desde o início para que se poupasse tempo e sofrimento desnecessários.  Estava enganado, como pode ver.  E receando que todos pagassem por este erro, decidiu interferir mais uma vez, desta vez em favor dos dois.  Procuraria a irmã de Elisa assim que ela estivesse recuperada para contar a verdade, mesmo que Lizzy ficasse aborrecida com ele ao saber.