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Namoro de Férias - Epílogo

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Namoro de Férias

Ao longe, Lizzy ouviu as crianças brincando. Miranda era uma bela menina de seus onze anos com cabelos escuros como a mãe e olhos azuis como o pai.  Tinha também em comum com os dois a personalidade forte e o a inteligência aguçada.   Tiago, de sete anos, saíra mais às tias, com cabelos louros, mas de olhos escuros como os da Elisa.  De temperamento alegre e irrequieto, cativava imediatamente quem se aproximasse dele. A maternidade trouxera uma beleza madura a Lizzy e abrandara o temperamento reservado de Darcy, que se revelara um pai dedicado e presente. Como naquele instante em que obedientemente se sentava na areia para brincar com os dois de construir castelos de areia. 

 

Joana e Carlos chegariam logo com os seus três para completar a prole.   Estavam em permanente contato, pois a empresa de Bingley crescera e Darcy se tornara sócio do melhor amigo, ampliando o campo de atuação do grupo de sua família. Georgiana e seu marido também eram esperados.  Ela estava em um estágio avançado da gravidez, mas insistira em vir para o aniversário de Tiago.

 

Os reflexos do sol sobre as ondas que ritmicamente estouravam na praia, lembrou-lhe de quando ela e Darcy começaram a de fato se entender, em uma noite de lua cheia naquele mesmo lugar.  Bastante tempo havia se passado, e os dois haviam sofrido as dificuldades comuns a todos os outros casais.  Mas o amor entre os dois só se tornara mais sólido.  A cada dia ele a surpreendia com um gesto inesperado de carinho como um telefonema no meio do dia só para dizer que a amava.

 

De Wickham nunca mais ouviram falar, exceto quando o viram em um close pela televisão durante um jogo de futebol do Brasil contra a Argentina, chorando a derrota de seu país em uma eliminatória para a Copa.

 

Luísa Bingley era editora de moda de uma conceituada publicação e tinha dois filhos, que costumavam fazer companhia aos do irmão com freqüência para brincar.  Caroline morava nos Estados Unidos, onde trabalhava na área de exportação e continuava, sem sucesso, perseguindo o marido ideal em sucessivos relacionamentos mal-sucedidos.

 

Charlotte e Collins estavam a caminho do quarto filho e ele agora havia sido promovido a um importante cargo na De Bourgh Incorporações, reportando-se diretamente à presidente, Anne De Bourgh, uma vez que problemas de saúde ocasionados por estresse haviam obrigado Catherine a se afastar da empresa.

 

Maria havia conseguido uma bolsa para completar sua pós-graduação na Alemanha e seu namoro de faculdade não havia sobrevivido à separação forçada.  Lídia e Catarina tinham namorados firmes que pareciam aprovados como futuros candidatos a genros pelo Sr. e Srª.  Bennet que sentiam saudades das filhas mais velhas e se consolavam com a presença das caçulas por perto.

 

Fitzwilliam, quem diria, havia se casado, concretizando a profecia do buquê no casamento de Lizzy.  Sua mulher esperava o primeiro filho e ele mal via a hora de ser pai, fazendo piadas o tempo todo sobre como se comportaria agora que seria obrigado a realmente abandonar a vida de bon vivant.

 

Joana e Bingley foram os primeiros a chegar.  O casal Ternurinha, como todos os chamavam, fazia um par admirável, combinando em todos os gostos e preferências.   Ela ainda trabalhava como médica em meio expediente tendo se especializado na área de saúde pública.  Logo depois vieram Georgiana e Mateus, ela se locomovendo daquela forma típica que as grávidas usam fazer na fase final da gravidez.

 

Mais uma vida brotando do amor entre duas pessoas.   Isso era o que mais importava para ser feliz, pensou Lizzy, enquanto Darcy a surpreendeu com um abraço e um beijo na nuca. 

 

- Estão todos esperando.  Você vem, ou temos tempo para ...?

 

Elisa riu dos pensamentos de Darcy, embora ele soubesse perfeitamente que não poderiam demorar.  Não fora difícil ser feliz ao lado dele durante estes anos.  Ele não se opusera ao seu trabalho que por vezes a obrigava a se ausentar por mais de uma semana em expedições de pesquisa, acumuladas com o exercício da cátedra na faculdade.

 

Após ter escrito alguns volumes técnicos para a editora da Universidade, ultimamente havia começado a escrever um livro pelo simples prazer de inventar uma história, sem pretensões acadêmicas de sua parte, baseada um pouco nas suas próprias experiências e em parte nas situações que assistira outros viverem.  

 

Ao ver mais uma vez sua família reunida com tanta alegria, lembrou-se da frase: o que uma pessoa precisa para ser feliz é plantar uma árvore... Ter um filho... E escrever um livro...

 

Sendo assim, tudo parecia completo em sua vida...  Mas este era apenas o início de mais uma página em sua história... 

 

 

 FIM