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O Fruto da Honestidade - Capítulo 13

Ligado . Publicado em O Fruto da Honestidade

Fim de tarde.
 
Londres estava mais agitada do que nunca. O céu parecia ter sido pintado à mão, com toda a profusão de tons alaranjados e azulados, que davam um ar nostálgico à cidade e deixavam-na ainda mais bela.
 
Pessoas iam e viam a cada segundo. Mais uma vez, as irmãs Bennet mais novas se viam no meio de uma multidão, na “hora de pico” do trânsito londrino.
 
Elas tinham acabado de sair da lanchonete onde lancharam e conversavam enquanto caminhavam:
 
- Lydia, o que você acha de voltarmos ao hotel? Estou muito cansada. Andamos o dia todo! Meus pés estão cheios de bolhas...
 
- Ai, Kitty. Você é molenga demais... Mas vamos voltar para o hotel. Papai e mamãe já devem estar preocupados conosco, já que meu celular descarregou e você não trouxe o seu.
 
- Certo. Mas por qual rua iremos voltar?
 
Elas se viram no meio de uma verdadeira encruzilhada. O Piccadilly era formado por várias ruas, umas muito parecidas com as outras.
 
Por fim, decidiram-se por voltar por uma rua que era composta por vários teatros e pubs, e era parecida com a que tinham chegado até ali.
 
Caminhavam animadamente enquanto passavam em frente a um lindo e elegante teatro quando de repente esbarram com um homem loiro, alto, com olhos profundamente verdes, muito bonito à vista e que aparentava ter em torno de 26 anos que acabara de sair de lá.
 
- Oh... desculpe-me. – disse Lydia.
 
- Eu é que peço desculpas, caras senhoritas. – disse galanteador.
 
Ambas olharam para ele encantadas e um pequeno, mas embaraçoso silêncio apoderou-se do lugar.
 
- Deixem que me apresente. Meu nome é George Wickham. Sou ator e estou trabalhando numa peça que será encenada aqui neste teatro.
 
- Muito prazer. Eu sou Lydia Bennet e estou passando as férias aqui em Londres com a minha família. – disse sorridente, oferecendo sua mão para que ele a beijasse.
 
Ele beijou-lhe a mão, sorriu e se dirigiu à outra.
 
- E a senhorita, como se chama?
 
- Meu nome é Catherine Bennet. – falou. Kitty era tão animada quanto Lydia, mas era um pouco tímida. E talvez por não ter tanta vitalidade e independência quanto a irmã, permitia ser influenciada facilmente por ela.
 
- Muito prazer em conhecê-las, senhoritas. – disse após ter beijado a mão da outra também.
 
Conversaram por um tempo. George tinha facilidade com as palavras, discutia qualquer tipo de assunto fluentemente. Além de conseguir ser galante sem ser “atirado”.
 
Após um tempo de conversa:
 
- Nossa, já está bastante tarde. – falou ele, olhando para o seu relógio de pulso.
 
- Oh... é verdade. Temos que ir, Kitty. Com licença, George. Foi um imenso prazer conhecê-lo, mas temos que ir.
 
- Não querem que eu as acompanhe até o hotel?
 
- Oh, seria um prazer...
 
Assim, os três continuaram conversando animadamente enquanto se encaminhavam para o hotel onde os Bennet estavam hospedados.
 
Trocaram telefones e se despediram em frente ao hotel.
 
Mas, na recepção do hotel, já estava família Bennet inteira, acompanhada de alguns policiais.
 
- Oh, meu Deus!! Finalmente vocês chegaram! Estava tão aflita, meus nervos já não aguentavam mais! – disse a sra. Bennet, de uma vez só, enquanto se levantava da poltrona onde estava e andava rapidamente para abraçar suas filhas mais novas.
 
- Mamãe, o que está acontecendo? – perguntou Kitty, sem entender nada.
 
- O que está acontecendo é que vocês passaram o dia inteiro fora, sem dar um sinal de vida, com o celular desligado; quase matam os últimos nervos que ainda restam em sua mãe e quase me enlouquecem, fazendo-me ouvir todas as reclamações dela quanto a isso. – falou o sr. Bennet.
 
- Mas vocês chamaram até a polícia? – perguntou Lydia.
 
- Lydia, você sabe quantos criminosos há à solta por aí? – disse-lhe Lizzie, que já estava ali há algum tempo, desde quando sua mãe ligou para si e contou –exageradamente, é claro – que elas haviam “desaparecido”.
 
- Lizzie, não exagere! – falou Lydia.
 
- Pronto, podem parar de repreendê-las agora. O importante é que minhas queridas filhinhas estão aqui e estão bem, não é? – falou a mãe. – Oh, e vejo que compraram bastantes coisas! Olhe quantas sacolas, sr. Bennet!
 
- Estou vendo, e já prevejo o quanto irei pagar por isso...
 
- Não fale assim. Vamos, meninas. Vocês precisam tomar um bom banho e me mostrar tudo o que compraram! – falou a sra. Bennet, entusiasmada. - Lizzie! Jane! Não querem vir conosco e ver tudo o que suas irmãs compraram?
 
- Não, mamãe. Preciso ir para casa. Sábado haverá uma festa de lançamento de uma nova campanha preparada pela empresa que trabalho. Então, estou muito atarefada. Mas agradeço o convite. Outro dia vejo tudo com o maior prazer. – falou Jane.
 
A mãe, então, olhou com uma cara apelativa para Lizzie, mas essa também preferiu não ficar. Ela inventou uma desculpa qualquer, se despediu de todos e foi embora com sua irmã Jane.
 
A sra. Bennet, conformada, subiu com suas filhas até o quarto destas, enquanto seu marido se desculpava aos policiais pela sua mulher e se despedia deles.
 
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O dia passara rápido para ele. Finalmente havia conseguido um emprego razoável e ainda conhecera duas tolas garotas com quem poderia ficar a hora que quisesse – pelo menos na concepção dele.
 
E, para melhorar ainda mais seu dia, após se despedir delas se dirigiu para um cassino clandestino para gastar seus primeiros lucros como ator.
 
O que mais George Wickham poderia querer? Aliás, ele queria mais uma coisa sim. Vingar-se de um homem que arruinara sua vida.
 
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Voltavam para casa no carro de Lizzie, esta e sua irmã, já que Jane havia ido para o trabalho com Charles e fora para o hotel de taxi.
 
Elas conversavam sobre seu dia, como sempre faziam, já que eram muito amigas desde pequenas.
 
- Então, Jane. Como foi seu dia?
 
- Foi ótimo, apesar de cansativo. O Charles a cada dia me impressiona mais... – disse, com ar de apaixonada.
 
- Ah, é? E o que ele fez dessa vez?
 
- Ele me perguntou o porquê de eu não tê-lo apresentado aos nossos pais como meu namorado.
 
- Sério?
 
- Sério.
 
- E você respondeu o quê?
 
- Respondi que achava nosso relacionamento muito recente para apresentá-lo aos nossos pais. Mas, Lizzie, eu não disse a nossos pais que ele era meu namorado porque achei que ele iria ficar acanhado por causa da reação da nossa mãe quando soubesse de tudo.
 
- O Charles realmente me surpreendeu agora...
 
Riram.
 
- E o que você vai fazer agora? – continuou Lizzie.
 
- Não sei, estou pensando em marcar algum jantar para eles se conhecerem. O que você acha?
 
- Acho uma boa idéia, sim.
 
- E como foi o seu dia, Lizzie?
 
- Foi cansativo também. O “casal ternurinha” não saiu do meu pé hoje...
 
- Casal ternurinha?
 
- É, o Darcy e a Caroline. Primeiro, ele passou o dia inteiro olhando pra mim com aquele olhar inquiridor. Acho que ele estava achando minha roupa simples demais para uma empresa como a dele.
 
- Lizzie, talvez esses olhares tenham sido só impressão sua. Duvido que o Darcy seja capaz de pensar uma coisa dessas.
 
- Acho que ele é bem capaz... Mas, voltando ao assunto. Depois foi a querida namoradinha dele que veio me perturbar. Ela disse que eu parecia perturbada, e perguntou se isso tinha a ver com a chegada de nossa família. Quem ela pensa que é para me fazer essa pergunta?
 
- Talvez ela só estivesse preocupada com você.
 
- Jane, não se iluda. Caroline só se preocupa com ela própria. Mas vamos mudar de assunto, ok? Que circo foi aquele que nossa mãe armou por causa das meninas?
 
Riram.
 
- É verdade. Chamou até a polícia...
 
Assim, dialogaram até chegarem a casa.
 
Jane passou o resto da noite trabalhando e Lizzie pediu uma pizza para as duas e assistiu, pela enésima vez, a seu filme predileto: Orgulho & Preconceito.
 
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Darcy estava confuso. Há algum tempo estava mais pensativo e calado. E a causadora disso todo era Elizabeth.
 
Ela não saía de seus pensamentos um segundo sequer.
 
Ligou a TV no intuito de tentar esquecê-la, mas tudo que conseguiu foi lembrar-se dela ainda mais:
 
“Pesquisa de opinião revela que o amor à primeira vista é realmente possível. Os entrevistados afirmam que, após ver o objeto amado pela primeira vez, é quase impossível deixar de pensar nele. Por isso, fique atento. Você pode ter sido infectado pelo vírus da paixão!”
 
Darcy desligou a TV perturbado. Não, não era possível que ele estivesse apaixonado por Elizabeth. Eles eram tão diferentes! Ela era uma ótima advogada, com certeza, segura de si, divertida, e razoavelmente bonita... Mas ele não estava apaixonado por ela. Não mesmo.
 
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Assim, chegou o sábado.
 
Jane estava a mil por hora. Havia deixado tudo preparado para a festa de lançamento da campanha da nova linha de perfumes da Victoria´s Secret. O tema principal dos perfumes e da festa era a sensualidade e a conquista.
 
A filha mais velha dos Bennet acordara cedo aquela manhã. Teria um dia cheio. Primeiro iria comprar um vestido novo para o evento, depois ao cabeleireiro, para estar deslumbrante na festa.
 
Ela chamou Elizabeth para acompanhá-la, já que esta também iria à comemoração e, assim como ela, também precisava de um novo vestido e uma repaginação no cabeleireiro.
 
Assim, ambas foram às compras. Depois de entrar em dezenas de lojas e provar diversos vestidos, Jane comprou um vestido longo azul-escuro com pequenos pontinhos brilhantes por todo o vestido. Ele era de alças, com um decote em U nas costas.
 
Lizzie, apesar de ter gostado do primeiro vestido que provou, teve que experimentar vários outros, já que Jane achava todos muito simples para a ocasião. Enfim, aquela encontrou um que não a satisfez muito, achou-o extravagante demais, mas que agradou bastante à outra.
 
O vestido escolhido era preto, longo, com um decote em V na frente, que deixava todo o seu colo à mostra e uma abertura na lateral da perna esquerda, que deixava toda a sua panturrilha à vista.
 
Durante uma massagem e após uma série de todos os tipos possíveis e imagináveis de tratamentos corporais, Lizzie comentou com sua irmã:
 
- É, pelo menos a Caroline tinha razão em uma coisa: o cabeleireiro é mesmo um paraíso. Onde você pode relaxar e ainda sair linda!
 
Riram.
 
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A noite caiu. O dia se transformou em passado e chegou, assim, a hora da tão esperada festa.
 
Lizzie chegara cedo, já que acompanhara sua irmã. O lugar escolhido para a realização do evento era belíssimo. Um enorme salão com dois andares, espaço amplo, paredes brancas e que estava perfeitamente decorado.
 
Ambas chegaram e foram recebidas amavelmente por Charles. Ele informou a Jane que ela precisava dela para dar algumas ordens e resolver uns últimos ajustes pendentes.
 
Lizzie, então, resolveu dar uma volta pelo local para observar os convidados que chegavam. Descia as escadas quando...
 
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Ele odiava esses eventos sociais que o faziam comparecer. Esse não seria de todo ruim, já que alguns de seus amigos estariam presentes. Mas, mesmo assim, ainda teria que cumprimentar todos aqueles empresários chatos, que falavam com ele só por sua fortuna e influência. Sem falar nas inumeráveis mães que queriam casá-lo com suas insuportáveis e fúteis filhas.
 
Entrava no salão principal quando foi tomado por uma esplêndida visão. Elizabeth descia as escadas do lugar naquele exato momento. Ela parecia mais uma deusa, que descera as escadas do céu apenas para tirar sua paz e razão.
 
Estava belíssima com aquele vestido preto e com os cabelos que caíam até sua cintura, moldados por delicados cachos.