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Sabor do Amor - Capítulo 8

Escrito por Fátima Ligado . Publicado em Sabor do Amor

apítulo VIII

 

Lizzy e Darcy se encontravam todos os dias, ora antes das aulas ou a tarde, sempre escondidos, o amor entre eles só aumentava, assim como o desejo de ficarem juntos para sempre, decidiram que falariam com o Sr. Albuquerque o mais rápido possível... Assim se passaram quase duas semanas...

O casamento de Jane se aproximava, as mulheres de Pinhal estavam acertando os ultimos detalhes, afinal só faltava um mês para a cerimônia. A Sra. Albuquerque estava mais nervosa que o habitual, deixando todos loucos com seus ataques, o que arrancava risadas de Lizzy e Jane.

Jane fazia a ultima prova do vestido em seu quarto, a costureira fazia os ultimos ajustes. Em um momento em que ela saiu para pegar alguns materiais Lizzy entrou no quarto, e ao ver a irmã, não conseguiu deixar de exclamar seu encantamento.

- Oh! Jane, pode alguém estar mais linda do que você? É sem dúvidas a noiva mais linda que já vi.

- Ai Lizzy, estou tão insegura. Não sei se fiz a escolha certa. O que acha do vestido, ficou bom?

- O vestido é lindo minha irmã, mas ficará completamente ofuscado diante da sua beleza.

- Lizzy nem acredito que estarei casada dentro de um mês! – Jane falou nervosa.

- Nem eu Jane. Vou sentir muito sua falta.

- E eu a sua... Mas poderemos nos ver sempre. A fazenda que vou morar fica a poucos minutos daqui... Se bem que...Acho que não farei tanta falta assim, já que você não confia em mim.  – Jane falou lançando um olhar significativo para Lizzy.

- Mas do que você está falando Jane?

- Lizzy sempre respeitei sua individualidade, mas apesar de por vezes ser ingênua não sou cega. Acha mesmo que não percebo que anda feliz, sonhadora, seus desaparecimentos repentinos... Sei que está acontecendo algo em sua vida, mas se não quiser me contar eu entenderei.

- Jane eu...Eu não posso te contar ainda... mas quero que saiba que estou muito feliz.

- Está bem... Só quero que saiba que eu aprovo sua escolha. - Jane falou enquanto lançava-lhe um  grande sorriso.

- Mas...

Antes que Lizzy pudesse esclarecer, a costureira entrou no quarto. Jane sorriu para a irmã, esta entedeu imediatamente que ela já sabia de seu relacionamento com o Sr. Darcy e o que a deixava mais feliz, era o fato de ter a aprovação de sua irmã.

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Fazia uma bela manhã de sábado, como de costume, Lizzy caminhava pelo pequeno bosque da fazenda, sentia seu corpo doer de saudades do seu amor, mas devido a um importante compromisso dele, não se encontrariam naquele dia.

Após caminhar por um tempo, resolveu descansar um pouco, sentou em um banco, no mesmo lugar onde ela e Darcy se beijaram pela segunda vez, no lugar onde ele tão carinhosamente chamou de “Nosso lugar”.

Abriu o livro que trazia e pegou um pequeno papel. Sorrindo, beijou o papel em seguida abriu e começou a ler o seu conteúdo mais uma vez. Era uma forma de suprir a saudade que estava sentindo dele, lembrou com detalhes quando no dia anterior ele havia lhe entregado este bilhete. Riu ao lembrar da forma desajeitada dele entregando por engano o livro com o bilhete a Jane, e a rapidez com a qual desfez o engano... Mas era tão bom ler aquelas palavras, aquele lindo poema...

Não poderia eu, traduzir de forma mais clara o que sente meu coração neste momento... sinto não pôder vê-la amanhã, mas preciso tomar algumas decisões. Aguardo ansioso pelo domingo, quero encontrá-la na cachoeira, preciso lhe falar algo muito importante, que mudará nossas vidas para sempre...

Sempre seu...

William Darcy

 O que ele quis dizer com isso? –  Pensou ela. Estava distraída relendo mais uma vez o poema, que não percebeu que alguem se aproximava, e foi com um grande susto que sentiu uma mão tocando seu ombro.

- Sr. Braga!

- Uma linda moça como a Senhorita não deveria andar sozinha por aí, sabe que sua beleza pode lhe colocar em perigo?

- Ando pela fazenda desde menina, além do mais todos aqui me respeitam Sr. Braga... O Senhor apenas me assustou.

- Sinto muito Srta. Albuquerque.

- Acho melhor irmos para a casa grande, é improprio sermos visto sozinhos. - Falando isso Lizzy fez menção de se retirar.

- Por favor espere Srta. Albuquerque... Preciso lhe falar algo.

- Sr. Braga presumo que o que queira me falar, possa ser dito na presença de outras pessoas. Como já lhe disse, estamos sozinhos em um lugar que dará margem para comentários, caso sejamos vistos.

- É algo do seu interesse, e prometo que serei breve... Por favor, sente-se aqui.

Falando isso Jorge conduziu Lizzy delicadamente até o pequeno banco, trazia no rosto um sorriso afetado, o que a fez estremecer, pois seu coração lhe alertava que algo estranho estava para acontecer. Segurando a mão direita de Lizzy, ele se pôs a falar:

- Srta. Elizabeth, sempre tive uma vida movimentada  na Capital, confesso que esta vida pacata de Campinas me entedia muito... mas o único motivo que me fez continuar aqui foi meu afeto pela Senhorita.

- Sr. Braga... – Lizzy tentou evitar o que estava por vir, mas ele pareceu não lhe dar ouvidos e continuou.

- Quero que aceite ser minha esposa. Sei que parece inusitado, mas tenho certeza de que a Senhorita é a esposa ideal para um homem na minha posição. É educada, de boa família, bom nome e é principalmente uma linda mulher...Formamos um casal perfeito não acha?

- Sr. Braga por favor não continue!

- Como?

- Fico linsonjeada por seus sentimentos, mas infelizmente terei que recusar seu pedido de casamento.

- Não estou entendendo... Primeiro a Srta. me encoraja a cortejá-la e agora se faz de difícil. Está a brincar comigo?  – Perguntou visivelmente contrariado.

- Como tem coragem de me insultar desta forma? Nunca lhe dei motivos para achar que o estava encorajando, sempre o tratei com educação e cordialidade. –  Lizzy retrucou indignada.

- Como não Srta. Elizabeth? Acha que encontrará neste fim de mundo partido melhor que eu?

- Já chega Sr. Braga! Não permittirei que me ofenda ainda mais. Tentei ser gentil, mas diante de tanta gorsseiria não me sinto na obrigação de agir como tal. Passar bem.

Completamente indignada pelas palavras ofensivas, Lizzy levantou e começou a caminhar rapidamente, seu único desejo era sair dali o mais rápido possível, para bem longe daquele ser tão desprezível.

Jorge ficou visivelmente aborrecido diante da recusa de Elizabeth, tinha como certo que ela aceitaria feliz o seu pedido. Quem aquela caipira achava que era para tratá-lo daquela forma. Teve vontade de deixá-la ir, mas precisava deste casamento, ele era a solução para seu problema... diante do fracasso da primeira tentativa, resolveu jogar sua ultima cartada.

- Sei da situação de seu pai e da fazenda! –  Gritou em alta voz, fazendo Elizabeth parar. Diante daquela situação, continuou.

- Sei que estão a beira da falência. Até quando acha que essa sua pose de herdeira vai durar?... As dívidas de Pinhal serão executadas em alguns dias, aceite minha proposta antes que não lhe sobre nenhuma alternativa.

Lizzy sentiu que aquelas palavras lhe atravessavam a alma. Como aquela canalha sabia da situação do seu pai? Sentiu os olhos encherem de lágrimas, mas não deixaria que ele notasse sua agitação. Voltando-se para Jorge, falou decidida:

- Não sei como a nossa situação financeira chegou aos seus ouvidos, mas quero deixar claro, que apesar dos nossos problemas, eu não estou a venda Sr. Braga. Não vejo nenhuma relação com o seu pedido imundo... Saiba que nem se fosse o ultimo homem da terra, me casaria com o Senhor.

- Acho bom baixar sua crista Srta. Elizabeth. Posso mudar de idéia e deixar que o incompetente do seu pai se arruíne e a leve junto.

- Não ouse usar essa sua boca suja para falar do meu pai.

- Falo como quiser!

- Não preciso ouvir mais nenhuma palavra.

- Se eu fosse a Senhorita ouviria o que tenho a dizer... Sabia que seu pai pediu um emprestimo ao meu avô na tentativa de salvar a fazenda? Mas o emprestimo foi negado e vocês perderão a fazenda em poucos dias... Olhe para mim Srta. Elizabeth! - Jorge falou enquanto usando a força fazia com que ela virasse para encará-lo.

- Está diante da solução dos seus problemas, posso fazer com que esse emprestimo chegue as mãos do seu pai... Posso fazer com que as dividas de Pinhal sejam perdoadas.

- O quer de mim? – Lizzy falou entre lágrimas, pois suas forças já haviam se dissipado.

- Basta apenas uma pequena palavra minha querida. Quero que diga: Sim, eu o aceito Jorge Braga! Viu é simples, case-se comigo e sua querida Pinhal e os seus amigos miséraveis que vivem aqui, serão salvos...

- Nunca, seu monstro!  – Ela falou entre dentes, tentando mostrar a força que não tinha.

- Como sou um homem de bom coração, lhe darei até amanhã para me responder... Ah! E espero que não conte a ninguem, principalmente ao seu pai, nós não queremos que o velho acabe morrendo em  um duelo para salvar a honra da sua querida filhinha... Tem até amanhã a noite Srta. Elizabeth, pois já virei pedir sua mão ao seu pai... Lembre-se, tudo está nas suas mãos.
                                                                                                          

Jorge tentou beijar a face banhada por lágrimas de Lizzy, que em um impulso de raiva e repulsa afastou violentamente o rosto.

Após se certificar que ele havia partido, Lizzy deixou toda a sua dor e revolta saírem. Chorou copiosamente abraçada ao pequeno bilhete que a minutos atrás havia lhe alegrado o coração...

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- Darcy ainda da tempo de voltar atrás! –  Carlos falou preocupado.
- Carlos eu tenho certeza absoluta que é isso que quero fazer. É minha felicidade que está em jogo.
- Mas, eu mais que niguem sei quanto isto é importante para você. É a única lembrança material que tem do seu pai. Pense bem homem!
- Não há o que pensar Carlos... Este relógio tem um valor sentimental muito grande para mim, pois está na minha família há muito tempo, mas ele também é muito valioso, e poderei comprar o que quero.
- Espero que realmente saiba o que está fazendo... Não vai mesmo me contar quem está te fazendo perder o juízo meu amigo?
- Prometo que depois de amanhã você saberá meu amigo... Então posso contar com sua ajuda?
- Alguma vez me neguei ajudá-lo meu irmão?! Vamos, tenho alguns amigos na cidade que podem nos ajudar.
- Eu sabia que poderia contar com você.Mas lembre-se, nenhuma palavra sobre isso com ninguém. Obrigado meu amigo.
Darcy abraçou o amigo com força, para ele ter o apoio de seu melhor amigo era muito importante...
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Passava da hora do almoço quando Lizzy voltou para casa. Estava arrasada, nunca imaginou que passaria por uma situação como essa. Sua cabeça dava voltas, nunca simpatizou com Jorge Braga, mas jamais esperava que ele fosse o crápula que se mostrou hoje. Precisava pensar na melhor forma de sair daquela situação, mas de uma coisa tinha certeza, não cederia a chantagem dele, certamente haveria uma alternativa. Resolveu procurar seu pai.
Após procurá-lo por quase toda a casa, o encontrou em seu escritório. Bateu na porta várias vezes, já estava ficando desesperada, pois nenhuma resposta foi ouvida, resolveu pegar com a criada a chave reserva.
Com o coração acelerado e temendo o pior entreou no escritório, o que encontrou cortou seu coração. Seu pai estava sentado em uma poltrona de frente para a janela, tinha o olhar perdido no horizonte, como se não tivesse ali. Completamente assustada Lizzy falou em voz baixa.
- Papai.
- Quero ficar sozinho Lizzy. Vá embora.
- Eu chamei e... fiquei preocupada. O que está havendo meu pai? – Perguntou se colocando de joelhos a sua frente.
- Eu não quero falar sobre isso. Agora vá e me deixe sozinho.
- É sobre a fazenda? Papai pode contar comigo.
- Ah! Lizzy, se apenas falar resolvesse tudo... Acabou. Não há mais o que fazer, perdemos Pinhal, a fazenda que está em nossa família há gerações.
- Deve haver um jeito papai, alguma coisa que possamos fazer, e...
- Sinto muito querida. Tentei tudo, mas infelizmente fracassei.
- Podemos recorrer ao Sr. Matias, sei que ele jamais nos negará ajuda papai.
- Jamais farei isso. Além do mais, com essa crise que enfrentamos no preço do café, todos estão tendo problemas financeiros.
- O que faremos?
- Não há nada que possamos fazer... Não sei se aguentarei esta humilhação minha filha... -  Lizzy pôde ver que ele estava prestes a desabar.
- Papai eu...
- Sinto muito desapontá-la querida, acho que esse não é bem o modelo de pai que você tanto admirava.
- Não há homem mais honrado e que eu admire mais papai.
- Obrigado... Agora me deixe sozinho, preciso criar coragem para comunicar a sua mãe e irmã nossa situação, e... Deus, como vou cominicar a nossos empregados que não terão mais seus empregos? Que Deus me ajude... Vá Lizzy!
Lizzy entendeu que ele precisava ficar sozinho, talvez para chorar, coisa que nunca virá acontecer. Seu pai sempre foi seu modelo de fortaleza, mas nesta situação outras pessoas que denpendiam dele estavam envolvidas, e ele nada poderia fazer.
Levantano-se, beijou a testa do pai, e tomada pela tristeza, começou a caminhar devagar até a porta do escritório, quando estava prestes a alcançá-la, perguntou sem se voltar para o pai.
- Um emprestimo poderia salvar Pinhal?
- Eu já disse que não pedirei emrestimos a ninguem filha.
- Só me responda papai, por favor. - Falou com a voz embargada.
- Seria nossa única saída.
Lizzy não falou mais nada, apenas saiu. As lágrimas banhavam seu rosto. Agradeçeu ao céu por sua mão e Jane não estarem em casa, odiaria ter que responder as perguntas que elas certamente fariam, caso a vissem assim. No conforto do seu quarto, o peso de uma importante decisão oprimia seu coração.