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Sabor do Amor - Capítulo 12

Escrito por Fátima Ligado . Publicado em Sabor do Amor

Capítulo XII


Os preparativos para o casamento de Jane e Carlos, que seria realizado em uma semana estavam a todo vapor. Todos estavam eufóricos na casa dos Albuquerque. Todos os detalhes estavam sendo minuciosamente revisados, pois a Sra. Albuquerque queria que fosse a festa do ano na região.
 
Lizzy observava o frenesi de pessoas dentro de casa, o histerismo de sua mãe e o nervosismo de Jane. Ela estava muito feliz pela irmã, mas seu coração continuava triste. Já havia duas semanas que não via ou tinha notícias de Darcy, desde aquele triste dia em que conversaram pela ultima vez, não mais se encontraram.

Foram dias maçantes, tendo que suportar a terrível companhia do Sr. Braga, que posando de noivo apaixonado, fazia visitas diárias. O pior, para ela, era ter que sorrir em meio à dor, precisava convencer sua família que estava feliz, principalmente seu pai e Jane, que se mostravam muito desconfiados. Mas por mais que odiasse tudo isso, tinha que admitir que ao menos uma vez, aquele crápula havia cumprido com sua palavra, o empréstimo havia sido liberado e o cafezal de Pinhal agora estava em alta produção, e o que mais a conformava, era ver que seu pai havia voltado a sorrir após tantos problemas.

Naquele dia, a família do Sr. Matias, noivo de Jane, foi convidada para um almoço em Pinhal para acertar os últimos detalhes da recepção que seria dada na casa da noiva. Todos estavam presentes, os pais de Carlos e sua irmã Georgiana. O almoço transcorreu com muita alegria e conversas sobre: A cerimônia, a recepção, e principalmente sobre a fazenda que o casal iria morar após o casamento. Tratava-se de um presente do pai do noivo, era uma fazenda que ficava próxima a Pinhal, o que deixou a Sra. Albuquerque muito feliz, pois teria a filha perto.

Após o almoço, todos estavam reunidos na varanda, pois a tarde estava quente, e os bons ventos trazidos pelas enormes e frondosas árvores do bosque, tornavam aquele ambiente, um dos mais frescos e arejados da casa. Os pais dos noivos conversavam em um canto da sala, enquanto os mais jovens conversavam em volta do grande piano. Georgiana Matias, a pedido de Lizzy tocava para alegrar os presentes. O clima era de muita descontração.

- Sua filha é muito talentosa com a música Sra. Matias. Temo que esse não seja o talento de nossas filhas. – Brincou a Sra. Albuquerque.

- Realmente Georgiana toca muito bem. São várias horas diárias praticando, chego até a afirmar, que só não a vejo no piano quando está tendo aulas de literatura com William. –Respondeu a Sra.Matias com um leve sorriso.

- Nem me fale no Sr. Darcy. Fiquei realmente muito ressentida com ele, um ultraje deixar de dar aulas a minhas filhas como ele fez.

- Ele teve um bom motivo mulher. –Ponderou o Sr. Albuquerque.

- Perdoe-me Sra. Albuquerque, mas conheço bem meu afilhado e posso afirmar que ele é muito responsável, e se veio assim a quebrar um acordo, deve ter tido motivos. - [i] Interveio, o Sr. Matias. [/i]

- Ele foi muito claro e sincero comigo quando conversamos, e eu o apoiei e admirei ainda mais. É tocante a gratidão que ele tem a vocês. Meu amigo Matias, você tem muita sorte de tê-lo ao seu lado, agora que seu filho não mais lhe ajudará com a fazenda.

- Realmente amigo William é um rapaz de ouro. Mas, apesar do casamento Carlos continuará me ajudando, assim como William também. -[i] O Sr. Matias falou sem entender o motivo daquela afirmação. [i]

- Hum... Pensei que com o casamento do seu filho, você ficaria sozinho na administração da fazenda.

- De maneira nenhuma. A distância entra nossa fazenda e a de Carlos é muito pequena, e ele continuará cuidando dos nossos negócios e dos dele também.

- Claro... Claro.

O Sr. Albuquerque decidiu não prolongar a conversa, mas lembrou com exatidão das palavras do Sr. Darcy, afirmando que não daria mais as aulas, por que precisava ajudar o padrinho com a administração da fazenda, já que o Sr. Carlos após o casamento, iria cuidar apenas dos seus negócios. Certamente ele havia mentido, mas qual teria sido o real motivo? Neste momento, ouviu a voz de Lizzy, então lembrou do dia em que pegou os dois conversando no jardim...

O ultimo acorde da música foi ouvido, em seguida os aplausos, congratulando a forma primorosa como Georgiana havia tocado aquela canção.

- Toca divinamente Srta. Matias.

- Obrigada Srta. Elizabeth.

- Eu sugeri a minha irmã que tocasse no nosso casamento, o que acha Srta. Albuquerque?

- Acho ótimo, seria maravilhoso! – [i] Respondeu Jane entusiasmada. [/i]

- Eu não sei, acho que não teria coragem de tocar para tantas pessoas.

- Srta. Matias, seriam apenas algumas músicas. E tocas tão bem, que precisas dividir isso com o mundo, ao menos com a sociedade Campinense. - [i] Lizzy a encorajou. [/i]

- Então está bem... Quem sabe não me animo e toco no seu casamento também. Será daqui a um mês não é mesmo? – [i] Georgiana falou já animada. [/i]

- Sim. – [i] Lizzy respondeu com melancolia, perdendo toda a alegria que antes sentia. [/i]- Perdoem-me, sinto-me um pouco cansada, vou para meu quarto.

Todos ficaram constrangidos pela drástica mudança de humor de Lizzy. Georgiana ficou confusa, sem entender o que havia feito ou dito de errado. Jane e Carlos se entreolharam cúmplices como se pensassem a mesma coisa. Carlos então sugeriu um pequeno passeio pelo jardim, Georgiana recusou e preferiu ficar com seus pais. O Sr. Albuquerque ficou apenas observando atentamente a saída de sua filha.
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O sol forte daquele começo de tarde reproduzia a imagem típica do deserto. A semana havia sido de muito calor, mas naquele dia em especial, a temperatura esta bem elevada, o que levou as pessoas a se refrescarem da melhor forma possível.

Já em sua casa, Carlos resolveu nadar um pouco no pequeno riacho que ficava na propriedade de sua família. Resolveu convidar seu amigo para acompanhá-lo, mas para sua decepção, ele não estava em casa, então decidiu ir sozinho.

Caminhava assoviando feliz pela pequena estrada, afinal em menos de uma semana estaria casado com seu grande amor. Jane Albuquerque era muito mais do que ele sempre sonhara para sua vida, ela era doce, meiga, educada, compreensiva, maravilhosamente linda e o mais importante, o amava assim como ele a amava, e em uma época onde os casamentos ainda eram realizados por interesse, ele agradecia aos céus por tamanha sorte.

Estava tão envolto em sua felicidade que um barulho vindo do cafezal o assustou. Não poderia ser nenhum dos empregados, pois aquela era a hora da sesta dos empregados. Desconfiado, foi caminhando lentamente em direção ao barulho, ficou surpreso ao ver de quem se tratava. Darcy estava sem camisa, com uma enxada na mão, cuidando de uma parte de plantio do cafezal. Era visível a força e violência com que ele manuseava a ferramenta, era como se estivesse descarregando toda a sua raiva.

- Darcy! O que você está fazendo?

- Estou trabalhando Carlos, não está vendo? – [i] Falou secamente. [/i]

- Como se fosse um trabalhador comum? Darcy, há dias você está trabalhando como um louco, o que está havendo? Por que você está se punindo desta forma?

Darcy não respondeu, ignorou o amigo concentrando toda a sua dor no trabalho braçal. O que irritou Carlos profundamente, que juntando todas as suas forças, pegou o amigo pelos abraços, enquanto falava nervosamente.

- Não faça isso com você meu amigo! Onde está o meu amigo por trás deste resto de homem?!

- Você não entende! Eu não posso conviver com isso. – [i] Darcy desabou. [/i]

- Me deixe te ajudar, por favor. -[i] foi mais uma súplica que um pedido. [/i]

- Carlos, eu não posso me ajudar. – [i] Ele disse em um fio de voz. [/i]

- Só não se destrua como você está fazendo, por favor.

- Eu prometo tentar.

- Acho que para começar você está precisando de uma bebida forte e um banho... Nossa você está horrível. – [i] Carlos brincou para descontrair, o que parece ter funcionando, pois Darcy respondeu no mesmo tom. [/i]

- A sua opinião não pode contar muito, afinal seria estranho você achar um homem bem apessoado. [i] - Os dois riram. [/i] – Eu prometo que vou me recuperar.
 
- Vamos nos refrescar no riacho, o dia está muito quente e você está suando feito um porco. Adoraria ver a cara das mocinhas apaixonadas pelo maravilhoso professor de poemas, ao te verem neste estado, seu sucesso acabaria em pouco tempo. -[i] Carlos falou em tom de deboche. [/i]

- Eu agradeço a brincadeira sem graça e o convite, mas vou recusar. Como você mesmo falou, estou precisando de uma bebida forte, vou até a cidade.

- Tudo bem... Só não exagere! Um amigo maltrapilho tudo bem, agora um bêbado, definitivamente não dá.

- Até logo Carlos!-[i] Disse revirando os olhos enquanto sorria pelo canto da boca. [/i]

Dizendo isso, Darcy seguiu em direção a sua casa para se refrescar e trocar de roupa. Chegando a casa, ele tomou um banho demorado, e se olhou no pequeno espelho. Ficou assustado com a mudança do seu rosto, a barba por fazer, os cabelos grandes, olheiras enormes ao redor dos olhos ofuscando assim o azul reluzente de outrora. Agora ele entendeu o porquê Carlos afirmou que ele estava um lixo, mas era assim que ele estava se sentindo por dentro, nada mais que um lixo.

Vestiu a primeira roupa que viu em sua frente e seguiu para a cidade. Resolveu ir caminhando assim poderia se distrair com a bela paisagem. Quando finalmente chegou ao bar mais freqüentado da cidade, sem olhar a sua volta, sentou em um banco perto do balcão, pediu uma bebida forte, o que deixou o homem rechonchudo por trás do balcão surpreso, devido ao calor que estava fazendo naquele dia.

Quando sua bebida foi entregue, deu um único gole fazendo uma leve careta ao sentir a bebida descer queimando por sua garganta. Resolveu pedir mais uma dose, quando sentiu uma mão tocando seu ombro, reconheceu a voz imediatamente, então se virou sem muita vontade.

- Sr. Darcy!   

- Sr. Albuquerque. Como vai?

- Eu estou bem, agora vejo que o amigo não tem passado muito bem não é mesmo? Quase não o reconheci quando entrei.

Darcy deu um sorriso amarelo, pedindo aos céus que ele fosse embora e o deixasse em paz. Mas parece que suas preces não foram suficientes, pois decididamente, o Sr. Albuquerque não tinha nenhuma intenção de ir embora.

- Não quer se sentar comigo? Não gosto de beber sozinho. – [i] O Sr. Albuquerque pediu com seu mais amigável sorriso. [/i]

- É... Bem é que eu já estava de saída. – [i] Mentiu [/i]

- Ora! Não acredito que vai fazer uma desfeita dessas comigo. Só uma rodada, e já deixo você ir.

Darcy não teve mais argumentos, resolveu segui-lo, afinal só seria uma rodada e logo estaria livre para viver sua solidão. Já acomodados em uma mesa que ficava em uma parte mais reservada do estabelecimento, e com usas respectivas bebidas, o Sr. Albuquerque começou o dialogo.

- Não está muito quente para esse tipo de bebida meu jovem? – Perguntou apontando para o copo de Darcy. [/i]

 - Acho que já me disseram isso hoje. –[i] Disse rindo sem vontade. [/i]

- Como está à vida meu rapaz? O que tem feito?

- Nada de interessante Sr. Albuquerque. Tenho trabalhado muito.

- Oh! Nota-se... Parece que todo mundo esta infeliz nesta cidade.

- Como disse?

- Posso até estar enganado, mas você não parece o homem mais feliz do mundo.

- Nem sempre podemos estar felizes, não é mesmo?

- Tem razão... Tem toda razão... [i] A voz mansa e firme do Sr. Albuquerque podia ser ouvida, enquanto dava um longo gole em sua bebida. [/i]

- Então... Como estão todos em Pinhal. – [i] Darcy perguntou de uma vez, em seguida se arrependendo. [/i]

- Acho que estamos bem... Não felizes, acho que as únicas pessoas felizes são Jane pelo casamento e a Sra. Albuquerque por ter dois bons casamentos em casa. Quanto a mim... Bem, eu sofro por ver minha Lizzy infeliz.

Darcy sentiu seu estomago se revirar ao ouvir aquele nome, seus olhos tentaram em vão esconder sua curiosidade em saber o que estava acontecendo. Com muito esforço, deu um gole em sua bebida e virou o rosto na direção da rua.

O Sr. Albuquerque pareceu captar a ansiedade contida nos olhos deles, então decidido a tirar algumas dúvidas que pairavam em sua cabeça, continuou.

- Sabe Sr. Darcy, eu o considero um bom amigo, desde a primeira vez que o vi, senti uma forte amizade.

- Eu também o aprecio muito Senhor.

- Sabe, sinto que tem alguma coisa errada no noivado da minha filha Lizzy com o Sr. Braga.

- Mas o que poderia estar errado? Eles são jovens e de boa família, e o Sr. Braga é um dos jovens mais “ricos” da região. – [i] Agora a voz dele estava carregada de ironia, principalmente quando pronunciou a palavra, rico. [/i]

- Vejo que o Senhor não conhece minha filha, ela não é uma caçadora de fortunas! – [i] Ele estava aparentemente irritado. [/i]

- Perdoe-me, acho que não me expressei corretamente.

- Minha filha é a jovem de coração mais puro que eu já conheci Sr. Darcy. Ela jamais se uniria a alguém apenas pela fortuna dele, inclusive, eu sempre achei, para o desespero da minha esposa, que ela se casaria com alguém que não fosse do nosso circulo social.

- Isso incomodaria o Senhor?

- De maneira nenhuma, tudo que sempre desejei para minhas filhas era apenas que fossem felizes, e isso é a única coisa que minha filha não é...

- E o que o faz pensar isso? – [i] Agora Darcy, não conseguia esconder seu interesse no assunto. [/i]

- O Senhor conviveu com minha filha, sabe o quanto minha Lizzy era vivaz, alegre, seus olhos sempre expressivos e felizes... Mas agora...

- Agora?

- Ela não sorri mais, vive triste pelos cantos, como se algo tivesse oprimindo seu coração.

- Talvez seja culpa por alguma coisa. – [i] Darcy disparou sem pensar, e percebendo a expressão de surpresa nos olhos do outro, baixou seus olhos envergonhado, mas para seu alivio, o Sr. Albuquerque continuou. [/i]

- É mais do que isso eu diria. Eu a conheço como a palma da minha mão, e posso afirmar com toda a certeza do mundo de que ela não está feliz com este casamento... Ela não está mais lendo seus livros favoritos, não caminha mais como sempre fazia todas as manhãs e o mais grave, ela nunca mais montou o Alazão! Aquele cavalo é a paixão dela Sr. Darcy. Há algo errado nisso, e eu vou descobrir.

Um grande silêncio se formou entre eles, enquanto se olhavam fixamente. O Sr. Albuquerque pareceu satisfeito com o resultado que aquela conversa provocou em seu companheiro de mesa. Bebendo sua bebida de uma só vez, ele levantou e tocando de leve no ombro de Darcy, falou pausadamente:

- Obrigado por me ouvir meu jovem. Agora preciso ir até o banco resolver umas coisas... Sabe Sr. Darcy, minha mãe sempre costumava me dizer, que o ódio e o ressentimento nos deixam cego.

Darcy pensou em responder, mas o Sr. Albuquerque já estava longe. Ele então se deixou cair na velha cadeira, enquanto as palavras ditas naquela conversa formavam um grande quebra-cabeça em sua mente.

Após sair do bar, caminhou por mais um tempo pela parte boemia de Campinas, pois era um dos caminhos que levavam até a fazenda dos Matias. A alguns passos de distância, mas precisamente por trás de uma velha porta de uma casa de diversão, ouviu uma voz afetada que lhe soou familiar, acompanhada de risinhos femininos. Pensou em seguir adiante, mas por um impulso, parou, e olhando pela pequena janela, pôde ver o Sr. Braga aparentemente bêbado, tinha uma bela loira, que aparentava ser uma mulher da vida, em seu colo. A orgia daquela cena poderia ser sentida por Darcy, sentiu uma súbita raiva invadir seu corpo, mas se controlando, resolveu seguir seu caminho enquanto falava com os punhos cerrados.

- Canalha!

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A noite estava calma, a lua reinava majestosa no grande céu limpo, as estrelas pareciam se reverenciar por aquela bela imagem da lua cheia. Uma brisa suave dava o toque final para aquele belo espetáculo do criador.

Darcy resolveu caminhar um pouco pela fazenda, durante toda a semana, as palavras do Sr. Albuquerque o perseguiam, tentava buscar fatos que comprovassem que havia algo errado em tudo aquilo, principalmente depois da cena imunda que presenciou do Sr. Braga. Uma grande luta se travou em seu coração, pois as lembranças dos momentos felizes que ele viveu ao lado de Lizzy, a sinceridade do seu olhar, as juras de amor, a entrega na cachoeira, tudo o levava a crer que era real, verdadeiro. Mas ao mesmo tempo as tristes recordações daquele maldito jantar, enchiam seu peito de mágoa e revolta.

Tudo aquilo estavam deixando-o louco. Foi caminhando até uma grande arvore que continha dois balanços em um de seus fortes galhos, avistou Carlos sentado de costas em um deles, resolveu ir até lá.

- Nervoso?

- Darcy! É você.

Darcy sorriu, então sentou no balanço vazio.

- Nossa! Nem faz tanto tempo assim não é mesmo? Parece que foi ontem que estávamos aqui brincando.

- É verdade... O tempo passou tão rápido. Olhe para nós agora!... Darcy eu vou me casar amanhã. – [i] Carlos falou ainda incrédulo. [/i]

- Você parece nervoso.

- Nervoso? Não... Acho que estou ansioso demais. Estou prestes a construir um lar com a mulher que eu amo! Isso é um bom motivo para se perder o sono.

- Tem razão... Eu tenho certeza que você será muito feliz meu irmão.

- Obrigado... Amanhã será o dia mais feliz da minha vida. E o que mais me deixa feliz é que terei minha família comigo, e meu grande amigo ao meu lado.

- Carlos... Eu pensei que...

- Darcy, você está tentando me dizer que não vai ao meu casamento?

- Eu não sei se conseguirei... [i] – As palavras morreram, mas Darcy tinha certeza que Carlos havia compreendido a que ele se referia. [/i]

- Darcy, eu sei que tudo isso, todo o seu sofrimento está ligado a Srta. Elizabeth, mais precisamente ao noivado dela com o Sr. Braga. – [i] Diante do silêncio do amigo, Carlos continuou. [/i]

- Eu não entendo o que causou tanta dor e ressentimento, mas eu posso afirmar para você que há algo estranho em tudo isso.

- Você também acha isso? Mas por quê? – [i] Darcy perguntou aflito. [/i]

- Jane conversou comigo sobre este assunto na ultima vez que eu e minha família almoçamos em Pinhal.

- O que ela disse?

- Que sua irmã parecia infeliz com o noivado, como se estivesse sendo um grande sacrifício.

- Mas eu não entendo Carlos. Se há algo errado como dizem, por que ela não me falou quando teve a chance? Por que ela me deixou com esta angustia em meu peito?

- Infelizmente eu não posso lhe dar as respostas que você tanto quer meu amigo. Mas, vale a pena limpar o coração para que seus olhos possam enxergar a verdade.

- Eu não sei como farei isso, muito menos se devo fazer. Estou tão confuso.

- Uma vez você me disse que nem você poderia se ajudar. Mas agora eu posso afirmar com toda a certeza do mundo, que apenas você pode se ajudar... Espero te ver do meu lado na igreja amanhã, seria muito triste não compartilhar minha felicidade com meu irmão... Boa noite meu irmão!

- Boa noite!

Carlos saiu deixando Darcy sozinho, pensando em tudo o que tinha ouvido e visto estes dias. Seria possível que Elizabeth estivesse de algum modo sendo coagida a este noivado? Ela não poderia ser tão cruel a ponto de ter fingido tudo o que, viveram juntos. Uma grande esperança invadiu seu peito, esperança de tudo ter passado de um grande mal entendido e sua Lizzy, ainda está lá em algum lugar.