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Sabor do Amor - Capítulo 13

Escrito por Fátima Ligado . Publicado em Sabor do Amor

Capítulo XIII

 

Os belos olhos verdes de Jane brilhavam em frente ao grande espelho. O barulho das vozes vindo do jardim fazia seu coração acelerar. O grande vestido a branco todo bordado, acompanhado de um extenso véu de renda que se estendia até o chão, lhe davam o toque final. O barulho da porta se abrindo a tirou de seu torpor. Uma Lizzy sorridente se colocou atrás de Jane.

- Você está maravilhosa!... Preparada? – [i] Perguntou sorrindo. [/i]

- Mais que nunca... Eu estou tão feliz Lizzy.

- Eu sei, é visível a sua felicidade minha querida irmã. Eu estou muito feliz por você.

- Eu tenho certeza que você está feliz por mim... Eu te amo Lizzy.

- Eu também te amo Jane.

O que se seguiu foi um abraço caloroso e emocionado. Uma lágrima rolou pelo rosto angelical de Jane, enquanto Elizabeth lutava para segurar as suas. Aquele momento tão fraternal foi interrompido pela entrada brusca da Sra. Albuquerque, que como sempre tagarelava sem parar.

- Oh! Minha Jane como você está linda. Tenho certeza que a invejosa da Sra. Ferreira, vai se morder quando vir você minha filha... Eu bem que notei que ela veio ao casamento só para bisbilhotar, mas se ela pensa que o casamento da sem sal da filha dela, vai ser como o seu ou o da sua irmã, ela está muito enganada.

Lizzy e Jane se olhavam divertida com os devaneios de sua mãe. Apesar das sandices da Sra. Albuquerque, elas sabiam que era inocente natural. Voltando-se para Jane, ela falou com os olhos arregalados.

- Céus! Parece que o Sr. Carlos desistiu de se casar, ele ainda não chegou. Ai meus pobres nervos, temo não resistir até o final da festa.

- Mamãe! – [i] Lizzy interveio. [/i] – Ainda falta mais de uma hora para o casamento, ele deve estar chegando, não deixe Jane aflita.

O barulho das vozes no jardim se intensificou junto com o barulho de um automóvel, levando a Sra. Albuquerque para a janela. Sua expressão de preocupação de antes, mudou para um grande sorriso ao ver o que havia causado o pequeno reboliço.

- Os Matias acabaram de chegar!

- Viu mamãe, agora a Senhora não pode mais dizer que ele fugiu do casamento. – [i] Lizzy falou divertida. [/i]

- Não acredito que o ingrato do Sr. Darcy veio! Depois do que ele nos fez.

Lizzy sentiu suas pernas fraquejarem ao ouvir o nome dele. Já haviam se passado semanas depois do ultimo encontro entre eles, como agiria quando o encontrasse? As lágrimas agora travavam uma verdadeira luta dentro do seu peito.

Jane percebendo o nervosismo de sua irmã resolveu agir rapidamente, antes que sua mãe percebesse.

- Mamãe, acho que a Sra. deveria ir receber os Matias.

- Claro minha filha. Oh! Como você está linda minha Jane. – [i] Falou enquanto dava um forte abraço em sua filha. [/i] – Não desça agora, a noiva tem obrigação de se atrasar.

Após a saída de sua mãe, Jane viu Lizzy deixar seu corpo cair na cama, com o rosto distante e desolado.

- Lizzy está tudo bem?

- Vai ficar Jane... Eu espero.

-Algum dia vocês teriam que se encontrar.

- Eu sei... Mas não sei como agir.

- Eu não sei como te ajudar, mas temo ser inevitável minha irmã. O que posso fazer para te ajudar?

- Fique comigo, por favor.

A voz de Lizzy saiu como um sussurro. Jane segurou fortemente a mão da irmã, na tentativa de passar a força necessária.

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Os convidados circulavam alegres pelo imenso jardim, muito bem decorado com flores do campo. Carlos e os pais de Jane cumprimentavam a todos. O Sr. Braga que estava em uma mesa com seu avô fuzilava Darcy com o olhar, decidiu que ficaria de olho em sua noiva e o professorzinho, não daria chance a eles de o passarem para trás.

Finalmente chegou a hora do casamento, Carlos estava posicionado no altar, com Darcy ao seu lado. Antes da entrada da noiva, Lizzy com os olhos fixos no chão tomou seu lugar no altar, decidiu não encontrar os olhos de Darcy, pois tinha certeza que não se controlaria.

 O anúncio do primeiro acorde da marcha nupcial anunciou a entrada da noiva. Jane estava com um sorriso radiante, caminharam até o altar onde um Carlos emocionado a aguardava ansioso.

Durante a cerimônia, Lizzy evitou o olhar de Darcy, mas em um breve momento, seus olhos se encontraram então uma onda de sentimentos os invadiu. O olhar dele ainda estava duro, frio, mas com um brilho diferente, Lizzy sentiu que apesar da raiva ainda contida, não havia desprezo, ela poderia até jurar que havia dúvida naqueles lindos olhos azuis.

A bela cerimônia finalmente se encerrou. Agora os noivos circulavam entre os convidados. Darcy observava com o coração quebrantado Lizzy com o Sr. Braga. A raiva ainda fazia seu coração ferver, quase o cegando, mas as palavras do Sr. Albuquerque e Carlos martelavam em sua cabeça, então ele resolveu observar atentamente.

Percebeu que a alegria e vivacidade da Lizzy que ele conheceu não mais existiam. Era visível o esforço que ela fazia para estar ali, os sorrisos forçados, os olhos distantes e perdido, aqueles olhos negros brilhantes que outrora alegravam seu coração. Realmente havia algo errado em tudo aquilo e ele precisava descobrir, e assim matar a tristeza que o envolveu durante todo este tempo. Ficaria atento a tudo que o ajudasse a descobrir algo relevante.


Toda aquela atmosfera de falsa felicidade que Lizzy vivia quando estava ao lado do seu noivo estava sufocando-a, poderia ser bem mais simples se Darcy não estivesse tão próximo, seria mais fácil fingir, enganar as pessoas que a amam que ela estava realmente feliz e apaixonada, mas não agora, não com o único homem que realmente fazia seu coração acelerar tão perto.

 Ela já não conseguia forçar os sorrisos, o que irritou profundamente seu noivo. O Sr. Braga resolveu agir antes que todo o seu plano perfeito fosse por água abaixo. Com sua voz melosa convidou gentilmente sua noiva a acompanhá-lo para um pequeno passeio.

Quando já estavam mais afastados, e a salvos de que qualquer pessoa poderia ouvi-los, resolveu contornar a situação, antes que fugisse do seu controle.

- Seria muito mais fácil para todos nós se a Senhorita não parecesse uma prisioneira prestes a ser enforcada ao meu lado... Vamos querida, faça um esforço. – [i] Falou com cinismo. [/i]

- Acho que tenho desempenhado o meu papel melhor do que posso suportar. Não me peça mais do que ficar ao seu lado. – [i] A raiva e o desprezo na voz de Lizzy eram evidentes. [/i]

- É o professorzinho não é? Sinceramente não sei em que aquele pobretão é melhor que eu para deixá-la tão descontrolada.

- Pare de cuspir seu veneno contra quem quer que seja. Isso não tem nada haver com ele, tem haver comigo, com o sacrifício que tenho que fazer pelo bem estar de minha família... E sinceramente, é impossível sorrir enquanto eu me sinto enojada devido sua presença.

As palavras de Lizzy saíram como faíscas, o semblante sempre calmo e educado de Jorge Braga mudou abruptamente, para algo raivoso, descontrolado. Em um impulso ele segurou com força o braço esquerdo de Lizzy, e com a voz carregada de ódio ameaçou.

- Acho bom a Senhorita mudar de atitude, pois devo lembrá-la que eu tenho o poder aqui, posso destruir sua família com um piscar de olhos... Então a aconselho a me tratar um pouco melhor e cumprir o nosso trato.

- Trato?...-[i] Lizzy perguntou com ironia. [/i] Tenho cumprido a sua chantagem muito bem, mais do que imaginei que suportaria... E largue meu braço, pois está me machucando.

Percebendo que estava se excedendo Ele largou o braço de Lizzy, respirou fundo, e conseguiu colocar seu sorriso falsamente educado e cínico nos lábios.

- Perdoe-me meu amor... Tem toda razão, mas peço que ao menos pareça um pouco mais feliz, pelo bem de sua família e de Pinhal... Acho melhor voltarmos para a festa antes que alguém desconfie do nosso pequeno sumiço.

Lizzy tinha os olhos marejados, sentia seu rosto completamente corado, suas pernas fracas e sua respiração ofegante. Com a voz embargada, pediu.

- Dê-me um minuto, por favor, preciso me recompor.

- Claro, fique o tempo que quiser, mas não demore, não queremos que ninguém perceba a nossa pequena discussão não é mesmo?

Dizendo isso, ele saiu sem se dar contar de que alguém atrás de uma grande árvore a poucos metros de distância tinha os pulsos cerrados no chão, em uma tentativa desesperada de se segurar para não cometer uma loucura, ao ouvir toda a conversa entre ele e Elizabeth.

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Lizzy sentiu todo o seu sangue fugir, sua cabeça ficou zonza, a paisagem foi ficando cada vez mais escura a sua frente, um forte enjôo quase a fez cair, quando estava prestes a atingir o chão, sentiu mãos fortes em sua cintura. Aquele toque, aquele cheiro... Tudo era familiar demais, pensou estar delirando, decidiu não abrir os olhos para não acordar daquele sonho, fechou ainda mais os olhos, enquanto se deixava inebriar pela fantasia daquele delírio. Estremeceu ao ouvir aquela voz doce e forte ao mesmo tempo, aquela voz que por diversas vezes sussurrou em seu ouvido palavras de amor.

- Sente-se bem? – [i] Darcy perguntou aflito enquanto apertava sua cintura. [/i]

Lizzy então percebeu que era muito real para ser uma alucinação. Abriu os olhos devagar e então a mágica aconteceu. Seus olhos se encontraram e seus corações batendo no mesmo compasso acelerado, o desejo passando por suas veias. Aquele contato deixou Lizzy atordoada, sua vontade era se entregar aquele momento, mas o medo súbito de que o Sr. Braga ou alguém os visse naquela situação, foi maior que tudo, desconcertada conseguiu apenas falar.

- Es... Estou bem, obrigada. – [i] Falou enquanto se desvencilhava daqueles braços fortes. [/i]

- Espere, por favor. [i] – Darcy pediu em um tom de voz baixo, o que fez Lizzy congelar, então ele continuou. - [/i] Eu... Lizzy, eu preciso saber o que está havendo.

- Não estou entendendo. – [i] Lizzy respondeu, não escondendo sua surpresa. [/i]

Darcy deu um longo suspiro, buscando se acalmar. Aproximou-se um pouco mais, então com o semblante aflito e a voz embargada continuou.

- Por que você me deixou?  Quero que você me conte o que te levou a fazer isso, mas peço que não esconda nada de mim.

- Eu... Eu preciso ir.

- Ouvi sua conversa com aquele verme do Jorge Braga, e sei que ele está te ameaçando. [i]-ele falou aumentando o tom de voz se aproximou de Lizzy e segurando suas mãos, suplicou. – [/i] Meu amor, você não sabe como sofri, como morri em pensar... Em pensar que você não me amava... Agora sei que há algo errado, por favor, confie em mim.

- Não posso, perdoe-me. – [i] As lágrimas agora já banhavam o rosto de Lizzy. [/i]

- Eu não sei o que está havendo, mas posso te ajudar. Não faça isso com você, não faça isso conosco. Deixe-me te ajudar.

- Ele é perigoso, ele pode te machucar.

- Eu não estou preocupado com isso... Aquele verme, só Deus sabe como tive que me segurar para não quebrar a cara dele quando o vi te ameaçando... Juntos, poderemos lutar contra ele e tem seu pai, ele certamente nos ajudará.

- Não! – [i] Lizzy gritou de pânico, só em pensar o que poderia acontecer se seu pai se envolvesse nisso tudo... [/i] Eu não posso mais voltar atrás, é muito tarde...

- Não, não é meu amor. Eu estou aqui agora... Fui tão cego, julguei você, me perdoe.

- Não há mais chances para nós, eu sinto muito... Preciso voltar antes que alguém nos veja aqui.

- Podemos conversar amanhã? Eu imploro.

- Não acho que seja...

- Por favor! – [i] Darcy tinha os olhos marejados – [/i] Na cachoeira, amanhã pela manhã, no nosso lugar, por favor.

Lizzy hesitou um pouco, pois sabia que era muito arriscado, conhecia a falta de caráter de seu noivo e sentia que ele poderia ser perigoso. Mas ao mesmo tempo, era um sonho estar a sós com Darcy outra vez. Durante todo tempo que ficaram separados morria cada vez que pensava no ódio e desprezo que ele sentia por ela, e agora que ele conhecia a verdade tudo era diferente, seu coração estava mais leve. Sem pensar muito, lhe sorriu enquanto falava.

- Eu estarei lá.

Darcy ficou parado enquanto via sua amada se afastar. A raiva de si mesmo por ter se deixado cegar pela raiva e decepção, e não ter percebido nada antes. Mas ele se sentia feliz... Feliz em saber que ela nunca o deixou de amar, que tudo foi real e verdadeiro, e que aquele terrível pesadelo estava prestes a ter um final feliz.

A festa finalmente acabou. Todos os convidados se foram, inclusive os Matias. Darcy antes de partir com seus padrinhos, olhou para Lizzy que retribuiu o olhar com um tímido sorriso, o que não passou despercebido por Jorge Braga que os observava desconfiado.

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Era muito cedo, o sol ainda nascia no horizonte. Darcy estava ansioso, precisava chegar logo à cachoeira, sabia que era muito cedo, mas também sabia que não conseguiria ficar na cama, não havia dormido durante toda a noite. Tinha certeza que a natureza iria lhe acalmar, então caminhava devagar, com o peito explodindo de alegria e felicidade.


Lizzy desceu mais cedo que o normal, o que surpreendeu seu pai, pois nos ultimo dias ela sempre ficava trancada em seu quarto. E quando ela disse que iria cavalgar um pouco, a sua surpresa e felicidade só aumentou, pois ao que parecia sua filha estava voltando ao normal. A Sra. Albuquerque como sempre reclamou, mas Lizzy estava feliz, um grande sorriso iluminava sua face, e seus olhos brilhavam novamente.

Os ventos balançavam os cabelos de Elizabeth, a sensação de liberdade depois de tantas semanas de prisão interior, de sofrimento só lhe motivava ainda mais. O Alazão parecia compartilhar da emoção de sua dona, pois corria como se deslizasse pela terra molhada.

Darcy ouviu o Barulho dos galopes, então sentiu seu corpo enrijecer, mas quando avistou sua amada, com um sorriso encantador, com seus olhos brilhantes que o deixavam hipnotizado. Quando ela parou, ele a ajudou descer do cavalo. Seus rostos ficaram muito próximos, unidos apenas por suas testas.

- Eu te amo. – [i] Darcy falou sussurrando. [/i]

- Eu sempre te amei. – [i] Lizzy respondeu no mesmo tom. [/i]

Suas bocas se uniram em um beijo cheio de saudades, suas línguas se procuraram com urgência enquanto seus braços passeavam livremente por seus corpos. Suas respirações ofegantes, e corações acelerados. Contra suas vontades eles se separaram.

- Há tanto para explicar. - [i] Lizzy falou com um pesar na voz. [/i]

- Eu sei, teremos tempo meu amor. Estou aqui para te ajudar.

Darcy passou seus dedos por todo o contorno do rosto de Elizabeth, delineando todo o rosto terminando em seus lábios. A outra mão suavemente trazia o rosto de Lizzy para perto do seu. Outro beijo se seguiu desta vez mais suave, outros beijos trocados que ficavam cada vez mais intensos. Até que seus corpos cheios de saudades se entregaram ao desejo latente e aprisionado por tantos dias, e mais uma vez a cachoeira foi testemunha da entrega de dois amantes.

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Jorge Braga esperava impaciente na grande sala de Pinhal. Já havia se passado mais de dez minutos desde que uma criada fora chamar sua patroa, pois como ela já o havia informado que sua noiva não estava em casa.

Alguns minutos depois a Sra. Albuquerque adentrou a sala com sua alegria costumeira, mas Jorge não estava com muita paciência para isso aquela manhã. Completamente impaciente, ele perguntou por Elizabeth e então foi informado que ela havia ido passear pela fazenda. A lembrança da troca de olhares entre ela e William Darcy veio a sua mente. Ele se despediu rapidamente da Sra. Albuquerque e saiu à imagem de Elizabeth com os cabelos molhados o cegou completamente, enfurecido, ele entrou em seu carro e seguiu para a cachoeira.


Lizzy agora repousava no peito de Darcy, ela já havia contado tudo para ele, desde a situação financeira de sua família até a chantagem a que foi submetida pelo Sr. Braga. Darcy por várias vezes teve que se controlar para não cometer nenhuma loucura.

- Eu sinto muito por não ter te contado antes, mas entenda, eu não podia.

- Tudo bem amor, agora ficara tudo bem. – [i] Falou enquanto beijava sua cabeça. [/i]

- Sinto-me horrível por ter provocado tanto sofrimento em você. Jamais poderei esquecer a sua expressão naquele jantar...

- Nós dois sofremos Lizzy, e não foi por culpa de nenhum de nós, aquele canalha! – [i] Darcy esbravejou. [/i]

- O que faremos agora?

- ainda não sei, mas uma coisa eu garanto, você não vai se casar com ele. Nem que isso custe a minha vida.

- Darcy, pelo amor de Deus, não faça nada, ele é perigoso eu sei. E ele ainda pode destruir minha família, ele ainda tem as dívidas do meu pai em mãos.

- Sei que não será fácil, mas vamos dar um jeito eu prometo... Meu padrinho não se negará a nos ajudar, tenho certeza.

- Não! Ninguém pode saber da situação financeira do meu pai, ele não agüentaria.

- Meu amor, você não conhece seu pai. A única coisa que ele não suportaria é vê-la infeliz... Ainda não sei como, mas vou resolver isso... Minha vontade era acabar com aquele canalha.

- Não faça nada, por favor. Já te perdi uma vez, e não suportaria perdê-lo novamente.

- Você nunca mais irá me perder Lizzy. Eu te prometo.

O som dos aplausos ecoou por toda a cachoeira. Lizzy era a própria expressão do medo, suas pernas fraquejaram e ela teve que ser aparada por Darcy, que com seu instinto protetor a colocou rapidamente atrás dele, para protegê-la.

Jorge Braga, ainda aplaudia a cena que acabara de presenciar. Tinha o ódio em seus olhos. Seus lábios pressionados pareciam prestes a explodir em um grito.

- Mas que cena mais tocante. O professorzinho e a vagabunda!

- Se eu fosse você mediria suas palavras Sr. Braga, ou... [i] – Darcy tinha os punhos fechados. [/i]

- Ou o que? Vai me bater?... É incrível como isso não me surpreende, a moça de família, tão respeitada, não passando de uma rameira.

- Cale a boca! – [i] Darcy gritou. [/i] – Eu já sei de tudo, sua chantagem, tudo. E quero que saiba que já nos separou uma vez, e não fará novamente.

A sonora gargalhada do Sr. Braga encheu o lugar. Com o mesmo cinismo que lhe era peculiar voltou a falar.

- E posso saber como você vai ajudá-la? Ah! Não me diga, eu posso adivinhar, vai vender seus livros de poesias idiotas? Não seja ridículo, de que forma pode cobrir as dívidas de Pinhal e salva sua rameira?

- Você não vai tirá-la de mim!

- Sabe Sr. Darcy se não tivesse muito em jogo eu teria o prazer de deixar que fique com ela, mas infelizmente para nós dois, eu preciso dela.

- Então você não a... -[i] Darcy não conseguiu terminar a frase diante do que ouvira. [/i]

- Se eu a amo?... Não, claro que não. Eu preciso dela e desse casamento, se bem que não posso negar que a vendo agora com tão pouca roupa, ouso dizer que vou me divertir muito. – [i] Falou lançando um olhar cheio de malícia para Lizzy, que vestia apenas sua combinação. [/i]

- Nunca!

Darcy gritou e partiu na direção de Jorge Braga. Um forte soco acertou o rosto delicado do Sr. Braga e uma luta se travou. Lizzy assistia a tudo horrorizada, tentando conter as lágrimas que banhavam seu rosto.

Após um descuido de Darcy, o Sr. Braga o atingiu fazendo o cair. E quando ele estava prestes a levantar e voltar para a briga. O Sr. Braga sacou uma arma de seu casaco. Lizzy gritou! Se colocando rapidamente ao lado de Darcy que permanecia caído no chão próximo a água.

- Por favor, pare! – [i] Lizzy suplicou. – [/i] Eu vou com você.

- Não, eu não vou deixar você ir novamente Lizzy. [i] – Darcy falou enquanto segurava o rosto de Lizzy. [/i]

- Eu não tenho escolha... Eu sinto muito... Muitas pessoas podem se machucar e eu não posso permitir, é meu destino.

- Você tem escolha sim. Você tem a mim. – [i] A voz de Darcy era cheia de desespero. [/i]

- Toda essa cena é muito tocante, mas eu não tempo para isso. Vamos!

Lizzy levantou ainda olhando nos olhos suplicantes de Darcy, as lágrimas começavam a brotar dos olhos dele e ela podia ver claramente. Foi caminhando para trás, sem tirar o os olhos dele, como se quisesse guardar aquela lembrança para sempre.

Quando estava próxima ao Sr. Braga, virou-se para ele e então sentiu sua face queimar feito brasa. O som do que se seguiu foi pior do que o impacto que a mão dele causou em sua face. Ela só colocou a mão no rosto vermelho pelo tapa.

Em uma fração de segundos, Darcy estava próximo a eles com os punhos fechados. Tudo aconteceu muito rápido, então um som seco de um tiro ecoou seguido de um grito desesperado.

- Não!