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Sabor do Amor - Capítulo 17 (Final)

Escrito por Fátima Ligado . Publicado em Sabor do Amor

Capítulo final

O Contraste da beleza do vestido e da reluzente coroa na cabeça de Elizabeth e seus olhos tristes eram gritantes. O Fino tecido se estendia até quase um metro do seu corpo, formando um lindo tapete branco. Os adornos dourados que enfeitavam pequenos pontos do vestido davam o toque final.

Lizzy sabia que sua expressão era triste e suplicante, por este motivo dispensou a ajuda de sua mãe e de Jane, alegando que ficaria mais nervosa. Não queria desabar na frente delas, pois sabia que não agüentaria. Maria, que sempre soube de seu envolvimento com o Sr. Darcy a ajudava com olhos angustiados, o sofrimento era evidente no olhar perdido de sua amiga.

- Você está linda Lizzy. – Falou na tentativa de animá-la.

- Obrigada Maria. – Respondeu melancolicamente.

- Mas, por favor, tire essa tristeza de seu rosto, todos vão perceber.

- Oh! Eu queria tanto Maria... - O desespero já banhava sua voz. – Eu preciso ser forte, é minha obrigação.

- Eu não entendo o porquê desse casamento com o almofadinha do Jorge Braga...  Lizzy você era tão mais feliz com o Sr. Darcy, por que vocês terminaram? Eu não entendo...

Lizzy sentiu um choque em seu estomago ao ouvir o nome de Darcy. Desde o fatídico dia na cachoeira que seu coração sangrava só em ouvir seu nome e tudo só piorou quando começaram a procurá-lo, enfrentar as perguntas de Jane definitivamente foi a pior parte...


Flashback...


- Lizzy tenho algo muito importante para falar com você...  Por favor, não fique nervosa, está bem?

- O que houve Jane? Está me deixando nervosa.

- É que ao chegarmos de viagem ontem, encontramos um bilhete de Georgiana, avisando que o Sr. Darcy havia desaparecido...

- Oh! – Lizzy queria falar mais, queria gritar a plenos pulmões que ele estava morto e que o culpado era o Sr. Braga, mas então se lembrou das ameaças, de seu filho... Foi andando em direção a janela sem dizer uma só palavra.

- Lizzy! Você está bem? – Jane se preocupou com a reação da irmã.

- Eu... Eu estou bem Jane... Só não sei o que falar...

- Carlos está preocupado, neste exato momento estão organizando buscas pela região... Lizzy você tem alguma pista do paradeiro do Sr. Darcy? – Jane perguntou desconfortavelmente, mas era necessário.

- Eu? Mas... Mas porque eu haveria saber algo sobre isso Jane? – As palavras saíram atropeladas, diante do nervosismo de Elizabeth.

- Desculpe minha irmã... É que me dói ver o sofrimento de Carlos e eu pensei que talvez ele tenha ido embora e poderia ter se comunicado com você... Perdoe-me foi uma idéia estúpida.

Jane abraçou a irmã, que fazia um grande esforço para conter as lágrimas...


-Lizzy! Lizzy! Você está bem?

A voz de Maria a tiraram de sua viagem ao passado. As lágrimas já umedeciam seus olhos negros, então respirando fundo e consciente de que o sacrifício valeria a pena, não por ela, mas por seu filho, ela pegou o buquê e com uma coragem que não sabia de onde vinha, falou decidida:

-Eu preciso estar bem Maria... Eu estou bem agora e vou ficar bem... Vamos acabar logo com tudo isso.

Maria lançou um olhar curioso em sua direção e então saiu deixando-a sozinha por alguns instantes, antes de descer. Lizzy foi até a sua penteadeira e abrindo sua caixa de jóia pegou um papel dobrado, abriu-o devagar e relendo mais uma vez sentiu seu corpo estremecer... Seria possível? Aquela letra... Mas ela o viu cair... Se ele estivesse vivo, por que não a procurou? Por que a deixou sofrer?... Não, isso era impossível, ela não poderia se deixar guiar pelos desejos de seu coração... Mas por que o corpo nunca foi encontrado?... Talvez o Sr. Braga tivesse encontrado e sumido com ele... E o poema poderia ser antigo...

Afastando todas as perguntas que agora rodeavam sua cabeça. Lizzy beijou o papel e o guardou entre suas mãos e o delicado buquê. Essa seria a melhor forma de tê-lo ao seu lado em um momento tão difícil de sua vida.

Seguiu pelo longo corredor até alcançar as escadas, onde seu pai a esperava ansioso. Ao vê-la, ele segurou sua mão livre e quando estava prestes a externar sua angustia, recebeu um olhar decidido da filha, rapidamente entendeu as palavras não ditas, ela tinha certeza do que estava fazendo e não queria que ele interferisse. De mão atadas, ela a conduziu com tristeza até a pequena capela da fazenda onde todos os aguardavam...

*********************************____*********************************

Darcy caminhava nervoso de um lado a outro do quarto de seus anfitriões. A ansiedade e angustia já o dominavam até que batidas na porta o fizeram congelar. A entrada de Richard trouxe uma onda de alívio.

- Graças a Deus você chegou meu primo... Então, tudo pronto?

- Claro que sim, eles estão lá embaixo nos aguardando. Espero que possamos chegar a tempo.

- Diante do que temos em mãos Richard, o tempo é nosso aliado... Agora vamos, pois não vejo a hora de ver a cara daquele canalha mergulhado em seu próprio veneno.

- William, antes de irmos quero fazer uma pergunta.

- Claro.

- Tem certeza do que vai fazer? Não haverá mais como voltar atrás. Será um grande escândalo e, além disso, você vai expor a Senhorita Albuquerque a toda à sociedade.

- Richard, eu entendo sua preocupação e a de Carlos, mas eu não poderia terminar com tudo simplesmente, não depois do que passei, do que ela passou... Eu realmente sinto muito não ser neste momento o ser humano que vocês gostariam, mas ele precisa pagar, é mais forte que eu... E eu agora, graças a meu tio e a você, poderei protegê-la como eu sempre desejei.

- Apesar de não aceitar entendo seus motivos e estou do seu lado... Vamos antes que seja tarde...

**********************************____********************************

As belas flores brancas que ornamentavam a entrada da capela e as mesas contrastavam com o colorido do jardim. A marcha nupcial chamou a atenção dos convidados, que  viraram-se para acompanhar a entrada triunfal da noiva e seu pai...

Lizzy sentiu que não tinha o controle de suas pernas, apertou com mais força o braço de seu pai, que em resposta lançou um olhar ansioso. Respirando fundo ela fez um sinal e eles seguiram pelo corredor da pequena capela... Ao olhar para o altar, a imagem cínica do Sr. Braga esperando por ela, trouxe uma sensação de tristeza profunda, as lágrimas umedeceram seus olhos, de inicio ela pensou em não chorar, mas que mal haveria? Já que todos pensariam que era a emoção pelo casamento.

À medida que se aproximava do noivo, as tristes lembranças daquele dia na cachoeira viam a sua mente. Como ela desejava que Darcy estivesse no altar esperando por ela, como tantas vezes fizeram planos, mas ela tinha que seguir, por seu filho. Apertou com força o bilhete que tinha nas mãos entre o buquê, enquanto lágrimas desciam por seu rosto.

O Sr. Albuquerque a entregou relutante ao Sr. Braga, e antes de se posicionar ao lado da esposa, beijou a testa da filha e com a voz desafiadora e baixa, falou para o futuro genro:

- Ficarei muito satisfeito se o senhor fizer minha pequena feliz Sr. Braga, do contrário, por Deus, eu juro que não responderei por mim.

Jorge Braga apenas sorriu para o sogro em seguida beijou as mãos da noiva. Lizzy aproveitou a oportunidade e sussurrando de maneira que apenas ele pudesse ouvir, reiterou suas condições.

- Estou cumprindo minha parte no acordo, espero que cumpra a sua.

- Não se preocupe meu amor, na nossa primeira noite como Senhor e senhora Albuquerque Braga eu cumprirei minha parte. – [i] Ele blefou. [/i]

Eles seguiram rumo ao altar e já posicionados, o padre deu inicio a cerimônia...

Em um canto da igreja ao lado de sua esposa Jane, um impaciente Carlos olhava para o relógio a cada minuto...

A grave voz do padre ecoou pela capela quando ele perguntou:

- Se existe alguém que tenha algum motivo que impeça este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre.

O silêncio tomou conta dos convidados... Um em especial esperou ansioso por uma entrada, mas os minutos se passaram e o padre retornou a cerimônia. Então Carlos suspirou pesadamente, e com a esperança de que Darcy chegasse antes que fosse tarde demais.

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As nuvens que se formavam no céu anunciavam uma forte chuva. A estrada esburacada chacoalhava os ocupantes dos dois carros que seguiam no limite de sua velocidade até a fazenda Pinhal, acompanhados pelo carro da policia.

Darcy observava o olhar angustiado de Richard que parecia inquieto com aquela situação. Então se voltando para o primo, tentou tranqüiliza-lo.

- Richard, tudo dará certo. Temos o controle da situação.

- Não sei como você consegue se manter tão calmo... Talvez não cheguemos a tempo.

- Esta será a parte mais fácil de tudo isso caro primo, além do mais, essa é a intenção, chegarmos atrasados. –[i] Darcy afirmou com a voz firme e decidida. [/i]

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O final da cerimônia se aproximava então as palavras decisivas pronunciadas pelo padre fizeram o sangue de Lizzy congelar em suas veias.

- Senhor Jorge Braga, é por livre vontade que aceita Elizabeth Albuquerque como sua legítima esposa, e promete amá-la e respeitá-la todos os dias da sua vida, até que a morte os separe?

Sorrindo largamente pelo sucesso de seu plano, ele olhou significadamente para a futura esposa, então respondeu confiante:

- Sim!

Voltando-se para Lizzy, que tinha a expressão vazia e distante, o padre repetiu as mesmas palavras:

- Senhorita Elizabeth Albuquerque, é por livre vontade que aceita Jorge Braga como seu legítimo esposo, e promete amá-lo e respeitá-lo todos os dias da sua vida, até que a morte os separe?

Um grande nó se fez em sua garganta. Elizabeth não conseguia falar aquela pequena palavra que acabaria com sua vida para sempre. As lágrimas já secas, agora voltavam a brotar de seus grandes olhos negros. As palavras saíram sem nenhuma certeza...

- Eu... Eu...

[i] – Por favor, Elizabeth não aceite... Tudo agora está perdido, oh! Darcy, onde você está?[/i] – Carlos sussurrou para si mesmo.

- Eu aceito!

Lizzy falou de uma vez, pois precisava acabar logo com aquele sofrimento. Para que adiar o inevitável? Estava destinada a ser a mulher do Sr. Braga e nada nem ninguém poderia ajudá-la. Diante da resposta cautelosa da noiva o padre deu a cerimônia por encerrada.

- Pelas leis dos homens e de Deus, eu os declaro marido e mulher.

Toda a igreja aplaudiu o novo e feliz casal. Mas Jane percebeu o semblante do esposo, o que a deixou intrigada. Percebeu que durante toda a cerimônia ele ficou inquieto e quando estava prestes a questioná-lo os noivos já se dirigiam para a saída da igreja, e todos os convidados estavam os seguindo para os cumprimentos.

Os noivos estavam posicionados ao lado de suas famílias recebendo as felicitações dos amigos. O Sr. Braga trazia no rosto um sorriso aberto de satisfação, enquanto Lizzy nitidamente forçava o seu. A fila ainda estava grande, quando o delegado ficou de frente para o noivo.

- Sr. Braga... – [i] Falou com o semblante sério, olhando nos olhos dele. [/i]

- Delegado, fico muito feliz por tê-lo em meu casamento.

- Não fique. Pois o que me traz aqui não o agradará nem um pouco.

- Como? Não estou compreendendo delegado.

- Sr. Jorge Braga, o senhor está preso!

- Isso só pode ser uma brincadeira, delegado. Acaso enlouqueceu? – [i] O nervosismo começou a alcançá-lo. [/i]

- Sobre quais acusações Delegado? – [i] Questionou o Sr. Albuquerque que estava próximo no momento da voz de prisão. [/i]

- O Senhor está sendo acusado de extorsão, roubo, falsidade ideológica, suborno, e tentativa de assassinato. [i] – Enumerou o delegado enquanto pegava as algemas para prendê-lo. [/i]

Lizzy estava perplexa, assistia a tudo surpresa, sabia que seu agora marido era um mau caráter, mas com essa extensão de crimes, nunca imaginou. Pensou em denunciá-lo pelo assassinato de Darcy, mas então lembrou que ele ainda tinha sua família em suas mãos. A voz cautelosa de seu pai a despertou de seus pensamentos.

- Por favor, delegado, não poderíamos esperar até o final da festa? Estamos em meio a um casamento e o amigo não faria isso com minha filha, por nossa velha amizade.

- Sr. Albuquerque eu preso muito sua amizade meu caro amigo, por isso mesmo tenho que avisar que este casamento não tem validade nenhuma.

- Mas o que está havendo aqui? Todos estão olhando! – [i] Tagarelou a Sra. Albuquerque que percebendo que algo estranho estava acontecendo veio se juntar ao seu esposo. [/i]

- O que o amigo quis dizer com o casamento não ter validade? – [i] Quis saber um intrigado Sr. Albuquerque. [/i]

- O que? Como o casamento não tem validade? O que está havendo aqui senhor meu marido?

- Não tenho tempo para explicações agora... [i]- Esbravejou o Sr. Albuquerque para a mulher, em seguida virando em direção ao delegado. [/i] – O que o amigo quis dizer?

- Acho que este não é um assunto para ser discutido aqui. Aconselho que todos nós fossemos para sua casa Sr. Albuquerque, algumas pessoas nos esperam lá.

- Eu não vou a lugar algum, isso é uma loucura. Eu sou inocente de todas essas acusações infundadas. – [i] O Sr. Braga tentou se defender com sua confiança de sempre, mas seu nervosismo já o deletava. [/i]

- Sr. Braga geralmente não costumo ter consideração por bandidos, mas abrirei uma exceção por causa do seu sogro e por que essa família merece alguns esclarecimentos.

Todos ali tinham muitas perguntas a serem feitas, mas ao perceberem que os outros convidados já começavam a olhá-los com olhos curiosos, e o burburinhos dos comentários deixaram evidente que era melhor discutir este assunto em outro lugar.

Com um simples gesto do delegado, dois policiais se posicionaram um de cada lado do Sr. Braga, para evitar uma possível fuga. Diante de todos os olhares curiosos, eles seguiram para a casa. Lizzy teve que ser amparada por seu pai que vendo que a filha não conseguia se mover, passou delicadamente o braço por sua cintura, guiando-a atrás dos outros. Jane e Carlos também os seguiram.

O Sr. Farias, avô do Sr. Braga, caminhava completamente envergonhado e amedrontado, pois agora o passado nebuloso do neto viria à tona, aquele passado que nem todo o seu dinheiro conseguiu esconder. Cabisbaixo e evitando olhar para as pessoas que teciam comentários maldosos diante daquela situação, se juntou ao grupo.

Quando finalmente chegaram a grande sala, o Sr. Braga ficou paralisado com o que viu. Seu glorioso mundo se desmoronou ao reencontrar aqueles olhos...

Lizzy não conseguiu compreender o que realmente estava acontecendo. Seus olhos se fixaram em um casal que estava sentado no sofá, o homem parecia confortar a jovem que chorava de maneira discreta, eles não pareciam bem um casal, mas pai e filha talvez. O choque foi maior quando seus olhos seguiram por seu corpo, até o seu ventre avantajado, completamente tonta ela precisou sentar para assimilar melhor o que estava acontecendo.

O homem que confortava a jovem levantou abruptamente e foi na direção de Jorge Braga, que ainda estava em choque.

- Finalmente nos encontramos novamente seu canalha! Nem todo o dinheiro do seu avô o livrará desta vez.

- O que está havendo aqui? Alguém poderia me explicar, o que diabos está acontecendo? Quem são essas pessoas? – [i] O Sr. Albuquerque perguntou impaciente. [/i]

- Eu sou Eduardo Campos e esta é minha filha. Lídia Campos Braga, esposa desse canalha.

- Ai meus nervos! Jane querida eu não sinto minhas mãos. Oh! Deus! Que escândalo, o que todos vão dizer? Jane venha aqui minha filha. – [i] Tagarelou a Sra. Albuquerque enquanto Jane vinha socorrê-la, Carlos consolava Lizzy que ainda estava sem nenhuma reação. [/i]

- Como assim, esposa do meu genro?

- Meu senhor eu realmente sinto muito que tenhamos chegado um pouco tarde para evitar a cerimônia, mas realmente foi inevitável... Este senhor que supostamente se diz seu genro casou-se com minha filha há seis meses abandonado-a grávida quando descobriu que a fortuna que ele pensou que ela tinha, não existia, além de roubar todas as nossas economias e perder tudo no jogo.

- Oh! Meu Deus eu não suportarei ouvir nem mais uma palavra. – [i] A Sra. Albuquerque choramingou enquanto se retirava para seu quarto, seguida por Jane. [/i]

- Eu realmente sinto muito por isso meu Senhor, mas diante do sofrimento que presenciei todos estes meses, vendo minha filha ser humilhada e excluída da sociedade por este canalha, eu me senti na obrigação de ajudar a colocá-lo na cadeia que é onde ele merece ficar. – [i] Ponderou o Sr. Campos.[/i]

- Não sinta Sr. Campos, o único que deverá sentir alguma coisa é esse canalha do Sr. Braga. Se não fosse por seu avô e as senhoras presentes eu mesmo quebraria a sua cara.

- Então isso quer dizer que meu casamento não é válido? – [i] Lizzy finalmente falou se dando conta do que isso acarretava. [/i]

- Felizmente para a senhorita que se livrou deste traste, sim. O casamento não tem nenhuma validade e mais um crime para a já extensa lista, bigamia. – [i] respondeu o delegado. [/i]

Então rapidamente Lizzy processou aquela informação, todos os seus esforços foram em vão, a morte do seu grande amor foi por nada, no final das contas ele não conseguiu o que queria. Movida pelo desespero ela se livrou dos braços de Carlos e se colocou na frente do Sr. Braga que estava cabisbaixo.

- Não foi minha culpa... O senhor tem que reconsiderar, eu fiz minha parte... – [i] Falou entre lágrimas. [/i]

- Minha filha, o que está havendo? – [i] O Sr. Albuquerque fez menção de ir até a filha, mas Carlos já estava ao seu lado, abraçando-a, enquanto falava em seu ouvido. [/i]

[i] – Tudo bem Elizabeth, nada acontecerá a Pinhal, tudo ficará bem. [/i]

Diante da expressão confusa e assustada do Sr. Albuquerque o delegado tratou de explicá-lo mais esta situação.

- Sr. Albuquerque ao que parece, sua filha estava sendo coagida a se casar com o Sr. Braga em troca dos títulos das dívidas de sua fazenda, ele a estava chantageando.

- Lizzy? – [i] O Sr. Albuquerque perguntou perplexo. [/i]

- Eu sinto muito meu pai... Eu não poderia ficar de braços cruzados enquanto estávamos perdendo nossa fazenda, eu não tive escolha, por favor, me perdoe. – [i] Lizzy falou entre lágrimas. [/i]

- Por quê? – [i] O Sr. Albuquerque perguntou ao Sr. Braga. [/i]

Mas ele não respondeu. Tinha os lhos fixos no chão, lamentando sua ruína tudo teria dado certo e dentro em breve ele seria um dos homens mais ricos de toda a região. De repente em um rompante de ódio, o Sr. Albuquerque acertou um forte soco no rosto do Sr. Braga que caiu desequilibrado no chão.

Automaticamente Carlos o conteve para que ele não batesse mais naquele verme, pois sabia que o sogro já não tinha idade nem saúde para tantos aborrecimentos. Fez um sinal para o delegado, que de imediato pediu que os policiais algemassem o Sr. Braga e assim seguissem para a delegacia.

Sob os protestos do Sr. Farias, seu avô, o Sr. Braga foi conduzido pelos policiais e antes que alcançasse a porta, Carlos percebendo que o sogro estava mais calmo, praticamente correu na direção dos homens que saiam e se colocando em frente ao Sr. Braga falou em um tom baixo de maneira que apenas eles ouvissem.

- Com os cumprimentos do meu amigo, o Sr. William Darcy!

Ao ouvir aquele nome, os olhos dele se arregalaram. Mas como isso era possível? Ele não poderia estar vivo. Completamente atordoado, começou a gritar enquanto era arrastado para fora.

- Não!... Eu mesmo o matei, eu atirei naquele desgraçado! Ele está no inferno!...

Sua voz foi sumindo enquanto desaparecia pelas portas. Ao que parecia ninguém na sala havia prestado atenção aquilo. Quando tudo parecia mais calmo, a moça olhou para o pai pedindo para ir embora, de imediato Carlos foi até o jardim, lá encontrou Richard sentado com seus pais e Georgiana. Após acalmar os pais e a irmã ele e Richard se dirigiram até casa, enquanto Richard explicava os novos planos de Darcy. Quando chegaram à sala, gentilmente Richard levou os Campos até a pousada onde estavam hospedados.

Quando finalmente se viram sozinhos. O Sr. Albuquerque quis esclarecer todas as suas dúvidas com a filha, mas sabia que nenhum dos dois tinha condições de relembrar coisas tão dolorosas. Então movida pela culpa e desespero Lizzy começou a se desculpar.

- Papai, eu sinto muito mesmo.

- Por que não confiou em mim quando eu pedi Lizzy, por que tivemos que chegar a isso?

- Eu tinha que fazer algo papai e quando ele me ofereceu essa troca eu não pensei em mais nada além de salvar nossas terras... Mas de nada adiantou tudo isso, agora ele vai nos destruir.

- Se me permitem... – [i] Carlos interferiu [/i] – Eu sei que este é um assunto que não me diz respeito, mas acreditem, eu já estou muito envolvido em tudo isso... Lizzy nada foi em vão, eu tenho aqui comigo os títulos das dívidas. – [i] Falou enquanto entregava os papeis para o Sr. Albuquerque. [/i]

- Mais, como?... – [i] Lizzy perguntou surpresa. [/i]

- Meu genro, eu não sei como isso foi parar em suas mãos, mas eu estarei em dívida com você para sempre, e juro, pagarei cada centavo que foi gasto no resgate destes títulos. –[i] Falou visivelmente emocionado, diante da atitude do genro. [/i]

- Meu sogro, eu não mereço sua gratidão, ela terá que ser direcionada para uma outra pessoa, que pagou pelos títulos e também montou tudo isso para que o Sr. Braga fosse desmascarado.

- Quem? – [i] Ele perguntou confuso. [/i]

- No tempo certo o senhor saberá, já teve emoções demais por hoje... Agora, eu acho que alguém tem que ir lá fora e explicar a situação para os convidados e temos que nem minha sogra, nem Elizabeth têm condições de fazer isso.

- É você está certo. A essa altura todos já devem ter feito as mais loucas especulações... Então cabe a mim esta tarefa.

Carlos e Lizzy ficaram sozinhos. Então Lizzy deu vazão a sua dor, chorando copiosamente, enquanto era afagada pelo cunhado.

- Eu fui tão idiota Carlos, arruinei a minha vida e a de todos eu amo.

- Agora está tudo bem Elizabeth...

- Não. Não está... Ele se foi, ele está morto e por minha culpa e por nada... Você precisa saber o que aconteceu com William...

- Ouça-me. Quero que leia este bilhete, por favor.

- Mais...

- É realmente importante, e acabará com toda essa angustia do seu coração... Por favor, leia.

Com as mãos tremulas, Lizzy pegou pequeno papel, e à medida que foi desdobrando o choque pelo reconhecimento do cheiro que estava grudado no papel e a bela caligrafia, a deixaram zonza, com a ajuda de Carlos sentou-se no sofá, enquanto lia entre soluços as palavras contidas...

[b]Esperar por ti? [/b]


[i] "Esperar por ti?
Se me pedires, eu espero...
Basta-te chegar e dizer...
Tu sabes que é o que mais quero!” 


Esperar por ti?
Esperar para te ter aqui?
Para sentir o teu abraço forte,
Que durante algum tempo perdi?


Esperar por ti?
Esperar por esse sorriso encantador,
Por esses beijos mágicos,
Por esse olhar tão sedutor?


Esperar por ti?
Agora, a sério. Queres que espere?
Queres que fique aqui, por ti,
Esquecendo tudo o que me fere?


Espero por ti?
O pior é que eu sei que sim!
Mesmo que não me peças que espere,
O meu coração espera por ti até ao fim!"


Sei que muitas dúvidas povoam sua cabeça neste momento, mas tudo o que peço é que venha até o nosso lugar, ao lugar onde tantas vezes contemplei a beleza estonteante destes olhos negros...

Sempre seu... [/i]


Com o rosto banhado em lágrimas, ela levantou sua cabeça encontrando o olhar cúmplice do cunhado.

- Eu... Como?

- Vá Elizabeth... Apenas vá e seja feliz...

Sem pensar em mais nada, ela sorriu e então sentiu que todo o seu sofrimento e angustia estavam acabando. Correu pela sala alcançando a saída e então passou correndo por entre os convidados que atônitos assistiam a tudo surpresos. Foi em direção ao estábulo e pegou seu cavalo Alazão, que parecia compartilhar da alegria de sua dona, sob os protestos de Chico que reclamava pela falta de sela no animal, ela montou em pêlo e saiu galopando por entes os convidados e dezenas de arranjos brancos ficando para trás.

Ao ver a filha passar em seu cavalo e sem sela, ainda por cima vestida de noiva. O Sr. Albuquerque se apressou em segui-la, mais foi impedido por Carlos que com um grande sorriso, o tranqüilizou...

- Deixe-a ir meu sogro... Finalmente ela será feliz... Confie em mim...

*************************_________************************************
A chuva agora caía forte fazendo com que o vestido ficasse ainda mais pesado, a terra molhada dificultava os galopes de Alazão, o rosto e os cabelos molhados, nada disso foi suficiente para impedir Lizzy de chegar ao seu destino.

As árvores passavam por ela como vultos, a confiança entre ela e seu animal era muito forte. Quando finalmente chegou à entrada da trilha, desceu do cavalo e com o coração aos pulos caminhou em direção a cachoeira, não sabia exatamente o que a esperava, mas sentia que precisava ir e que toda a sua dor iria sumir para sempre.

Caminhava lentamente, e à medida que o barulho da queda d’água se intensificava sua respiração acelerava. Quando finalmente aquela paisagem que estava gravada em sua cabeça e seu coração, surgiu em sua frente, um misto de surpresa e extrema felicidade a invadiu...

... Aqueles olhos azuis oceano... Ah! Quantas noites ela chorou sentindo falta daqueles olhos doces e hipnotizadores... Milagre, essa era a palavra correta que descreveria aquele momento... Quanta angústia, lágrimas, desespero... Dias, semanas, meses... E agora finalmente tudo estava acabado...

Darcy não poderia está mais feliz. Tantos dias de solidão e sofrimento, sem poder vê-la, tocá-la... Aqueles olhos negros tinham o dom de levá-lo ao paraíso... A distância jamais poderia apagar os sentimentos, como ela era linda, como ela estava linda... Os pingos da chuva escorrendo por belo rosto, o vestido de noiva encharcado contornando cada curva de seu corpo que ele lembrava com tantos detalhes... Sua Lizzy, sim ela era real agora depois de tantos sonhos e fantasias...

Eles foram se aproximando entre lágrimas e sorrisos, a cada passo dado a dor ia sumindo de seus corações... Ficaram a alguns centímetros de distância, apenas se contemplando, suas respirações estavam visivelmente descontroladas delatadas por seus peitos arfantes.

Darcy estendeu sua mão direita com cuidado e cautelosamente pousou no rosto de Lizzy, que ao sentir mais uma vez aquele toque em sua pele fechou os olhos, pedindo aos céus que não fosse um sonho bom.

Agora as duas mãos dele traçavam linhas por todo o rosto de Lizzy, que olhava fixamente naqueles olhos azuis que tanto amava... Darcy aproximou seu rosto devagar de maneira que suas testas ficaram unidas, e entre sussurros falou com sua voz embargada:

[b] Fim da Espera [/b]
[i] Chegaste,
Chegaste enfim,
Tal como te entrevi
Em minhas noites de insônia...

Chegaste,
Tal como sonhei,
Fragmento da lua
Iluminando minha fria noite...

Chegaste,
Trazendo nos olhos
Raios de sol
Para aquecer meus dias de inverno.

Chegaste.
E eu, que te esperava tanto,
Abri de par em par
As portas da minh’alma.[/i]

[b]Autor: Val Bomfim[/b]
           

Havia tanto a ser dito, tantas dúvidas, tantos por quês, mas nada disso era relevante agora. O clima mágico que estavam vivendo depois de tanto sofrimento suprimia qualquer coisa, e nada nem ninguém mais poderia separá-los, teriam todo o tempo para os esclarecimentos.

Darcy a beijou com sofreguidão, depois de tanto tempo sentir o sabor dos lábios de Elizabeth o deixava sem controle... Lizzy correspondeu igualmente ao beijo que ficaram cada vez mais intensos e ansiosos, entre gemidos ela falou ainda com os lábios pressionados ao dele:

- Eu preciso tanto de você meu amor...

- Você já me tem... Sempre fui seu... Estive sempre aqui...

Os botões das costa do vestido foram abertos rapidamente, e ele caiu pesadamente aos seus pés... As mãos de ambos buscavam com urgência a intimidade de seus corpos. As carícias... Os beijos... A necessidade de entrega... Só a cachoeira, e a chuva como testemunhas de tanta felicidade...