Imprimir

O Fruto da Honestidade - Capítulo 17

Ligado . Publicado em O Fruto da Honestidade

Os dias passaram rápido e a terça-feira logo chegou.
 
Lizzie acordou animada, há muito tempo esperava assistir a essa peça, e hoje chegara, finalmente, o tão aguardado dia de estréia.
 
Já que Charlotte conseguira apenas três ingressos, ficara combinado inicialmente entre Jane, Elizabeth e ela que as três iriam juntas.
 
Mas, quando Jane mencionou a Charles os seus planos para aquele dia, ele logo se lembrou que Darcy convidara-o a assistir a peça com ele e sua irmã.
 
Assim, todo o grupo combinou, por intermédio de Jane e Charles, que se encontraria no teatro.
 
Lizzie chegou em casa às 19 horas. Ela tinha exatamente duas horas e meia para se arrumar e chegar ao teatro a tempo.
 
Então ela logo tratou de escolher a roupa que iria.
 
Vasculhando seu guarda-roupa, encontrou uma linda blusa azul-marinho que tinha a gola alta e um ziper nas costas. Ela não usava-na há um tempão, mas gostava muito e sempre caía bem nela.
 
Eleita a blusa, agora era a hora de achar a calça.
 
Revirou todo o guarda-roupa e não encontrou uma calça que lhe agradasse.
 
- Será possível que não tenho uma calça decente?
 
- Falando sozinha, Lizzie?
 
Era Jane. Ela havia acabado de chegar e ria da expressão de desespero da irmã enquanto tentava achar algo para vestir.
 
- Ah, Jane... é que faz um tempão que eu estou tentando encontrar uma calça “vestível” e não encontro!
 
- Lizzie, você não precisa se desesperar. Vem, eu te ajudo.
 
- Só a santa Jane pra me ajudar! Você deveria ter feito moda, sabia?
 
- Não, Lizzie. Moda não é minha vocação. É apenas um hobby!
 
- Certo, certo... então use seu maravilhoso hobby a favor de sua irmã, que está mais do que perdida...
 
- Ok, vamos ver o que têm aqui.
 
Jane começou a olhar as peças de roupa que a irmã tinha e a sugerir algumas. Só conseguia acenos de cabeça em sinal negativo por parte de sua irmã.
 
- Achei! Essa você não pode recusar! – disse Jane, exibindo uma calça preta de linho, cintura alta e corte reto.
 
- Essa calça? Ah, Jane... não vai ficar muito...ah... não, essa não!
 
- Além dela você só tem mais duas alternativas: um vestido preto de cetim ou essa saia à altura do tornozelo, que eu não acredito que você irá querer sair.
 
É, Lizzie tinha mesmo que confessar... ela tinha algumas roupas bem toscas.
 
- Tá bom, eu me rendo! Mas eu vou com vestido. Outro dia uso a blusinha... Apesar de achar que esse vestido não tem nada a ver com a ocasião.
 
- Não, Lizzie. Você vai ficar perfeita. E se arrume logo porque agora nós só temos mais uma hora para chegar lá. – disse Jane, saindo do quarto da irmã.
 
Impressionante. Como ela conseguiu gastar uma hora e meia escolhendo uma roupa? Isso era um grande mistério para Elizabeth Bennet, que, no máximo, gastava dez minutos para realizar a mesma tarefa.
 
A escassez de tempo fê-la se apressar e estar pronta em cerca de vinte minutos.
 
Logo que se considerou exemplarmente vestida, foi à frente do espelho para verificar a produção.
 
Tinha que admitir. Jane fizera a escolha certa. O vestido revestiu-se perfeitamente em seu corpo, apesar de não ser muito justo. Ele era preto, de cetim, caía-lhe até os joelhos, tinha o decote tomara-que-caia e uma larga faixa da mesma cor que marcava a cintura bem-feita de Lizzie.
 
O cabelo e a maquiagem também combinaram. Aquele estava solto e composto por enormes cachos*. A maquiagem estava bem leve, mas realçava levemente seus olhos escuros e dava mais sensualidade à sua boca.
 
Assim, saiu do seu quarto e foi à procura de Jane.
 
Como não encontrou-a na sala nem em outro lugar da casa, foi até o quarto dela.
 
Bateu à porta.
 
- Entre!
 
Lizzie entrou e então viu sua irmã, que estava sentada à beira da cama, acabando de calçar as suas sandálias.
 
Jane estava linda. Mais ainda do que nunca. Nesse momento Lizzie sentiu ainda mais orgulho de tê-la como irmã.
 
- Jane, como você está linda!
 
- Obrigada, Lizzie! Você também está fantástica!
 
Jane estava com um lindo vestido** creme e a maquiagem simples, apenas valorizando seus olhos azuis e sua boca delicada. Carregava consigo também uma pequenina bolsa retangular da mesma cor do vestido que serviria apenas para guardar os essenciais armamentos femininos (batom, gloss, delineador para os olhos...), o celular, entre outras coisas.
 
Seu cabelo estava todo preso num coque, que deixava apenas alguns fios soltos atrás da orelha.
 
- Posso estar bem, mas nada comparado a você! Parece que você veio direto de um conto de fadas!
 
- Lizzie, não fale bobagens!
 
- É sério! É hoje que o Charles não larga do seu pé nunca mais!!
 
Rindo, as duas saíram do apartamento em direção ao taxi em que Charlotte estava, e que já as esperava em frente ao prédio.
 
********************************************
 
Eles já haviam chegado ao teatro há algum tempo e esperavam por elas em frente ao teatro há 15 minutos.
 
- Darcy, não acha que elas estão muito atrasadas? A Jane é sempre tão pontual! E daqui a 10 minutos a peça começará.
 
- Calma, Charles. Elas já devem estar chegando. – falou Darcy, enquanto tentava acalmar seu amigo e a si mesmo, que ansiava cada minuto mais ver Lizzie. Seu coração não aguentava ficar longe dela um segundo sequer.
 
- Charles, até parece que você não sabe que nós, mulheres, demoramos um pouco para nos arrumarmos.
 
- Eu que o diga... – brincou Darcy.
 
- William! – disse Georgiana, repreendendo seu irmão.
 
***************************************************
 
Esta noite a família Bennet resolveu não jantar no hotel, diferente do que haviam feito nos últimos dias.
 
Eles saíram em direção a um restaurante de comida italiana que costumavam frequentar quando iam à cidade e que ficava perto do centro de Londres.
 
Chegando lá, todos se sentaram em seus respectivos lugares e pediram fettuccini com ervas para o jantar. Logo que o garçon se afastou, começaram um animado diálogo:
 
- Sr. Bennet, lembre-me de não visitar mais o museu da guerra***... Para que lembrar de momentos tão tristes? Ver canhões, aviões de guerra, sabendo que eles podem ter sido usados para matar tantos inocentes!
 
- Minha flor, lembre-se que nosso país venceu muitas das guerras representadas ali.
 
- Eu também sei disso, sr. Bennet. Mas o fato de vencer a guerra não a torna mais racional.
 
O sr. Bennet então resolveu deixar sua mulher com sua própria opinião sobre guerras e não mais persuadí-la. Afinal, esse era um dos poucos assuntos gerais em que ela tinha alguma razão. Pra falar a verdade, até ele próprio tinha suas dúvidas contra a necessidade de guerras.
 
- Mamãe, o que acha de irmos à Harrold**** amanhã? Aí a senhora pode abstrair um pouco e esquecer essa estória de guerras. – falou Lydia, quebrando o rápido silêncio que tinha dominado a mesa.
 
- Que idéia maravilhosa, minha querida Lydia! É claro que vamos! Não é, sr. Bennet?
 
- Desculpe-me a desfeita, minha querida, mas combinei de ir ao Museu da História Natural***** com a Mary. Não é verdade? – disse olhando para a respectiva filha e dando-lhe um significativo olhar para que confirmasse sua estória.
 
- Claro, há um tempão planejamos visitar esse museu. – disse Mary, de modo afetado. Não sabia mentir.
 
- Tudo bem, então iremos a Lydia, a Kitty e eu para o Harrold e o sr. Bennet e a Mary para o Museu da História Natural.
 
A conversa continuou animada entre os parentes e então Lydia lembrou-se de algo e comentou baixinho para Kitty:
 
- Kitty, acabo de lembrar-me. Hoje é o dia que estréia a peça do meu querido Wickham! Pena que os ingressos estavam esgotados, senão nós estaríamos lá, na primeira fileira, para vê-lo brilhar.
 
- Apesar de que ele é apenas um figurante...
 
- E quem disse que figurantes não brilham? Sem eles a estória não teria graça! E além do mais, a peça é o maior sucesso! Ele terá que aparecer pelo menos por alguns míseros instantes!
 
- Isso é verdade. Que tal ligarmos pra ele quando a peça acabar?
 
- Ótimo. Idéia perfeita.
 
Após esse último comentário de Lydia, o jantar foi servido e todos se puseram a comer.
 
****************************************************
 
Há cinco minutos eles estavam em frente ao teatro esperando-as. Charles já ligara umas vinte vezes para Jane, mas ela nunca atendia.
 
Ele estava quase tendo uma crise de nervos.
 
Darcy também, quase não conseguia mais disfarçar.
 
Quando eles já estavam perdendo as esperanças de encontrá-las ali, um taxi parou em frente ao teatro. O motorista abriu a porta para os ocupantes do carro e deu lugar para saírem de lá três belas moças.
 
A primeira, que mais parecia uma boneca de tão linda, foi logo recebida por um namorado apaixonado e encantado.
 
A segunda, não tão bonita quanto ela, saiu do carro e logo cumprimentou os outros integrantes do grupo que as esperava.
 
A última saiu do carro iluminada pela bela lua cheia estampada no céu e roubou-lhe a beleza e a atenção.
 
Darcy olhou-a com veneração e ficou estático. Só conseguia pensar: Ela está perfeita!