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O Fruto da Honestidade - Capítulo 18

Ligado . Publicado em O Fruto da Honestidade

Logo que saiu do carro, Lizzie contemplou aquela bela visão que estava à sua frente.
 
Darcy estava belíssimo àquela noite. Pusera de lado o seu tradicional paletó e desta vez uma camisa cinza-claro de gola alta e um blazer azul-escuro compunham o seu visual, juntamente com uma calça social da mesma cor do blazer.
 
Elizabeth olhou-o admirada. Engraçado como ele poderia ficar lindo com aquele “look” mais descontraído. Parecia mais novo e menos sisudo.
 
Além da cor da camisa realçar as estrias cinzas em seu olho azul.
 
Já que Charlotte falava com Georgiana e Charles e Jane estavam matando um pouco as saudades um do outro, Lizzie e Darcy não viram outra alternativa a não ser se cumprimetarem.
 
Lizzie andou até ele e estendeu sua mão para saudá-lo.
 
- Sr. Darcy, como vai?
 
- Muito bem. E pode me chamar de William. Não estamos no trabalho. – disse Darcy, tentando tornar a conversa menos formal.
 
- Certo, então. Pode me chamar de Elizabeth. – falou sorrindo para ele, apesar de estar meio cética quanto àquela atitude dele.
 
- Está belíssima esta noite, Elizabeth. – falou ele, enfatizando o nome dela. Era tão bom chamá-la assim. Sentia que naquela noite poderia haver um progresso no relacionamento dos dois.
 
- Muito obrigada. E o senhor...
 
- Você. – interrompeu-a Darcy.
 
- Você está... diferente. É a primeira vez que não lhe vejo de terno.
 
Ele sorriu tímido em retribuição ao elogio.
 
O animado princípio de conversa entre os dois foi interrompido por Georgiana, que veio saudar Lizzie.
 
Elas dialogaram por um tempo e Darcy se viu obrigado a se separar de Lizzie e ir falar com as outras recém-chegadas.
 
Bingley, apesar de um pouco contrariado por se apartar de Jane uns instantes, conversou com Charlotte e Lizzie muito amigavelmente.
 
Logo, um único “círculo” se formou e todos passaram a conversar juntos sobre o mesmo assunto.
 
Após alguns instantes de diálogo, Charles percebeu o quão ultrapassada já se fazia a hora e alertou a todos:
 
- Pessoal, faltam apenas 5 minutos para o início do espetáculo, acho melhor entrarmos e tomarmos nossos lugares. O que acham?
 
- Acho uma ótima idéia. Vamos. – assentiu Charlotte.
 
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Há duas horas havia chegado ali. Estava cansado de tanta agitação.
 
Enquanto ele e os outros figurantes se espreitavam por entre estreitos corredores e minúsculas penteadeiras, os atores principais tinham cada um seu próprio camarim e empregados.
 
“Está tudo errado... quem deveria ser a estrela era eu! Eu sou melhor do que todos aqui, até melhor do que aqueles atorezinhos convencidos que farão o papel principal. Acham que os outros nasceram apenas para ser seus criados. Isso vai mudar...”
 
Assim, George Wickham acabava de dar uma última conferida em sua vestimenta.
 
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Após o jantar, a família Bennet decidiu ir a uma pista de patinação no gelo. Apesar de Londres estar em pleno “verão”, esse tipo de diversão era muito cultivado.
 
Estavam todos muito animados por fazê-lo, exceto pela sra. Bennet. Se divertir no gelo era uma coisa que raramente faziam.
 
As primeiras a aderirem à onda foram Kitty e Lydia, que puseram logo seus patins e começaram a fazer mil estripulias na pista de patinação.
 
A próxima foi Mary, mas esta não se arriscou tanto nas manobras quanto suas irmãs mais novas. Ela era mais moderada.
 
O casal Bennet foi o último a entrar na pista. A sra. Bennet estava resistindo com todas as suas forças – e incessantes argumentos – a entrar ali.
 
- Sr. Bennet, já lhe disse que não irei entrar aí. Mal consigo me equilibrar nessas coisas! – disse ela, apontando para os patins.
 
- Claro que consegue, minha querida! Olhe, até eu consigo! – argumentou ele, enquanto se exibia para sua mulher.
 
- Mas o senhor é perfeitamente saudável, sr. Bennet! Esqueceu-se de meus nervos?
 
- Não, a senhora sabe que prezo muito por eles...
 
- Não brinque com coisas sérias, sr. Bennet!
 
- Certo, desculpe-me. Mas a senhora sabe que seus nervos não a impedem de patinar!
 
Após pequenas rusgas, muitos argumentos e reclamações, a sra. Bennet finalmente entrou na pista de patinação. Mas segurando nos corrimões laterais ou no seu marido.
 
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Por obra do destino, os lugares em que se sentariam se localizavam próximos um do outro. Eram quatro lugares na fileira da frente e dois lugares na fileira de trás.
 
As mulheres ficaram dispostas na da frente e os homens, na de trás.
 
De instante em instante Charles se voltava para frente e comentava algo com Jane. Percebendo o incômodo do casal, Charlotte propôs que alguém se oferrecesse a trocar de lugar com um dos dois.
 
Darcy, aproveitando a oportunidade, disse que poderia, sem problemas, trocar de lugar com Jane. Na verdade, ele não queria perder a grande chance de passar o espetáculo inteiro ao lado de Elizabeth. Aliás, adorava chamá-la assim...
 
Assim, o casal formado por Jane e Bingley pôde sentar-se junto, e Darcy logo tomou seu lugar ao lado de Elizabeth.
 
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Charlotte e Georgiana conversavam animadamente em seus respectivos lugares. Elas se conheceram por meio de Lizzie, na festa do último sábado, e já haviam se tornado amigas.
 
Não era possível dizer que elas possuíam personalidades parecidas. Enquanto Charlotte era expansiva, extrovertida e falante, Georgiana era mais tímida e, talvez, um pouco introvertida.
 
Mas, apesar das diferenças, era engraçado como a conversa fluía entre as duas. Conversaram sobre todos os assuntos. Assuntos sérios – política, economia, problemas sociais... – e alguns, de certa forma, frívolos – moda, maquiagem, cinema, etc...
 
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Num outro lugar, bem próximo dali, estavam Jane e Charles.
 
- Meu amor, estava morrendo de saudades de você... – falou Charles, depositando um pequeno beijo na bochecha de Jane.
 
- Charles, nós não nos víamos há apenas duas horas... – disse ela, sorrindo apaixonada para ele.
 
- Você não sabe que eu não consigo passar nem um segundo longe de você? – sorriu, brincalhão. – Ainda mais quando você está tão linda... parece uma princesa...minha princesa. – beijou-a nos lábios dessa vez com um rápido, mas apaixonado beijo.
 
Jane correspondia a todo amor e paixão que ele lhe dedicava. Sua vida não poderia ficar mais perfeita...
 
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Após isto, o sinal que o espetáculo iria começar foi anunciado.
 
As luzes se apagaram lentamente, restaram apenas umas pequenas luminárias nas paredes laterais do teatro. Que, por sinal, era muito bonito.
 
O escuro intensificou a sua emoção. Ele podia sentir a respiração dela junto à sua. Seu perfume estava inebriando seus sentidos...
 
Ele, para interromper o incômodo silêncio que reinava entre eles, já que Charlotte e Georgiana comentavam algo baixinho e Charles e Jane também, resolveu iniciar uma conversa.
 
- Está muito ansiosa para assistir à peça, Elizabeth?
 
- Um pouco, já esperava por esta peça há algum tempo... – disse ela, olhando firme nos olhos dele, que pareciam ainda mais brilhantes por causa da escassez de iluminação.
 
Ele esboçou um sorriso em sinal de aprovação à resposta dela.
 
Mais uma vez, uma tentativa de diálogo entre os dois foi interrompida. Dessa vez, pela abertura das cortinas do palco, anunciando o início do espetáculo. Frustrando os planos de aproximação de William Darcy.
 
O enredo da peça tratava, basicamente, dos encontros e desencontros amorosos de maneira cômica.
 
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Com o figurino impecável, ele estava apenas esperando o assistente de direção chamá-lo para entrar em cena.
 
George Wickham podia confessar que estava, de certa forma, nervoso. Aquela seria sua estréia como ator.
 
Mesmo já tendo trabalhado em vários lugares e em diversas profissões, aquela experiência seria diferente. Dessa vez, ele teria todas as atenções voltadas para si.
 
Mas, apesar das vantagens de sua nova profissão, ela não fazia parte de suas prioridades. Que, aliás, era uma só. Acabar com a vida do homem que arruinou suas chances de prestígio no presente e no futuro.
 
Alguns minutos depois foi-lhe dado um sinal para ficar a postos. Ele obedeceu e tomou seu lugar no canto esquerdo do palco. Representaria o porteiro do prédio onde aconteceriam as situações do espetáculo.
 
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Abriram-se as cortinas vermelhas que escondiam o cenário da estória.
 
A cada cena engraçada, Darcy se deliciava ao ouvir a doce risadinha de Lizzie e olhava-a de soslaio.
 
Num desses momentos, ele virou-se para ela, a fim de observá-la.
 
- O que houve? – perguntou Lizzie,ainda com um sorriso emoldurando seu rosto.
 
- Nada, estava apenas admirando seu sorriso. Ele é belíssimo. – falou Darcy, com um olhar apaixonado.
 
- Obrigada. – disse ela, um pouco tímida e surpresa por receber aquele elogio inesperado. – Você também fica muito bonito sorrindo. – falou, para livrar-se da sensação de pânico que tomou conta dela após aquelas palavras dele.
 
Ela estava se sentindo lisonjeada por estar recebendo um elogio dele? Era fato que ele comprovara que podia ser agradável e sociável, como na festa de lançamento dos perfumes. Mas ela ainda tinha suas dúvidas sobre o que exatamente sentia por ele.
 
- Obrigado. – consentiu, vitorioso e feliz, por ela tê-lo notado.
 
Voltaram sua atenção à peça novamente, mas ele sempre dirigia uns olhares discretos a ela, fascinado por sua beleza e companhia.
 
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Do lugar onde estava, era possível observar os rostos das centenas de espectadores.
 
E qual não foi sua surpresa ao ver quem estava ali. Era bom demais para ser verdade...!
 
Surpresa maior ao ver que estava acompanhado e que por vezes dirigia o olhar e sorrisos à mulher que estava ao seu lado.
 
Darcy apaixonado? Achara que isso seria impossível...
 
“Pois é... o impossível pode tornar-se possível, às vezes...”
 
Também notara Georgiana.
 
“Está bonita, mas sem-sal como sempre...”
 
De repente, teve uma idéia. Agora tinha o plano perfeito para arruinar de uma vez a vida de seu oponente. Acabara de achar-lhe uma fraqueza...
 
“Uma bela fraqueza, por sinal...” – pensou Wickham, fitando Elizabeth.
 
Sorriu de satisfação.
 
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De pé, todos aplaudiram o elenco da estória, que se inclinara de mãos dadas para agradecer, simbolicamente, ao público.
 
Já saíam de seu lugar em direção à saída do salão quando Charlotte exclamou:
 
- Ei, pessoal! Aonde vocês pensam que vão?
 
- A peça acabou, como você pode constatar, e nós vamos ir embora. Ou você vai querer passar a noite aqui? Vou logo lhe alertando que, para dormir, essas poltronas talvez não sejam tão confortáveis... – falou Lizzie, com ar sapeca.
 
- Muito engraçado, Elizabeth Bennet... – respondeu, revirando os olhos. – O que eu quero dizer é que o meu amigo, o que conseguiu os ingressos para nós, faz parte do elenco. Então, ele deixou que nós visitássemos os bastidores! O que acham?
 
- Acho uma idéia fantástica! – opinou Jane. – Sempre quis saber como seriam as coisas por trás do cenário...
 
- Ótimo, se ninguém se opõe, vamos todos! Entra-se por aquela portinha, do lado do palco.
 
Após conversar com o segurança que resguardava a entrada aos bastidores, entraram. Charlotte conversava com seu amigo e este, que se chamava Edgar Bonazzo, mostrava-lhes todos os locais.
 
Edgar era muito bonito, tinha cabelos loiros muito claros e olhos verdes. Alto, tinha quase 1,80m de altura e era hábil em travar conversas com desconhecidos, além de ter um sorriso fácil.
 
Podia-se observar várias mudas de roupas, alguns resquícios de móveis de cenários anteriores, além de, no fundo do corredor onde estavam todas essas coisas, haviam também algumas portas que davam passagem aos camarins.
 
Os amigos exploravam aquele universo novo. Ouvia-se uma agitação por trás de uma das portas. Charles perguntou o que funcionava ali.
 
- Aqui é o camarim dos figurantes. É uma enorme sala onde têm várias penteadeiras. Todos os figurantes se arrumam aqui. – respondeu Edgar. – querem entrar para conhecer?
 
Responderam-no com um sorriso e um assentimento de cabeça. Os únicos a não entrarem foram Darcy e Georgiana, este recebeu um telefonema urgente da sua secretária e sua irmã ficara consigo para ter certeza de que estava tudo bem. Eles disseram que entrariam depois, quando terminassem.
 
Darcy desligou a ligação e confirmou a Georgiana que estava tudo bem, apenas Hannah se confundira com o horário de algumas reuniões para o dia seguinte. Quando estavam prestes a entrar, ele ouviu uma música longe, mas que era possível ouvir com clareza.
 
 
Pop! Goes my heart
(Filme Letra e Música)
 
I never thought that I could be so satisfied,
Eu não pensei que poderia me satisfazer tanto,
 
Everytime that I look in your angel eyes.
Toda vez que olho nos seus olhos angelicais.
 
A shock inside me that words just can't describe,
Se chocam em mim palavras que eu não consigo descrever,
 
And there's no explaining.
E não há explicação.
 
There's something in the way you move, I can't deny,
Existe algo no jeito que você se move, Não posso negar,
 
Every word from your lips is a lullaby.
Todas as palavras que saem dos seus lábios são canções de ninar.
 
A twist of fate makes life worth while,
Uma mudança no destino fez a vida valer mais,
 
You are gold and silver.
Você é ouro e prata.
 
 
I said I wasn't gonna lose my head, but then
Eu disse que não perderia a cabeça, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
I wasn't gonna fall in love again, but then
Eu não ia me apaixonar de novo, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
And I just can't let you go,
E eu não posso te deixar escapar,
 
I can't lose this feeling.
Não posso perder este sentimento.
 
 
These precious moments, we have so few,
Esses momentos preciosos, temos que sentir,
 
Let us go far away, where there's nothing to do but play.
Vamos para longe, onde não há nada a fazer do que jogar.
 
You show to me that my destiny's with you,
Você me mostrou que meu destino é com você,
 
And there's no explaining.
E não há explicação.
 
Lets fly so high, will you come with me tonight?
Vamos voar bem alto, Você vem comigo esta noite?
 
In your dress, I confess, you're the source of light.
Nesse vestido, eu confesso, você é puro raio de sol
 
The way you shine in the starry skies,
O jeito como você brilha na noite estrelada
 
You are gold and silver.
Você é ouro e prata
 
 
I said I wasn't gonna lose my head, but then
Eu disse que não perderia a cabeça, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
I wasn't gonna fall in love again, but then
Eu não ia me apaixonar de novo, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
And I just can't let you go,
E eu não posso te deixar escapar,
 
I can't lose this feeling.
Não posso perder este sentimento.
 
 
A twist of fate makes life worth while,
Uma mudança no destino fez a vida valer mais,
 
You are gold and silver.
Você é ouro e prata.
 
(2x)
I said I wasn't gonna lose my head, but then
Eu disse que não perderia a cabeça, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
I wasn't gonna fall in love again, but then
Eu não ia me apaixonar de novo, mas então
 
POP! Goes my heart.
POP! vai meu coração.
 
And I just can't let you go,
E eu não posso te deixar escapar,
 
I can't lose this feeling.
Não posso perder este sentimento.
 
 
 
Ele sorriu ao perceber a coincidência com o que estava sentindo àquela noite e entrou na sala onde os outros tinham ido anteriormente.
 
Lá dentro, alguns atores conversavam, outros terminavam de despir-se de seus figurinos, outros já se preparavam para ir embora.
 
Ele e Georgiana procuraram seus amigos com o olhar, achando-os ao fundo da sala, conversando com alguns atores.
 
Chegando mais perto, percebeu que Lizzie travava uma animada conversa com um dos atores. Quando estava quase ao lado dela, viu quem era o ator com quem ela conversava.
 
Uma fúria intensa subiu à sua mente, ele teve que se conter para não batê-lo ali mesmo, no meio de tantas pessoas.
 
Ele tentou entreter Georgiana para que ela não visse Wickham, se despediu rapidamente dos outros e lançou um olhar decepcionado para Lizzie e outro fulminantemente ameaçador para George.
 
Alertou disfarçadamente Charles para que este afastasse Elizabeth de tão abominável homem. O último não entendeu nada, mas prometeu fazer o que o amigo lhe pediu.
 
Apesar de todos os esforços de Darcy para que sua irmã não visse Wickham, ela o reconhecera e agora tentava segurar as lágrimas.
 
Pediu veementemente para que William tirasse-na dali. Ele atendeu rapidamente ao seu pedido e saíram dali.
 
Lizzie, que conversava com George e o achara muito agradável, não entendeu a atitude de Darcy. Ele estava tão atencioso no espetáculo, e agora saíra sem nem se despedir dela.