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Corazon Partío - Capítulo III

Escrito por Indira Ligado . Publicado em Corazon Partío - A verdade sobre Caroline

“Querida Jane,

Não se assuste com a aparência, conheço uma centena de mulheres que hoje são mães por causa desse poderoso elixir. Tome um copo antes de se deitar com o seu marido, e garanto que estará grávida antes que esteja de volta à Inglaterra. Mas lembre-se, é necessário ter fé! Uma semente não dará frutos num solo infértil assim como uma oração não servirá se proferida por uma boca descrente.

Com carinho,

Melia.” 
 

Jane ficou muito contente com a lembrança da princesa e guardou seu elixir com bastante cuidado para usar logo mais à noite.

A manhã dos Bingley foi ocupada por passeios. Após a famosa siesta espanhola Caroline resolveu voltar à praia. Mas não cometeria a mesma loucura do outro dia, ficaria perto de Eva todo o tempo.

O movimento era pequeno. Observava um ou outro pescador costurar suas redes ou consertar suas canoas. Algumas crianças brincavam na beira da água. E ela, de pé, sentia o vento bater-lhe no rosto, suave como uma carícia. Fechou os olhos para aproveitar a sensação.

Resolveu cometer uma pequena travessura. Sentou-se na cadeira de armar montada por Eva e foi delicadamente retirando os sapatos e as meias. Precisava molhar pelo menos os pés naquela água convidativa. Não imaginava que era cuidadosamente observada por um par de olhos bem atentos, que miravam cada centímetro de sua pele desnuda.

Deixando seus pertences com Eva rompeu a distancia até o mar com uma suave corrida, sentia-se novamente criança dando vazão aos seus desejos como fazia agora. Quando o balanço do mar lambeu-lhe os pés livres do calçado apertado, sentiu um prazer ímpar. Queria poder gritar aos quatro ventos o fato de estar se sentindo aliviada naquele país. A distância de Darcy e de sua indisfarçável felicidade estava fazendo bem a sua alma. Queria não precisar nunca mais ir embora. Queria ficar naquele país, livre de pudores e de etiqueta. Lembrou-se do jantar na casa do duque, a princípio ficara assustada com a informalidade nos assuntos tratados, mas agora entendia melhor. A Espanha não reforçava a rigidez da Inglaterra, na Espanha as pessoas poderiam ser mais livres, pensar e falar sem se prender tanto à moral e aos bons costumes.

Na verdade, estava farta de moral e bons costumes. Sempre seguira todas as regras. Sempre se esforçara para ser uma mulher perfeita. E o que ganhara? Apenas dor , solidão e nenhuma perspectiva de futuro. E Caroline não merecia um futuro tão sombrio. Tivera a má sorte de se apaixonar pelo único homem que não se interessava por ela, será que isso acabaria por amaldiçoar toda a sua vida?

Enrique se aproximava aos poucos. Não queria assustá-la. Trazia a calça dobrada e presa na metade das pernas e a camisa branca aberta na frente, proporcionando a visão de seu peito másculo. Permaneceu a alguns poucos metros de distância, apenas fitando Caroline e sua maneira instigante de curtir o mar.

Quando ela virou para a costa deparou-se com um meio sorriso do pescador do primeiro dia. Ele se aproximou dela.

- Divertindo-se? – perguntou curioso.

- Sim.

- Eu me pergunto qual o motivo de tanta diversão. Na Inglaterra não existe mar? – provocou.

- Nossas praias são frias.

Quis perguntar se as mulheres britânicas eram frias como o mar ou quentes como ela aparentava ser, mas decidiu esperar um melhor momento.

- Aqui na Espanha tudo é quente. O mar, o sol, os homens.

Caroline corou e recomeçou a andar mas ele segurou-lhe o braço.

- Onde a encontro durante a noite?

- Como ousa? – ela tentou se safar das mãos fortes e mas o esforço foi infrutífero.

- Eu quero que saia comigo. Não me importo com quem você acompanha. Invente uma estória qualquer, mando um coche buscá-la e depois deixo-a de volta, isso se ainda quiser voltar.

Ele não esperava por aquela reação.  Soltou suas mãos dos delicados braços. Mulheres de toda a corte se rasgariam por uma proposta como aquela, e a inglesa gargalhava alto.  Estava verdadeiramente confuso.

- Você só pode estar febril, pescador! – ela conseguiu falar depois de recuperar o fôlego.

Então era isso! Ela ainda acreditava que ele era um pescador. Como era possível? Todos na corte sabiam quem ele era, em que mundo a inglesa vivia que não sabia de quem ele se tratava?

- Eu não sou um pescador, sou um homem de posses. Posso cobri-la de jóias se fizer por merecer. Posso lhe dar sensações que ouro nenhum é capaz. Diga-me onde encontrá-la!

Caroline o mediu da cabeça aos pés. O pescador era um homem admirável. Louco, porém admirável. Possuia braços fortes, possivelmente carregava muito peso, peito definido e rosto duro e másculo. Seus cabelos pretos caiam-lhe na face, os olhos negros encaravam-na. O pouco que via da perna demosntrava o tempo que ele passava sob o sol. Os pés descalços completavam a figura rústica.

- Muito bem, quer mesmo que eu acredite que você é algo mais do que um simples pescador?

- Deve acreditar. Sou um nobre, tenho palavra.

- Um nobre, sim? Sei. – deu as costas e recomeçou a andar em direção a Eva achando graça da brincadeira do pescador.

- Diga-me onde a encontro? Enfrento um touro de mãos nuas se eu não a estiver esperando no lugar e na hora marcada.

- Às oito na hospedaria por trás da Plaza Catalunya. – Caroline brincou. Sabia que jamais o encontraria fora da praia.

Oito em ponto. Caroline lia um livro deitada na cama com as velas iluminado o quarto. Assustou-se quando ouviu apressadas batidas em sua porta. Cobriu-se com o roupão de seda e abriu a porta, deparando-se com um criado.

- Miss, Dom Enrique lhe espera no coche.

- Quem? – indagou confusa. Não conhecia nenhum Dom Enrique.

- Dom Enrique. Ele disse que a senhora o esperava. Quer que mande-o subir?

- Não! – ela se exasperou – Deve ser algum engano. Não conheço ninguém com esse nome.

- Perdão miss.

O homem deu as costas e saiu. Caroline relaxou em sua cama novamente e reabriu seu livro. Um parágrafo depois as batidas na porta recomeçaram. Esquecendo-se do roupão abriu a porta com fúria com a intenção de dar uma boa resposta para aquele criado. Que ele mandasse o tal Dom Henrique para qualquer lugar longe dela.

Ficou muda e de boca aberta quando deparou-se com o homem extremamente bem alinhado na sua porta. O pescador estava ali, vestido como um nobre. O que podia dizer? Que ele também era inegavelmente bonito naqueles trajes?

- Señorita. – ele fez uma reverência olhando-a de cima a baixo. Estava gostando da mudança de planos. Preferia mesmo que os dois ficassem num local mais aconchegante.

Ela deu as costas e buscou o roupão, cobrindo-se. Sem ser convidado ele adentrou o aposento.

- Você é Dom Enrique? – ela gaguejou antes de indagar. Estava tão surpresa que não reclamara por estar a sós com um cavalheiro no quarto.

- Não me ofenderei se me chamares de pescador novamente. – ele sorria charmoso.

- Isso é algum tipo de brincadeira?

- Brincadeira?

- Onde conseguiu estes trajes? Oh Meu Deus! Você os roubou!

- Você me toma por um ladrão? Saiba que tudo isto é meu! A única coisa que seria capaz de roubar é um beijo desta donzela que desfila nervosa por este quarto...

Caroline ficou o mais distante possível de Enrique, percebendo a gravidade da situação.

- Não ouse! E saia já do meu quarto! Que tipo de nobre é você, que invade o quarto de uma dama?

- Não sou o primeiro e nem serei o último homem a invadir os seus aposentos. E não saio daqui sem você. Prometeu-me um encontro e terá que cumprir.

- Do que está falando? O que quer de mim?

Ele cortou o espaço entre eles com pressa e Caroline encostou-se na parede assustada. Estava perdida, o que aquele bruto iria lhe fazer? Por acaso ele acreditava que ela era uma rameira sem família?

- Eu quero você! – ele sussurou rouco antes de tomar-lhe os lábios.

Era uma sensação completamente nova para Caroline. Tão nova que ela ficou sem ação, não tinha idéia do que fazer.

O toque dos lábios daquele homem nos seus era rude e suave ao mesmo tempo. Seu corpo grande colado ao seu coberto apenas por finos tecidos de roupas de dormir lhe deixava vulnerável e sensivel. Como era deliciosa tal sensação! Como sentia-se bem. Queria ainda mais! Abriu os lábios instintivamente quando o pescador roçou-lhe com a língua úmida. Sentiu suas bocas se misturarem, suas linguas procurarem uma a outra. Arqueou seu corpo involuntariamente e gemeu.

Enrique estava deliciado. Sentia Caroline tremer levemente sobre seu corpo pesado. Ela era uma ótima atriz. Quem a visse acreditaria se tratar de uma virgem indefesa. Não se deixaria enganar com sua pose de moça de família. Ela estava sozinha na praia. Havia despido os sapatos e meias sem se importar com os comentários. Havia fogo em seus olhos. Não tinha dúvidas que tratava-se de uma cortesã. Passeou com sua mão da cintura até o seio de Caroline enquanto a outra mão tentava abrir-lhe o roupão, e ouviu um barulho que quase o deixou surdo ao mesmo tempo que sentia  rosto arder.

- Está louca?

- Saia já do meu quarto! Como ousas tomar essas intimidades comigo? Socorro! – Caroline se punha a gritar – Alguém me ajude!

- Silêncio! – ele pedia exasperado. O que dera naquela louca? – Cale-se, señorita.

- Saia daqui agora! – ela exigia.

Enrique tapou a boca de Caroline e arrastou-a até a porta trancando-a enquanto a mulher se debatia em seus braços.

- Escute! Eu vou soltá-la para que me explique o que foi isso, mas não ouse gritar novamente. Entendido?

Caroline não deu mostras de obedecê-lo.

- A escolha é sua. Se gritar te prendo em meus braços novamente.

Ela bufou.

Enrique soltou-a aos poucos. Assim que se viu livre Caroline correu para longe e tomou nas mãos o castiçal que ficava no criado mudo.

- Por que me bateste? – ele indagou e ela ofendeu-se ainda mais.

- Quem pensas que é para agarrar-me assim?

- Necessita de sobrenomes para ir para a cama com um homem? – ele rosnou – Se o problema é dinheiro eu o tenho de sobra. Já lhe disse que posso cobrir cada centímetro de sua pele de jóias.

- Canalha! – ela falou com nojo aproximando-se com o braço levantado novamente. Mas daquela vez Enrique estava preparado. Segurou-lhe o braço e a encarou, raiva e desejo brilhando em seu olhar.

- Está brincando com fogo, señorita. – falou num rude castelhano – Se pensa que se fazendo de difícil aumentará o preço está muito enganada.
~x~