Imprimir

O Fruto da Honestidade - Capítulo 26

Ligado . Publicado em O Fruto da Honestidade

À hora do almoço, encontravam-se no restaurante do hotel Elizabeth, Darcy e Georgiana. O diálogo fluía animado entre eles.

 

William e Elizabeth lançavam olhares furtivos um ao outro às vezes, o que não passava despercebido a Georgiana.

 

Conversavam sobre Pemberley.

 

Darcy comentava que pretendia fechar o negócio com Lady Catherine de Bourgh naquele mesmo dia. Assim, àquela tarde, veriam a área verde da propriedade e, se não houvesse nenhum problema gritante, negociariam tudo e Elizabeth prepararia o contrato. Na manhã seguinte as partes contratantes assinariam tudo e à tarde o grupo da Darcy Imobiliária voltaria a Londres.

 

Durante toda a refeição, nenhum deles teve notícia alguma de Caroline, que permanecera em seu quarto.

 

Acabada a refeição, cada um voltou ao seu aposento, para se encontrarem novamente no saguão às duas horas da tarde.

 

Seguiram para Pemberley. Lá, como no dia anterior, já os esperavam Lady Catherine e o sr. Collins.

 

Desta vez, o “tour” foi pela área verde da propriedade.

 

Lizzie acabou descobrindo que o pequeno riacho que o simpático tratador de cavalos lhe mencionara àquela manhã nascia em Pemberley.

 

A nascente do riacho, que era chamado de “Discovery” – por um motivo conhecido apenas pelos habitantes do local -, se localizava abaixo de uma formação rochosa, que mais parecia uma gruta – e as suas águas fluíam intensamente entre esta.

 

Mais ao longe do riacho, havia um pequeno bosque e árvores espaçadas cresciam em toda a propriedade.

 

Em um lado extremo ao Discovery e do lado oeste da propriedade havia um pequeno observatório de estrelas.

 

Fora criado pelo falecido Joseph de Bourgh, que tinha a astronomia como uma de suas maiores paixões.

 

A cada pedaço de Pemberley que conheciam, Lady Catherine de Bourgh se lamentava pela morte de seu “amado” marido e fazia avalanches de perguntas à Darcy, como o que fariam com sua querida propriedade, que ela não deveria ser vendida a qualquer um sem classe nem educação...

 

Georgiana já estava se aborrecendo com a mania de superioridade daquela mulher, que disse lembrar-se da sra. Darcy, de reuniões da alta sociedade. Interrogava-a sobre suas habilidades, e se era tão prendada quanto a mãe ou se conquistava a todos com apenas um sorriso como ela fazia.

 

Todas aquelas inquirições tornavam-se um fardo para ela, que procurava responder com amabilidade e educação, mas dava-lhe curtas respostas para que novas perguntas não surgissem.

 

Caroline se certificava de todos os detalhes de cada centímetro do lugar. Apesar de todos os seus defeitos, sabia fazer muito bem o seu trabalho.

 

Por sua vez, Elizabeth estava sendo importunada pelo advogado da mulher, o sr. John Collins. Ele era uma criaturinha maçante, que por tanto desejo de bajular os outros e se exibir, se tornava insuportável.

 

Ele questionava-lhe sobre o tempo em que trabalhava na empresa Darcy, dizia incontáveis vezes o quão boa era sua benfeitora, Lady Catherine de Bourgh. Explicava que com muita alegria recebia aos chamados daquela senhora e o prazer que tinha em servi-la.

 

Lizzie respondia às perguntas dele – que na verdade eram afirmações – apenas com um aceno de cabeça ou um sorriso amarelo. Realmente, o desejo mais profundo dela naquele momento era dar-lhe uma resposta sarcástica ou um comentário ofensivo. Mas se conteve. Afinal, estava a trabalho e não era sempre que podia usar seu dom para o sarcasmo em sua profissão.

 

A hora logo passou-se e o negócio finalmente fora fechado. Inicialmente, Lady Catherine pedia uma quantia exorbitante por seu imóvel. Graças às habilidades negociadoras da Srta. Darcy, o valor acertado era aceitável.

 

O contrato seria preparado por Elizabeth, e, na manhã seguinte, a sra. de Bourgh e seu advogado iriam ao hotel para lê-lo e, se fosse o caso, assiná-lo.

 

Voltaram ao hotel exaustos. A caminhada por Pemberley deixara marcas em cada um deles.

 

Mesmo assim, iriam passar a noite na cidade novamente. Darcy esperava que aquela noite fosse melhor do que a anterior.

 

Já arrumados, encontraram-se no saguão às nove horas da noite.

 

Dessa vez, iriam a outro restaurante, de estilo igual ao do dia passado, mas com uma comida mais diferenciada.

 

Mais uma vez, era um restaurante com música ao vivo. No pequeno palco, tocava uma banda que parecia ser muito boa.

 

O grupo londrino escolheu uma mesa. Eles conversavam e ouviam música enquanto esperavam o jantar chegar.

 

Quem cantava na banda àquela hora era o baterista, que às vezes tomava o lugar do vocalista. Acabada a música, o vocalista retomou seu posto.

 

Georgiana empalideceu à primeira palavra dita pelo último. Ela conhecia aquela voz grave, meio rouca e tão expressiva, que podia ser tão doce.

 

Era Edward. Não tinha dúvidas.

 

Olhou para o palco. Os olhares deles se encontraram, uma energia parecia reascender dentro deles, o coração de ambos estava acelerado e o ar, altamente rarefeito.

 

Eles se encararam durante toda a música. Os seus olhos não se desviaram por um instante sequer.

 

A srta. Darcy tinha os pensamentos embaralhados. Nunca imaginaria encontrá-lo no Derbyshire. Talvez o destino estivesse brincando com a vida deles e tentando juntá-los novamente.

 

Ela não podia negar. Desde o seu último encontro com ele, no bar, não conseguia afastá-lo de sua mente. Agora tinha a mais plena certeza de que o amava. Sim, amava-o como nunca imaginaria amar mais ninguém. Ele fora o mais apaixonado dos namorados e ela havia feito aquilo com ele! Não cria nela própria! Iludira a si mesma, e talvez não houvesse mais jeito de reparar o que fizera.

 

Naquele dia, no bar, sentira que o coração dele ainda batia por ela, que os seus olhos ainda procuravam-na, que ele ainda tinha ânsia por tocá-la.

 

“Tudo fruto da imaginação”, tentava convencer a si mesma.

 

Darcy percebera a quietude da irmã, e o motivo dela também. Quem sabe agora ela não poderia acertar sua vida?

 

Acabada a música, Edward pediu que o baterista prosseguisse com o show e se dirigiu a ela. Ele simplesmente não podia explicar. Parecia que ela tinha um imã, que o atraía incondicionalmente.

 

Andou até ela. Aquele ato também não era racional, era como se os pés dele o levassem até ali.

 

Chegou à mesa dela e cumprimentou a todos. Ele e Darcy gostavam muito um do outro e conversavam por um tempo, depois que o último convidou-o para sentar.

 

Elizabeth percebera a mudança em Georgiana, mas não sabia quem era exatamente aquele belo homem, já que ele fora apresentado como um amigo apenas.

 

Em um dado instante do diálogo, Edward já não conseguia mais segurar tudo o que precisava a dizer à Georgiana. Pediu licença a todos, e à ultima, para conversar com ela.

 

Com as pernas trêmulas, ela seguiu até o exterior do restaurante com ele. Em frente ao local havia um pequeno parque, onde havia algumas crianças brincando, casais apaixonados e grupos de amigos. Ele convidou-a para lá e eles sentaram-se em um dos bancos do lugar.

 

Ele foi direto, aquele assunto o sufocava há anos.

 

- Georgie, na verdade eu nem sei o porquê de eu estar fazendo isso. Sei que posso ser impertinente ou até chato, mas eu precisava desabafar, te dizer tudo o que eu sinto.

 

Ela brincava com suas pulseiras, não conseguia encarar aqueles olhos verdes tão penetrantes e que ela amava. Oh, como amava!

 

Ele prosseguiu:

 

- Sempre te amei, desde aquele dia em que nos vimos pela primeira vez. A cada dia meu amor por você só cresceu, inundou meu coração, falou mais alto que a razão. Mas, ao te ver com aquele cara naquele dia... – ele parou por um instante, confessar aquilo tudo estava sendo muito difícil. – O mundo aos meus pés pareceu desabar, tudo em minha vida estava sem cor, sem brilho... eu não tinha mais seu sorriso para iluminar o meu dia.

 

Georgiana sentiu que as lágrimas subiam aos seus olhos e estavam prestes a cair. Pensou bem, ele a amava! Ela também o amava, só dependia de si própria para reconquistá-lo. Com os olhos marejados, olhou-o e disse:

 

- Edward, me desculpe. Por tudo. Eu também te amei desde o primeiro dia. Seu amor foi como um sol na minha vida, com ele eu pude ver, enxerguei como era bom ser feliz. Mas naquela época você viajara com seu pai e, apesar de me ligar todos os dias, eu ainda me sentia sozinha. Você tem que admitir isso.

 

- Eu sei que estava, e assumo minha culpa. Mas você nega que me traiu com aquele... – disse, com a mágoa transparecendo em seus olhos.

 

Ela não o deixou terminar e respondeu:

 

- Eu não te traí! Naquele dia em que você viu nós dois saindo juntos da empresa, eu havia tido um mal-estar, e ele passara um dos braços em volta do meu ombro para que eu não caísse! Foi isso o que aconteceu. Mas você achou que eu o havia traído e acabou tudo comigo.

 

Edward ficou sem reação alguma, então a culpa era dele pelos dois terem se separado?!

 

- Não mentirei, dizendo que não fiquei com ele depois. Estava muito confusa e triste pelo fim de nosso namoro. Ele se aproximou de mim e, de certa forma, me ajudou a superar.

 

Agora ele estava boquiaberto, era doloroso ouvir a mulher amada falando de outro. Já ia falar algo quando ela continuou:

 

- Porém, era tudo um plano, um maldito plano! Ele estava organizando tudo para me sequestrar; a aproximação só serviu para facilitar as coisas para ele. – nesse momento ela não aguentou mais e as lágrimas começaram a rolar por seu rosto delicado. – Eu fui cega, Edward. Muito cega. Agora vejo o quão imatura fui, e o quanto te amo, e acho que amarei para sempre. – disse ela, olhando para ele e gesticulando.

 

Ele interrompeu seu discurso com um beijo. Um beijo sedento, que ambos esperavam há muito tempo, regado com muita paixão.

 

Inicialmente, o toque dos lábios foi frenético, um beijo louco, que procurava repor o tempo perdido.

 

Com o passar do tempo, o beijo se tornou mais profundo, a língua dele procurava redescobrir os tesouros perdidos na boca dela.

 

Acabou-se o beijo, mas suas bocas ainda se tocavam e as cabeças deles estavam juntas. Ambos ofegavam olhando um para o outro.

 

Edward segurava o rosto dela com uma das mãos e enxugava os vestígios do seu pranto com a ponta dos dedos da outra mão.

 

Ela olhava-o encantada, tinha os dois braços envolvendo o pescoço dele.

 

Ficaram assim por um tempo, que pareceu rápido para os dois, que procuravam reconhecer e matar as saudades de cada milímetro do outro.

 

Até que Edward voltou à razão e exclamou:

 

- Desculpe-me, meu amor... tenho um show a terminar... – depositando um beijo terno nos lábios dela.

 

- Tudo bem, vamos entrar.

 

Eles já iam entrando novamente no restaurante, quando ela falou:

 

- O que direi a eles? – se referindo aos seus companheiros de mesa e de viagem.

 

- Diga-lhes que estamos juntos novamente, que eu voltei a ser o homem mais feliz da face da Terra, que somos almas gêmeas que se encaixaram novamente... não sei, diga o que achar melhor. – sorrindo.

 

Ambos traziam o sorriso bobo dos apaixonados em seus rostos e entraram no local com as mãos entrelaçadas. Aliás, que saudades Georgiana sentira daquelas mãos cor-de-canela tão fortes e grandes que lhe passavam tanta proteção e segurança!

 

Eles separaram quando chegaram à mesa dela. Ela, sentou-se. Ele, voltou ao palco para continuar o show.

 

Na mesa, bastou um sorriso da srta. Darcy para que todos os presentes entendessem o que havia acontecido.

 

Edward voltou ao palco com uma música em mente. Então, após o baterista acabar de tocar a última, ele falou:

 

- Bom, a próxima música é para uma pessoa muito especial, que por muito tempo esteve longe, mas agora o sol brilha para mim novamente. – ao falar nisso, todos os presentes no restaurante souberam do que ele estava falando, já que todos notaram a saída do vocalista, assim como o retorno dele ao restaurante.

 

Better Together

(Jack Johnson)

 

 

There is no combination of words I could put
Não há uma combinação de palavras que eu poderia colocar
 
On the back of a postcard
No verso de um cartão postal
 
No song that I could sing
Nenhuma canção que eu poderia cantar
 
 
But I can try for your heart
Mas eu poderia tentar pelo seu coração
 
Our dreams and they are made out of real things
Nossos sonhos, eles são feitos de coisas reais
 
Like a shoebox of photographs
Assim como uma caixa de sapato cheio de fotografias
 
With sepia-toned loving
Com um tom de sépia do amor
 
 
Love is the answer
Amor é a resposta
 
At least for most of the questions in my heart
Pelo menos para a maioria das questões no meu coração
 
Why are we here?
Por que estamos aqui?
 
And where do we go?
E para onde vamos?
 
And how come it's so hard?
E por que é tão difícil?
 
It's not always easy
Não é sempre fácil
 
And sometimes life can be deceiving
E às vezes a vida pode ser enganadora
 
 
I'll tell you one thing,
Vou te dizer uma coisa
 
It's always better when we're together
É sempre melhor quando nós estamos juntos
 
 
It's always better when we're together
É sempre melhor quando nós estamos juntos
 
Yeah we'll look at the stars when we're together
Yeah, nós olharemos para as estrelas quando estivermos juntos
 
Well it's always better when we're together
Bem, é sempre melhor quando nós estamos juntos
 
Yeah, it's always better when we're together
Yeah, é sempre melhor quando nós estamos juntos
 
 
And all of these moments just might find
E todos esses momentos podem encontrar
 
Their way into my dreams tonight
Um caminho para meus sonhos à noite
 
But I know that they'll be gone
Mas eu sei que eles terão ido embora
 
When the morning light sings
Quando a luz da manhã cantar
 
Or brings new things for tomorrow night
Ou trazem coisas novas para amanhã à noite
 
You see that they'll be gone too
Você verá que eles terão ido embora também
 
Too many things I have to do
Muitas coisas eu tenho que fazer
 
 
But if all of these dreams might find
Mas se todos esses sonhos encontrarem
 
Their way into my day to day scene
Um caminho para a minha cena do dia a dia
 
I'd be under the impression I was somewhere in between
Eu teria a impressão que eu estava em algum lugar no meio
 
With only two, just me and you,
Com apenas dois, só eu e você,
 
Not so many things we got to do
Não há muita coisa para fazermos
 
Or places we got to be
Ou lugares que devemos estar
 
We'll sit beneath the mango tree now
Nós sentaremos embaixo da árvore de manga
 
 
Yeah it's always better when we're together
Yeah, é sempre melhor quando nós estamos juntos
 
We're somewhere in between together
Nós estamos em algum lugar no meio, juntos
 
Well it's always better when we're together
Bem, é sempre melhor quando nós estamos juntos
 
Yeah it's always better when we're together
Yeah, é sempre melhor quando nós estamos juntos
 
 
I believe in memories,
Eu acredito em lembranças,
 
They look so pretty when I sleep
Elas parecem tão bonitas quando eu durmo
 
And when I wake up,
E quando eu acordo,
 
You look so pretty sleeping next to me
Você está tão bonita dormindo ao meu lado
 
But there is not enough time
Mas não há muito tempo
 
And there is no song I could sing
E não há nenhuma canção que eu poderia cantar
 
And there is no combination of words I could say
E não há uma combinação de palavras que eu poderia dizer
 
But I will still tell you one thing
Mas mesmo assim vou dizer uma coisa
 
We're better together
É sempre melhor quando nós estamos juntos

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=OPXU33iquDE

 

http://www.youtube.com/watch?v=u57d4_b_YgI&feature=related

 

**********************************

 

- A noite hoje foi maravilhosa! – exclamou Lizzie, olhando de soslaio para Georgiana, que estava radiante, e depois para Darcy, que retribuiu sua atenção.

 

- Concordo plenamente! – respondeu a srta. Darcy.

 

- É uma pena que Edward teve que viajar ainda hoje! Achei-o muito agradável. – continuou Lizzie.

 

- É, ele é maravilhoso. Mas amanhã é segunda-feira e o pai não perdoa uma falta dele ao trabalho. Já marcamos de nos encontrar amanhã.

 

- Que bom que você ama e é amada por alguém de seu nível. – falou Caroline, que agora tentava atingir William e Elizabeth com indiretas mergulhadas em veneno.

 

Os outros ignoraram as palavras dela, e seguiram para seus aposentos, ainda muito animados.

 

Georgiana entrou no quarto e se jogou na cama. Agarrou uma almofada e fechou os olhos.

 

A imagem de Edward flutuava em sua mente, cada passo que ele dera, ela se lembrava de tudo. Ainda podia sentir o gosto dele em sua boca, um sabor suave, mas muito apetitoso.

 

Não conseguia se convencer de que tudo aquilo era verdade. Não estivera ela sonhando durante todo aquele tempo? Não, já que o perfume dele estava impregnado nela agora.

 

Sorriu. Talvez o Derbyshire tenha sido um belo afrodisíaco para os casais que ali estiveram àqueles dias – pensando nela e em Edward e Darcy e Elizabeth, que, se ainda não tinham se acertado, não faltava muito para que isso acontecesse.

 

*************************************

 

O novo dia que chegava ao lugar era totalmente antagônico ao anterior. O sol não estava escondido por grossas e cinzentas nuvens, que insistiam em deixar escapar suas gotas d’água.

 

Lizzie acordou com o barulho da chuva, que estava muito forte. Levantou-se, abriu as cortinas e viu os jardins inundados e o horizonte coberto pela névoa.

 

Olhou o relógio, ele indicava que era melhor se apressar.

 

Meia hora depois, já descia ao saguão com todos os documentos necessários, inclusive o contrato de venda, que ela passara metade da sua noite fazendo.

 

Depois que já estavam reunidos os integrantes da Darcy Imobiliária por quinze minutos, chegaram Lady Catherine de Bourgh e John Collins.

 

O último analisou cada detalhe do contrato e, após isto, encheu Elizabeth de elogios por seu trabalho tão maravilhoso e eficiente.

 

Lady Catherine também pediu para verificar o documento, ao que Elizabeth atendeu com prontidão. Aquela senhora só queria achar algum defeito no trabalho dela, apesar de não entender absolutamente nada de contratos.

 

Como já era de se esperar, a mulher não achou falha alguma, mas não elogiou Lizzie.

 

A assinatura do contrato durou a manhã inteira. Foi mais cansativa que cinco corridas ininterruptas por Pemberley.

 

Após despedirem-se dos dois, o grupo londrino almoçou e subiu para os seus quartos, para arrumar as malas e depois voltar para a capital inglesa.

 

Saíram do hotel às três horas da tarde. A chuva que dominara os céus durante toda a manhã cessara, agora só havia vestígios seus.

 

Apesar da chuva ter parado, grossas nuvens ainda cobriam o céu.

 

Há três horas estavam na estrada, e a conversa sempre se renovava, nunca faltava assunto para eles.

 

A única que permanecera calada durante toda a viagem fora Caroline, que desde que fora rejeitada por Darcy estava estranhamente calada.

 

Chegaram a Londres. O motorista do veículo em que estavam – o mesmo em que foram ao Derbyshire – levaria cada um à sua respectiva casa. A primeira parada fora na casa de Caroline, que, esnobe, se despediu dos outros rapidamente.

 

A segunda seria na casa de Georgiana. Antes de chegarem ao seu destino, Lizzie sentiu seu celular vibrar e o atendeu. Era Charlotte.

 

- Olá, Charlotte! Está tudo bem? – atendeu ela, animada e se distraindo com uma das mechas de seu cabelo.

 

- Lizzie, a Jane... ela... – Charlotte não conseguia falar e parecia muito nervosa.

 

- O que aconteceu com a Jane? – exclamou, preocupada.

 

- Ela sentia fortes dores no abdome desde a metade da tarde. Ela está no hospital agora, fazendo alguns exames. Eu só queria que você soubesse...

 

- Oh meu Deus... mas como ela está?

 

- Eu já lhe disse, ela ainda está fazendo uns exames.

 

- Certo, certo. Eu já estou em Londres, vou para o hospital. – disse ela, enquanto esfregava a testa com uma das mãos.

 

- Tudo bem, estamos no hospital St. Matthew.

 

Elizabeth se despediu rapidamente da amiga e desligou a ligação.

 

Percebendo a perturbação dela, Darcy perguntou-lhe se havia algum problema. Ela apenas respondeu que Jane estava no hospital e que ela precisava ir para lá urgente.

 

- Eu a levo. A srta. não está em condições de dirigir. Georgiana, me empresta seu carro? – se dirigindo à irmã, depois de falar com Lizzie.

 

- Claro. Absolutamente. – respondeu a srta. Darcy.

 

Lizzie aceitou a proposta de William, ela realmente não conseguia pensar em nada naquele momento.

 

Eles pegaram emprestado o carro da irmã de Darcy e seguiram em direção ao hospital. Ficara acordado que o motorista deixaria a bagagem de Elizabeth na portaria do prédio onde ela morava.

 

William dirigia o mais rápido que podia, enquanto Lizzie estava completamente calada e absorta. O seu olhar, perdido no horizonte. Ele preferiu não quebrar o silêncio, talvez só piorasse a situação.

 

O único som presente no carro era uma música, que tocava no rádio.

 

 

How to touch a girl

 

(Jojo)

 

 

I think I could like you, I already do.
Eu acho que posso gostar de você, eu já gosto.
 
Feelings can grow,
Sentimentos podem crescer,
 
But they can go away too.
Mas eles também podem ir embora.
 

 

Quinze minutos depois, o carro em que eles estavam parava em frente ao hospital. Ela reuniu cada pedaço de força que ainda lhe restava e falou:

 

- Muito obrigada por ter me trazido até aqui. Se você não me ajudasse, não sei como conseguiria chegar.

 

- Não há o que agradecer. Tenho prazer em lhe ajudar, Elizabeth. – respondeu ele, inconscientemente pondo a mão no joelho dela e se aproximando. – Não quer que eu fique aqui com você?

 

You're taking my hand,
Você esta pegando a minha mão,
 
Looking into my eyes.
Olhando nos meus olhos.
 
Don't be in a rush to get me tonight.
Não tenho pressa para me conquistar nesta noite.
 
I feel something happening;
Eu sinto algo acontecendo;
 
Could this be a spark?
Poderia isso ser uma faísca?
 
To satisfy me baby,
Para me satisfazer baby,
 
You got to satisfy my heart.
Você tem que satisfazer meu coração.
 

 

- Não, não é necessário.

 

Ela sentiu a respiração dele se misturando à dela, era tão quente. E os olhos, tão profundos.

 

Do you know How to Touch a Girl?
Você sabe como tocar uma garota?
 
If you want me so much, first I have to know:
Se você me quer tanto, primeiro eu tenho que saber:
 
Are you thoughtful and kind?
Você é atencioso e gentil?
 
Do you care what's on my mind?
Você se importa para o que eu penso?
 
Or am I just for show?
Ou eu sou só para exibição?
 
You'll go far in this world if you know
Você irá longe neste mundo se souber
 
How to Touch a Girl.
Como tocar uma garota.

 

 

Como que por instinto, ou por não mais aguentar esperar, ela aproximou sua cabeça da dele, apoiou uma das mãos na face do homem ao seu lado e suas bocas se tocaram. Fora apenas um simples roçar de lábios. Desprendido de desejo, paixão ou lascívia.

 

I think I could like you,
Eu acho que posso gostar de você,
 
But I keep holding back,
Mas continuo voltando atrás,
 
'Cause I can't seem to tell if you're fiction or fact.
Porque não consigo dizer se você ficção ou fato
 

 

Os sentimentos reinantes naquele beijo foram amor, confiança e gratidão.

 

Ela afastou sua boca da dele e olhou-o nos olhos. Nestes, transbordavam realização e alegria.

 

Show me you can laugh,

Mostre-me que você pode rir

 

Show me you can cry.

Mostre-me que você pode chorar

 

Show me who you really are, deep down inside.

Mostre-me quem você realmente é, bem no fundo

 

Do you feel something happening? Could this be for real?

Você sente algo acontecendo? Poderia isso ser de verdade?

 

I don't know right now, but tonight we'll reveal:

Eu não sei agora, mas hoje à noite nós vamos revelar.

 

 

Ele juntou-se a ela novamente e trocaram outro beijo.

 

Do you know How to Touch a Girl?
Você sabe como tocar uma garota?
 
If you want me so much, first I have to know:
Se você me quer tanto, primeiro eu tenho que saber:
 
Are you thoughtful and kind?
Você é atencioso e gentil?
 
Do you care what's on my mind?
Você se importa para o que eu penso?
 
Or am I just for show?
Ou eu sou só para exibição?
 
You'll go far in this world if you know
Você irá longe neste mundo se souber
 
How to Touch a Girl.
Como tocar uma garota.
 

 

Acabado este último, ela se livrou do cinto de segurança, sorriu para ele acariciando-lhe o rosto mais uma vez e partiu.

 

Bring me some flowers,

Traga-me algumas flores,

 

Conversation for hours,

Conversas por horas,

 

To see if we really connect,

Para ver se realmente estamos conectados

 

And baby, if we do,

E baby, se nós estivermos,

 

I'll be giving all my love to you!

Eu vou dar todo o meu amor pra você!

 

 

Não era preciso dizer nada naquele momento, uma ação valera mais do que mil palavras. E, apesar de tudo aquilo ter acontecido em poucos segundos, para os que o vivenciaram durara uma verdadeira eternidade, que nunca deveria ter sido quebrada.

 

Enfim, Darcy esperou que a imagem de Elizabeth sumisse pelo corredor do hospital e seguiu para sua casa.

 

Do you know How to Touch a Girl?
Você sabe como tocar uma garota?
 
If you want me so much, first I have to know:
Se você me quer tanto, primeiro eu tenho que saber:
 
Are you thoughtful and kind?
Você é atencioso e gentil?
 
Do you care what's on my mind?
Você se importa para o que eu penso?
 
Or am I just for show?
Ou eu sou só para exibição?
 
You'll go far in this world if you know
Você irá longe neste mundo se souber
 
How to Touch a Girl.
Como tocar uma garota.