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Uma Receita para o Amor

Escrito por Dayse Ligado . Publicado em Uma Receita para o Amor

UMA RECEITA PARA O AMOR

 

As luzes e a correria do final de ano já estão presentes no dia a dia da cidade.

A árvore de Natal que todo ano é montada no meio da lagoa Rodrigo de Freitas, já está presente dando o sinal de que o corre-corre na cidade maravilhosa está maior.

Eu observava pela janela esta agitação pré-natalina que tomava conta da rua em frente ao meu escritório e me lembrei repentinamente dos inúmeros compromissos que me aguardavam no Buffet Elegance, a empresa da qual eu era uma das sócias, juntamente com minha irmã Jane e minha prima Charlotte.

Char e o namorado haviam resolvido ficar noivos em pleno final de novembro, quando a costumeira confusão de final de ano já dava seus primeiros sinais. Jane e eu tentamos até convencê-la a adiar a celebração do noivado para o início de janeiro, mas Char permaneceu irredutível, iria ficar noiva no final de novembro e ponto final.

 

- Mas Char..... Estamos no final do ano e você bem conhece a correria das festas, nossos compromissos com os clientes...

- Não, não vamos mudar a data de nosso noivado. Pode deixar que nosso noivado não irá atrapalhar em nada, será apenas um jantar íntimo para poucas pessoas, só para os mais chegados. – concluiu Char acabando com qualquer argumento contrário que eu pudesse apresentar.

- Deixe Lizzy, não adianta tentar convencer esta doida – ponderou Jane com sua calma habitual.

- Já que você não abre mão da data, que seja em novembro!  - conclui com um suspiro de resignação.

Tínhamos agora que nos preocupar com este bendito noivado. Escolhemos o cardápio do jantar, a decoração da sala e das mesas, tudo foi cuidadosamente preparado.

No dia marcado para o noivado, mandamos todo aparato para a casa de Charlotte, onde aconteceria a recepção.

Tudo arrumado, refeição pronta, só faltava aguardar a chegada dos convidados que felizmente não eram muitos, cerca de 30 pessoas. Apenas os pais dos noivos, tios e primos mais chegados, assim como poucos amigos.

Eu e Jane nos arrumamos na casa de Char, pois seria complicado voltar para nossa casa com o trânsito difícil da cidade naquele horário da noite.

Charles, o namorado de Jane, foi o primeiro convidado a chegar, ele veio acompanhado do noivo William Collins, que era funcionário de sua empresa de Engenharia, e de seu amigo e sócio, que nenhuma de nós conhecia ainda.

- Char, Jane e Lizzy tenho o prazer de apresentar a vocês o meu sócio e amigo, William Darcy. Como sabem ele esteve ausente do Rio neste semestre implantando nossa filial em Porto Alegre.

O sócio de Charles era um homem impressionante, muito alto, deveria medir mais de 1,90 m, cabelos castanhos, um rosto de feições másculas e belos traços harmoniosos, confesso que fiquei impressionada com seus belos olhos azuis e sua voz máscula e grave, mas ele não se mostrou simpático, a impressão que tive era de que estava ali para cumprir uma obrigação muito aborrecida. Depois de cumprimentar a todas nós, ficou calado num canto com o semblante fechado demonstrando claramente que não estava gostando de nada.

Os coquetéis foram servidos e logo em seguida o jantar teve início, durante o qual o pedido de noivado foi feito, deixando Char feliz da vida. Enquanto Collins formalizava o pedido senti os olhos fuzilantes de minha mãe sobre mim, podia-se ler neles claramente a pergunta: - Quando será o seu? - Desviei o olhar e continuei discretamente comandando o serviço dos garçons.

Todos elogiaram a refeição e depois da sobremesa mais elogios foram ouvidos. O que me deixou feliz e envaidecida.

Estava satisfeita, pois tudo tinha corrido bem. Mas, durante todo o jantar senti sobre mim um par de olhos azuis, que pareciam me seguir por toda a parte. Não pude deixar de pensar que o Sr. Darcy só poderia estar me observando para encontrar defeitos em mim e me criticar posteriormente.

Depois que a maioria dos presentes já havia saído, e poucos convidados ainda permaneciam conversando, dispensei o meu pessoal, despedi-me de Char  dizendo que precisava chamar um táxi, ela imediatamente antes que eu pudesse dizer alguma coisa falou:

- Espera Lizzy.

Foi até Collins que conversava com o Sr. Darcy e falou algo que não pude ouvir e quando voltou veio acompanhada dos dois, e disse:

- O Sr. Darcy...

- Willian, por favor – ele disse retificando.

- Bom, o Willian também está de saída e se ofereceu para levá-la Lizzy. – concluiu Char com um sorriso significativo.

- Ah, não precisa se incomodar, eu vou chamar um táxi, que chega num instante.

- Não será incomodo algum. Posso levá-la perfeitamente. – arrematou o Sr. Darcy num tom que me pareceu autoritário de quem não aceitava uma negativa de minha parte.

- Então tudo bem. – recusar a carona depois disto iria parecer grosseria de minha parte, Agradeci, porém tinha vontade de trucidar Char com os olhos.

- Tchau, querida, amanhã nos vemos – ela me disse sorrindo cinicamente.

*******************

 O Sr. Darcy abriu a porta do carro para mim e entrei. Perguntou onde eu morava e quando lhe disse que em Copacabana, ele comentou:

-Então, somos praticamente vizinhos, moro em Ipanema.

- É mesmo! – exclamei completamente sem jeito.

Bom nossa conversa cessou aí.

O Sr. Darcy concentrado em dirigir o carro no trânsito já tranqüilo daquela hora da noite, me deixou na porta do meu edifício, depois que agradeci a carona e lhe desejei boa noite.

Ao chegar ao meu apartamento, cai na cama e dormi imediatamente estava morta de cansaço.

Nesta noite tive um sonho muito estranho, me via dentro de um avião com alguém ao meu lado, não conseguia ver seu rosto. Mas sua voz era sensual que me deixava louca só em ouvir. Acordei assustada com o despertador tocando, olhei ao meu redor e pude constatar que tinha sido um sonho.

 Durante o dia aquelas imagens teimavam em retornar a minha cabeça. Então, procurei me envolver no trabalho para não pensar mais neste sonho maluco.

 Uma semana se passou depois do noivado de Char e já estávamos na primeira semana de dezembro.

Jane chegou ao escritório já falando sobre os preparativos dos serviços contratados para o Natal e Ano Novo que eram tantos que tivemos até que contratar funcionários temporários para poder dar conta de tantas comemorações em empresas, que este ano haviam aumentado. Verificando a agenda, vi que ela tinha anotado já há algum tempo uma confraternização na empresa do Charles, mas que estava para ser confirmada.

- Jane, o que ficou resolvido sobre a confraternização na empresa do Charles? – perguntei.

- Lizzy, Charles ficou de dar uma resposta ainda hoje, ia conversar com o Darcy sobre isso.

- Ah, a palavra final é do mudo

- Mudo? Que mudo?

- O sócio do Charles, o Sr. Darcy. Ele parece mudo, mal abre a boca para conversar.

- Ele é apenas um pouco introspectivo.

- Sei.

- Oh! Lizzy, você implica com tudo!

- Eu? O cara se oferece para me levar em casa e foi calado durante todo o trajeto.

- O Charles me disse que o William é assim mesmo, calado. Bom, preciso sair para resolver umas coisas se o Charles ligar resolva tudo com ele, ok!

- Ok.

 Mal Jane saiu e o telefone tocou. Era Charles, dizendo que precisava que uma de nós fosse até a empresa para fechar o contrato para a confraternização de Natal. Eu lhe disse que Jane havia saído e não sabia quando voltaria, então ele me pediu para que eu mesma fosse até lá, pois precisava resolver isto logo.

[i] Vou ter que me comunicar com o mudinho de novo.[/i] – pensei, rindo de mim mesma por estes pensamentos.

Ao chegar à empresa, Charles me recebeu sorridente como sempre, fomos então para a sala do Sr. Darcy. Quando entramos o encontramos absorto com alguns papéis. Assim que Charles o chamou deixou o que estava fazendo e se levantou imediatamente para me cumprimentar.

Ele nos encaminhou até uma mesa de reuniões onde pude mostrar detalhadamente todo o orçamento para a confraternização, fiz a sugestão do cardápio que seria mais adequado para um serviço à americana até para que a reunião fosse bem informal e os funcionários pudessem ficar bem à vontade. Tudo seria feito no salão de eventos que a empresa possuía dentro do próprio prédio. Embora a única voz que se ouvia fosse a minha, aquele par de olhos azuis me fitava a todo o tempo, senti ficar ruborizada. Aquele olhar me perturbava o raciocínio, mas procurei manter a calma e concluir de uma vez a reunião.

Acertamos tudo referente à confraternização e fechamos o contrato. Despedi-me deles e quando já estava quase à porta, Darcy falou repentinamente:

- Srta. Eliza...

 

- Lizzy, por favor.

 

- Lizzy, gostaria que pudéssemos discutir mais um pouco sobre a confraternização, aceitaria um jantar de negócios hoje à noite?

 

- Qual a sua dúvida? – perguntei querendo dar um ar profissional.

 

- Não é isso, mas no momento preciso resolver problemas mais urgentes e gostaria de conversar com mais calma com a senhorita... com você.

 

Fiquei por uns segundos sem saber o que responder, então ele falou novamente

 

- Então está combinado?

 

- Sim, acho que sim. – afinal que mal poderia haver num jantar com ele.

 

- Ótimo, passo então às vinte horas em frente ao seu prédio, tudo bem?

 

- Sim, tudo bem, falei não acreditando muito no que acabara de aceitar.

 

Voltei para o escritório ainda sob o efeito do convite que acabara de receber. Acho que estava estampado em meu rosto, pois assim que Jane me viu, foi logo perguntando:

 

- Está tudo bem Lizzy?

 

-Sim estou voltando da empresa do Charles, fechamos o contrato.

 

- Hum, mas o que aconteceu, além disso?

 

- Por quê?

 

- Você está diferente, parece tensa, perturbada.

 

- Não aconteceu nada, apenas vou jantar com o Sr, Darcy, ele ainda quer mais detalhes sobre o evento, e como tinha algo importante para resolver me convidou para um jantar de negócios.

 

- Hum, não acredito, jantar de negócios?

 

- O que você não acredita Jane? -  Charlotte entrou se metendo na conversa.

 

- Lizzy vai jantar com o Darcy, para dar mais detalhes do evento na empresa dele.

.

- Jantar de negócios, tá bom eu acredito, disse Char rindo.

 

- Olha aqui, vamos parando as duas.

 

- Calma Lizzy, não sei por que você está tão nervosa.

 

- Quem está nervosa? Eu? Imagina! Bem estou indo embora, preciso resolver umas coisas e ir pra casa descansar um pouco.

 

- Bom jantar de negócios então. – disseram Jane e Char rindo maliciosamente.

 

Realmente elas tinham razão, mesmo que não quisesse admitir aquele homem estava tendo a capacidade de me tirar o domínio sobre minhas emoções.

 

 Cheguei em casa e fui logo para a cozinha, o estomago já estava reclamando, afinal já passavam das duas da tarde e como estava muito tensa esqueci até de comer alguma coisa. Fiz uma refeição leve, pois cozinhar me aliviava a tensão.

 

Deitei um pouco para relaxar, mas não consegui ficar deitada por muito tempo, então resolvi escolher logo uma roupa para a noite e acabei me distraindo enquanto fazia isso.

 

Olhei-me no espelho e fiquei satisfeita com o que vi. Costumava me arrumar bem, mas hoje estava muito indecisa com o que vestir, depois de várias vezes ter trocado de roupa, finalmente consegui me sentir bem com o que escolhi.

 

Às vinte horas em ponto, William Darcy tocou a campainha  do meu apartamento, abri a porta e tanto ele quanto eu ficamos parados olhando um para o outro, sem dizer uma palavra. Senti que ele me olhou de cima a baixo, o que instintivamente também fiz, o olhei de cima a baixo.

 

Recuperando a razão, cumprimentei-o e ele a mim.

 

Saímos. Entramos no carro e nos dirigimos direto ao restaurante. Apesar do trânsito nesta época do ano estar caótico, o que me irritava mais era o silêncio absoluto que reinava dentro do veículo.

 

Chegamos ao restaurante e depois de sentados, finalmente consegui ouvir sua voz quando já estava resolvida a me levantar e ir embora, ele finalmente resolveu travar algum diálogo comigo.

 

Bom, antes tarde do que nunca, pensei.

 

- Então, a empresa de vocês tem muito tempo?

 

- Uns cinco anos – respondi, mas já conseguimos fazer nosso nome, temos qualidade, bom preço e trabalhamos muito sério. Tanto que este ano os contratos para comemorações em empresas aumentaram.

 

- Vocês que fizeram o jantar do noivado do Collins, não foi?

 

- Sim, foram nossos funcionários da empresa. Há uns quatro anos que não vamos mais para a cozinha, pois treinamos funcionários de confiança que cozinham do nosso jeito, com nosso tempero, então a alimentação é a mesma. Sou a encarregada das compras e estou sempre supervisionando tudo. É importante que os produtos utilizados sejam frescos e de ótima qualidade.

 

- Hum, então é uma alimentação saudável

 

- É claro, temos um nome a zelar

 

- Estava uma refeição muito boa e um serviço de primeira.

 

- Obrigada

 

- Você tem ascendência inglesa ou americana?

 

- Por que pergunta?

 

- Pelo seu sobrenome, Bennett

 

- Nasci no Rio de Janeiro, sou o que dizem menina do Rio, mas meu pai é inglês e minha mãe brasileira.

 

- Hum, um inglês que se apaixonou pelo Brasil?

 

- Sim, mas especificamente pelo Rio e por uma carioca é claro! - Rimos. Eu realmente não estava acreditando ele sabe sorrir, pensei. E que lindo sorriso!

 

- E você?

 

- Bom sou inglês de nascimento, mas vim para o Brasil ainda pequeno.

 

- Eu gostaria muito de visitar a Inglaterra, na verdade minha vontade era mesmo passar um final de ano lá, mas ainda não foi possível, quem sabe estou pensando ir no início do ano... Meu passaporte está em dia, então quando for possível é só comprar a passagem.

 

- É, quem sabe...

 

O jantar foi trazido e nossa agradável conversa ficou meio devagar. Saímos do restaurante e já dentro do carro lembrei-me de perguntar:

 

- Então Darcy, o que você queria tanto que eu te detalhasse sobre o nosso contrato?

 

- Bem, já estou satisfeito com a conversa que tivemos, foi bem agradável. Na realidade eu queria mesmo era te conhecer mais um pouco...

 

- Hum, espero que tenha gostado do que conheceu. Bem chegamos! Boa Noite, então.

 

- Boa noite. – ele respondeu, mas tive a impressão de que Darcy estava angustiado, parecia que queria ter estendido nossa conversa para um terreno mais pessoal e íntimo, mas que seu temperamento introspectivo o havia impedido bloqueando suas ações. Havia deixado escapar a oportunidade passar, talvez ele tivesse medo de revelar este sentimento que iria transformar de uma hora para outra sua vida ordenada.

 

Eu, também já tinha começado a sentir as mesmas sensações de perda do controle sobre meus sentimentos, só que uma mistura de decepção e amor invadia meu coração.

 

No dia seguinte, ao chegar ao escritório Jane e Char não deram trégua e foram logo perguntando:

 

- Então, Lizzy, o que aconteceu no jantar de negócios??

 

- Bom dia para vocês também, e não aconteceu nada, apenas negócios

 

- Ah, nem vem Lizzy, vai nos dizer que foram só negócios

 

- Bom desta vez ele até falou mais do que o habitual, mas nada além disso. E agora chega de interrogatório e vamos trabalhar, temos muito trabalho pela frente.

 

Não queria pensar na noite anterior, não queria saber o motivo de estar tão decepcionada.

 

Os dias passaram-se e o corre-corre da cidade e dos preparativos das confraternizações era o que não deixavam que eu me angustiasse mais.

Precisei ir ao shopping, para comprar alguns presentes que tinha esquecido. Estava insuportável transitar pelos corredores cheios de pessoas com sacolas, carrinhos de bebês e crianças correndo de um lado para o outro.

 

Distraída por causa do tumulto, nem reconheci quem vinha em minha direção. Ele era realmente um homem lindo, e estava maravilhoso!!! Vestindo jeans e uma camisa pólo, o que o deixava com um ar mais descontraído e jovem, sem aquele semblante sério que costumava ostentar quando estava de terno.

 

Quando percebi que era ele, Darcy já tinha me reconhecido e vinha sorrindo em minha direção.

 

- Oi - ele falou.

 

- Oi, quase não o reconheci. – respondi meio sem graça.

 

- Estou tão diferente assim?

 

- Sim, parece outra pessoa. Hoje você não parece tão sério...

 

- Fazendo compras para o Natal?

 

- É. Alguns presentinhos que ficaram para a última hora.

 

- Então como você está? Não nos falamos mais desde aquele jantar.

 

- Sabe como é, muito trabalho, estou muito envolvida com os preparativos inclusive da confraternização de sua empresa.

 

- Hum, imagino... Então... Nos vemos por aí...

 

- É, nos vemos por aí...

 

Todo esforço que tinha feito até agora de não pensar mais naqueles sentimentos perturbadores que teimavam em me perseguir, acabou-se nesse momento, pensei. Podia sentir certa mudança no seu modo de falar, ele já sorria mais espontaneamente, mas ele ainda me deixava um pouco confusa...

 

- Finalmente chegou dia 23 de dezembro, dia que normalmente as empresas que nos contrataram faziam suas comemorações para seus funcionários. Felizmente, correu tudo bem e pudemos atender todos os pedidos e cada equipe se dirigiu para um local pré-estabelecido. No dia anterior, Darcy ligou para nosso escritório e falou comigo:

 

- Lizzy, quem está falando é o Darcy, tudo bem?

 

- Tudo bem, algo que eu possa ajudar?

 

- Bem, eu gostaria que você também participasse de nossa festa de confraternização, afinal Jane e Charlotte estarão presentes.

 

- Eu não sei, elas irão por causa do Charles e do Collins, já que eles trabalham ai,  e eu...

 

- Entendo, mas gostaria muito que você viesse como minha convidada, é um pedido especial que faço a você, por favor.

 

Não fui capaz de dizer “não”, afinal teria que ser de pedra para resistir a um pedido formulado desta forma.

 

- Tudo bem, então. Aceito o teu convite.

 

- Ótimo, sabia que podia contar com você! Então até amanhã à noite

 

- Até....

 

Coube a nós três estarmos na empresa do Charles e do Darcy. Afinal Jane namorava o Charles, Char estava noiva do Collins e eu, bem eu não estava namorando ninguém, mas quem poderia contar com as duas para organizar tudo. Então ficou para mim mais uma vez esta tarefa. Eu, particularmente, preferia ir para outro local, mas como fui convocada, procurei cumprir profissionalmente minha função, sem que nada e nem ninguém me abalasse.

Estava tudo transcorrendo bem. Os funcionários estavam se divertindo muito e claro apreciando e degustando tudo da mesa que fora montada, para mim era motivo de alegria, afinal nosso trabalho estava sendo apreciado e elogiado.

Mas num canto do espaçoso salão, com um copo de bebida na mão, Darcy permanecia daquele mesmo jeito como no dia que o conheci. Caminhei até ele, cumprimentando-o. Sem que esperasse ele sorriu para mim. Fiquei surpresa e retribui o sorriso. Então ele falou:

- Pensei que estava zangada comigo, mal se dirigiu a mim desde que chegou?

- Desculpe, se passei esta impressão. Fico tensa quando estou comandando algum evento, mesmo o menor que seja.

- Lizzy, quero muito conversar com você em particular.

- Olha Darcy, agora está complicado, tenho que me manter atenta ao serviço dos garçons para que nada falte e....

- Espere.

Ele caminhou até Charles e Jane, que dançavam animadamente. Falou algo e voltou para onde eu estava.

- Vamos, quero conversar com você.

- Mas Darcy, já te falei....

- Pode deixar, daqui em diante Jane e Charlotte irão assumir.

Ele me levou para a parte aberta do salão que era separada por portas de vidros. Chegamos a um local isolado que se encontrava deserto, então falou:

- Lizzy, há algumas semanas desde o noivado da tua prima que estou querendo te falar; mas não conseguia. Estou apaixonado por você. Eu te amo. Minha vida mudou depois que te conheci, tentei te falar naquela noite que jantamos mas.. Tenho sido consumido por este sentimento e sinto que vou explodir se não puder ter você.

Não tive como pronunciar uma só palavra. Ele aproximou-se mais de mim, envolveu-me em seus braços enquanto seus lábios tocavam os meus com intensidade. Não sei dizer quanto tempo ficamos assim, mas deixei-me levar por seu beijo que me inebriava a alma.

Saímos dali, deixando todos para trás. Jane e Char dessa vez poderiam muito bem dar conta de tudo por mim.

**********************

Era manhã de véspera de Natal. Amanhecemos um nos braços do outro no apartamento dele. Nunca tinha experimentado um sentimento tão maravilhoso assim em minha vida. Olhei para ele e disse:

- Sinto muito mas não comprei presente de Natal para você.

- Engana-se ganhei-o antecipado.Você foi o melhor presente que poderia receber. Senti sua voz grave e sensual, bem perto de meus ouvidos fazendo-me estremecer. Abaixei a cabeça, sentindo o rosto queimar. Ele levantou-o e disse:

- E você não gostou do presente que ganhou?

- Nunca ganhei nada tão especial... Sussurrei em seu ouvido.

Embora quiséssemos ficar sozinhos, acabamos nos reunindo com meus familiares para a ceia. A irmã de Darcy já tinha ido para Londres na casa de tios, onde ficaria até o final do ano. Minha mãe não cabia em si de felicidade ao vê-lo, afinal muito antes do que ela imaginara, eu finalmente estava namorando.

Depois de agüentar todas as sandices da família Bennet, fomos até meu apartamento.

Foi quando Darcy me fez o convite mais inesperado e maravilhoso que eu poderia receber:

- Lizzy, que tal irmos para Londres, romper o ano lá?

- Seria maravilhoso, meu amor, mas não tenho passagem lembra? E a esta altura as passagens já estão esgotadas.

- E se eu te disser que tenho duas passagens para nós?

- Como assim?

- Comprei depois do jantar daquele dia quando você me falou da sua vontade de ir. Não sei bem porque fiz isso, nem sabia se você aceitaria, mas fiz. Então, você aceita?

- Eu adoraria! – exclamei feliz

A semana seguinte chegou. Sentada no avião eu me lembrava daquele sonho que tive semanas atrás, agora sabia quem era o homem misterioso e sensual que via ao meu lado.

Chegamos à Londres com o frio e a neve deixando uma densa névoa sobre ela. Hospedamos-nos em um hotel de onde se podia vislumbrar o Tâmisa ao longe.

Na noite de Ano Novo, apesar de toda a movimentação das pessoas para a contagem regressiva, preferimos ficar no hotel. Na hora da virada, abraçados um ao outro, da janela envidraçada de nossa suíte, pudemos contemplar os fogos que iluminavam e coloriam o céu londrino no romper de um novo ano.

- Feliz 2010! – ele desejou em meio a um beijo intenso.

- Algo me diz que será um ano maravilhoso! – eu respondi antes de me deixar ser beijada mais uma vez.

 

FIM