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O anjo de Pemberley - Capítulo 8

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em O anjo de Pemberley

O sábado transcorria normalmente em Pemberley, cada empregado ocupado com suas tarefas. Sob a supervisão da Sra. Reynolds, as cortinas da sala de visitas recém-lavadas eram recolocadas por John, Mary e  Lizzy quando ouviram o som de um carro estacionando no pátio logo abaixo.

 

A governanta estranhando o barulho espiou pela janela para verificar quem poderia ser o visitante e não escondeu sua surpresa ao dizer:

 

- É Lord Darcy. Que estranho! Ele nunca aparece por aqui sem me avisar. Terminem o trabalho que vou recebê-lo e saber o que aconteceu.

 

Prevenida talvez pelo seu sexto sentido, Lizzy sentiu um frio percorrer sua espinha.

 

“Por que tenho a impressão de que ele veio por minha causa?”

 

A Sra. Reynolds tem razão, boa coisa não deve ser. Lord Darcy nunca aparece sem avisar. O que será que aconteceu? Será que está desconfiando de alguém e veio dar uma incerta? – disse Mary.

 

- De quem poderia ser? Só se for do Sr. Brown, o administrador das terras. – disse John enquanto prendia a cortina em seu varão.

 

- Não acredito, ele está neste posto há mais de vinte anos e é mais fiel que um cão buldogue. – concluiu Mary.

 

- Besteira, ele veio porque lhe deu vontade de vir. Afinal é o dono e não precisa avisar a ninguém quando quer visitar sua propriedade. – concluiu John voltando ao seu trabalho.

 

Ele veio por minha causa, tenho certeza, estou perdida!” – pensou Lizzy sentindo um oco em seu estômago e o coração acelerado.

 

O tempo passou e Lizzy não viu Lord Darcy aparecer furioso para expulsá-la de Pemberley como estava esperando, mas isto ao invés de acalmá-la deixou-a ainda mais apreensiva. O que iria ele fazer ao desmascará-la? Chamar a polícia para prendê-la?

 

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Pemberley, 17 de junho de 1878.

Finalmente a minha noite de núpcias!

O que aconteceu nesta noite jamais se apagará de minha memória, mas não da forma negativa, como eu esperava, mas como momentos mágicos, cheio de ternura e sensualidade.

As descrições de minha irmã Susan sobre as intimidades entre marido e mulher me causavam medo e repulsa, mas não foi o que senti ao me tornar a mulher de Lord Darcy.

Confesso que eu estava determinada a me manter passiva diante das carícias e de tudo mais que ele fizesse comigo, afinal não poderia impedi-lo de exercer o direito de marido, mas assim que ele me tomou em seus braços e me beijou, minhas intenções caíram por terra.

Foi gratificante fazer amor com Lord Arthur, ele foi capaz de extrair de meu corpo sensações de prazer que nunca imaginei que pudessem existir. Só espero que ele não pense de que sou uma vadia porque não consegui reprimir meus suspiros e gemidos.

Só agora vejo o quanto me enganei por me deixar levar pela aparência sombria e silenciosa de Lord Arthur. Ele é um verdadeiro cavalheiro, não só nas aparências, mas gentil e delicado na intimidade. Compreendo agora que mesmo não o amando a existência ao seu lado não será o inferno que eu vislumbrava.

 

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A vida do casal Darcy entrou numa aparente normalidade a partir de então.

 

Lord Darcy continuava a mesma pessoa reservada e calada de sempre, ocupando o seu tempo com a administração de suas terras, e nos momentos de lazer saía para longas cavalgadas  ou então mergulhava na leitura dos livros da extensa biblioteca de Pemberley.

 

Lady Clementine, por sua vez, decidia com a governanta o cardápio do dia, fazia longos passeios pelos jardins e bosques de Pemberley, ocupava-se com seus bordados, lia e escrevia cartas.

 

Lord Arthur comparecia ao quarto da esposa todas as noites, parecendo bastante empenhado em produzir o seu herdeiro.

 

Clementine, que a princípio considerava estas atividades maritais estranhas e um tanto constrangedoras, passou a gostar delas e a desejá-las, pois aprendera a compartilhar do mesmo prazer que proporcionava ao marido.

 

Apesar do ardor que Lord Arthur demonstrava no leito, logo que o ato terminava, ele continuava a se retirar do quarto.

 

 

Pemberley, 25 de julho de 1878

Quase todas as noites Lord Arthur tem vindo cumprir sua obrigação de marido comigo. Ele continua sendo sempre um amante delicado ao me beijar e acariciar, mas algumas vezes acontece de se deixar levar pelo arroubo da paixão. Confesso que na primeira vez que isto ocorreu fiquei assustada, mas procurei esconder meu temor e entendi que aquele comportamento era causado pelo intenso prazer que estava sentindo comigo. Fiquei feliz em poder com meu corpo proporcionar tamanha sensação.

O que me entristece é que apesar do ardor que ele demonstra comigo, logo que terminamos o ato ele se retira de meu quarto, desejando-me uma boa noite.  Gostaria que ele permanecesse ao meu lado e dormisse comigo a noite inteira, mas não tenho coragem de lhe pedir isto porque sei que é costume dos casais aristocratas dormirem em quartos separados. Nunca vi meus pais compartilharem o mesmo quarto.

O comportamento de Arthur tem me incomodado cada vez mais. Tenho a impressão de que estou vivendo com dois homens: o taciturno Lord Darcy que durante o dia não tem para sua esposa um olhar ou um gesto amoroso que seja. E à noite o ardente amante que visita meu leito.  Às vezes chego a pensar que a paixão tórrida de nossas noites é apenas produto de minha imaginação.

 

Não demorou para Clementine descobrir que estava loucamente apaixonada por seu marido. Sim, ela o amava, percebendo agora que seu amor por Walter Langley havia sido um sentimento superficial e infantil, uma tola paixonite de adolescente comparado ao amor profundo e maduro que sentia por Arthur. Amor de mulher.

Ela procurou, sem sucesso, mostrar ao marido a mudança de seus sentimentos, a princípio com olhares e gestos de carinho quando se encontravam durante as refeições, mas estas tentativas não encontraram receptividade por parte de Lord Darcy, que as rechaçava fingindo não as perceber.

 

A ansiedade tomava conta de Clementine que queria revelar ao marido seus sentimentos, desejando mudar aquela situação peculiar que existia entre eles. Numa noite, ao vê-lo se retirar do leito para ir dormir em seu quarto, ela se encheu de coragem e disse:

 

- Arthur, posso lhe pedir algo?

 

- O que quiser Clementine.

 

- Gostaria que você ficasse aqui, que não fosse embora para o seu quarto. Que dormisse comigo a noite inteira.

 

- Você dormirá melhor sozinha, como está acostumada, minha querida. – Respondeu seu marido, inclinando-se sobre o leito e lhe dando o costumeiro beijo na testa.  A seguir ele se retirou deixando-a completamente triste e frustrada ao ver que mais uma tentativa de aproximação para revelar seu segredo fracassara.

 

Foi nesta época que a menstruação de Clementine começou a atrasar, deixando-a em pânico. Eram mais de cinco dias de atraso e ela logo concluiu que estava grávida. Seu sentimento a respeito da gravidez era ambíguo. Ao mesmo tempo em que queria ser mãe e principalmente ansiava gerar um filho de Arthur, um pequeno Darcy, ela tinha medo de que esta criança pudesse separá-los definitivamente.

 

Ela ouvira dizer muitas vezes que a maioria dos maridos da aristocracia cessava sua vida sexual com a esposa tão logo ela lhe desse um herdeiro.

 

“Se eu tivesse a certeza de estar esperando uma menina não me importaria de estar grávida.” – ponderava Clementine, mas para seu alívio tudo não passou de um falso alarme, um mero atraso em suas regras.

Os encontros noturnos entre marido e mulher tornavam-se cada vez mais tórridos e Clementine contribuíra para isto deixando de lado toda a inibição inicial e participando ativamente das noites de amor. Ela procurava demonstrar com seu comportamento ardente aquilo que temia dizer por palavras.

 

Algum tempo se passou nesta situação até que não suportando mais guardar apenas para si um sentimento tão grande e profundo que a consumia por inteira, resolveu revelá-lo ao marido na esperança de que fosse correspondida e que o relacionamento deles pudesse se transformar.

Após o jantar, Lord Darcy costumava passar algum tempo na biblioteca lendo antes de subir para o quarto, enquanto Clementine procurava se distrair sozinha na sala de visitas lendo, bordando ou jogando paciência.

 

Decidida a não mais esconder seus sentimentos por Arthur e a por um fim a sua angústia, ela se dirigiu à biblioteca para ter uma conversa definitiva com ele.  Suas mãos estavam trêmulas e suavam ao bater suavemente na porta e entrar no aposento que era domínio do marido.

- Arthur... Pode me conceder alguns minutos, preciso conversar com você.

 

- Sim, claro, pode falar.

 

- É sobre nós dois... Ou melhor... Sobre mim... Sobre nossa relação. Queria lhe dizer que meus sentimentos por você mudaram completamente desde que nos casamos.

 

- Não estou entendendo o que está querendo me dizer, Clementine.

 

- Eu quero te dizer que... Eu o amo, Arthur. Estou completamente apaixonada por você.

 

Passaram-se alguns minutos do mais absoluto silêncio em que se poderia ouvir perfeitamente o tic-tac do relógio sobre o descanso da lareira. Finalmente quando Clementine já estava pensando que não obteria nenhuma resposta à sua declaração intempestiva, seu marido disse numa voz calma e pausada de quem estivera refletindo antes de falar:

 

- Ora, Clementine. Você deve estar equivocada, não acredito que você possa estar nutrindo este sentimento por mim.

 

- Não estou equivocada. Por que estaria? Acha que não sei o sinto?

 

- Você deve estar confundindo um entusiasmo passageiro por mim, uma paixonite de adolescente com amor.

 

- Já deixei de ser uma adolescente há algum tempo. Sou uma mulher feita e como mulher sei muito bem quais são meus sentimentos em relação a você. O que sinto é um amor profundo e verdadeiro. Por que não quer acreditar que eu esteja apaixonada por você?

 

Clementine retrucou corada de vergonha e apertando nervosamente suas mãos uma contra a outra.  Ela se encontrava de pé em frente à poltrona onde Arthur estava sentado, ainda com o livro que lia aberto sobre seu colo.

 

Ela tinha certeza de que após sua declaração emocionada, ele se levantaria, a tomaria em seus braços e a beijaria apaixonadamente, mas não foi o que aconteceu. Ele, simplesmente, continuou onde estava e disse num tom de voz em que não escondia a sua contrariedade:

- Você está enganada quanto aos sentimentos que pensa nutrir por mim, confunde amor por um entusiasmo passageiro de jovem, Clementine. Esqueça esta declaração tola que me fez. Vá se deitar. Boa noite.

 

Arthur voltou sua atenção ao livro que lia, dando a conversa por encerrada e ignorando a partir daí a presença da esposa. Clementine sentiu seus olhos marejarem de lágrimas e antes que caísse num choro convulsivo, se retirou rapidamente da biblioteca completamente humilhada, sentindo-se a última das mulheres sobre a face da Terra.

 

Assim que Clementine saiu da biblioteca, Lord Arthur se levantou da poltrona e começou a andar nervoso por toda a extensão do aposento mancando mais do que o costume.

 

Esta mulher está me pondo louco. Apaixonada por mim! Era o que me faltava! De onde ela tirou esta idéia absurda! Não posso deixá-la cultivar este sentimento para o meu próprio bem e o dela também.”

Naquele noite Clementine ficou longo tempo deitada em seu leito aguardando a visita noturna de Arthur, quando tentaria voltar ao assunto até fazê-lo acreditar em sua declaração, mas ele não apareceu. Chorou por um longo tempo até adormecer vencida pelo cansaço.

 

Por que ele não acredita no meu amor por ele? Por que ele pareceu até ficar com raiva  quando falei dos meus sentimentos por  ele? Será que ele não gosta nem um pouco de mim? Será que ele está apaixonado por outra mulher?”

 

Passaram-se três noites sem que o marido viesse vê-la, aumentando o desespero de  Clementine que numa atitude impulsiva resolveu ir ao quarto do marido, logo que ouviu sons indicando que ele havia se recolhido para dormir, pois não estava mais disposta a suportar a maneira como ele a vinha tratando.

 

Clementine bateu na porta de ligação dos quartos e entrou assim que ouviu um breve “Entre”. Arthur não escondeu o seu espanto diante da presença da esposa pela primeira vez em seu quarto.

 

- Clementine, aconteceu algo?

 

- Sim, aconteceu. – Ela suspirou fundo para criar coragem e prosseguiu antes que perdesse o ímpeto de falar. - Quero saber por que está fugindo de mim depois que confessei meus sentimentos por você?

 

- Não estou fugindo de você. Apenas estou dando um tempo para que você esqueça esta infantilidade de achar que está apaixonada por mim.

 

- Não se trata de nenhuma infantilidade. Por que não acredita que eu possa amá-lo, Arthur? Estou realmente apaixonada por você.

 

- Não creio nisto.

 

- Diga-me pelo menos por que não acredita que eu possa amá-lo? O que há de tão extraordinário nisto, de uma mulher estar amando o seu marido?

- Não sou nenhum tolo, percebi quando fomos apresentados em Londres, o quanto meu aleijão te impressionou mal e te repugnou, mas não a condeno por isto porque você não foi única, a maioria das mulheres procura parceiros perfeitos e bonitos, homens como Walter Langley.

 

- Ah! Você está enganado, Arthur, se pensa que ainda estou apaixonada por Walter. Ele não significa mais nada para mim depois da decepção que tive com o seu comportamento covarde ao fugir quando deveria ter enfrentado meu pai e me defendido. Não é este tipo de homem que quero por mais belo e perfeito que ele possa ser.

 

- E então você resolveu canalizar a sua paixão em mim. - disse Lord Darcy irônico. - Eu já lhe disse e volto a repetir: quando nos casamos eu sabia que você não me amava, por isso não espero este sentimento de você, contento-me com sua lealdade e respeito.

 

- ... Mas agora tudo mudou. Aprendi a amá-lo ao conviver com você, ao ver o quanto é bom e generoso comigo.

 

- Acho que o isolamento de Pemberley está lhe fazendo mal.  Infelizmente, nesta época de outono quando acontecem as colheitas, não posso largar tudo e levá-la para Londres, onde poderia se distrair. Você está confundindo seus sentimentos. O que você sente por mim é piedade e não preciso de sua piedade,  Clementine.

 

- Não, não é piedade. Reconheço que fiquei chocada quando o vi pela primeira vez, pois não esperava que o pretendente sobre o qual meu pai me falara tivesse um problema físico. Atualmente, este problema não significa mais nada para mim. E não quero ir a Londres, estou muito bem aqui. – O rosto de Clementine refletia o seu desespero em tentar convencer o marido de seus sentimentos.

 

Ela se atirou em seus braços na tentativa de fazê-lo acreditar que o seu amor por ele era verdadeiro. Tomou a iniciativa de beijá-lo, numa atitude ousada que nunca tivera antes, pois todas as iniciativas até então haviam partido de Arthur.  Foi um beijo sedento que serviu de ignição para a paixão que sempre aflorava entre eles quando estavam nos braços um do outro.

 

Pela primeira vez, eles se amaram ali mesmo no quarto de Lord Darcy, num ato de amor desesperado, deixando-se levar pela paixão que incendiava seus corpos. Clementine esquecida do recato e pudor que se esperava de uma esposa e de uma dama da época, demonstrou nos beijos e carícias todo amor que sentia por este homem que relutava em acreditar em seus sentimentos.

 

Era madrugada, quando finalmente Clementine adormeceu nos braços do marido, mas para sua tristeza e decepção acordou sozinha em seu próprio leito na manhã seguinte. Em algum momento durante a madrugada, Arthur a levou de volta ao seu quarto demonstrando claramente que continuava a não acreditar na confissão da esposa e que desejava manter o mesmo relacionamento formal e distante de sempre.

 

A decepção de Clementine era grande ao constatar que depois de sua arrojada declaração de amor nada havia mudado entre ela e o marido. Arthur continuava o mesmo homem frio aparentando uma indiferença que só desaparecia completamente à noite no leito conjugal.

 

Após cinco meses de casada, Clementine estranhava o fato de ainda não haver engravidado, começaram a lhe ocorrer a ideia de que pudesse ser estéril, pois a maioria das mulheres com muito menos tempo de vida sexual ativa ficavam grávidas.

 

Foi nesta época que Clementine começou a ajudar os pobres da região, cansada de se sentir  inútil, uma mera figura decorativa na mansão que era muito bem administrada pelo mordomo e pela governanta, não restando a ela nada que pudesse fazer.

 

As visitas e auxílios aos pobres deram um novo significado à vida de Clementine, ela pôde constatar que próximo ao luxo em que vivia em Pemberley havia famílias inteiras passando necessidades.  Além de alimentos que tirava das abundantes despensas da mansão, deixou  de trabalhar nas finas peças de bordado e passou a costurar e tricotar peças de roupas úteis para as famílias que visitava.

 

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O fato de Lord William Darcy estar furioso por ter sido trapaceado por Elizabeth Bennet era ponto pacifico. Ele não estava acostumado a ter suas ordens desobedecidas por ninguém, muito menos por uma obscura jornalista ávida em fazer carreira desenterrando o passado de seus ilustres ascendentes e talvez até fantasiando a sua narrativa com inverdades ou meias-verdades, como costumam fazer os jornalistas menos escrupulosos.

 

Lord Darcy nunca se interessara em conhecer a fundo a estória de vida de seus antepassados, Arthur e Clementine Darcy, sabia apenas o que era do conhecimento geral da família: que ela tinha sido uma dama muito caridosa e que havia sido encontrada morta nos jardins de Pemberley. Quanto ao marido, apenas que tinha sofrido um terrível acidente de caça que o deixara manco de uma perna.

 

A princípio Lord Darcy havia pensado em chamar a polícia para que Elizabeth Bennet fosse presa e processá-la, acabando de uma vez com sua carreira de jornalista, mas havia refletido e decidiu que não faria isto, por ter aversão à publicidade envolvendo seu nome e de sua família.

 

O público em geral tinha um interesse ávido por escândalos que envolvessem uma família rica e tradicional do Reino Unido e a mídia certamente teria interesse em cerrar fileiras para defender esta jornalista apenas com o intuito sensacionalista.

 

Ele não daria este cartaz a Srta. Bennet. Uma boa repreensão e a expulsão de Pemberley seriam suficientes para esta criatura atrevida que tivera a audácia de invadir seus domínios para desenterrar segredos de família há muito esquecidos.