Imprimir

O anjo de Pemberley - Capítulo 9

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em O anjo de Pemberley




A vida de Clementine e Arthur continuou no mesmo impasse. Após as suas frustradas tentativas de convencer o marido da sinceridade de seu amor por ele, Clementine acabou por se conformar com a situação peculiar de seu casamento e se dedicou de corpo e alma a suas obras de caridade.

 

- Clementine, vejo-a bastante envolvida no auxílio aos pobres da região, acho isto muito nobre de sua parte, mas não quero que se exceda e acabe se cansando com isto.

 

- Fique tranqüilo, sinto prazer em ajudar aos necessitados, isto deu um novo sentido a minha vida e não me sinto cansada por isto, muito pelo contrário sinto-me feliz em por ser útil a alguém.

 

Foi neste período que ocorreu nova suspensão de sua menstruação, mas desta vez sua gravidez foi confirmada pelo velho médico de Lambton. Como Clementine temia e esperava, as visitas noturnas do marido cessaram e ela caiu numa profunda tristeza que era visível a todos.

 

Lord Arthur atento ao estado da esposa mandou chamar o Dr. Gregson para que este a examinasse.

 

- Lord Darcy, sua esposa está fisicamente bem, porém, em minha experiência com mulheres grávidas já percebi que algumas ficam muito carentes de afeto quando estão neste estado e podem até cair em profunda depressão quando gestantes. Aconselho que redobre a atenção que costuma dar a sua esposa, não será saudável para ela e para a criança se este estado de ânimo persistir.

 

As palavras do médico preocuparam Arthur que ficou sem saber como agir com Clementine. Já percebera em várias ocasiões seus belos olhos azuis rasos de lágrimas ou congestionados, sinais evidentes de que ela estivera chorando.

 

Uma noite quando em pleno jantar, Clementine pediu licença e se retirou para seu quarto. Lord Arthur assustado com a atitude da esposa foi ao seu encalço para encontrá-la prostrada na cama num choro convulsivo.

 

- Clementine, o que você tem? Por que está chorando? Por que anda tão triste? Não está feliz com a vinda de nosso filho?

 

- Não é nada... – respondeu Clementine em meio a soluços.

 

- Como não é nada? Ninguém chora desta maneira sem motivo. Deve haver uma razão para este choro. Quero ajudá-la, conte-me o que se passa com você.

 

- O que adianta eu contar o motivo do meu choro se você não se importa comigo?

 

- De onde tirou esta idéia de que não me importo com você? Claro que me importo, afinal você é minha esposa e está esperando nosso filho.

 

- Talvez se importe comigo apenas por este motivo porque estou gerando um filho seu. Só se casou comigo porque precisava de um herdeiro, agora que ele já foi providenciado que importância posso ter para você? Nenhuma... Só voltará a me procurar se a criança for uma menina. Não significo nada para você como pessoa, meus sentimentos não têm valor algum. – e grossas lágrimas recomeçaram a escorrer pelo belo rosto de Clementine que se voltou de bruços escondendo o rosto sofrido no travesseiro.

 

Houve um longo silêncio, Arthur se sentia desarmado diante do choro convulsivo da esposa e ele precisava fazer algo para cessar aquele pranto e aquela angústia, pois conforme dissera o Dr. Gregson eles eram altamente prejudiciais a Clementine e à criança.

 

- Você insiste nesta estória de que está apaixonada por mim e está fazendo um cavalo de batalhas disto.

 

- E você insiste em não acreditar. – retrucou Clementine.

 

- Você está enganada, não me casei com você apenas para que me desse um herdeiro.

 

- Então por que foi?

 

- Eu procurei também uma esposa, uma companheira de vida, alguém com quem pudesse compartilhar minha vida.

 

- Não é isto que está ocorrendo conosco, não vejo nenhum companheirismo entre nós, pois vivemos como dois estranhos nesta casa. E não é esta a noção que eu tenho de um casamento feliz.  O que você sente por mim Arthur? Quais são seus sentimentos em relação a mim? - Clementine movida pelo desespero fitava a expressão atormentada do marido em cujo rosto sombrio, os olhos azuis pareciam negros à luz das velas do quarto.

 

- Eu gosto muito de você, Clementine.

 

- Gosta? Pois para mim não é o suficiente você gostar de mim. Eu quero o seu amor incondicional, o amor de um homem por uma mulher. Quero ser retribuída no amor que sinto por você. Agora, por favor, vá embora do meu quarto, quero ficar sozinha, não há nada que você possa fazer por mim.

 

Passados alguns minutos em que Lord Arthur ficou pensando no que poderia dizer ou fazer para acalmar a esposa, acabou deixando o quarto como Clementine lhe pedira sem tomar nenhuma atitude. Ele passou a maior parte da noite caminhando pela biblioteca e depois em seu quarto pensando na atitude que tomaria para por fim ao impasse criado em seu casamento.

 

Na manhã seguinte, logo após o café da manhã Clementine foi procurar o marido na biblioteca para lhe anunciar o que havia decidido na noite que passara insone.

 

- Arthur, gostaria que você me desse permissão para ir embora para Londres.

 

- Ir embora para Londres? Fazer o quê lá?

 

- Gostaria de passar estes meses de minha gestação na companhia de minha família e amigos.

 

- Sua família agora sou eu, Clementine. E quais amigos quer ver? Não será aquele miserável do Walter Langley?

 

- Walter Langley? De onde tirou esta idéia absurda, ele, com certeza, é a última pessoa que espero encontrar, agora que sei quem ele é, eu simplesmente o detesto. Ele quase destruiu minha vida.

 

- Não, não vou permitir que você vá embora de Pemberley. O Dr. Gregson é um excelente médico, perfeitamente capaz de te assistir na hora do parto, não quero que você saia de perto de mim.

 

- Então você irá me obrigar a ficar aqui contra minha vontade? Como uma prisioneira?

 

- Gostaria que você não encarasse desta forma o desejo que tenho que fique ao meu lado, enquanto estiver gerando nosso filho e gostaria também que ele nascesse aqui em nossa casa, em Pemberley.

 

- Como sua esposa tenho que obedecer a você, mas saiba que vou ficar contra minha vontade. Agora com licença.

 

Clementine ia se retirar quando Arthur a segurou pelo braço puxando-a na direção da muralha de seu peito, a abraçou fortemente e murmurou em seu ouvido.

 

- Clementine, não vou deixá-la partir porque eu... eu a amo. Por favor, não zombe de meus sentimentos.

 

A princípio Clementine chegou a duvidar das palavras que acabara de ouvir e demorou alguns segundos para assimilar o que lhe foi dito.

 

- Sim, a amei no primeiro instante em que a vi. Foi uma atração forte demais a que não pude resistir. Tudo em você me encantou: sua maneira de andar e falar, sua juventude, sua beleza tão cândida. Foi por isto que passei por cima de tudo para fazê-la minha esposa

 

- Se você me ama, então por que não acreditou quando me declarei a você? Por que não crê que eu possa retribuir este sentimento? Por que me trata com tanta indiferença?

 

- Quando era muito jovem me apaixonei perdidamente por uma jovem que veio com seus pais passar uma temporada em Pemberley. Durante aquele verão ela flertou comigo e eu, tolo, acreditei que ela estivesse correspondendo com igual intensidade ao meu sentimento. Quando me declarei certo de que meu pedido de casamento seria aceito, fui rejeitado. Nunca irei me esquecer da expressão horrorizada que ela não teve a caridade de esconder. Ela foi categórica em afirmar  que jamais poderia amar alguém como eu, um homem com defeito físico.

 

- É por isto que não acredita que eu possa amá-lo? Por que outra mulher o rejeitou acredita que eu também o rejeitaria? Pois saiba que não sou igual a ela, para mim seu problema físico não representa nada, mal percebo que ele existe.

 

- Quando nos conhecemos notei na expressão de seus olhos o quanto a minha figura a repugnava.

 

- Não vou negar que quando fomos apresentados seu problema físico me impressionou negativamente, mas esta foi apenas a primeira impressão da garota tola e superficial que eu era naquela época. Hoje, que estou amadurecida, que conheço o seu caráter, a generosidade de seu coração, a delicadeza com que sempre me tratou, o defeito em sua perna não significa nada para mim.

 

- Não quero que sinta piedade por mim, tenho medo de que esteja confundindo piedade por amor.

 

- Sei muito bem o que sinto por você! Não é piedade, é amor. Um amor profundo e verdadeiro que aumenta a cada dia que passa. O que preciso fazer para provar que meu amor por você é profundo e verdadeiro? E que não sou aquela mulher que o rejeitou?

 

- Clementine, procure perdoar e compreender meus receios. Vou procurar daqui para frente acreditar no seu amor, não quero que por minha causa você ande chorando pelos cantos. O Dr. Gregson disse que este seu estado de espírito está fazendo mal a você e ao bebê.

 

- Se quer mesmo que meu estado de espírito melhore, acredite em mim, acredite na sinceridade de meu amor por você.

 

- Você não faz idéia do quanto gostaria que fosse verdade o seu amor por mim.

 

O brilho da paixão que Clementine viu nos olhos de Arthur deram-lhe a confiança de passar seus braços em volta do pescoço dele e tomar a iniciativa de depositar beijos pelo belo rosto do marido. Este não resistiu muito tempo à carícia, capturou aqueles lábios macios e passou a comandar um beijo lascivo, um jogo sensual de línguas, lábios e dentes.

 

Tomados completamente pelo desejo insaciável que sentiam um pelo outro, os beijos e carícias foram se tornando cada vez mais ousadas, Arthur já estava a ponto de possuir sua mulher ali mesmo na biblioteca quando de repente parou arfante e disse:

 

- Clementine, tenho medo de machucar você e o nosso bebê. Preciso perguntar ao Dr. Gregson se podemos continuar nossas atividades sexuais, meu amor.

 

Pemberley, 19 de outubro de 1878.

 

Não há sobre a face da Terra uma mulher mais feliz do que eu, Lady Clementine Darcy, pois finalmente Arthur declarou seu amor por mim. E para completar nossa felicidade, o Dr. Gregson disse a Arthur que podemos continuar normalmente nossa vida de marido e mulher, desde que é claro, ele fosse cuidadoso comigo.

Agora estamos vivendo nossa verdadeira lua de mel. Arthur atendeu ao meu pedido e passou a dormir comigo em meu leito a noite inteira. É maravilhoso dormir e acordar no calor de seus braços.

Agora que já não existe nenhum segredo entre nós, Arthur tem se revelado um marido gentil e amoroso, tem sido muito carinhoso comigo, completamente diferente daquele homem taciturno e calado que conheci.

Tenho certeza de que ele será um pai atencioso e afetuoso para com nosso filho ou filha, bem diferente de meu pai que era indiferente com os filhos.

Ele me disse que gostaria que nosso primeiro filho fosse uma menina e que gostaria de lhe dar o nome de Claire. Falou com tanto entusiasmo que cheguei a ficar enciumada achando que este havia sido o nome de alguma paixão dele do passado. Foi uma das raras vezes em que vi Arthur rir às gargalhadas.

- Fique tranqüila não amei nenhuma Claire, apenas acho este nome lindo e sempre pensei em dá-lo a uma filha, se a tivesse. A única mulher que amei verdadeiramente se chama Clementine.

- E aquela boba que zombou de você? Você não a amou, seu mentiroso?

- Aquilo não foi amor, foi apenas um entusiasmo passageiro, uma paixonite, nada comparado com a intensidade do sentimento que tenho por você.

*******************************

 

 

William havia chegado a Pemberley com a idéia de mandar chamar imediatamente Elizabeth Bennet, desmascará-la e expulsá-la dali, após lhe dizer poucas e boas, mas ele aprendera com seu falecido pai a não tomar nenhuma atitude precipitada quando estivesse nervoso ou com raiva. Procuraria se acalmar primeiro para não cometer nenhum desatino do qual viesse a se arrepender mais tarde.

 

Era final da tarde do sábado quando finalmente William deu a seguinte ordem a sua governanta:

 

- Sra. Reynolds, preciso que a senhora me mande a Srta. Elizabeth para me ajudar a limpar e colocar ordem em alguns livros desta biblioteca.

 

Avisada pela Sra. Reynolds, Lizzy se dirigiu à biblioteca para ajudar Lord Darcy, sabendo de antemão o que a esperava, pois tinha certeza de que a limpeza dos livros era apenas um pretexto para desmascará-la.

 

Lizzy entrou no imponente aposento de que tanto gostava como um condenado que sobe no cadafalso para ter sua cabeça degolada.

 

Após os cumprimentos de praxe, Lord Darcy que examinava uma grande pilha de livros sobre a mesa disse a Lizzy:

 

- Vejo que a senhorita trouxe o material de limpeza. Gostaria que fosse tirando bem a poeira destes livros que vou levá-los comigo para Londres.

 

Lizzy iniciou sua tarefa, mas sentia-se incomodada com a presença de Lord Darcy que aparentemente parecia ignorar sua presença examinando com atenção os livros que escolhia colocando-os na pilha que ela ia limpando.

 

Lizzy tinha a impressão de que ele estava fazendo com ela o jogo do rato e do gato. Após um tempo que lhe pareceu uma eternidade, ela ouviu a voz masculina e sonora de Lord Darcy dizer:

 

- Srta. Elizabeth, desde a primeira vez que nos encontramos nesta mesma biblioteca aqui em Pemberley, quando a senhorita caiu daquela escada. Deve estar lembrada? Tive a impressão de conhecê-la.

 

Os olhos castanhos de Lizzy pareciam enormes em seu rosto pálido enquanto fitavam o belo rosto de Lord Darcy, cuja voz calma inspirava mais medo do que se ele estivesse gritando num acesso de raiva.

 

- Sei muito bem quem é você! É a jornalista que me procurou em meu escritório em Londres pedindo permissão para examinar documentos sobre minha antepassada Lady Clementine Darcy.

 

Num gesto rápido e inesperado Lord Darcy se aproximou de Lizzy retirou os grampos que prendiam o coque no alto de sua cabeça, os cabelos compridos cascatearam sobre os ombros e num outro movimento rápido ele lhe retirou os óculos.

 

- Você precisaria usar um disfarce melhor do que este para me enganar. Sou um ótimo fisionomista dificilmente me esqueço de alguém que vi uma vez.

 

Lizzy sentiu-se desarmada, tinha a impressão de estar nua em frente a Lord Darcy, embora estivesse completamente vestida.

 

- Eu... Eu... – esta foi uma das poucas vezes na vida que Lizzy não encontrou uma resposta na ponta da língua.

 

Lord Darcy não aguardou que Lizzy recuperasse a presença de espírito e disse algo em sua defesa. Ele prosseguiu sem esconder a raiva no tom metálico de sua voz:

 

- Ainda não conversei com a Sra. Reynolds a seu respeito, mas imagino que a senhorita entrou nesta casa, dando a ela informações falsas sobre sua pessoa, enganando minha pobre governanta. Saiba que só por isto posso colocá-la atrás das grandes e mover um processo contra a senhorita por falsa identidade e invasão de domicílio. Quero saber agora o que foi que a senhorita descobriu em suas buscas clandestinas nesta casa.

 

- Senhor Darcy... Lord Darcy... Minha intenção ao vir para Pemberley não era a de furtar nada, pois não sou uma ladra. Encontrei, por acaso, dois volumes do diário de Lady Clementine em um baú no sótão, eu os peguei e estou lendo e ia devolvê-los ao local de onde os tirei. Acredite!

 

- Minha vontade era chamar a polícia e mandar prendê-la, mas a senhorita tem sorte porque não vou fazer isto. Sou avesso a escândalos envolvendo meu nome e de minha família e sua intromissão não paga a pena os aborrecimentos que terei. Meu tempo é precioso demais para eu perdê-lo com uma jornalistazinha metida em busca de furos sensacionalistas, por isto, vamos encerrar este episódio aqui e agora.

 

- Lord Darcy não entendo porque o senhor está tão irredutível em tornar pública a estória de vida de Lady Clementine, ela foi uma dama caridosa que viveu uma linda estória de amor com o marido, sua família só teria motivos para se orgulhar dela.

 

- Srta. Bennet, nunca vi uma teimosia como a sua! Depois de tudo ainda está tentando me convencer a ceder, pois posso ser mais teimoso que a senhorita. Nunca mais quero ouvir falar na senhorita e se ousar tornar pública qualquer das informações que obteve através da leitura deste diário irá se arrepender amargamente.  Para o seu próprio bem leve a sério o estou lhe dizendo, pois não estou brincando Srta. Bennet!  Se insistir, irei até as últimas conseqüências, e pode ter certeza a senhorita terá mais a perder do que eu. Espero ter sido claro.

 

- Tudo bem, Lord Darcy, entendi perfeitamente o que disse. Vou deixar Pemberley imediatamente.

 

- Pode arrumar seus pertences e permanecer em seu quarto, mandarei a Sra. Reynolds revistar sua bagagem por medida de segurança. Entregue o diário de Lady Clementine a ela.

 

Lizzy se retirou da biblioteca com um sentimento ambíguo em relação a Lord Darcy, ao mesmo tempo tinha raiva das palavras ofensivas que ele lhe dirigira, estava aliviada pelo  fato dele não ter prestado queixa contra ela na polícia.

 

Lizzy recebeu a Sra. Reynolds em seu quarto. Havia arrumado sua pequena bagagem deixando-a sobre a cama para que a governanta pudesse examiná-la e constatar que não estava furtando nada.

 

- Lizzy, por que foi fazer uma loucura destas?

 

- Sra. Reynolds, espero que Lord Darcy não tenha ficado zangado com a senhora por ter me contratado.

 

- Fique tranqüila, Lizzy, ele ficou furioso apenas com você. E você sabe que com razão. Bem, eu agora vou ter que revistar sua bagagem como Lord Darcy me ordenou.

 

- Sem problemas Sra. Reynolds. Quero mesmo que a senhora a examine para não haver dúvidas de que não estou levando nada daqui.

 

- Minha filha, acalme-se, tenho certeza de que não furtou nada, não está em sua índole, conheço o caráter das pessoas que emprego aqui.

 

Depois que a governanta inspecionou sua bagagem, Lizzy entregou os dois volumes do diário que deixara separado sobre a cômoda.

 

- Sra. Reynolds, aqui estão os dois volumes do diário de Lady Clementine que peguei do baú no sótão para ler, por favor, os entregue a Lord Darcy.

 

- Lizzy, você não deveria ter deveria ter feito o que fez. Se Lord Darcy já lhe havia dito que não queria que você investigasse a vida de Lady Clementine, deveria ter se conformado e não vindo procurar informações da forma que veio, enganando a todos nós.

 

- Peço desculpas para a senhora, sei que deve estar muito aborrecida comigo, mas não era minha intenção fazer mal a ninguém e muito menos magoar a senhora que sempre foi tão boa comigo. Estou muito envergonhada.

 

- Sei disto, minha filha. Lord Darcy é uma pessoa muito boa. Você deve ser grata a ele por não ter chamado a polícia e prestado queixa contra você, apesar dele estar no direito de fazer isto.

 

Guardou para si a opinião que fazia de Lord Darcy, ele até podia ser uma pessoa boa, como atestavam Georgiana e a Sra. Reynolds, mas não deixava de ser orgulhoso e prepotente.

 

A Sra. Reynolds mandou chamar um táxi de Lambton para vir buscar Lizzy e a bondosa governante foi a única pessoa que se despediu dela quando deixou Pemberley.

 

- Tenha juízo Lizzy e felicidades.

 

- Obrigada por tudo Sra. Reynolds, a senhora é uma pessoa muito boa.

 

Lizzy lamentava o fato de não ter terminado de ler o diário e ficara sem nenhuma pista da causa da morte de Lady Clementine, embora isto agora fosse irrelevante, visto que estava proibida por Lord Darcy de escrever sobre sua antepassada, entretanto, seria bom saber a verdade dos fatos, mesmo que fosse apenas para matar sua própria curiosidade.

 

Lizzy lançou um último olhar para a paisagem de Pemberley, os belos jardins e a imponente mansão que aprendera a amar no curto período de sua estada. Era o adeus definitivo aos personagens que haviam povoado suas noites solitárias de magia e romance.