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O anjo de Pemberley - Capítulo 10

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em O anjo de Pemberley

Assim que Lizzy deixou Pemberley, a Sra. Reynolds entregou a Lord Darcy os dois volumes do diário de Lady Clementine, que a jovem lhe devolvera. Ele os folheou distraidamente e em seguida disse à governanta:

 

- Sra. Reynolds, por favor, guarde-os de volta no baú de onde foram retirados.

 

- Sim, Lord Darcy. Examinei a bagagem da Srta. Elizabeth como o senhor pediu e verifiquei que ela não furtou nada. A pobrezinha apenas apanhou os diários para ler movida pela curiosidade e depois ia devolvê-los, o senhor fez muito bem em não denunciá-la a polícia.

 

- Ainda estou na dúvida se fiz bem ou mal em não denunciá-la, para mim ela não passa de uma jornalista intrometida, isto sim. Mas, felizmente, está tudo acabado.

 

A Sra. Reynolds que conhecia Lord Darcy muito bem achou melhor encerrar a defesa de Lizzy e já ia saindo da biblioteca carregando os diários quando foi chamada pelo patrão.

 

- Mudei de idéia, Sra. Reynolds, deixe estes diários comigo. Quero dar uma olhada melhor neles.

 

William tinha o costume de ficar lendo na biblioteca até tarde após o jantar quando vinha sozinho a Pemberley. Eram momentos de solidão e recolhimento que ele, com o passar do tempo, estava apreciando cada vez mais, podia se concentrar em sua leitura sem que ninguém ou nada viesse a perturbá-lo.

 

Quando era bem jovem gostava de convidar grupos de amigos para vir à Pemberley com ele, mas agora aos 33 anos, preferia vir sozinho. Andava sem paciência para ser o anfitrião de hóspedes ruidosos a quem teria que dedicar atenção e fazer as honras da casa, que o impediam de desfrutar a beleza de Pemberley, como gostava, em paz.

 

Às vezes acho que já estou começando a ficar com manias de velho.”pensava William condescendente consigo mesmo. Como o sono não vinha decidiu, por mera curiosidade, dar uma folheada nos diários de Lady Clementine, que deixara sobre a mesinha de apoio ao lado de sua poltrona favorita. Estava quase certo de que a sua antepassada não teria nada a dizer que pudesse interessá-lo.

 

A leitura daquelas páginas que em sua maior parte contavam o cotidiano de uma aristocrata inglesa da era vitoriana, entretanto, acabou por prender sua atenção. Além de escrever sobre detalhes de sua vida amorosa e familiar, Lady Clementine descrevia os usos e costumes de sua época. Ela tinha um estilo de escrita agradável prendendo a atenção de William que decidiu levar o diário para Londres e lê-lo em sua íntegra.

 

******************************

 

 

Lizzy retornou a Londres com um sentimento ambíguo dentro de si, de alívio por sua aventura não ter terminado atrás das grades de uma prisão e de tristeza e frustração por ter sido descoberta e expulsa antes de terminar de ler o diário de Lady Clementine.

 

Agora ela se arrependia de ter demorado tanto na leitura fazendo anotações e muitas vezes transcrevendo em seu laptop trechos inteiros do diário que considerara interessantes ou importantes.

 

Quase dois meses de material reunido nas pesquisas sobre Lady Clementine Darcy estavam perdidos. Após a advertência feita por Lord Darcy, ela havia desistido da idéia de escrever e publicar a matéria. Uma pessoa só poderia ser completamente insana para desafiar um homem como ele, que parecia não estar brincando quando a ameaçou.

 

O aspecto negativo de ser uma jornalista freelancer já estava se fazendo sentir no bolso de Lizzy, o dinheiro de suas poupanças mal dava para pagar sua parte no aluguel e despesas do apartamento que dividia com suas irmãs Jane e Mary neste mês. Teria que se apressar e vender logo alguma matéria para honrar seus compromissos.

 

Logo que chegou a Londres, Lizzy foi à redação da revista “Mulheres” conversar com sua amiga Charlotte e contar a ela tudo que lhe acontecera em Pemberley.

 

- Não quero ser uma pessoa desagradável dizendo: “Eu bem que te avisei”, mas tenho que dizer que eu te avisei, Lizzy. – disse Charlotte assim que a amiga terminou de contar suas aventuras.

 

- Sei que você me avisou, Charlotte, não precisa me lembrar.

 

- E você teve muita sorte por Lord Darcy não ter chamado a polícia e levado o caso adiante.

 

- O grande homem ficou furioso, confesso que fiquei com medo dele. Ele tem um jeito de olhar com aqueles olhos azuis que chega a dar calafrios na boca do estômago. Ele não levanta o tom de voz, mas você percebe que está bravo, acho que preferiria que ele gritasse, berrasse.

 

- Este tipo de gente é que é perigosa. – comentou Charlotte.

 

- Só fui salva pelo horror que Lord Darcy tem de ver seu nome envolvido em escândalos. Mas pensando com calma, eu não furtei nada, apenas li aqueles diários e a prova de que ia devolvê-los é que fiquei trabalhando na mansão depois de encontrá-los, se os quisesse furtar não teria ficado lá depois de encontrá-los. Ele não poderia me acusar de nada muito grave, apenas de curiosidade. Acho que ficou furioso porque o desobedeci, desafiei sua autoridade.

 

- Você sabe muito bem que ele poderia ter criado problemas, pois você entrou disfarçada na casa dele com o propósito de procurar informações que ele te havia proibido de investigar. Teve muita sorte dele não ter chamado a polícia, estaria no direito dele e você estaria bastante encrencada numa hora destas. Ele foi bastante generoso com você.

 

- Tenho que admitir que foi. A Sra. Reynolds e os empregados de Pemberley gostam muito dele, diziam que há melhor patrão do que ele.

 

- Pelo que sei, Lord Darcy é conhecido como um homem de vida ultra discreta, completamente avesso à publicidade, apesar da fortuna e do nome que tem, foi isto que a salvou.

 

- Graças a Deus, Charlotte! Mas voltando a estória de Lady Clementine, ela é apaixonante. É uma linda estória de amor daquelas que não existem mais, do tipo que todas as mulheres adoram.

 

- Desconhecia este teu lado romântico, Lizzy.

 

- Claro que como toda mulher tenho meu lado romântico. Não pude deixar de suspirar com o que aconteceu entre Lady Clementine e Lord Darcy. Parece estória de um romance ou de filme romântico.

 

- Você chegou a descobrir como ela morreu? Ela foi assassinada ou morreu de causas naturais?

 

- Não sei com certeza. No inquérito policial que li em Matlock consta a causa da morte como natural, mas eu precisava pesquisar melhor nos documentos da família. Mesmo o diário eu não consegui terminar de ler.

 

- Ficou tanto tempo lá e não terminou de ler o diário?

 

- Eu demorei para encontrar o diário e depois só tinha poucas horas à noite para ler, estava sempre morta de cansaço com o serviço braçal que fazia o dia inteiro, lia algumas páginas e caia no sono. Perdi muito tempo fazendo anotações que considerava importantes.

 

A visita a Charlotte rendeu a Lizzy algumas idéias de matérias que a revista estava interessada em publicar. Ela saiu a campo para fazer suas pesquisas e duas semanas depois estava entregando uma matéria que lhe rendeu algum dinheiro para poder pagar suas contas e sobreviver.

 

- Charlotte, quero te contar um segredo – disse Lizzy animada para a amiga. - Comecei a escrever a estória de Lady Clementine nas minhas horas vagas. Ela não me saía da cabeça e resolvi colocá-la no papel, aproveitando que tenho fresco na minha cabeça todo o material que pesquisei.

 

- Você enlouqueceu Lizzy? Você não havia desistido desta matéria? Esqueceu da ameaça de Lord Darcy?

 

As palavras de Lord Darcy imediatamente vieram à memória de Lizzy:  “Nunca mais quero ouvir falar na senhorita e se ousar tornar pública qualquer das informações que obteve através da leitura deste diário irá se arrepender amargamente.

 

- Não, não me esqueci Charlotte! Como poderia? Mas nem Lord Darcy pode me impedir de escrever baseada nas notícias publicadas nos jornais da época e nos arquivos da polícia, são informações de domínio público para quem quiser ler.

 

- E aquelas que você obteve lendo os diários de Lady Darcy?

 

- Pensei em incluí-las de forma romanceada, ninguém poderá me impedir de usar minha imaginação. Os meus leitores não saberão que se trata de informações que colhi com a leitura do diário, não farei referência a eles.

 

- Mas a estas alturas Lord Darcy já deve ter lido o diário e saberá de onde você tirou estas informações, que não são exclusivamente fruto de sua imaginação.

 

- Vou escrever a estória até onde tenho informações e tenho um plano. Vou pedir a Lord Darcy que leia minha matéria. Ele verá que não há nada de desabonador na vida de sua antepassada e que a matéria não irá denegrir de nenhuma forma a imagem da família Darcy, muito pelo contrário.

 

- Decididamente você enlouqueceu, Lizzy. Ainda terá coragem de procurar Lord Darcy depois do que aconteceu e do que ele lhe falou?

 

- Confesso que estou um pouco receosa, mas preciso me armar de coragem e enfrentá-lo novamente, o máximo que ele poderá fazer é dizer “não”.

 

- É o que certamente ele dirá, depois de tudo que aconteceu. Se ele é como você diz, um homem orgulhoso, jamais voltará atrás em sua palavra.

 

- Mas se eu conseguir convencê-lo, ele me dará permissão para terminar de ler a parte do diário que ficou faltando eu ler, pesquisar com calma os arquivos da família para ver se descubro o que aconteceu a Lady Clementine no final de sua vida, e ler as tais cartas trocadas entre ela e o marido de que Georgiana Darcy me falou.

 

- Desejo-lhe boa sorte Lizzy e só posso admirar sua perseverança e coragem.

 

- Obrigada Charlotte. Vou mesmo precisar de muita sorte. Acho que a bela estória de amor entre Lord Darcy e Lady Clementine deve ser tornada pública, aposto todas as suas fichas de que será um grande sucesso, pois o público feminino sempre gosta de uma boa estória de amor.

 

- Se conseguir publicá-la será a consolidação de sua reputação como jornalista investigativa, e você merece isto, Lizzy, porque escreve muito bem e é uma batalhadora.

 

Lizzy saiu animada da conversa com a amiga, mas demorou algum tempo para concluir a matéria sobre Lady Clementine porque só se dedicava a ela em suas horas vagas, porém assim que terminou ligou para o escritório de Lord Darcy tentando agendar um encontro com ele.

 

- Qual o assunto que gostaria de tratar com ele, Srta. Bennet? – perguntou a secretária depois que Lizzy se identificou.

 

- É sobre... Sobre Lady Clementine Darcy.

 

- Tudo bem, vou consultá-lo e ligo de volta para a senhorita.

 

Logo no dia seguinte a secretária de Lord Darcy retornou a ligação de Lizzy dizendo-lhe:

 

- Sinto muito Srta. Bennet, mas Lord Darcy disse que não irá recebê-la. Ele pediu para lhe dizer que não tem mais nada a tratar com a senhorita, que tudo já foi esclarecido no último encontro que tiveram.

 

Lizzy ficou alguns instantes sem ação, chocada ante a negativa categórica de Lord Darcy em recebê-la, ela alimentara esperanças de ser, pelo menos, recebida por ele, dando-lhe a oportunidade de convencê-lo a pelo menos ler a matéria que escrevera e para quem sabe mudar seu ponto de vista permitindo que ela pesquisasse os documentos para terminar sua matéria.

 

Após agradecer a secretária, Lizzy desligou o telefone e ficou um longo tempo pensando se haveria alguma forma de contatar o grande homem que não fosse através de sua secretária?

 

Lizzy pensou em mandar para Lord Darcy uma cópia da matéria juntamente com uma carta defendendo seu pedido, mas desistiu porque seria inútil, tinha certeza de que ele jogaria tudo no lixo sem se dar sequer ao trabalho de ler.

 

 

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Lizzy passou alguns dias deprimida, principalmente pela frustração de ver o trabalho a que dedicara tanto tempo ficar inacabado, arquivado e esquecido numa das pastas de seu computador. Mas a vida real a chamava com suas obrigações e contas a pagar, era hora de esquecer Lady Clementine, Lord Arthur Darcy e Pemberley e seguir em frente.

 

As irmãs Bennet, Jane, Lizzy e Mary moravam juntas num pequeno e modesto apartamento alugado na área central de Londres. As caçulas, Kitty e Lydia ainda moravam com os pais, na antiga fazenda da família chamada Longbourn, próxima da vila de Meryton, no Herefordshire, onde todas haviam nascido e crescido.

 

As irmãs mais velhas foram saindo de Longbourn, à medida que haviam terminado o ensino médio e foram cursar suas respectivas faculdades. Depois de formadas escolheram viver em Londres onde as oportunidades de trabalho eram melhores.

 

Jane, a mais velha, considerada por todos a beldade da família, era realmente muito linda, alta, loira, com intensos olhos azuis, considerada uma autêntica “rosa inglesa”. Nunca lhe faltaram admiradores e pretendentes, mas ela jamais se apaixonou por nenhum e enquanto esperava encontrar “o grande amor de sua vida”, foi seguindo sua vida, cursou a faculdade de Direito e iniciou sua vida profissional num escritório de advogados.

 

Lizzy era a segunda das cinco irmãs, logo em seguida vinha Mary Bennet que havia terminado sua graduação em música e estudava com afinco para conseguir uma vaga no curso de especialização no renomado Royal College of Music. Ela ganhava a vida dando aulas de violino numa escola de música para crianças, mas tinha o objetivo de integrar um dia uma sinfônica de renome para isto sabia que teria que estudar muito.

 

As irmãs dividiam as despesas e os serviços domésticos. Uma vez por mês costumavam ir a Longbourn visitar os pais e as irmãs caçulas. A vida transcorria tranqüila dentro da rotina quando Jane começou a namorar um advogado que lhe fora apresentado por um colega de trabalho.

 

- Vai sair novamente com Charles Bingley, Jane?

 

Jane havia conhecido Charles apresentada por um colega de escritório durante um happy hour num pub.

 

- Sim, vamos ao teatro hoje.

 

- Parece que o namoro de vocês está ficando sério.  Há quanto tempo já estão namorando?

 

- Agora no dia dezoito vai completar quatro meses, Lizzy. Espero mesmo que dê certo, pois Charles é tudo aquilo que sempre procurei num homem, é gentil, bondoso, simpático e ainda é bonito. Sabe que a princípio eu mesma não colocava muita fé de que este namoro fosse dar certo.

 

- Por que não daria, Jane?

 

- Pelo fato dele ter fama de namorador, pensei que estava querendo apenas um passatempo comigo, mas parece que nosso namoro está se tornando algo sério.

 

- Só espero que ele realmente mereça você e que saiba fazê-la feliz.

 

- Charles é um amor de pessoa, tenho certeza de que você irá gostar dele quando o conhecer. No próximo fim de semana ele me convidou para ir à casa de campo de sua família com um grupo de amigos. Ele quer me apresentar para as duas irmãs e alguns amigos mais íntimos.

 

- Querendo apresentar sua família! Então o namoro está se tornando sério mesmo. Você irá realizar dois sonhos de mamãe de uma única vez, ver uma de suas filhas casada e com um homem rico.

 

- Confesso que estou morrendo de medo de passar um fim de semana inteiro com um grupo de gente que não conheço, principalmente porque tenho a impressão de que devem ser pessoas ricas e esnobes.

 

- Não precisa ter medo algum, você tem classe e educação para conviver com elas, não tem nada do que se envergonhar, só não tem o dinheiro que esta gente deve possuir. Depois todos irão tratá-la bem porque você é namorada de Charles, que é o anfitrião. Vá tranqüila!

 

- Assim espero.

 

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Jane voltou de seu final de semana no campo empolgada com tudo, sobretudo com o tratamento que recebeu das duas irmãs do namorado.

 

- Elas são uns amores, me receberam muito bem. Uma delas, Caroline, é solteira. A outra é casada. Os demais convidados foram muito simpáticos comigo. Conheci o melhor amigo de Charles. Sabe quem é? Lord William Darcy.

 

Este comentário de Jane se devia apenas ao fato de Lord Darcy ser uma figura conhecida no mundo social e dos negócios, aparecendo com freqüência na mídia em geral. Lizzy nunca havia comentado com Jane que também o conhecia pessoalmente e muito menos sobre o problema que tivera com ele em Pemberley.

 

- E o que achou dele?  - perguntou  Lizzy procurando dar um tom despreocupado à pergunta, como quem está perguntando por perguntar, mas intimamente curiosa para saber a opinião que Jane sobre Lord Darcy.

 

- Um homem lindo Lizzy, pessoalmente muito mais bonito do que parece em fotos nos jornais. Ele é alto, físico atlético, muito elegante, uma figura masculina impressionante.

 

- E como ele a tratou?

 

- Ele foi cordial comigo, mas bastante formal, o que achei natural da parte dele, afinal estava acabando de me conhecer. Ele estava acompanhado da irmã, Georgiana, uma jovenzinha alegre e simpática. Ele se mostrava muito carinhoso e atencioso com ela, de onde concluo que deve ser uma boa pessoa.

 

- Jane, você sempre procurando ver o lado bom das pessoas!

 

 

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Algum tempo depois, quando parecia que o namoro estava evoluindo para um compromisso mais sério, Jane convidou Charles Bingley para conhecer as duas irmãs que moravam com ela.

 

As irmãs Bennet prepararam um jantar para recebê-lo e ficaram encantadas com Charles, pois ele era extremamente amável e simpático. Era o tipo que gostava facilmente das pessoas e elas em contrapartida também gostavam dele.

 

“Como um homem simpático e agradável como Charles pode ter como melhor amigo Lord Darcy, é um mistério para mim.”  – pensava Lizzy que gostara imediatamente de Bingley e o aprovara prontamente como namorado da irmã. – ”Como ele suporta aquele sujeito orgulhoso e arrogante!

 

- Charles Bingley está aprovado! Dou meu consentimento, se quiser pode se casar com ele, Jane!  – disse Lizzy em tom de brincadeira assim que Charles foi embora.

 

O namoro entre Jane e Charles ia progredindo muita bem, parecia o encontro de duas almas gêmeas, tudo indicava que o relacionamento do casal terminaria em casamento.

 

Charles quis aproveitar a comemoração de seu 30º aniversário para conhecer finalmente os pais e as irmãs mais novas de Jane. Convidou todos os Bennet para a festa que  realizaria em sua casa de campo, onde um grupo de amigos e familiares de Charles estariam reunidos.

 

Os Bennet aceitaram o honroso convite e com exceção do Sr. Bennet todos os membros da família estavam na expectativa de que talvez Charles Bingley pedisse a mão de Jane  naquele final de semana.