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Corazon Partío - Capítulo VIII

Escrito por Indira Ligado . Publicado em Corazon Partío - A verdade sobre Caroline

Caroline acordou em sua cama com três pares de olhos mirando-a. Reconheceu a face bondosa de Jane, a impassível de Mary, sua criada pessoal, e um olhar intrigado da princesa Melia.

“Oh! Então era verdade?” – Caroline reviu a cena da entrada da casa em sua mente.

- Princesa?! – tentou levantar, mas Melia tranqüilizou-a.

- Não há necessidade de protocolo agora, sente-se melhor?

- Um pouco.

- O que sentiu, Caroline? – Jane indagou – Já vinha sentindo-se mal há algum tempo?

- Na verdade não, devo ter descido as escadas depressa demais. – mentiu, o que não passou despercebido por Melia.

- Acho melhor então que permaneça aqui para descansar, quanto estiver melhor marcaremos outro jantar com a família do duque.

Caroline assentiu, estava tão surpresa e perdida que não sabia como agir, tinha medo do que ia enfrentar. As duas então desceram para tranqüilizar os outros.

Na sala as duas famílias conversavam e tomavam o famoso chá inglês com deliciosos petiscos. Dom Enrique Fernandez, o filho mais novo do conde passou uma ótima imagem para os Bingley, aparentava ser um bom partido, culto, educado e de opiniões firmes, e Charles tinha por certo que Caroline aceitaria o noivado de bom grado.

Enrique, por sua vez, ficou levemente frustrado devido ao desmaio de Caroline, planejava surpreendê-la naquela tarde, o que de fato aconteceu, entretanto nada saiu da maneira como ele queria, agora teria que esperar ainda mais para vê-la.

Quando sua cunhada desceu com Jane, esperava ansioso por uma boa notícia. Escutou que ela estava melhor, porém não era suficiente. Aguardou um momento oportuno e discretamente se aproximou de Melia, enquanto os outros conversavam animadamente.

- Como Caroline está?

- Aparentemente bem. – Melia mirava Enrique com atenção.

- O que foi? Por que está me olhando assim? – ele percebeu.

- O que você fez com a moça Enrique?

- Eu? Como assim?

- Eu já estava achando muito estranha essa sua pressa de vir para a Inglaterra. Esse noivado de uma hora para outra, e agora isso... Você não engravidou essa moça na Espanha, não é, Enrique?

- Assim você me ofende... – ele sorriu brincalhão.

- Falo sério, Enrique. Você já viu onde está se metendo? Essa família tem grande respeitabilidade neste país. Caroline não é uma moça qualquer, se o irmão dela pelo menos sonhar quanto tempo vocês passaram juntos, e sozinhos... Isso não vai dar certo.

- Melia, eu juro, não foi por falta de vontade, mas eu nunca fiz nenhum mal a Caroline. E eu quero mesmo me casar com ela, de verdade, ela é a mulher certa para mim, eu sinto aqui dentro. – defendeu a honra de sua amada levando a mão ao peito.

Enquanto isso, os móveis dos aposentos de Caroline eram testemunhas de um de seus piores ataques de fúria. Sempre foi acostumada a dar ordens e ter tudo da forma que queria, e agora fora completamente tomada de surpresa, e uma profunda revolta a atingia.

Depois de tentar refletir tomou uma atitude impulsiva, ordenou a criada que a ajudasse a se recompor e desceu para a sala novamente. Não ia ficar fechada num quarto enquanto tinha tanto a resolver. Vestiu uma máscara de indiferença e altivez, adentrando a sala de chá onde todos estavam acomodados, surpreendendo a todos.

Os homens levantaram com a sua entrada no salão.

- Duquesa. Duque. Conde. - fez uma delicada mesura ignorando os olhares de Enrique.

- Caroline! – Charles falou confuso – Pensei que ia descansar!

- Foi só um mal estar passageiro, irmão. Não faz sentido ficar presa dentro de um quarto quando temos visitas vindas de tão longe!

- Espero que esteja mesmo bem, minha querida! – a duquesa desejou sinceramente.

- Estou ótima! – Caroline não quis impor sarcasmo com a resposta, mas foi impossível não perceber.

- Creio que ainda não conhece meu filho, - o duque se aproximou mostrando Enrique – este é meu filho mais novo: Dom Enrique Fernandez Guzman y Andrade.

Enrique não disfarçou sua alegria. Sorriu encantador para Caroline e recebeu um olhar glacial em troca, mesmo que por dentro ela se sentisse uma gelatina, prestes a desabar a qualquer momento.

- É um prazer imenso conhecê-la, señorita. – ele falou de forma incisiva.

Caroline apenas fez um aceno com a cabeça. Queria evitar falar qualquer coisa. Temia que sua voz saísse tremida. Seu disfarce poderia desabar. Como ele ousava chamá-la de senhorita daquela forma? Nunca ouviu ninguém dizer uma palavra tão simples de forma tão sedutora.

Tentando não demonstrar nervosismo ela recusou o chá que a criada lhe oferecia e sentou-se próxima as mulheres, fingindo estar atenta a conversa que se iniciava, quando na verdade sua mente estava em Enrique.

Depois de algum tempo no salão, Charles propôs um passeio pelo jardim da propriedade após discretas insinuações de Enrique. Aproveitando-se do fato de serem os únicos solteiros no recinto ele ofereceu-se para acompanhar Caroline, que não teve como aceitar.

- Como tem passado?

- Muito bem, senhor.

- Eu não via a hora de encontrá-la novamente. – Caroline ignorou-o, permanecendo calada, sem lhe dignar sequer um olhar - Aconteceu alguma coisa?

- Não. – responder lacônica.

Enrique procurou se afastar o máximo possível do restante das pessoas sem chamar atenção e colocou-se na frente de Caroline, encarando-a.

- Aconteceu sim, e eu exijo saber do que se trata.

- Ah, exige? Posso saber com que moral o faz? A mesma de alguém que finge ser quem não é todo o tempo?

Ele sorriu de forma cínica.

- Eu não fingi, você que nunca quis saber de verdade quem eu era.

- Nunca impedi que me contasse.

- Nunca perguntou!

- Isso não vai levar a nada. E afaste-se de mim, daqui a pouco vão começar a reparar!

- E daí que reparem?! Nós vamos nos casar mesmo. – ele tentou finalizar a discussão.

- Como? – indagou incrédula - Não é possível que depois de tudo isso você acredite que eu ainda teria alguma coisa com você.

- Nós estamos noivos, esqueceu?

- Eu estava noiva de alguém que eu conheci há mais de três meses atrás, em outro país. Mas esse alguém não existe mais! – respondeu zangada.

- Você não ouse repetir esta bobagem de novo!

- Quem vai me impedir? Você? Alguém que eu conheci hoje? Faça-me o favor! - tentou dar as costas, mas foi impedida por uma mão forte em seus braços.

- Até o fim desta quinzena nós seremos noivos perante a nossa família. E logo depois disso anunciaremos nosso noivado para a sociedade britânica e espanhola. E depois, num piscar de olhos, você será minha, minha mulher. – o desejo estava escrito em seus olhos – E eu lhe garanto, se arrependerá dessas palavras que acabou de dizer.

Sem chamar atenção e sem deixar Caroline responder a sua provocação Enrique reaproximou-se do grupo e Caroline procurou o local mais distante dele para ficar. Perto dali Jane e Melia trocavam impressões sobre a chegada do bebê.

- Então, vem sentindo muitos enjôos? – Melia indagou interessada.

- Agora não mais, sofri muito nas primeiras semanas, hoje já não sinto mais nada além de felicidade, fome e um pouco mais de sono!

- Eu quase não senti nada quando estava grávida dos meninos, mas na gestação de Leonor, nossa, pensei que fosse morrer. Nada segurava em seu estômago.

- Será se isso quer dizer que espero um garoto?

- Talvez, mas isso é muito relativo, depende da mulher. De qualquer forma não se preocupe, um filho é sempre bem vindo.

Jane tomou as mãos de Melia e confidenciou-lhe:

- Não posso me esquecer de agradecê-la, sem o seu elixir talvez não estivéssemos conversando sobre isso hoje.

- Imagine! – Melia sorriu abertamente – Foi tudo fruto dos seus esforços. Aquele elixir não influi em nada na fertilidade, só ajuda um pouco a aliviar a pressão.

- Verdade? - Jane inquiriu incrédula.

- Sim, não tem nada mais do que ervas variadas vindas da África, mel espanhol e cachaça brasileira. Só serve mesmo para deixá-la mais solta durante a noite. - Melia sorriu e Jane corou – Mas de qualquer forma serviu, não foi?

- Sim, é isso que importa! – as duas sorriram cúmplices enquanto a futura mamãe acariciava a barriga.

- Talvez eu possa fazer o mesmo por Caroline quando ela se casar, a garrafa ainda está pela metade.

- Sem querer ser indiscreta querida Jane, mas pelo que eu conheço de Enrique, Caroline não vai precisar de um elixir e sim de métodos contraceptivos, caso contrário passará boa parte da vida com herdeiros no ventre.

Jane apenas sorriu sem graça, não era acostumada a tamanha descontração para falar de certos assuntos.

Após um divertido dia, não tanto para os prováveis noivos, as duas famílias se despediram, depois de marcarem uma data para um baile que seria oferecido para os visitantes.

~x~

Caroline auxiliou Jane para que o jantar saísse impecável, não queria que ninguém tivesse o mínimo motivo para comentários negativos. As melhores famílias da sociedade foram convidadas, incluindo, claro, os Darcy.

A noite estava extremamente agradável. As pessoas chegavam pontualmente à casa dos Bingley. Mr. e Mrs. Matias foram um dos primeiros, simpáticos e agradáveis como sempre. Ele, o médico da família, e Alexandra, sua esposa, amiga pessoal dos anfitriões.

A condessa Sulani esbanjava simpatia encantando os espanhóis, apesar do olhar enciumado de seu marido, o Coronel Morland.  Mr. e Mrs. Francesca e Dermot Mulroney, que após uma temporada na França trouxeram consigo a prima Lucy Sulivan. O noivo desta por sua vez, Mr. Macfadyen, chegou acompanhado da irmã, miss Eveline Macfadyen.

Miss Mychele Elliot também compareceu, acompanhada de seus pais, e não disfarçava seu flerte com Mr. Wentworth Miller, recém saído de Oxford. Suas primas, miss Hanne e Karen Elliot também estava presente. Além destas toda a alta sociedade londrina compareceu: Mrs. Taillor, Miss Joana Knightley, Miss Lorrayne Potter e Mrs. Mirian Armitage, acompanhada pelo marido.

Mr. Clive Owen, sua esposa Mrs. Rachel, e Miss Mariane, a filha dos dois também estavam presentes. Thammy e James Macavoy chegaram logo depois do casal, Rachel e Thammy eram irmãs.

 

Sem dúvida que os homens espanhóis foram o foco do assunto das mulheres, mesmo aquelas acompanhadas por belos espécimes de homens. Juan II e Enrique possuíam beleza exótica, e seu comportamento era menos formal do que os britânicos.

- Que meu amado marido não me escute, mas depois do que vi sem dúvidas que quero passar uns dias na Espanha o mais rápido possível! – Rachel comentou abanando-se com o leque de forma teatral.

- Seu marido não está lhe satisfazendo? - Francesca Mulroney indagou com brincadeira.

- Claro que sim, mas olhar não tira pedaço e ainda abastece minha imaginação para os nossos momentos, se é que vocês me entendem!

- E como entendemos! – Alexandra, muito simpática, concordou, fazendo todas sorrirem.

- Olha lá, a condessa e a duquesa estão trocando figurinhas. – Thammy apontou.

- Sim, elas parece que se deram muito bem. Mas eu gostei mesmo foi da princesa, ela está ali com Lizzie Darcy, vamos até lá? – Rachel convidou.

- Rachel, - Thammy cochichou discretamente enquanto caminhavam em direção a senhora Darcy – ouvi rumores de que o filho mais novo do conde e Caroline Bingley vão se casar.

- Será? – Rachel passou a prestar mais atenção aos dois, a procura de algo que os denunciasse, entretanto Caroline nem olhava na direção do provável noivo – Ela seria estúpida se não o aceitasse. Além de bonito e rico ele deve ser um vulcão entre quatro paredes! – as duas sorriram alegres.

- Mas se isso for só um boato você e Clive poderiam convidar toda a família para passar uns dias na casa de campo, seria ótimo para Mariane.

- Mariane?

- Sim, ou você esquece que na idade de sua filha já era mãe? Um casamento entre Dom Enrique e ela seria ótimo.

- Mas eu me casei muito nova, foi uma circunstância diferente, você sabe muito bem o quanto eu era espevitada, e Clive era ainda pior. Se eu não casasse logo corria o risco de subir ao altar com a barriga na garganta. Mariane é diferente, ela precisa de tempo para escolher.

- A sociedade não nos permite escolher muito. São poucas as mulheres que têm a chance de viver um verdadeiro amor. Eu agradeço todos os dias por ter sido abençoada por essa dádiva.

- Pois eu não tenho pressa, e nem quero que ela tenha. Minha filha vê o amor entre os pais dentro da própria casa todos os dias, ela não viveria com menos do que isso, é romântica e sensível demais para ser forçada a um casamento sem amor.

- Quem vai casar sem amor? – Mariane se aproximava da mãe e ouviu o fim da conversa.

- Ninguém, minha querida, ninguém.

- Eu jamais casaria sem amar meu pretendente. Quero viver um amor digno de um poema! – comentou sonhadora.

- E irá! – a mãe lhe prometeu, mesmo não tendo como garantir-lhe – Estava com Caroline?

- Sim. Combinamos de visitar algumas modistas na próxima semana, teremos inúmeros outros bailes para comparecer.

- Ótimo, nós poderíamos fazer o mesmo, não irmã?

- Seria ótimo, preciso de novas roupas, principalmente roupas de baixo, James já conhece todas!

Rachel lançou um olhar ameaçador para a irmã não tocar em certos assuntos na presença de sua filha, e Thammy sorriu envergonhada, mas as duas estavam acostumadas, Thammy era assim, sempre falava antes de pensar. As três se dirigiram a Elizabeth, Jane e Melia, que conversavam próximo ao sofá. Em outro cômodo Charles recorria mais uma vez ao seu grande amigo Fitzwilliam Darcy.

- Preciso mais uma vez do seu conselho, Darcy. Já não sei mais o que fazer com Caroline. Um partido tão adequado como o filho do Duque e ela resiste ao noivado.

- Nesse caso não sou a melhor pessoa para aconselhá-lo, meu amigo. Você conhece sua irmã melhor do que eu.

- Eu não entendo! O que Caroline deseja da vida? Um noivo como este é algo raro!

- Sua irmã é muito voluntariosa, você precisa ser firme.

- Esse é o problema. Não sei se consigo. Você poderia falar com ela junto comigo, você sempre conseguiu tudo de Caroline.

Darcy ficou envergonhado, não queria passar por tal constrangimento, sabia da afeição que Caroline nutria por ele e não queria aproveitar-se disso.

- Não, de forma alguma. Isso não seria adequado, Charles, sua irmã pode ficar constrangida.

- Constrangida, por quê? – Darcy permaneceu calado, talvez o amigo avoado nunca tivesse percebido as atenções exageradas de Caroline para com ele, não seria o próprio Darcy que abriria seus olhos quanto a esse fato que mais o incomodava do que o envaidecia.

- Olhe, por que você não pede que Jane fale com ela? Mulheres sabem bastante como serem persuasivas.

- Talvez, foi Jane que a convenceu sobre a viagem... É, talvez você tenha razão. Seria bom se Elizabeth também a acompanhasse neste momento.

Darcy suspirou, não queria faltar com o amigo, ao mesmo tempo que não queria envolver Elizabeth nisso. A mulher ainda se incomodava com ciúmes dele, provocá-la poderia ser pior ainda.

- Charles, - tentou ponderar – seus convidados não podem passar muito tempo sem você... Não é melhor continuarmos esse assunto em outro momento? – “Talvez até eu resolver o que fazer?” Completou em pensamento.

- Muito bem, vamos voltar.

O jantar saiu como planejado. Tudo estava perfeito e todos se divertiram. Enrique surpreendeu Caroline, não a procurou e nem tentou ficar com ela a sós. Ela por sua vez não sabia o que pensar, ele não poderia ter desistido dela tão fácil, poderia?

“Lógico que sim, sua burra! Lindo como ele é milhares de mulheres devem correr atrás dele.”

Não era difícil perceber, via as amigas de Jane se derretendo por Enrique, mesmo que fossem um tanto discretas, conseguiu ouvir um ou dois comentários sobre a beleza dos espanhóis. A condessa Sulani não disfarçava, era toda sorrisos para o seu Enrique.

De repente percebeu o tom possessivo que usara. A quem estava tentando enganar? Queria ser a esposa dele, mais do que isso, desejava ser sua mulher, fazer parte de sua vida, mas temia ser tarde demais.

A noite chegou ao fim e Enrique não havia lhe lançado nenhuma atenção em especial, dúvidas atormentavam sua mente e só dormiu frente ao intenso cansaço.

 

O dia amanheceu nublado, o céu prometia um pouco de chuva. Quis ficar deitada mais um pouco, no entanto aprontou-se como de costume. Talvez Enrique chegasse qualquer hora para resolver a questão do noivado. Mas o dia transcorreu normalmente, sem nenhuma novidade.

 

Na manhã seguinte a carruagem de Mrs. Owen a aguardava na porta de casa. Caroline cumprimentou sua amiga Mariane Owen, sua mãe e sua tia Thammy Macvoy.

Visitaram suas modistas prediletas e fizeram algumas compras. Foram andando até a confeitaria tomar um lanche, as mais velhas à frente e as mais novas um pouco atrás.

- Caroline, por que está tão distante? – Mariane inquiriu.

- Ãnh? – indagou voltando-se para a amiga.

- Onde está seu pensamento? Eu tenho a impressão que falo com uma parede.

- Desculpe, Mariane. Meus pensamentos estão me consumindo.

- Percebi. – respondeu compreensiva – É por causa do espanhol?

- Por que seria? – Caroline indagou nervosa.

- Ora! Porque ele simplesmente tem sido o assunto de todas as rodas desde que chegou. As mulheres suspiram e elogiam, e os homens, enciumados, não sabem o que as mulheres vêem nele.

- Enrique certamente chama a atenção onde passa.

- Enrique? Quanta informalidade! – a amiga não pôde deixar de notar.

Caroline corou envergonhada. Deixara vazar uma importante informação, agora não sabia como consertar.

- Oh! Oh! – miss Owen tinha os olhos brilhantes – Vocês estão comprometidos, não estão? E você está apaixonada?! Eu sabia que tinha algo entre vocês!

- Shi! Deixe de escândalo Mariane! Não há compromisso nenhum entre nós, ainda...

- Então ele lhe propôs?

Caroline assentiu sorrindo.

- E você não aceitou? – Mariane indagou confusa.

- Sim. Quer dizer, não. Não tenho certeza.

- Como não tem certeza?! – o som saiu mais alto do que pretendia e a mãe ouviu, virando-se e recriminando-a com um simples olhar – Perdão, mamãe! – desculpou-se e voltou-se novamente para a amiga, cuidando para que ninguém escutasse – O que você tem sobre o pescoço? Titica de galinha? Como pode cogitar a possibilidade de dizer não a um homem como aquele?

- Não sei! Eu fiquei nervosa, me senti enganada. Negar foi a minha primeira reação.

- Enganada? De que forma?

Caroline suspirou. Ninguém sabia o que havia se passado entre ela e Enrique na Espanha, ninguém além dos dois. E agora tudo estava tão confuso que ela tinha a necessidade de dividir com alguém. Mariane era dois anos mais nova do que ela, mas sempre fora uma amiga inteligente e sensata, ela saberia entender sem julgá-la, e agora Caroline não precisava de um julgamento, mas de alguém que a ajudasse a clarear a mente.

Narrou à amiga tudo que se passara na Espanha, em todos os detalhes. Falou da confusão na praia, do jeito que ele a olhou, do encontro que ela nunca imaginara que ele fosse comparecer, do beijo - e que beijo –, das desculpas no teatro, da festa cataluña, do piquenique, dos beijos sob a chuva e da noite passada em claro no quarto da hospedaria.

Mariane ouviu tudo sem se chocar, era fã dos romances, adorava lê-los, e por vezes ousava escrever pequenos textos.

- Isso daria um livro! – suspirou encantada com aquela narração – O que está esperando para ser feliz com este homem, minha amiga?

- Eu não sei!

- Então pare de boicotar sua própria felicidade, não perca mais tempo pensando bobagens, viva essa linda história de amor!

- É o que me aconselha?

- Sem dúvidas! E agora nos apressemos que mamãe não para de olhar pra trás, deve estar desconfiada dos nossos cochichos! - As duas sorriram e alcançaram as mais velhas.