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O&P em versos

Escrito por Luciana Viter Ligado . Publicado em Artigos


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O autor Edward JB escreveu adaptações da obra Orgulho e Preconceito em forma de romance, como é mais comum, mas além disso escreveu vários poemas também a partir da mesma obra de Jane Austen que podem ser acessados em inglês no seu site: '); document.write(addy83462); document.write('<\/a>'); //-->\n O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ">http://www.exceedinglyjane.com/O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 
Este é um dos poemas e a tradução livre do mesmo para português:

 

 

 

Lizzy and Darcy
In private

 

Oh my, Mr. Darcy! Don't bite me right there!

To touch me like that is extremely unfair.

You really must give me a chance to prepare

so before you go on let me take down my hair.

 

Oh dear, Mr. Darcy! Please cease and desist.

Your ardent attentions are hard to resist.

I'm almost in shock at the places you've kissed

but I think over here is a spot that you missed.

 

My word, Mr. Darcy, you mischievous man!

Your hand's been exploring since nightfall began.

Until we are wed that's a thing I should ban

but keep moving your hand to the right if you can.

 

No no, Mr. Darcy! Please let me explain.

I'd never suggest that you ought to abstain.

I'm scared by the effort you want to sustain

but I certainly won't be the one to complain.

 

Oh please, Mr. Darcy! You're acting so bold.

I'm really concerned about what might unfold.

The buttons securing this dress may not hold

and you'll have to make sure that I don't catch a cold.

 

My heavens, Fitzwilliam! I have to implore.

I've never been touched in this manner before.

I shudder to think what you now have in store

but just give me a moment to go lock the door.

 

 

Lizzy and Darcy
Em particular

 

Meu Deus, Mr. Darcy! Não me morda bem aí!

Tocar-me assim é extremamente injusto.

Precisa me dar uma chance para me preparar

Mas antes de continuar deixe-me soltar o cabelo

 

Oh querido Mr. Darcy! Por favor, pare e desista

Suas atenções ardentes são difíceis de resistir

Estou quase em choque com os lugares que beijou

Embora ache que ainda há um lugar de que se esqueceu

 

Dou minha palavra, Mr. Darcy, menino malvado!

Suas mãos não param desde que anoiteceu.

Antes de nos deitarmos é algo que devo proibir

Contudo continue movendo suas mãos se puder.

 

Não, não, Mr. Darcy! Por favor, deixe-me explicar.

Nunca sugeri que precise se abster

Estou apenas assustada com este ritmo tão intenso

Porém, certamente não serei eu a reclamar.

 

Oh, por favor, Mr. Darcy! Está sendo muito arrojado.

Estou realmente preocupada com o que possa acontecer

Os botões que seguram meu vestido podem não suportar

E o senhor precisará cuidar para que eu não me resfrie.

 

Pelos céus, Fitzwilliam! Eu tenho que implorar.

Nunca fui tocada desta maneira antes.

Tremo ao pensar no que o senhor tem em mente

Mas dê-me só um momento para trancar a porta.

 

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Biógrafos de Jane Austen seguem cheios de dúvidas

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em Artigos

Transcrição de matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, página D7, do dia 8 de dezembro de 2009 de um artigo de Owen Bowcott do jornal britânico The Guardian, tradução de Terezinha Martino.

 

 

Novos dados levam a crer que autora de Orgulho e Preconceito tenha morrido com um linfoma, e não de problemas renais decorrentes do Mal de Addison

 

Em suas tramas sedutoramente cômicas, Jane Austen costumava ridicularizar os personagens que viviam preocupados com sua saúde. Portanto, a romancista ficaria perplexa – mas talvez achasse divertido – ao descobrir que, quase 200 anos após a sua morte a natureza exata da misteriosa doença que a acometeu no final acabou se tornando objeto de uma fascinação literária permanente.

 

Uma recente análise dos sintomas que ela apresentou, divulgada neste início de dezembro, sugeriu que a autora de Orgulho e Preconceito pode ter morrido prematuramente de tuberculose transmitida pelo gado. O que se afirma é que um exame da correspondência e das lembranças da sua família provam que ela não foi, como supunham médicos especialistas, vítima do mal de Addison (atrofia da glândula supra-renal).

 

 A vida privada de Jane Austen ainda intriga seus leitores modernos, enquanto médicos e biógrafos há mais de 40 anos discutem a causa precisa da sua morte, em 1817. Escrevendo na revista inglesa Medical Humanities, Katherine White, do grupo de autoajuda de doentes que sofrem do mal de Addison, ofereceu algumas evidências com o fim de liquidar com uma das mais amplamente aceitas teorias médicas sobre a morte de Jane Austen.

“Jane Austen morreu aos 41 anos, deixando seu sétimo romance, Sanditon, inacabado”, diz ela. “Embora Jane tenha sobrevivido a muitos dos seus pares na Inglaterra no período da Regência (quatro das suas cunhadas morreram por causa de complicações pós-parto), a causa da morte de Jane continua aberta a especulações póstumas.”

 

Na sua juventude e em grande parte da vida adulta, Jane Austen tinha uma constituição relativamente robusta. Ainda adolescente, escreveu seu primeiro romance cômico, satírico, Love and Friendship (Amor e Amizade), em que os protagonistas zombam constantemente da sua compassiva debilidade emocional.

 

Em maio de 1817, Jane foi a Winchester, Hampshire, sul da Inglaterra, em busca de auxílio médico, mas morreu na cidade dois meses depois. Como lembra um dos muitos websites literários dedicados à sua vida e obra, “Jane Austen morreu na madrugada de sexta-feira de 18 de julho de 1817, a cabeça recostada num travesseiro no regaço de Cassandra; sua irmã manteve-se de vigília ao seu lado durante toda a noite.”

 

Katherine White escreve que “em 1964, o médico Sir Zachary Cope propôs que o mal de Addison tuberculoso poderia explicar sua deterioração, que a deixava prostrada no leito, o seu tom da pele insólito, seus ataques de bílis, as dores reumáticas e a ausência de sinais mais específicos da doença”.

 

Por outro lado, em 1997, Claire Tomalin, que faz parte do grupo mais recente de biógrafos de Jane Austen, sugeriu que um linfoma se ajustaria mais aos sintomas reportados da romancista. Katherine White concorda que o diagnóstico do médico Zachary Cope pode estar correto mas observa que “muitas pessoas que sofrem do mal de Addison costumam ficar mentalmente confusas, sentem dores generalizadas, perdem peso e apetite. Nenhum desses sintomas aparecem nas cartas de Jane Austen”.
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Como Jane Austen pode mudar sua vida

Escrito por Helena Sanada Ligado . Publicado em Artigos

Matéria publicada na Folha on line pelo jornalista português João Pereira Coutinho, que é colunista do jornal Folha de São Paulo e do Correio da Manhã. Ele reuniu seus artigos no livro "Avenida Paulista" (Quasi Editora).

 

Alain de Botton escreveu um livro sobre Proust para mudar todas as vidas. Bom negócio. Nos últimos tempos, tenho pensado em Jane Austen para mudar a minha. Corrijo. Tenho pensado em mim, no meu bolso e nas histórias de Miss Jane para mudar as vossas. Assim é que é.

Acontece quando um amigo (melhor: uma amiga) entra aqui em casa com lágrimas nos olhos. Problemas sentimentais, por favor, não façam caso. Fatalmente, tenho sempre dois objetos sobre a mesa: uma caixa de lenços de papel e, claro, uma cópia de "Orgulho e Preconceito", o livro que Jane Austen publicou em 1813. Entrego o livro e, com palavras paternais, aconselho: Lê "Orgulho e Preconceito" e encontrarás a luz, meu amor.

Eles lêem e depois regressam, com a alma levantada, mais felizes que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal. Inevitável. Jane Austen entendia mais sobre a natureza humana do que quilos e quilos de tratados filosóficos sobre a matéria.

Mas, primeiro, as apresentações: leitores, essa é Jane Austen, donzela inocente que nasceu virgem e morreu virgem. Jane, esses são os leitores (ligeira vênia). A biografia não oferece aventuras. Poderíamos acrescentar que morou com a família até ao fim. Que publicou os seus romances anonimamente, porque não era de bom tom uma mulher se entregar aos prazeres da literatura. E que suas obras, apesar de sucesso moderado, têm conhecido nos últimos anos um sucesso estrondoso e as mais díspares interpretações políticas, literárias, filosóficas, até econômicas. Já li textos sobre a importância das finanças na obra de Jane Austen. Sobre o vestuário. Sobre a decoração de interiores. Sobre os usos da ironia no discurso direto. Para não falar de filmes - mais de vinte - que os seus livros --apenas seis-- suscitaram nos últimos tempos. O último "Orgulho e Preconceito" foi recentemente filmado no Reino Unido, com Keira Knightley (suspiros, suspiros) no papel principal. Vai aos Globos de Ouro. Provavelmente, aos Oscars também.

A loucura é total. Jane Austen mal sabia que, depois da morte, em 1817, o mundo acabaria por descobri-la e, sem maldade, usá-la e abusá-la tão completamente. Justo. Considero Jane Austen uma das maiores escritoras de sempre. Incluo os machos na corrida. Sem Austen, seria impensável encontrar Saki, Beerbohm ou Wodehouse. Miss Jane é mãe de todos.

E "Orgulho e Preconceito"? "Orgulho e Preconceito" tem eficácia garantida para males de amor. Vocês conhecem a história: Elizabeth, filha dos Bennet, classe média com riqueza nos negócios (quel horreur!), conhece Darcy, aristocrata pedante. Ela não gosta da soberba dele. Ele começa por desprezar a condição dela --social, física-- no primeiro baile onde se encontram. Com o tempo, tudo se altera. Darcy apaixona-se por Elizabeth. Elizabeth resiste, alimentada ainda pelas primeiras impressões sobre Darcy. Darcy declara-se a Elizabeth, sem baixar a guarda do preconceito social. Elizabeth não perdoa o preconceito de Darcy e, ferida no orgulho, recusa os avanços. Darcy vai ao "Faustão". Não, invento. Darcy lambe as feridas e afasta-se. Mas tudo está bem quando termina bem: Darcy e Elizabeth, depois das primeiras tempestades, estão condenados ao amor conjugal. Aplausos. The end.

As consciências feministas, ou progressistas, sempre amaram a atitude de Elizabeth: nariz alto, opiniões fortes, capaz de vergar Darcy e o seu preconceito aristocrático. Elizabeth seria uma espécie de Julia Roberts em "Pretty Woman", capaz de conquistar, com seu charme proletário, um Richard Gere que fede a presunção. "Orgulho e Preconceito" seria, neste sentido, um livro anticonservador por excelência, ao contrário de "Sensibilidade e Bom Senso", onde a hierarquia social tem a palavra decisiva. Elizabeth não é boneca de luxo, disposta a suportar os mandos e desmandos do macho. Ela exige respeito. Pior: numa família com dificuldades financeiras, Elizabeth comete o supremo ultraje --impensável no seu tempo-- de recusar propostas de casamento que salvariam a sua condição e a conta bancária de toda a família. A mãe de Elizabeth, deliciosamente histérica, atravessa o romance com achaques nervosos, prostrada no sofá. Se "Orgulho e Preconceito" fosse um romance pós-moderno, a pobre mãezinha passaria metade do tempo suspirando: Esta filha vagabunda vai levar a família toda para a sarjeta!

Elizabeth não cede e triunfa. A família também. E os leitores progressistas?

Esses, não. Os leitores progressistas tendem a ler "Orgulho e Preconceito" como se existissem na trama duas personagens distintas, vindas de mundos distintos, com vícios e virtudes também distintos. Darcy contra Elizabeth, até ao dia em que o amor é mais forte. Erro. Jane Austen não era roteirista em Hollywood. E os leitores progressistas saberiam desse erro se soubessem também que o título original de "Orgulho e Preconceito" não era "Orgulho e Preconceito". Era, tão simplesmente, "Primeiras Impressões".

Nem mais. Se existe um tema central no romance, não é Elizabeth, não é Darcy. E não é, escuso de dizer, o dinheiro, a ironia dos diálogos ou a decoração de interiores. "Orgulho e Preconceito" é uma meditação brilhante sobre a forma como as primeiras impressões, as idéias apressadas que construímos sobre os outros, acabam, muitas vezes, por destruir as relações humanas.

De igual forma, "Orgulho e Preconceito" não é, como centenas e centenas de histórias analfabetas, uma história de amor à primeira vista. É, como escreveu Marilyn Butler, professora em Cambridge e a mais importante crítica de Austen, uma história de ódio à primeira vista. E a lição, a lição final, é que amor à primeira vista ou ódio à primeira vista são uma e a mesma coisa: formas preguiçosas de classificar os outros e de nos enganarmos a nós. Elizabeth despreza a arrogância de Darcy sem perceber que essa arrogância, às vezes, é uma forma de defesa: o amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano. Darcy despreza Elizabeth porque Elizabeth é uma ameaça ao seu conforto social e até sentimental. Elizabeth e Darcy não são personagens distintos. Eles são, no seu orgulho e preconceito, personagens rigorosamente iguais.

Jane Austen acertou. Duplamente. Como literatura e como aviso. O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade. O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite e, mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o "amor verdadeiro" é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente.

Por isso, leitores desesperados e sonhadores arrependidos, leiam Jane Austen e limpem as vossas lágrimas! Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.